2. Theoretical framework
2.4 Cognitive Linguistic approaches to vocabulary and implications for teaching
2.4.5 Elaboration on form and meaning connections
Sabe‐se que a importância da LV reside não somente na sua alta incidência e ampla distribuição, mas também na possibilidade de assumir formas graves e letais quando associada a deficiências nutricionais e a infecções concomitantes (Gontijo & Melo, 2004). De acordo com Gomes et al. (2007b), o estado nutricional dos indivíduos infectados com Leishmania ssp. tem um papel significativo na evolução clínica da LV, especialmente em crianças com idade inferior a 5 anos. Estudos têm demonstrado que a alta susceptibilidade a infecção, neste grupo de risco, pode ser explicada pela imaturidade imunológica típica desta faixa etária, associada ao quadro de DPC, muito comum em áreas endêmicas de LV (Badaró et al., 1986; Campos Jr., 1995; Harrison et al., 1986; Celf et al., 1987; 1987; Dye & Willians, 1993; Maciel et al., 2008).
No estudo pioneiro realizado por Actor (1960) envolvendo modelo murino, os resultados obtidos possibilitaram concluir que a DPC, associada à deficiência de vitaminas, está diretamente relacionada com o aumento da susceptibilidade a infecção por parasitos causadores da LV. Harrison et al. (1986) e Badaró et al. (1986), através de observações epidemiológicas, concluíram que a DPC é um sério fator de risco para o desenvolvimento da LV em humanos. Badaró et al. (1986) evidenciaram que 45% das crianças com LV sofriam de desnutrição moderada ou grave antes do aparecimento da LV, sendo, portanto, a desnutrição considerada fator de risco para o desenvolvimento da doença.
Harrison et al. (1986), em um estudo com crianças brasileiras expostas à infecção por L. chagasi avaliaram o estado nutricional das mesmas utilizando a circunferência do braço
(CB) e área muscular do braço. Foi verificado que crianças com LV, que foram seguidas após o tratamento, apresentavam área gordurosa e área muscular do braço que correspondia a 66% e 81% das áreas de seus familiares sadios, pareados por sexo e idade, que viviam na mesma casa. O estudo encontrou ainda diferenças maiores quando comparou as crianças que apresentaram LV aos vizinhos sadios, pareados por sexo e idade, encontrando área gordurosa e área muscular do braço correspondentes a 41% e 75% das áreas encontradas nos vizinhos sadios.
Cerf et al. (1987) em estudo prospectivo também avaliaram o estado nutricional de crianças expostas à infecção por L. chagasi no interior da Bahia. O grupo encontrou similarmente aos achados de Badaró et al. (1986), alta prevalência (77%) de DPC nas crianças com LV, constatada através de baixo peso para idade. Foi também observado que 82% das crianças com LV possuíam baixa altura para idade, comparado com um percentual de 55% em crianças não‐infectadas por L. chagasi. Os dados neste estudo mostraram ainda que, das 31 crianças que após avaliação inicial desenvolveram LV, 45,5% apresentavam DPC grave ou moderada e, destas crianças desnutridas que desenvolveram LV, somente 22% apresentavam anticorpos anti‐Leishmania no momento da avaliação nutricional.
Recentemente destaca‐se o estudo de Maciel et al. (2008), no qual os autores estudaram a influência do estado nutricional de 149 crianças, no Rio Grande do Norte, com LV na resposta à infecção com L. chagasi e verificaram que modificações nos aspectos nutricionais estão associadas diretamente com o curso da infecção. Observou‐se que crianças com LV ativa apresentaram estado nutricional comprometido em relação às demais crianças estudadas, segundo o índice de massa corpórea (IMC) e a CB/altura. Além disso, o nível de vitamina A foi menor nas crianças com LV aguda com 43% de prevalência de retinol sérico < 20 µg/dL. Entretanto, poucos trabalhos desenvolvidos investigaram de modo específico as bases imunológicas da associação “DPC e LV”.
Apenas um trabalho envolvendo especificamente os aspectos imunológicos entre esta associação foi encontrado na literatura. Neste estudo, Anstead et al. (2001) avaliaram o efeito da DPC associada às deficiências de ferro e zinco na resposta imune inata, bem como na visceralização dos parasitos após infecção experimental (camundongos BALB/c) com promastigotas metacíclicas de L. donovani. Neste trabalho, os autores estudaram diferentes grupos, os quais receberam dietas com diferente conteúdo protéico (6, 3 e 1% de proteína), sendo que o grupo controle foi alimentado com dieta que continha 17% de proteína e ferro
e zinco em níveis adequados. Os autores constataram que os grupos experimentais alimentados com as dietas hipoprotéicas e deficientes em ferro e zinco, inoculados com 5 x 106 promastigotas metacíclicas de L. donovani, apresentaram maior carga parasitária no fígado, baço e linfonodos quando estes foram avaliados 3 dias após a infecção. Além disso, elevados níveis de prostaglandina E2 (PGE2) e diminuídos níveis de IL‐10 foram observados nos animais submetidos à DPC associada às deficiências de ferro e zinco. Nos camundongos do grupo controle, a atividade da enzima óxido nítrico‐sintase induzível (iNOS) no fígado e baço foi significativamente maior do que a atividade desta enzima nos animais desnutridos.
Com relação às deficiências de micronutrientes, estas estão geralmente associadas à DPC e também podem agravar o quadro infeccioso pré‐existente (Bhaskaram, 2002). Vários estudos têm indicado que a deficiência de micronutrientes influencia não somente a susceptibilidade do hospedeiro a doenças infecciosas, como também o curso destas. Segundo Blössner & de Onis (2005), mesmo níveis moderados de deficiência de micronutrientes, tais como ferro, vitaminas, iodo e zinco, detectados por testes bioquímicos, podem provocar sérios prejuízos à saúde humana. Para se ter uma idéia, estima‐se que aproximadamente 2 bilhões de pessoas apresentem anemia ferropriva, decorrente da deficiência do elemento ferro na dieta, enquanto outras 2 milhões consomem dietas deficientes do elemento iodo e 254 milhões deficientes da vitamina A (Allen et al., 2006). De acordo com dados da OMS referentes aos índices de mortalidade, por volta de 800 mil mortes por ano podem ser atribuídas à deficiência de ferro, e um número similar à deficiência de vitamina A. Estudos desenvolvidos entre 1995 e 2004 mostram que, nas Américas, 141 milhões de pessoas apresentaram anemia ferropriva, 75 milhões insuficiência na absorção do iodo e outras 16 milhões apresentaram deficiência da vitamina A (De Benoist et al., 2004; OMS, 2001).
O estudo de Ames (1999) mostrou que a deficiência de fosfato, ferro, zinco e das vitaminas B12, B6, C ou E pode causar alterações no DNA das células, lesões oxidativas, ou ambas, alterando a resposta imunológica do hospedeiro. Baseando‐se em exames conduzidos na Índia, Europa, Estados Unidos e Canadá, Chandra (2002) constatou que mais de 35% das pessoas com idade superior a 50 anos apresentaram deficiência de uma ou mais vitaminas e/ou micronutrientes.
4. Deficiências de ferro e zinco e suas relações com a interação “parasito/hospedeiro”