Não
9.969
44,6%
903
27,4%
Ocasionalmente
7.240
32,4%
1.047
31,7%
Regularmente
5.128
23,0%
1.351
40,9%
Orientação técnica
CATEGORIAS
NÃO RASTREADO
RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
Além do contato pessoal, com os avanços da tecnologia da informação, cresce em importância a obtenção de informações técnicas e de mercado por meio da internet na agricultura. Essas informações podem chegar ao produtor tanto por meio de sítios ou boletins eletrônicos gratuitos quanto pagos. Sítios interativos para troca de informações entre pecuaristas e o acesso à redes profissionais e sociais virtuais também conferem o acesso a informações e opiniões dos pares.
Além do uso da informática para acesso a informações de mercado e interação com outros pecuaristas, a utilização desta ferramenta nas propriedades rurais pode estar ligada à gestão interna do negócio. O empreendimento rural pode se beneficiar desta tecnologia, armazenando e fornecendo informações sobre inventário, controle de matrizes, cruzamento, inseminação artificial, nutrição e sanidade dos animais (MACHADO et al., 2002). A Tabela 6 apresenta dados sobre a disponibilidade de computador e acesso à internet nos estabelecimentos, que podem ser utilizados para representar a possibilidade de uso da tecnologia da informação nas duas amostras. Observa-se que apenas 28,4% dos estabelecimentos rurais com rastreamento rural dispõem de computador e apenas 18,9% possuem acesso à internet. Apesar de essas proporções serem pequenas, ainda são maiores do que aquelas observadas no grupo que não adota o rastreamento, cujas freqüências são de 16,6% e 9,5%, respectivamente.
Vale ressaltar que o dado do Censo Agropecuário 2006 refere-se ao uso do computador e acesso à internet na propriedade rural. Esta é uma informação relevante quando do uso desta ferramenta para a gestão do estabelecimento rural. No caso da adoção da certificação SISBOV/TRACES, muitas propriedades rurais fazem uso de balança eletrônica, dispositivos eletrônicos para a identificação do gado e softwares para o gerenciamento das informações e interface de dados com a BND. Assim, o acesso à internet no estabelecimento rural pode facilitar a gestão e a aplicação da rastreabilidade. No entanto, muitos pecuaristas
não residem no estabelecimento rural (54%). Neste caso, o acesso à internet e o uso do computador para fins de acesso a informações de mercado, ou mesmo o uso de planilhas para a gestão da pecuária, pode ser feito na residência ou escritório. Esta informação não é captada pelo Censo.
Tabela 6. Disponibilidade de tecnologia da informação no estabelecimento rural.
Nº estabelecimentos Freq. Nº estabelecimentos Freq.
Não tem computador ou não se aplica 18.622 83,4% 2.364 71,6%
Tem computador 3.715 16,6% 937 28,4%
Não tem acesso à internet ou não se aplica 20.209 90,5% 2.677 81,1%
Tem acesso à internet 2.128 9,5% 624 18,9%
Tecnologia da informação
Variável NÃO RASTREADO RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
5.1.6. Tamanho
A disponibilidade de terra é um fator positivamente correlacionado com a adoção de algumas práticas agrícolas. Na Tabela 7, observa-se que a área média do grupo de estabelecimentos que adotavam o rastreamento animal em 2006 era de 646 hectares, enquanto a área média do grupo que não adota era de 204 hectares, indicando que a adoção dessa prática deve estar positivamente correlacionada com o tamanho dos estabelecimentos.
Tabela 7. Área média dos estabelecimentos rurais.
Área total (ha) Média Área total (ha) Média
Área total do estabelecimento rural 4.550.405 204 2.133.099 646
Tamanho do estabelecimento rural (ha)
Variável NÃO RASTREADO RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
Mendes (2006) identificou que alguns custos fixos na certificação de estabelecimentos rurais que praticam o rastreamento animal tornam inviável a adoção desta prática por produtores com pequena escala de produção, a exemplo do custo da anuidade, a taxa de inscrição e o custo da visita do técnico da certificadora. A alternativa sugerida pelo autor é a adoção de tal prática por meio de associações de produtores ou cooperativas como forma de
diluir tais custos. Assim, aqueles pecuaristas com maior escala apresentariam maior probabildiade de adoção da certificação SISBOV/TRACES. Conforme pode ser observado na Tabela 8, 39,4% dos estabelecimentos rurais que praticavam o rastreamento animal em 2006 concentram-se na categoria com mais de 500 cabeças de bovinos; enquanto apenas 8,9% dos estabelecimentos que se encontram no grupo dos que não adotam encontram nesse estrato. Assim, os resultados indicam que os estabelecimentos de maior tamanho, representado tanto pela área total do estabelecimento ou como pelo tamanho do rebanho, estariam mais propensos à adoção do rastreamento.
Tabela 8. Tamanho do rebanho.
Nº estabelecimentos Freq. Nº estabelecimentos Freq.
De 50 a 99 cabeças 8.648 38,7% 337 10,2%
De 100 a 199 cabeças 6.774 30,3% 621 18,8%
De 200 a 499 cabeças 4.937 22,1% 1.041 31,5%
De 500 e mais cabeças 1.978 8,9% 1.302 39,4%
Tamanho do rebanho
CATEGORIAS NÃO RASTREADO RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
5.1.7. Acesso a recursos financeiros
Ainda que exista informação suficientemente disponível sobre determinada tecnologia, a decisão do seu uso pode ser influenciada pelas barreiras econômicas, que constituem fatores importantes do estudo. Incluem-se neste conjunto a disponibilidade de capital e o acesso ao crédito. O Censo Agropecuário 2006 disponibiliza dados referentes ao acesso ao crédito rural.
Como pode ser observado na Tabela 9, o crédito rural foi pouco utilizado pelos dois grupos em 2006. Apenas 15,1% dos estabelecimentos do grupo que não adotou o rastreamento obtiveram crédito rural naquele ano. Esse percentual sobe para 21,5% no grupo dos que adotaram. Observa-se maior diferença entre os dois grupos quando se compara o valor médio dos financiamentos (Tabela 10), que para os adotantes foi de R$ 43.545, enquanto para os não adotantes foi de R$ 19.538, refletindo, em grande medida, a diferença das escalas de produção.
Tabela 9. Estabelecimentos que obtiveram financiamento em 2006.
Nº estabelecimentos
Freq.
Nº estabelecimentos
Freq.
Não
18.969
84,9%
2.591
78,5%
Sim
3.368
15,1%
710
21,5%
Financiamento em 2006
Variável
NÃO RASTREADO
RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
Tabela 10. Valor médio dos financiamentos em 2006, valor total/número de estabelecimentos.
Valor total (R$) Média Valor total (R$) Média
Valor total financiado 436.429.233 19.538 143.741.908 43.545
Valor do financiamento em 2006 (R$)
Variável NÃO RASTREADO RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
Tanto o acesso ao crédito, como a disponibilidade de capital, pode estar correlacionado ao tamanho e escala de produção, uma vez que o rebanho ou propriedade rural são fornecidos como garantia na obtenção do financiamento. O resultado mostra que a variável de acesso a recursos financeiros é importante na decisão de adoção de uma nova tecnologia. Maior acesso a recursos financeiros reduz a vulnerabilidade do pecuarista em situações de riscos e permite maior segurança para testar novas práticas.
5.1.8. Intensificação da produção
A Tabela 11 apresenta a freqüência da adoção das fases do ciclo de produção tradicionalmente existentes na pecuária brasileira: cria, recria e engorda. Observa-se que o grupo que adota rastreamento concentra-se mais nas fases da recria e da engorda, enquanto o grupo que não faz o rastreamento tem um percentual maior de pecuaristas que fazem a cria. Esta verificação não exclui os estabelecimentos rurais que trabalham com o ciclo completo de produção (cria, recria e engorda), embora os dados disponíveis não permitam identificar o percentual destes. Esta constatação é tratada nos resultados da pesquisa empírica. Isto pode ocorrer em função do desenho das regras que sustentam o funcionamento do SISBOV. Conforme descrito no capítulo 2, o boi gordo pode ser abatido para a exportação à UE, desde que tenha sido identificado e cadastrado na BND e rastreado até um período de 90 dias que
antecede o abate em propriedades rurais aprovadas na lista TRACES. Este desenho é um atrativo para os pecuaristas que operam a fase de terminação do gado, assim como para aqueles que engordam o gado em sistemas intensivos no uso de insumos.
Tabela 11. Fases do ciclo de produção: cria, recria e engorda.
Nº estabelecimentos Freq. Nº estabelecimentos Freq.
Cria - não 9.240 41,4% 1.636 49,6% Cria - sim 13.097 58,6% 1.665 50,4% Recria - não 8.234 36,9% 1.121 34,0% Recria - sim 14.103 63,1% 2.180 66,0% Engorda - não 8.382 37,5% 625 18,9% Engorda - sim 13.955 62,5% 2.676 81,1% RASTREADO Finalidade da criação
CATEGORIAS NÃO RASTREADO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006.
Conforme visto no capítulo 3, a característica do sistema de produção adotado na fase de engorda pode ser um fator relevante para explicar a adoção da certificação SISBOV/TRACES. Argumenta-se que possa haver complementaridade entre a adoção da rastreabilidade e a adoção de técnicas de produção mais intensivas no uso insumos e de capital. Conforme pode ser observado na Tabela 12, do total de estabelecimentos que adotam o rastreamento, 27,2% declararam adotar o confinamento no estabelecimento ou em outra unidade de produção. Para os estabelecimentos que não adotam o rastreamento, apenas 7,6% declararam adotar o confinamento.
Tabela 12. Confinamento no estabelecimento ou em outra unidade.