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NEK IEC 60601-2-19 Utgave 2,0,2009

8 Strømningssimuleringer

9.5 Ekstern screening

Dentre os projetos realizados após o término do segundo Convênio Escolar está uma das maiores edificações destinadas ao ensino primário e ginasial da cidade. O Colégio Estadual de São Paulo foi um dos maiores projetos da Comissão de Construções Escolares, merecendo espaço em vários periódicos47, e louvado como uma das principais obras da Comissão. Esse colégio também era denominado de Colégio Cidade de São Paulo48. Estranhamente, seu projeto ficou sob a responsabilidade de dois jovens arquitetos – Rubens César Madureira Cardieri e Rubens Freitas Azevedo – que se formaram na Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, e não de arquitetos mais experientes. O projeto consiste em duas escolas em um só conjunto (figura 37), incluindo um ginásio esportivo coberto (figura 38).

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Entre outras publicações: Arquitetura e Decoração (26): dez. 1957 e Engenharia Municipal (13): 31-34, abr. / mai. / jun. 1959, como o nome de Colégio Cidade de São Paulo.

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Em artigo publicado na revista Habitat49, ao contrário de outros textos sobre escolas públicas em que há somente uma descrição de usos e de aspectos construtivos do projeto, o texto revela claramente a construção do ideário moderno nos projetos realizados desde o início do segundo Convênio Escolar até aquele momento. As premissas são as seguintes: a ausência de ornamentos, o uso de formas arquitetônicas adequadas a um projeto “voltado para o fato social que representa”, a continuidade de uma orientação conferida pelo arquiteto Hélio Duarte e o uso de uma “discreta ordenação de linhas simples e harmoniosas”. Essas quatro observações são um resumo do ideário da arquitetura moderna que percorreu a descrição da grande maioria das escolas públicas construídas entre 1936 e 1962.

Com exceção da referência sobre a influência de Hélio Duarte, as outras observações podem ser facilmente encontradas em outros textos de revistas para descrever as qualidades de projetos de escolas. Essas observações se estendem desde a década de 1930 até o início da década de 1960. Há um momento que o texto revela o que une as observações citadas anteriormente. O artigo afirma que “a bela organização de espaço está dentro dos princípios da lógica interna num inteligente e flexível relacionamento de suas partes”50. A “lógica” que o artigo cita é a lógica da era da máquina e da ciência. A seqüência de salas de aula ao longo do corredor é, de fato, a moderna linha de produção – neste caso de cidadãos – perfeitamente organizada com o objetivo de colher as crianças e, ao final do processo, tê-las “formado” plenamente. Essa lógica se traduz também na composição aditiva dos volumes da edificação, e era exaltada pela capacidade de demonstrar externamente o sistema de ensino em série.

Essa leitura deste projeto pode ser estendida para a maioria das edificações produzidas tanto pela CE quanto pela Comissão de Construções Escolares, tendo em vista a organização de caráter industrial que os edifícios continham. Essa não é a única explicação para as soluções formais adotadas naquelas escolas. Porém, a proximidade da arquitetura dessas

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Habitat (37): 66-70, dez. 1956.

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escolas com certa lógica industrial é um dos principais componentes da época em que foram feitas.

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Colégio estadual São Paulo, também denominado Colégio Cidade de São Paulo. Plantas do térreo e do pavimento superior dos dois blocos de ensino (ginásio e primário).

Fonte: Acrópole (247): 249, maio 1959.

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Colégio estadual São Paulo, também denominado Colégio Cidade de São Paulo. Foto da maquete.

Fonte: Acrópole (247): 251, maio 1959.

No projeto do Instituto Municipal de Crianças Surdas – autoria de Aluísio Rocha Leão e Roberto Tibau – na Aclimação, os arquitetos reafirmam a forte presença da ciência na arquitetura no artigo publicado na revista Acrópole51. Esse projeto é considerado pelo próprio Rocha Leão como um dos mais importantes de sua carreira, durante a época que atuou como

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arquiteto, antes de se dedicar às artes plásticas, principalmente a pintura. Assim como os demais projetos da Comissão de Construções Escolares os volumes usados na composição aditiva são principalmente lineares e estreitos, ainda que a arquitetura que foi proposta contenha um caminho diferente que seria desenvolvido mais adiante. Essa prática em grande parte era justificada pela necessidade de insolação das salas de aula. Porém neste projeto os autores revelam uma outra justificativa, vinculada à idéia de higiene e salubridade, e que não é nova: a renovação do ar dos ambientes internos. Nesse caso a renovação, segundo seus autores, ocorreria 9 vezes por hora52.

No projeto do Grupo Escolar de Vila Ema, da autoria de Paulo J. R. Rosa é certamente um dos que fogem à regra dos volumes lineares, com salas de aula de um lado somente do corredor de acesso53. Neste peculiar projeto, cuja solução arquitetônica parece ter sido imposta pelas “exíguas dimensões do terreno”, há salas de aula de ambos os lados do corredor central. A edificação permanece horizontal como as demais, e a insolação bilateral e ventilação cruzada – ou bilateral como às vezes se costumava denominar – ocorre através de um “shed”, que parece satisfazer muito bem os critérios adotados para qualificar um projeto de escola.

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Pode-se ver na elevação a solução de iluminação e ventilação zenital usada no projeto. Fonte: Arquivo EDIF – PMSP

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Engenharia Municipal (22): 24, jul. / ago. / set. 1961.

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G. E. Vila Ema

Fonte: Habitat (26): 40, jan. 1956.

O “shed” utilizado no projeto (figura 39 e 40) também permitia a iluminação do seu interior. Estranhamente essa solução não foi utilizada nos outros projetos feitos na CE e na Comissão de Construções Escolares identificados nesta pesquisa.

Esse projeto é um dos que foi realizado na classificação de Grupo Escolar Econômico. Outros grupos idênticos foram construídos de acordo com o mesmo projeto, desde 195654, nas seguintes localidades: Jardim Japão, Jardim São Paulo, Saúde, Vila Jaguará, Capela do Socorro, Vila Curuçá, Canindé, Vila Maria, Vila Diva, Vila Formosa, Vila Luzitana, Jardim Penha, Cidade Dutra, Pirituba e Cidade Dutra. Essa lista consta de um artigo que parece ter sido escrito pelo arquiteto Paulo J. R. Rosa, porém pelo menos em três dos projetos indicados a escola que foi construída é completamente diferente do Grupo Escolar Econômico. São elas: Jardim Penha, Jardim São Paulo e Canindé. Excluindo-se o projeto do G. E. de Vila Vera, não foram localizados nos arquivos da EDIF e em outras fontes os projetos das demais localidades indicadas no artigo e nas quais teria sido construído o edifício designado Grupo Escolar econômico. A justificativa indicada para a criação de um edifício padrão era a necessidade de realizar uma construção em larga escala e com execução rápida e econômica, para atender “a crescente necessidade de escolas”, razões que têm sido recorrentes desde a década de 1930.

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Ele seria construído em terrenos resultantes de arruamentos realizados na capital, com autorização da Câmara Municipal, a partir de 195555.

Em outro raro projeto de grupo escolar que adotou salas de aula de ambos os lados do corredor de acesso, o arquiteto Rubens Cardieri explica, em um artigo sobre o projeto, que a adoção de um bloco único para agrupar todos os ambientes da escola foi devido às condições topográficas acentuadas do terreno. No G. E. Cangaíba há um único bloco linear, com dois pavimentos.

Os projetos acima analisados ainda soam como exceções em um momento em que predomina largamente o uso de volumes estreitos e lineares, com uma composição aditiva de zoneamento funcional. Nos artigos que descrevem esses projetos são enunciadas todas as explicações necessárias para justificar porque não foi utilizada a solução “tradicional”. O curioso é notar por que essas soluções não foram também adotadas como padrões a serem seguidos.

Em um projeto de 1955, o grupo escolar de Vila Matilde (figura 41), o arquiteto Roberto Tibau utiliza um caminho que será desenvolvido mais tarde, que é o uso de uma planta na qual os volumes não mais se desenvolvem independentemente e depois são agrupados em torno das áreas de circulação. Nesse projeto os ambientes ainda agrupados por finalidades específicas são acoplados, para gerar outros ambientes necessários ao grupo escolar, como o pátio de recreio. Nessa solução, ainda que as coberturas utilizadas procurem destacar uma separação entre volumes, não ocorre de forma tão nítida quanto a composição aditiva de volumes lineares amplamente utilizada em projetos como esse. A horizontalidade do projeto (possui apenas um pavimento) contribui para esse resultado plástico, mas ainda não é possível afirmar que há um vínculo direto com as inovações introduzidas no final da década de 1950 e início de 1960. Nesse projeto também foi utilizada uma solução que se tornaria padrão em muitos outros projetos, que é a possibilidade de isolar o pátio de recreio, mantendo

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nele o acesso a banheiros e cozinha, e entrada principal da escola, para assim poder ser utilizado de forma segura pela comunidade que utiliza a escola, para realizar “festas, reuniões, palestras, representações teatrais para a comunidade”56.

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G. E. Vila Matilde Autor: Roberto Tibau

Fonte: Engenharia Municipal (13): 26, abr. / mai. / jun. 1955.

Os arquitetos participantes da CE e da Comissão de Construções Escolares também atuavam, em paralelo, fora do âmbito municipal, prestando serviços para outros clientes.