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Elektrisitet brukt til oppvarming i Østfold

7 Situasjonen i Østfold

7.2 Elektrisitet brukt til oppvarming i Østfold

Ao longo da segunda metade do século XX, a sexualid ade vai ganhando visibilidade crescente enquanto componente central na construção da identidade dos indivíduos, na sociedade portuguesa, que entra tardiamente na pós modernidade (Policarpo, 2011, p. 48).

Para Policarpo (2011), relativamente à sexualidade, é possível falar de uma dissociação gradual entre sexo e reprodução, assim como de uma inversão da relação entre sexo e casamento/conjugalidade. As transformações que ocor rem no campo da sexualidade em Portugal, nas últimas décadas, podem ser encaradas como o início de um movimento de individualização que, apesar de surgir tarde, vai-s e reforçando na passagem do século XX para o século XXI. A emancipação da mulher é um bom exemplo do processo de construção do indivíduo contemporâneo.

A partir do 25 de Abril de 1974, verifica-se na soc iedade portuguesa uma exposição surpreendente da sexualidade, resultante da liberda de de expressão sentida em vários domínios. Vive-se um ideal de comunicação sobre tod os os assuntos. Neste contexto, a televisão, através da junção da palavra à imagem, r epresenta uma importante fonte de informação e educação. Desconhecedores da linguagem televisiva e a dar os primeiros passos na liberdade de expressão, os portugueses tê m pela primeira vez acesso a realidades nunca antes abordadas (idem).

Para Bozon, Giddens, e Vilar, no novo cenário, a se xualidade justamente entendida como um dos domínios de realização individual (tant o masculina como feminina) ao longo de todo o ciclo de vida, passa não só a desem penhar um papel crucial na constituição e funcionamento da relação do casal, c omo se revela um dos ingredientes decisivos do valor da reciprocidade conjugal ( cit in Almeida, 2004, p.28).

Segundo Pimentel (2002) e Gomes (1987), “até 1976, a legislação portuguesa, através do Decreto-Lei nº 32 171, de 1942, considerava os m étodos contracetivos produtos

abortivos e, como tal, à semelhança de muitos outro s países europeus, restringia e criminalizava fortemente a sua difusão e venda” (Al meida, 2004, p.31).

A alteração radical das condições políticas e a eme rgência de governos com perspetivas mais liberais e modernas estiveram na origem da promulgação, em Mar ço de 1976, de um despacho do secretário da Estado da Saúde que introduziu as consultas de plan eamento familiar na valência de saúde materna dos centros de saúde da Direção Geral de Saúde (Almeida, 2004, p.32).

Segundo Policarpo (2011, p. 60):

Assim, a transição de um modelo repressivo e conser vador, preconizado pelo Estado Novo, para um modelo mais moderno, assente numa maior individuali zação da sexualidade, numa maior possibilidade de o sujeito fazer as suas escolhas em liberdade, não se faz sem contradições nem ambivalências, uma das quais é sem dúvida a que coloca a mulher entre a pr essão social que (ainda) a penaliza por uma vida sexual ativa e não reprodutiva, e o desejo de gozar plenamente a sua sexualidade.

A generalização do acesso à contracepção vem possib ilitar um aumento da dissociação entre sexo e procriação e, consequentemente, o aume nto da associação do sexo ao desejo e ao prazer. A lei sobre o direito ao planea mento familiar e à educação sexual revela-se decisiva para a democratização da contrac epção, integrada num conceito alargado de planeamento familiar. A sua orientação pertence ao médico de família, que também informa os jovens acerca da sexualidade e da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Desta forma, na segunda metade da década de 70 a pílula torna-se o meio contraceptivo mais utilizado pelos portugueses (idem).

De acordo com Shorter (cit in Almeida, 2004, p.27):

O movimento de laicização e privatização da vida fam iliar, em marcha no Ocidente europeu desde finais do século XVIII, contribui para que a família conju gal quebre as tradicionais “amarras”, que anteriormente a prendiam à autoridade ou aos valore s da Igreja, à pressão ou aos olhares da vizinhança, aos interesses da rede de parentesco. Protegida dos olhares de fora, a casa é agora o casulo da vida privada, o lugar da realização afetiva do casal.

A citação anterior remete para a rutura com o deter minismo biológico atribuído às mulheres. Antes da quebra das tradicionais “amarras ” a maternidade era compreendida como uma construção social, que designava o lugar d a mulher na família e na sociedade. De acordo com Tavares (1997, p.294), ess a rutura surge com a obra de Simone de Beauvoir O Segundo sexo (1949). Contudo, segundo a autora, só nas décadas

de 60 e 70 do século XX, com o slogan “o pessoal é político”, é que foi possível colocar na luta política as questões referentes ao corpo. O discurso naturalista sobre a sexualidade e o instinto maternal das mulheres é co ntestado e assim ocorre uma das grandes ruturas do século XX: o direito das mulhere s poderem controlar a sua vida sexual reprodutiva.

Com a revolução de 74, a sociedade portuguesa assis te à chegada dos novos valores da democracia e da liberdade que, numa fase inicial, a tingem, não só a vida política, como também as empresas, as escolas e as famílias. Gener aliza-se a convicção de que uma sociedade menos patriarcal e sexista tem obrigatori amente de possuir relações mais democráticas e igualitárias no interior das família s. Perante este cenário surgem novos valores e práticas familiares entre gerações (pais e filhos), nas gerações de género e na área da sexualidade (Monteiro, 2011).

Face ao exposto, pode-se afirmar a passagem de uma sexualidade, no passado centrada na procriação, para a valorização da componente eró tica da vida conjugal, realçando, como nunca antes, a importância da sexualidade, enq uanto forma de bem-estar na relação. A ideia de que é necessário manter viva a sexualidade conjugal, para além dos aspetos relacionados à procriação, ganhou importânc ia na sociedade portuguesa.