Assim como a medição de valores de massa, volume e/ou teores podem indicar valores de diluição, é também possível medir a diluição pela quebra total apresentada no Hanging wall de uma escavação projetada.
Como apresentado no Capítulo 2.9, pode-se também estimar a diluição total de uma superfície a ser lavrada com a utilização do parâmetro ELOS, entretanto a formulação apresentada na Equação 2.18 pode alternativamente ser calculada, segundo Clark e Pakalnis (1997), pela divisão da diferença do volume do stope planejado e o volume final escavado, pela área superficial do stope (excluindo a área da base), onde obtém-se um valor linear, fácil de ser medido e que representa na prática um medida linear métrica, conforme apresentado pela Figura 4-18.
Figura 4.18: Definição do ELOS mediante estimativa da sobrequebra linear. (Adaptado Clark e Pakalnis, 1997)
O ELOS é uma medida útil de diluição pois é independente da largura do stope. Tal parâmetro é muito focado em veios estreitos pois 1 m de diluição em um veio de 2 m de espessura representa 50% de diluição, enquanto em um corpo com 10 m de potência representaria apenas 10% de diluição. Logo por muitas vezes a medição puramente percentual da diluição pode mascarar boas práticas de mineração.
113
Clark e Pakalnis (1997) usaram o ELOS para definir zonas de design de diluição baseados em seus ábacos com zonas de caracterização. A zona com indicação de ELOS menor que 0,5 m é considerada como área de impacto da utilização de explosivos, ELOS entre 0,5 e 1,0 m é considerada como zona de baixa diluição, ELOS entre 1,0 e 2,0 m é considerado como zona de diluição moderada e para ELOS maior que 2,0 considera-se diluição elevada ou possível colapso do teto.
A partir da proposta acima, fora então medido a quebra linear observada no ponto médio das 20 superfícies de lavra citadas neste trabalho, sendo as 10 onde foram aplicados cabos duplos como sistema de reforço e as outras 10 onde foram aplicados sistema de simples de cabeamento. A determinação da espessura de diluição em todas as áreas seguiu a proposta apresentada na Figura 4.18 e sempre considerou a seção central da superfície de lavra. Os resultados lineares obtidos são apresentados pelas Tabelas 4-3 e 4-4 a seguir, onde respectivamente são apresentados valores para as áreas com cabos duplos e simples. São apresentados também pelas tabelas abaixo, os valores relativos a diluição percentual calculada a partir do ELOS, que é dependente da largura média do stope planejado, ou seja da espessura mineralizada, sendo a diluição neste caso calculada pela divisão simples entre o ELOS e a espessura de rocha prevista a se lavrar.
Tabela 4.3: Medições dos valores de ELOS e diluições relativas ao ELOS e ao escaneamento para cabos duplos.
1. INT 278 C Norte – Bloco 1 0.8 4.4 18.2% 22.2% 8.79 4.36
2. INT 278 C Norte – Bloco 3 0.98 3.47 28.2% 33.2% 4.31 4.55
3. INT 278 G Sul – Bloco 1 0.67 6.18 10.8% 14.5% 7.59 5.18
4. INT 278 G Sul – Bloco 3 1 10.5 9.5% 10.6% 11.48 4.22
5. INT 278 G Sul – Bloco 4 0.38 6.4 5.9% 4.6% 27.04 3.85
6. INT 288 C Sul – Bloco 1 0.47 4.3 10.9% 12.6% 9.52 7.44
7. INT 288 C Sul – Bloco 2 1.61 3.4 47.4% 48.7% 3.25 7.45
8. INT 288 C Sul – Bloco 3 1.52 4.8 31.7% 31.3% 4.23 6.05
9. INT 288 C Sul Extensão – Bloco 01 1.12 4.8 23.3% 17.9% 8.36 5.37
10. INT 288 C Norte – Bloco 4 1.42 5.2 27.3% 28.6% 4.99 6.18
Cabos Duplos
114
Tabela 4.4: Medições dos valores de ELOS e diluições relativas ao ELOS e ao escaneamento para cabos simples.
Mediante a apresentação das tabelas acima, pode-se observar que o valor de diluição percentual calculada a partir da divisão entre o ELOS e a largura média planejada é compatível com a diluição real medida por escaneamento, tanto para cabos duplos, onde a correlação é mais próxima, quanto para cabos simples, onde apesar de existir uma variação um pouco maior ainda é perceptível uma aproximação dos valores.
Entretanto quando se faz a utilização do gráfico proposto por Clark e Pakalnis (1997), apresentado na Figura 2-32, para as áreas descritas neste trabalho, pode-se observar nas Figuras 4.19 e 4.20 a seguir, relativas respectivamente as áreas com cabos duplos e simples, que assim como o modelo apresentado por Potvin (1988), a medida do dano real observado, em metros, não é compatível com a proposta original do autor para estimativa do dano real, sendo portanto necessário a adequação que corresponda a realidade observada na Mina Pequizão.
1. INT 258 E 2 Norte 1.41 5.4 26% 35.00% 2.79 3.22
2. INT 258 C Sul – Bloco 6 0.78 5.3 15% 16.70% 8.94 5.83
3. INT 258 G Norte – Bloco 1 0.62 5.42 11% 7.50% 15.93 6.66
4. INT 278 C Sul – Bloco 1 0.9 4.8 19% 27.50% 2.55 4.59
5. INT 278 C Sul – Bloco 2 1.02 3.55 29% 25.50% 3.32 5.61
6. INT 278 C Sul – Bloco 3 0.63 5.07 12% 10.40% 9.34 5.58
7. INT 278 C Sul – Bloco 4 0.88 4.74 19% 16.60% 9.71 5.76
8. INT 278 C Sul – Bloco 5 2.44 13.2 18% 16.80% 8.50 7.16
9. INT 278 C Sul – Bloco 7 0.45 4.25 11% 7.40% 12.21 5.43
10. INT 278 C Norte – Bloco 4 2.6 4.17 62% 74.60% 0.14 6.33
Stopes de Lavra ELOS (m) Largura Média Diluição - Escaneamento (%) N' RH
Planejada (m)
Diluição ELOS (%) Cabos Simples
115
Figura 4.19: Utilização da proposta de cálculo de dano proposta por Clark e Pakalnis (1997) para a Mina Pequizão em áreas com cabos duplos.
116
Figura 4.20: Utilização da proposta de cálculo de dano proposta por Clark e Pakalnis (1997) para a Mina Pequizão em áreas com cabos simples.
Baseado nos resultados obtidos para as curvas padrões da literatura apresentada, onde não obteve-se bom resultado, foram criadas curvas características que relacionam os valores de RH e N’ para mina Pequizão com a expectativa de quebra em metros do maciço, relativo ao modelo de ELOS para a Mina Pequizão. Também como era esperado, as curvas obtiveram características e padrões diferentes quando comparadas as áreas com atuação dos cabos duplos e as áreas onde foram aplicados cabos simples. Nas Figuras 4.21 e 4.22 a seguir, são apresentadas as duas curvas, mediante a aplicação de cabos duplos e simples respectivamente, onde em ambas as curvas foi necessário definir equações polinomiais para estabelecer curvas que fossem representativas dos modelos de quebras lineares reais observados, mediante aos parâmetros relativos das áreas lavradas.
117
Figura 4.21: Curva característica para a Mina Pequizão, representativa da quebra linear no Hanging Wall para aplicação de cabos duplos.
Figura 4.22: Curva característica para a Mina Pequizão, representativa da quebra linear no Hanging Wall para aplicação de cabos simples.
As curvas apresentadas acima permitem desta forma estimar a diluição média em metros e posteriormente obter tal valor em níveis percentuais, ao realizar a divisão simples do valor de diluição encontrado, dado um RH e N’ conhecidos, pela espessura média da mineralização na superfície a ser lavrada.
Também é possível observar que a correlação encontrada para a aplicação de cabos simples possui uma curva melhor definida, que consequentemente permite a obtenção de valores mais fidedignos a realidade.
118
4.5 – ANÁLISE COMPARATIVA DE CUSTOS ASSOCIADOS AS DUAS