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6. Generell diskusjon

6.2. Ekstern validitet/generalisering

Qualidade dos Cuidados

Em Portugal, a preocupação com o risco de queda surgiu dos processos de acreditação hospitalar (Barbosa, 2013) de modo a garantir elevados padrões de qualidade em saúde.

Os programas de acreditação de qualidade a que as instituições de saúde são sujeitas evidenciam e levantam questões relativas à qualidade e segurança dos cuidados de saúde. Estes programas visam a adequação dos processos a um conjunto de padrões que objetiva garantir a segurança, qualidade e melhoria do desempenho hospitalar (JCI, 2008).

Num estudo com o objetivo de analisar artigos científicos sobre a qualidade do cuidado de enfermagem e auditoria operacional, Moretti e Kolhs (2013) citam Manzo et al. (2011) para definir a qualidade como um conjunto de características que visam responder às necessidades do cliente de um modo confiável, acessível e num determinado tempo. Este conceito pode ser analisado por processos de acreditação que têm como objetivo avaliar periodicamente as instituições de saúde, tendo em conta padrões previamente estabelecidos (Bonato, 2011 cit. por Moretti e Kolhs, 2013).

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Pelos processos de acreditação em que é realizada a avaliação dos serviços de saúde há necessidade de se proceder à tradução quantitativa da qualidade dos serviços prestados, daí o uso de indicadores. Um indicador é algo que traduz um valor estatístico ao desempenho de um processo ou alcance de uma meta, devendo ser objetivo, claro, e útil para os processos de melhoria. Na área da enfermagem, um indicador é visto como um resultado do cuidado prestado (JCI, 2008; Corrêa et al., 2009 cit. por Moretti e Kolhs, 2013). A qualidade dos cuidados de enfermagem reflete-se na segurança do cliente, constituindo-se um desafio para a excelência na QeS. Os processos de qualidade, pela sua dinâmica e fundamental contributo na melhoria da qualidade na assistência em saúde, contribuem também para a satisfação dos clientes e confiabilidade nos cuidados prestados.

Neste sentido, a qualidade exige a reflexão constante sobre a prática, expondo os objetivos intrínsecos à enfermagem e o delineamento das estratégias, com vista à reformulação dos métodos e técnicas que não se adequam, com benefícios para os clientes e suas famílias. Ao pensar na qualidade em enfermagem emergem questões sobre a prática clínica e sobre as condições do exercício profissional. Evidencia-se a necessidade de desenvolver estratégias institucionais que garantam o acompanhamento dos enfermeiros no exercício da sua prática, com vista a promover o seu desenvolvimento pessoal e profissional - processos de SCE (Abreu, 2002). Qualidade e segurança, na criação de sistemas de saúde que garantam a acessibilidade, efetividade e eficácia, são considerados fatores major (Silvério et al., 2012). Serviços de saúde com qualidade são aqueles que gerem os seus recursos eficazmente, tendo em conta as vigências e necessidades de saúde da população, garantindo a segurança, não só na qualidade assistencial mas também na habilidade para conseguir atingir bons níveis de confiabilidade e garantia de serviço.

A QeS, implica a adequação dos cuidados de saúde às necessidades e expectativas do cliente assim como o melhor desempenho possível. Esta requer uma atitude proactiva, não só na resposta às necessidades dos

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clientes mas também na prevenção de acontecimentos adversos. É neste contexto que surge a segurança do cliente enquanto prioridade máxima na melhoria dos cuidados de saúde, sendo uma das principais dimensões da qualidade (Barbosa, 2013). A segurança é uma dimensão estruturante da QeS e da gestão de risco, e a avaliação da qualidade baseia-se em indicadores de processo, de resultado e de estrutura comparando-os com o ideal (Cruz et al., 2014).

Um dos direitos dos clientes é a qualidade dos cuidados, a qual funciona simultaneamente como um dever para os profissionais de saúde (Barbosa, 2013).

O Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (MS, Despacho nº 1400-A/2015), publicado em Diário da República, visa melhorar a gestão dos riscos associados à prestação de cuidados de saúde, promovendo a segurança e a qualidade dos serviços de saúde, sendo um dos objetivos estratégicos a prevenção da ocorrência de quedas.

O índice de quedas é considerado um indicador sensível aos cuidados de enfermagem e indicador de segurança do cliente, sendo estes representativos de estruturas e processos da prática clínica, com relevância para a qualidade e segurança dos clientes e ambiente (NHS, 2007; World Health Organization [WHO], 2008).

Pela proximidade dos cuidados e pelo conhecimento holístico sobre os seus clientes, os enfermeiros são considerados os profissionais de saúde de eleição para promover e garantir a segurança destes, com destaque na prevenção de quedas. Nas equipas de saúde, o enfermeiro assume um papel central na garantia da qualidade dos cuidados, uma vez que é graças à sua capacidade integrativa para coordenar todas as necessidades dos clientes que este garante a qualidade de todos os cuidados prestados por si ou por outros profissionais de saúde (Hughes, 2008). É fundamental habilitar os enfermeiros de modo a capacitá-los na prestação de cuidados com sensibilidade, segurança, maturidade e responsabilidade, de modo a que as estratégias adotadas estejam voltadas à prevenção de agravamento do estado de saúde dos clientes, neste caso, as quedas.

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A European Forum of National Nursing and Midwifery Associations (NMA) e a OMS (2003) emanaram uma posição conjunta que destaca as áreas de intervenção dos enfermeiros, reconhecendo o seu papel crucial na segurança das pessoas. Posto isto, a gestão e a ocorrência de quedas vinculam-se a questões de segurança e qualidade, sendo designativas do processo assistencial de enfermagem.

No estudo de Correa et al. (2012, p.71), os autores salientam que apesar do índice de quedas ter sido monitorizado por enfermeiros, “ (…) a

efetiva adoção como indicador da qualidade e da segurança da assistência ao paciente e a sistematização de ações preventivas e de controle só ocorreram no contexto institucional do processo de acreditação da qualidade (…) ” evidenciando que estes processos se podem constituir como

possibilidades estratégicas para os enfermeiros, com o objetivo de aperfeiçoamento de medidas de gestão e de assistência. Contudo, na revisão bibliográfica efetuada por Moretti e Kolhs (2013), após elencar os principais procedimentos de enfermagem significativos de qualidade em saúde, verificou-se que existe défice na sistematização e nos registos, assim como em cuidados relacionados com as quedas. Constatou-se ainda, no estudo quantitativo de Baixinho e Dixe (2014) que, por exemplo, a documentação sobre medidas de segurança (antes e após a queda) é desvalorizada pelos enfermeiros. Deste modo, os autores consideram que o evento ´Cair` é subvalorizado no contexto da equipa, uma vez que constataram que os enfermeiros ao documentar não identificavam os fatores de risco para a queda, a atividade do idoso no momento da queda, nem mesmo as medidas de segurança adotadas antes de a queda acontecer. Num estudo-piloto de avaliação da cultura de segurança do cliente em hospitais portugueses, realizado pela DGS em 2011, 73% dos profissionais de saúde inquiridos, em sete hospitais, diziam não notificar incidentes. Neste contexto, e de acordo com Baixinho e Dixe (2014), o registo metódico é essencial, pois traduz a documentação de cuidados com qualidade permitindo comparar resultados, estabelecer intervenções prioritárias e

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desenvolver tomadas de decisão mais eficazes, bem como, qualificar o cuidado de enfermagem.