Del 2: forholdet mellom negative servitutter og reguleringsplaner i Høyesteretts
5.1 Eldre rettspraksis
Grupo Focal, de acordo com Gatti (2005), trata de um conjunto de pessoas que são contatadas por pesquisadores e selecionadas, segundo os objetivos da pesquisa proposta. A reunião das mesmas, de acordo com essa técnica de investigação, visa fomentar a discussão e comentários sobre um determinado tema, que é o objeto da pesquisa, a partir de suas experiências pessoais. Uma característica primordial para os integrantes do grupo é que tenham algumas vivências com o tema a ser discutido, que possuam algumas características semelhantes e partilhem algo comum entre si. Outro aspecto de interesse dessa técnica para a pesquisa é a possibilidade de nas sessões planejadas, incluir atividades conjuntas, como esclarece Gatti citando Kitzinger: “o grupo é
‘focalizado’, no sentido que envolve algum tipo de atividade coletiva – como assistir a um filme e conversar sobre ele, examinar um texto sobre algum assunto, ou debater um conjunto particular de questões” (2005, p.7). Foi com base nessa possibilidade que inclui no planejamento das sessões dos Grupos Focais a escuta coletiva de música, ação que será descrita adiante.
A decisão de utilizar a técnica do Grupo Focal para a realização desta pesquisa foi baseada na possibilidade de se criar uma situação de escuta de música de algum modo próxima de situações que os jovens vivenciam essa experiência musical, no caso, situações coletivas e compartilhadas de escuta. O que sustentou essa opção foi a convicção de que expressar sobre a experiência musical da escuta com base somente no discurso verbal, material básico, mesmo que não único, das entrevistas, não seria suficiente. As ações de várias ordens – corporais, faciais, percussivas – que ocorrem durante as experiências musicais são fundamentais, posto a música caracterizar-se como linguagem não verbal. Além disso, as sessões do Grupo Focal seriam fonte para a elaboração também do roteiro de entrevistas, necessárias para o detalhamento da experiência da escuta de música vivenciada por cada jovem. Assim, a técnica do Grupo Focal foi escolhida por adequar-se satisfatoriamente aos objetivos desta pesquisa, pois, escutar música é uma experiência que engloba aspectos físicos, emocionais, socioculturais e cognitivos do ser humano e, portanto, os resultados possíveis desta pesquisa serão conhecimentos musicais que estão inter-relacionados a esses aspectos físicos, emocionais, socioculturais e cognitivos da natureza humana. Minha expectativa com a realização dos Grupos Focais é que esses fossem momentos de interação entre jovens e músicas que dariam visibilidade a comportamentos, atitudes, ações, gestos, expressões, pensamentos, de modo que seria possível identificar o que aprendem de música ao escutá-la.
Gatti (2005) destaca que
[o] trabalho com grupos focais permite compreender processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, compreender práticas cotidianas, ações e reações a fatos e eventos, comportamentos e atitudes, constituindo-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado (Ibid, 2005, p. 11).
Ainda, no Grupo Focal a interação grupal pode promover respostas mais interessantes ou novas, bem como ideias originais, além de produzir dados e insights no momento da sessão grupal, que dificilmente seriam conseguidos fora do grupo com outras técnicas como os questionários, entrevistas e observação que são restritas no levantamento de dados em comparação com o Grupo Focal, pois não promovem interação e discussão para produção de conhecimento (KIND, 2004).
Segundo Morgan e Krueger (1993 apud GATTI, 2005) essa técnica permite
fazer emergir uma multiplicidade de pontos de vista e processos emocionais, pelo próprio contexto de interação criado, permitindo a captação de significados que, com outros meios, poderiam ser difíceis de se manifestar (Ibid, 2005, p.9).
Relacionado à quantidade de indivíduos para a sessão do Grupo Focal, Gatti (2005) destaca que para haver aprofundamento na abordagem das questões discutidas, por meio da interação entre os participantes, o
Grupo Focal não pode ser grande, mas também não pode ser excessivamente pequeno, ficando sua dimensão preferencialmente entre seis a 12 pessoas. Em geral, para projetos de pesquisa, o ideal é não trabalhar com mais de dez participantes. Grupos maiores limitam a participação, as oportunidades de trocas de ideias e elaborações, o aprofundamento no tratamento do tema e também os registros (Ibid, 2005, p. 22).
Em se tratando do grau de relacionamento dos participantes entre si e deles com o moderador do Grupo Focal, é importante notar alguns cuidados a serem observados:
[quando] os participantes se conhecem, podem vir a atuar em bloco e formar subgrupos de controle que monopolizam ou paralisam a discussão, o que prejudica a interação mais livre. O conhecimento mútuo pode inibir manifestações e coibir a espontaneidade entre os que se conhecem, ou esse subgrupo pode atuar inibindo a participação de outros integrantes do grupo, tirando a possibilidade de aparecimento da multiplicidade de ideias e a manifestação de valores diferentes. O conhecimento do moderador por um ou vários membros pode eliciar
comportamentos de cumplicidade, ou de uso de poder, de contenção na participação, ou de desconfiança por parte dos demais. (Ibid, 2005, p. 21).
Ainda sobre o perfil dos participantes, é importante que haja características homogêneas e heterogêneas dentro do grupo. De acordo com Gatti (2005, p. 18, 19), a “homogeneidade do grupo segundo alguma ou algumas características está relacionada aos propósitos da análise, por outro lado, ela propicia uma facilitação para o desenvolvimento da comunicação intragrupo”. Entretanto, a variação entre os integrantes do grupo faz-se necessária para que apareçam opiniões diferentes ou divergentes que promovam a dinâmica nas discussões do grupo.
Outra questão que Gatti (2005) cita é sobre o cuidado com os equipamentos de gravação em áudio ou vídeo para se ter a melhor captação do que estiver acontecendo. A autora destaca que seria importante até testá-los antes dando a esta preparação da gravação um
tratamento especial, porque, se não se obtiver falas audíveis, todo o trabalho de elaboração do projeto, de constituição e adesão do grupo, estudo de roteiro, etc., estará perdido. Ou seja, não haverá material suficiente ou confiável para as análises (Ibid, 2005, p. 25).
Para a escolha do lugar onde seriam realizadas as sessões atentei-me ao que disse Gatti (2005):
O local dos encontros deve favorecer a interação entre os participantes. Pode-se trabalhar em cadeiras avulsas, em círculo, ou em volta de uma mesa. Os participantes devem se encontrar face a face para que sua interlocução seja direta. Como os participantes permanecerão um tempo razoável em reunião, certo conforto é necessário. (Ibid, 2005, p. 24).
Minha participação como moderador do grupo baseou-se em alguns princípios da técnica de Grupo Focal como a “não diretividade”, cuidando “para que o grupo desenvolvesse a comunicação sem ingerências indevidas [da minha parte] como intervenções afirmativas ou negativas, emissão de opiniões particulares, conclusões ou outras formas de intervenção direta” (Ibid, 2005, p. 8). Procurei criar “um clima aberto às discussões, o mais possível livre de ameaças
palpáveis” para que os participantes sentissem “confiança para expressar suas opiniões e enveredar pelos ângulos que [quiserem], em uma participação ativa” (Ibid, 2005, p. 12). Tomei o cuidado de no início das sessões deixar claro
que todas as ideias e opiniões interessam, que não há certo ou errado, bom ou mau argumento ou posicionamento, que se espera mesmo que surjam diferentes pontos de vista, que não se está em busca de consensos. Os participantes devem sentir-se livres para compartilhar seus pontos de vista, mesmo que divirjam do que os outros disseram. A discussão é totalmente aberta em torno da questão proposta, e todo e qualquer tipo de reflexão e contribuição é importante para a pesquisa. (Ibid, 2005, p. 29).
Em suma, procurei seguir de perto o papel do moderador que é “introduzir o assunto, propor algumas questões, ouvir, procurando garantir, de um lado, que os participantes não se afastem muito do tema e, de outro, que todos tenham a oportunidade de se expressar, de participar”. (Ibid, 2005, p. 29, 30).