"O que é fenomenologia?" inicia assim, Merleau-Ponty, o seu notável livro "Fenomenologia da Perceção" (1962), mesmo parecendo estranho que meio século depois dos primeiros trabalhos de Husserl ainda se coloque esta questão. Embora esteja longe de estar resolvida, Merleau- Ponty define a fenomenologia como o estudo das essências, e todos os problemas segundo ela, resumem-se a definir essências (essência da perceção, essência da consciência, por
182 HEIDEGGER, Martin (1977) [1951]. “Building, Dwelling, Thinking”, (página 359). In: Martin Heidegger.
Basic Writings. London: Routledge <http://www.scribd.com/doc/133212058/Heidegger-Building- Dwelling-Thinking-Lib-Iss>. Acesso em Março de 2013.
183 Behaviorismo (“Behaviorism” em inglês: comportamento, conduta), também designado
de comportamentalismo, ou às vezes comportamentismo, é o conjunto das teorias psicológicas que postulam o comportamento como o mais adequado objeto de estudo da Psicologia. O comportamento geralmente é definido por meio das unidades analíticas de respostas e estímulos investigadas pelos métodos utilizados pela ciência natural chamada “Análise do Comportamento”. Historicamente, a observação e descrição do comportamento fez oposição ao uso do método de introspecção, <http://pt.wikipedia.org/wiki/Behaviorismo> Acesso em Abril de 2013.
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“As teorias da Gestalt, foram sem dúvida, dentro do período da actualidade mais remota, uma das mais importantes, cujos estudos dos fenómenos perceptivos e as leis gestaltistas projectaram uma nova ideia sobre o valor da forma de arte e por conseguinte, da arquitectura como corrente artística”. Em “A história da percepção na acção projectual” (página 18), tese de douturamento de Luís Miguel de Barros Moreira Pinto (2007), <http://repositorio.uportu.pt/jspui/bitstream/123456789/574/2/TDH%2026.pdf>. Acesso em Abril de 2013.
185 “A racionalidade é exatamente proporcional às experiências nas quais ela se revela. Existe
racionalidade, quer dizer: as despectivas se confrontam, as perceções se confirmam, um sentido aparece. Mas ele não deve ser posto à parte, transformado em Espírito absoluto ou em mundo no sentido realista. O mundo fenomenológico é não o ser puro (…); ele é portanto inseparável da subjetividade e da intersubjetividade que formam sua unidade pela retomada de minhas experiências passadas em minhas experiências presentes, da experiência do outro na minha”. Em MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 18), <https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.
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exemplo) 186. Mas, a fenomenologia também é uma filosofia que repõe as essências da
consciência pretende colocar as essências de volta à existência e tenta compreender o homem e o mundo em sua “facticidade”. É uma filosofia para a qual o mundo está sempre “ali”, antes da reflexão, como uma presença inalienável, e cujo esforço todo consiste em reencontrar este contato ingênuo com o mundo, um contato primitivo com o mundo187. Assim,
a fenomenologia tenta encontrar as essências em uma condição pré-reflexiva188, como uma
“ciência exata”, mas também é um relato do espaço, tempo e “mundos vividos”189. É também
a tentativa de uma descrição direta da nossa experiência tal como ela é, e sem nenhuma deferência à sua gênese psicológica e explicações causais que o cientista, o historiador ou o sociólogo possam dela fornecer190. Desta forma, Langer afirma que em vez de focalizar as
condições da possibilidade da experiência como várias filosofias transcendentais têm feito, a fenomenologia de Merleau-Ponty pretende chamar a atenção para o fundo sempre pressuposto e realmente presente na nossa experiência real191 afirmando que, “vamos encontrar em nós mesmos, e em nenhum lugar mais, a unidade e o verdadeiro significado da fenomenologia”192. Esta declaração sincera mostra que Merleau-Ponty pretende compreender
a fenomenologia de uma forma compatível com as suas próprias necessidades e visão, reconhecendo que a verdadeira filosofia é idêntica à fenomenologia, e que esta "enquanto
revelação do mundo, repousa sobre si mesma, ou, ainda, funda-se a si mesma"193. Segundo o
filósofo, a fenomenologia é um retorno às mesmas coisas (“retornar as coisas mesmas”194),
isto é, a esse mundo que precede o conhecimento da nossa experiência reflexiva e se baseia na nossa experiência pré-reflexiva, apontando Spiegelberg, que a interpretação da fenomenologia para Merleau-Ponty é diferente da de Husserl. “Para Merleau-Ponty a
descrição de fenomenológica é uma tentativa de ir para as "coisas" em si, como um protesto contra a ciência, mas, no sentido de um estudo objetivo das coisas e das suas relações causais externas, em favor de um retorno ao mundo da vida (“Lebenswelt”)”195. Neste sentido,
186 MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 1),
<https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.
187 Ver ideograma 1, “A fenomenologia como uma filosofia transcendental”.
188 “O mundo fenomenológico não é a explicitação de um ser prévio, mas a fundação do ser; a filosofia
não é o reflexo de uma verdade prévia mas, assim como a arte, é a realização de uma verdade”. Em MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 19), <https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013. 189 Idem, (página 1). 190 Idem, (página 2). 191 Idem, (página 16). 192 Idem, (página 8). 193 Idem, (página 10). 194 Idem, (página 3).
195 SPIEGELBERG, H. (1982) “The Phenomenological Movement”, Boston, London, Martinus Nijhoff,
(página 551), <http://logbookresearch.com/The-Phenomenological-Movement-A-Historical-Introduction- Vol-1-Phaenomenologica/p239750/>. Acesso em Abril de 2013.
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Merleau-Ponty afirma que “o retorno às próprias coisas é “absolutamente distinto do retorno idealista à consciência”. O mundo está aqui antes de qualquer análise que eu possa fazer com ele. O real deve ser descrito, não construído ou constituído”196. Merleau-Ponty traz a
fenomenologia para o mais baixo nível da consciência pura no mundo da vida concreta, para encarná-la na existência humana individual e social. Por outro lado, Merleau-Ponty desloca o centro de fenomenologia da subjetividade pura para o mundo, a combinação do extremo subjetivismo e objetivismo, “Ele tenta combinar a subjetividade com a abordagem objetiva
através de algo que poderia ser chamado de fenomenologia bipolar”. Assim, Merleau-Ponty
dá um sentido existencial para a fenomenologia de Husserl e presta atenção à nossa situação corporal e histórica197.