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In document Klassisk Forum, 2001:2 (sider 112-117)

A escolha do método de pesquisa foi baseada na busca de melhor responder a questão de pesquisa. Seguiu-se a orientação de Gunther (2006) de que a decisão teórico-metodológica de uma pesquisa não pode ser pautada na distinção entre qualitativa e quantitativa, mas, sim, naquela abordagem que melhor contribua para a compreensão do fenômeno.

Retomando a questão de pesquisa, “quais práticas de GCS estão sendo adotadas no setor eletroeletrônico brasileiro?”, “as prioridades competitivas da produção se relacionam com a adoção de práticas de GCS?” e “as características de porte e posição das empresas na cadeia de suprimentos afetam a adoção dessas práticas?” há duas questões emergentes. Uma, questionando “quais” e a outra, “se”. Em função dessa natureza tanto descritiva como exploratória, acha-se oportuno fazer um estudo quantitativo, pois segundo Gunther (2006), esse estudo possui como propósito o processamento de dados numéricos, a fim de obter as inferências que emergem da compreensão sobre os relacionamentos estabelecidos entre variáveis. Assim, identificam-se as características e opiniões de determinado grupo de empresas sobre a adoção de práticas de GCS e, por conseguinte, verifica-se a hipótese da pesquisa quanto às relações da adoção de tais práticas.

O método quantitativo busca obter dados de indivíduos (empresas) de forma que estes sejam representativos de suas populações. Segundo Bryman (1989), os estudos quantitativos possuem como principais características: a capacidade de mensurar a causa e efeito, a não interação do pesquisador diretamente com o objeto de estudo e as variáveis da pesquisa encontram-se bem definidas. Ou seja, em estudos quantitativos, o pesquisador, a partir de

indícios da literatura, consegue identificar as variáveis de pesquisa que podem ser testadas de forma a trazer contribuição para o desenvolvimento de uma teoria, sem necessariamente interagir com os indivíduos analisados. E uma das principais vantagens do uso de métodos quantitativos em pesquisas sobre gestão de operações, segundo Forza (2002), é a possibilidade de generalização dos resultados.

O estudo quantitativo tem um cunho descritivo, conforme definido por Freitas et al. (2000), pois o principal objetivo é identificar quais situações estão manifestas em uma população e descrever a distribuição do resultado entre os subgrupos da população.

O desenho da pesquisa quantitativa depende da definição de sua hipótese, a qual descreve o modelo teórico da pesquisa e suas variáveis de análise e de controle. A partir de elementos da teoria é possível destacar a hipótese de pesquisa que conduz o estudo empírico deste trabalho. No capítulo de fundamentação teórica destacaram-se elementos importantes que orientam a composição do modelo teórico. Primeiro, pela teoria de EP, identifica-se que as PC afetam a decisão infra-estrutural de “integração vertical” e esta está relacionada à reconfiguração da estrutura de CS. Ou seja, o tipo de PC que a empresa focaliza direciona ações de maior ou menor relacionamento e coordenação com os fornecedores e clientes. Segundo, a partir da sistematização das pesquisas empíricas realizadas no Brasil sobre PC, constatou-se que uma das vertentes de resultados aponta que as PC impactam na forma de estruturar e gerenciar a CS. Terceiro, Demeter et al. (2006) constataram que a estratégia da empresa focal tem forte relação com a configuração da CS e com o uso de práticas de GCS. Em função desses argumentos considera-se que as PC podem se relacionar com a adoção de práticas de GCS. Essa argumentação gera a hipótese da pesquisa, qual seja:

H1: Pode haver uma associação entre prioridades competitivas e a adoção de práticas de GCS de uma empresa.

Outros elementos destacados no segundo capítulo são relevantes nas considerações das variáveis de controle do modelo teórico da pesquisa. Estudos empíricos realizados sobre práticas de GCS apontam que é importante considerar fatores estruturais, como porte da empresa, setor industrial, posição da organização na cadeia e extensão da cadeia, na análise do grau de adoção de práticas de GCS em organizações. Ou seja, essas questões, ligadas à estrutura da empresa distinguem-nas em termos de maior ou menor adoção de práticas de GCS. Em função do escopo da pesquisa, que destacou um setor a ser estudado, o eletroeletrônico, por questões de melhor focar as análises e entender as variáveis da pesquisa, uma vez que este setor é representativo na economia brasileira, consideram-se para esta pesquisa os fatores estruturais de porte e posição na cadeia. Seguindo as orientações de

Vaaland e Heide (2007), Koufteros et al. (2007) e Ford (2009), as pequenas empresas tendem a ter um menor impacto na participação de processos de mudança e de desenvolvimento de produto, e estão menos preparadas para o ambiente de CS. Ou seja, o porte da organização é uma variável a ser considerada no estudo. Já Harland (1997), Li et al. (2005 e 2006) e Koh et

al. (2007) afirmam que a posição da empresa em sua cadeia a diferencia em termos de

percepção de desempenho e no uso de certas práticas de GCS. Portanto, esta variável também é considerada neste estudo.

Em função da hipótese de pesquisa destacada e as condições para a realização das análises, é possível descrever o modelo teórico que conduz o estudo da tese (Figura 8). As PC formam um dos constructos da pesquisa, e neste constructo há várias variáveis que representam os atributos “custo”, “qualidade”, “flexibilidade” e “entrega”. As assertivas sistematizadas no Quadro 6 correspondem às variáveis de cada atributo. O outro constructo são as práticas de GCS, no qual há várias variáveis que representam os atributos (as classificações) “integração da CS”, “compartilhamento de informações”, “gestão de serviço ao cliente”, “relacionamento com o cliente”, “relacionamento com o fornecedor” e “postergação”. Algumas das assertivas sistematizadas no Quadro 11 correspondem às variáveis desses atributos. E as variáveis de controle são o porte e a posição da empresa, ou seja, em função dessas características estruturais pode-se analisar a intervenção dessas variáveis no constructo práticas de GCS.

Figura 8: Modelo conceitual da pesquisa

. Prioridades Competitivas • Qualidade • Custos • Flexibilidade • Entrega Práticas de GCS • Integração da CS • Compartilhamento de informações • Serviço ao cliente • Relacionamento com o cliente • Relacionamento com o fornecedor • Postergação

Porte das empresas Posição na cadeia

H1: Pode haver uma associação entre

prioridades competitivas e a adoção de práticas de GCS de uma empresa.

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