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4: Forskingshistorie og teksttradisjon

4.1 Eldre forsking, samt noko om proveniens og innhald

Tendo em conta a definição de convergência jornalística apresentada, a redação do Correio da Manhã/CMTV é, segundo a minha análise, um exemplo deste fenómeno. Se me reportar ao local onde estagiei - a redação de Lisboa do meio de comunicação - é fácil perceber as características que fazem do CM/CMTV, um caso de jornalismo convergente.

Durante os três meses de estágio, foram várias as vezes em que, numa mesma saída em reportagem, tive que produzir conteúdos sobre a mesma matéria para o canal televisivo, o jornal impresso e o portal online. Cada um desses conteúdos incidia sobre o mesmo tema, mas era produzido seguindo regras e linguagens distintas, bem como formas de trabalho diferentes.

Foi este o grande desafio apresentado aos jornalistas do CM aquando da criação do canal televisivo. Todos eles se viram confrontados com uma nova forma de fazer jornalismo que teriam que começar a praticar. Já não era só a imprensa escrita e a online.

A partir desse momento, os profissionais tiveram que estar disponíveis para aplicar os conhecimentos jornalísticos à linguagem da televisão. E todos eles tiveram, durante três meses, formação para tal.

A redação do CM/CMTV é, hoje, constituída por várias secções que estão fisicamente separadas entre si: Portugal (atualidade ligada ao crime e à segurança), Sociedade, Economia, Política, Desporto, Cultura&Espetáculos TV&Media e Vidas (atualidade do mundo das celebridades). Mas, apesar dessa separação, toda a redação está interligada.

Numa zona central da redação encontra-se uma outra secção, composta por computadores com o software Dalet, que mencionei na descrição do estágio, e por microfones. Esta é a zona dedicada à construção de peças televisivas e é aí que, não só os jornalistas contratados para o canal, mas também os profissionais que já

trabalhavam para o jornal, se juntam. O objetivo é produzir conteúdos para a CMTV. Dos 150 jornalistas que o Correio da Manhã compreende ao nível nacional, 43 foram contratados para incidir, sobretudo, no canal televisivo. Entre eles contam-se cerca de 25 repórteres de imagem.

Rui Pedro Vieira é um dos jornalistas que já trabalhava na redação antes do aparecimento do canal. É editor de multiplataforma e foi escolhido para ser um dos pivôs dos noticiários da CMTV. Novas funções que alteraram o dia-a-dia deste profissional. "Com o aparecimento da CMTV vieram as novas competências. Estou sempre sujeito a duas escalas: à da CMTV (que se sobrepõe à outra) e à da Multiplataforma. Normalmente, durante dez a doze dias por mês estou dedicado à CMTV, onde tenho de preparar alinhamentos, rever pivôs, fazer peças e preparar um ou mais jornais, que conduzo."

O jornalista foi um dos membros da redação que teve que se adaptar às novas exigências da empresa e conta, na primeira pessoa, como é trabalhar em conjunto para as várias plataformas. "É comum um jornalista, quando está num serviço, ir acompanhado de fotógrafo e repórter de imagem. Cabe-lhe cobrir os acontecimentos para o jornal em papel e para a televisão. Além disso, está em contacto com a equipa fixa do online para transmitir no imediato as informações mais relevantes."

Pegando na minha experiência pessoal, enquanto estagiário, posso recordar uma notícia que me fez criar conteúdos para as várias plataformas.

Tudo aconteceu na tarde do dia 20 de Agosto de 2013. O alerta foi o de uma explosão na zona da Damaia, em Lisboa. Fui enviado para o local, acompanhado de um repórter de imagem e de um fotógrafo. Já na zona do acidente, foi-me dito que teria que fazer diretos para os blocos informativos da CMTV. Ao mesmo tempo, via telefone, fui dando informações à equipa do "online". Ainda antes dos diretos, entrevistei algumas pessoas para a reportagem televisiva que, mais tarde, teria que editar. Entre as 16h00 e as 19h00 fiz quatro diretos para o canal. (ver Anexos, pp. 61) Já no regresso à redação, editei uma reportagem de modo a que fosse emitida no noticiário da noite, o CM Jornal. Logo de seguida, escrevi uma notícia para a edição em papel que sairia no dia seguinte (ver Anexos, pp. 62). O objetivo foi o de dar um foco

diferente daquele que tinha dado na reportagem televisiva. Utilizei diferentes entrevistas para cada uma das reportagens. A finalidade foi a de comunicar a mesma notícia para diferentes plataformas.

Esta é uma forma de trabalho que corresponde às características enunciadas por autores como Klinenberg (1999:7). As palavras do jornalista Rui Pedro Vieira confirmam essa sinergia: "Um jornalista do CM, se quiser dar cartas em todas as plataformas, tem de dominar o software usado na produção em papel (Milenium), no site (Scriptor) e na televisão (Dalet). Além disso, o registo de fontes passa também por gravador e câmara. Hoje, um jornalista tem de saber trabalhar em consonância com um fotógrafo ou um câmara. Ou seja, é preciso adequação de discursos, domínio de ferramentas e saber gerir o que se pode avançar no imediato".

Também a jornalista da secção de Sociedade, Débora Carvalho, teve que se adaptar a este novo panorama. "Com a chegada da CMTV, a minha rotina, enquanto jornalista do CM, alterou-se. A escrita televisiva, a edição de vídeo e os diretos eram os principais desafios. A formação proporcionada pela empresa aos 'jornalistas do papel' foi determinante para seguir esta aventura. Hoje em dia pensamos na notícia num todo, ou seja, ao fazermos a cobertura de determinado assunto, procuramos fazer o melhor texto para o online, a melhor reportagem para a televisão e encontrar o melhor foco noticioso para o jornal."

Assim como os restantes colegas, a jornalista teve que encontrar formas diferentes de trabalhar o mesmo assunto, de modo a que a notícia pudesse ser produzida para diferentes plataformas. "A linguagem televisiva, por definição, é mais simples. As imagens também falam por si e ajudam o espectador a compreender o assunto. No jornal, há que escrever aquilo a que o leitor não teve acesso".

A jornalista Magali Pinto, da secção Portugal, está já habituada a fazer conteúdos distintos para as diferentes plataformas. Mas todos eles são construídos seguindo estratégias concretas e que se diferenciam entre si. " No meu caso, em particular, tento sempre dar a mesma notícia mas com focos diferentes para não cansar o leitor/espetador. A escrita permite-nos ser mais emotivos nos textos. A peça

televisiva é sempre mais concisa. Tenta-se chegar a um equilíbrio, um exercício que todos os jornalistas desta redação fazem todos os dias." Trata-se, portanto, de uma forma de trabalho que ganhou espaço, sobretudo, aquando do aparecimento do canal. "A par do texto é fundamental dar uma imagem à notícia. A televisão veio dar o movimento que faltava ao jornal. A convergência das três plataformas tem sido feita gradualmente e de forma esforçada por todos os jornalistas da redação."

Estamos perante uma sinergia entre os três vetores que, juntos, constroem o universo Correio da Manhã. Mas, tal como foi referido, na forma de comunicar nas três plataformas, deve haver estratégias diferenciadas.

O objetivo, diz a jornalista Sara Carrilho, é manter a atualidade das informações. "Se há uma operação das autoridades em curso, com buscas, com detenções, é noticiada logo no website, a remeter mais informação para a CMTV. O caso, a ação, com jornalistas no terreno, é depois acompanhada em direto na CMTV e guardam-se os pormenores, detalhes da investigação, para a edição em papel que estará nas bancas no dia seguinte. É posteriormente elaborada uma peça televisiva com esses detalhes, que no dia seguinte, é noticiada na CMTV e que, pelos pormenores exclusivos, que são a novidade, volta a ter destaque no 'site'.

A jornalista Magali Pinto também reforça a forma como a estratégia de comunicação das notícias foi feita a partir do momento em que começaram a convergir diferentes plataformas. "O jornal logicamente vive de exclusivos e, quando assim é, a primazia é dada ao jornal e posteriormente é feita uma peça para a televisão, que só é divulgada quando o jornal está nas bancas. Quando há urgência em fazer as peças ou os diretos, o texto para o jornal é feito mais tarde, seguindo atentamente os prazos de fecho da edição. Quanto ao online, a informação é dada gradualmente para que o site esteja o mais atualizado possível ao longo do dia."

E é exatamente nos conteúdos online que a redação tem vindo a apostar nos últimos anos. Ainda antes do aparecimento da CMTV, já a redação do Correio da Manhã vivia uma convergência entre o papel e os conteúdos digitais.

A secção multiplataforma do CM assenta nos pressupostos que fazem, da internet, um meio cada vez mais implementado no dia-a-dia das sociedades atuais. A

rapidez, a multimedialidade e a hipertextualidade são palavras que fazem parte do léxico da estratégia da secção que, na redação, é chamada de forma informal como "o online". Por detrás desse espaço está Miguel Martins, subchefe da redação multiplataforma. Segundo o mesmo, o objetivo é a convergência. "O Correio da Manhã tem uma redação multiplataforma, no verdadeiro sentido da palavra, que assenta numa estratégia de convergência. Essa mesma estratégia foi desenhada por mim, há cerca de um ano a pedido do diretor do jornal e assenta em eixos muito claros: a complementaridade dos conteúdos informativos é o objetivo principal, ao lado de uma relação de mutualismo entre as plataformas e não de parasitismo." O objetivo é, portanto, o de criar ligações e não o de separar os vários conteúdos que são constantemente produzidos pela empresa.

Segundo Miguel Martins, a forma de adaptação dos jornalistas a esta realidade, principalmente com o lançamento do canal televisivo, foi fundamental para o sucesso da estratégia. "Os jornalistas deixaram de ser monoplataforma para passarem a construir conteúdo noticioso multiplataforma, dominando tanto quanto possível a produção do mesmo em vários ambientes, não só em termos técnicos, mas também de narrativa."

Trata-se, pois, de uma forma de rentabilizar os efetivos da empresa e de criar valor, mas, tal como foi referido pelos autores já citados, esta convergência acaba por ter desvantagens. Para os jornalistas desta redação, um dos principais pontos negativos é a falta de tempo para aprofundar as questões. "A voragem da informação e a necessidade de ter as informações em primeiro lugar dá uma certa adrenalina, mas também impede que às vezes se vá mais fundo nas questões. A especialidade, outrora tão valorizada, hoje em dia é, por vezes, preterida face à versatilidade, à abrangência de conteúdos noticiosos", diz Rui Pedro Vieira.

A jornalista Sarra Carrilho completa essa questão, falando da rapidez com que os conteúdos têm que ser produzidos. "Se o tempo já escasseava para fazer uma reportagem e escrever no CM, com a CMTV, com vários noticiários por dia e com diretos , a rapidez na produção de conteúdos teve de aumentar ainda mais". E chega a falar, também, de um outro ponto, que acaba por ser contraditório à estratégia da empresa em fazer uma convergência jornalística. "Corremos sempre o risco de, por

exemplo, ao estarmos a dar informação no 'site' e na televisão sobre um caso, o mesmo perder importância, espaço, no jornal. É preciso selecionar de modo rigoroso quais os detalhes, os destaques de cada vetor.

Também ao nível do domínio das várias técnicas necessárias para a produção de conteúdos distintos pode haver algumas falhas. O CM é, tradicionalmente, composto por jornalistas habituados a fazer textos para a versão impressa. Com o aparecimento das novas plataformas, são necessárias técnicas específicas. Apesar das formações que foram dadas aos profissionais, segundo os entrevistados, pode haver algumas lacunas. "A curva de adaptação dos jornalistas a vários ambientes técnicos e uma maturação da missão do jornalista pode, inconscientemente, não ser assimilada de imediato", diz Miguel Martins.

Mas, apesar de tudo, e, tendo em conta a minha experiência no local, o ambiente que se vive na redação é de entreajuda entre os profissionais da televisão, os da imprensa e os do online. É comum ver os jornalistas que, no dia-a-dia, se dedicam à CMTV a apoiar os colegas do jornal na edição de reportagens ou nas técnicas de gravação de voz. No fundo, é mais um pormenor da convergência entre estes profissionais. Porque o objetivo principal é o de disponibilizar conteúdos aos leitores/espetadores. Para Miguel Martins, a finalidade de toda esta estratégia é a de união. "Uma marca, uma referência, várias possibilidades de ser vista em várias plataformas. Um CM global."

CONCLUSÕES

O fenómeno da convergência jornalística é, cada vez mais, uma forma de capitalizar os recursos que as empresas de media possuem com vários objetivos. A necessidade de sobrevivência destas empresas obriga à maximização do trabalho dos seus profissionais. Com o aparecimento e proliferação das novas tecnologias, surgem cada vez mais formas de distribuir conteúdos ao público.

O fenómeno da convergência jornalística surge, desta forma, como uma resposta a estas questões, bem como uma resposta às necessidades de informação de uma audiência que quer conteúdos a qualquer hora e em qualquer plataforma.

A redação do Correio da Manhã, o jornal mais lido em Portugal, teve que se adaptar a esta nova realidade. Após 34 anos de publicações em papel, o ADN do jornal acabou por ser transposto para um outro media, a televisão. Esse processo, que foi levado a cabo ao longo de 2012, obrigou a diversas mudanças no seio da redação.

Os jornalistas, que até então faziam parte de um meio de comunicação impresso, com presença na internet, passaram a ter que dominar a linguagem televisiva. Alterações que dotaram estes profissionais de técnicas novas. Foram preparados, de certa forma, para produzir conteúdos nas várias plataformas que compreendem a empresa.

Podemos olhar para este panorama como uma forma de pôr em prática o conceito do "jornalista MacGyver" apresentado por Anabela Gradim. Os jornalistas do Correio da Manhã trabalham, hoje, de forma integrada em três plataformas. E o processo de aprendizagem tem vindo a ser contínuo.

Durante os três meses de estágio na redação, deparei-me com essa mesma realidade. Muitas das vezes tive que pensar em várias formas de transformar a mesma informação em várias notícias, dependendo das plataformas que fossem utilizadas. Tratou-se de uma realidade com a qual tinha tida apenas contacto durante uma das cadeiras do mestrado em Jornalismo, Questões Contemporâneas do Jornalismo. Foi durante a componente não-letiva que me dediquei à análise da convergência jornalística, mas, dessa vez, ligada à forma como pode estar a pôr em causa a existência de jornalismo de investigação. Tratou-se, na altura, de um tema que me

interessou bastante. Aquando do início do estágio, deparei-me com a realidade sobre a qual tinha lido, mas ainda não tinha tido contacto direto.

Tendo em conta a prática profissional que desenvolvi durante os três meses em que fui estagiário do CM/CMTV, sinto que fui muitas vezes posto à prova, tendo em conta a liberdade e a confiança que me foi dada pelos editores e diretores. Penso, também, que foi graças à sinergia existente na redação, que ganhei competências ao nível de escrita para imprensa, escrita para televisão e relação com a câmara.

Tudo isto aconteceu numa altura em que o panorama dos media vive uma época complexa, tendo em conta a diminuição de leitores das publicações, as constantes notícias sobre encerramentos de revistas e jornais e até despedimentos coletivos em empresas da área. Apesar desta situação, o meu estágio aconteceu numa altura importante de início de um projeto televisivo, a CMTV. Ainda antes do fim desses três meses, fui convidado a integrar a equipa do canal, onde estou contratado desde o dia 1 de Agosto de 2013.