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Eksp. 4: Sanntidsdeteksjon

Ao observarmos o âmbito ou o local da ação das 163 peças nos anos de 2003, 2004, 2005, nos três jornais, Grande Lisboa registra 92 das ocorrências; Grande Porto aparece apenas com 3; Interior com 17 e Não Refere aparece com 51 peças. Assim, localidade registrada com maior frequência nas peças se refere à Grande Lisboa. Este resultado não é surpreendente, na medida em que a maioria dos imigrantes fixa-se em Lisboa, capital de Portugal, e em seu entorno por conta de uma maior oferta de trabalho e de maior facilidade nos serviços oferecidos

como escola, assistência médica, transporte público, lazer. A população da cidade de Lisboa é de cerca de 550 mil habitantes e a Grande Lisboa tem em torno de 2 milhões de habitantes.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras - SEF, entre 2001 e 2004, apresenta Lisboa com 202.030 imigrantes (45% do total de imigrantes no país), ou seja, a localidade com maior número de imigrantes em Portugal com autorização de permanência e com autorização de residência, seguida pela cidade do Porto com um total de 32.314 imigrantes (7,2% do total de imigrantes estabelecidos no país), no mesmo período. Os dados oficiais (autorização de permanência e autorização de residência) por sua vez apresentam, de acordo com o Censo de 2001, uma população total de imigrantes18 em Portugal, ou seja, em todo país, de 449.19419.

Sabe-se que esse número é bem maior, dado que os imigrantes ilegais não podem ser computados.

No que se refere ao número de apenas 3 peças registrado no Grande Porto, a explicação reside no fato de apesar da cidade do Porto ser considerada a segunda do país em número de imigrantes devido ao seu centro industrial em expansão, a imigração localizada em seu território, em sua maioria, é proveniente do Brasil e do Leste Europeu e não dos países africanos dos PALOP. Assim, os dados apresentados na pesquisa na variável localização demonstram que o padrão espacial

18 De acordo com a ONU, é considerado imigrante aquele que permanece mais de um ano fora do seu país de

origem.

19 De acordo com as estimativas aferidas para os resultados definitivos dos Censos 2001, a população total em

Portugal é de 10.529.300 e a população estrangeira com autorização de residência e autorização de permanência é de 449.194.

da distribuição da população africana dos PALOP se caracteriza ainda por uma forte polarização na área metropolitana de Lisboa.

A categoria Interior, apesar de ostentar um número maior de peças do que o apresentado na cidade do Porto, mostra-se irrelevante na totalidade da variável localização, uma vez que engloba todas as demais regiões do país que não foram incluídas na Grande Lisboa e no Grande Porto.

Todavia o resultado que mais chama a atenção na variável localização é a categoria “não refere” com 51 peças, o que significa que das 163 peças, 51 peças não mencionam a localidade dos fatos ocorridos, item primordial para a construção de um texto jornalístico. O local do fato na construção de um texto jornalístico faz parte dos primeiros passos da sua elaboração, na medida em que a “famosa e usual” pirâmide invertida é sempre recorrente dos primeiros passos na construção de um lead. O lead, ou seja, as 10 primeiras linhas de um texto jornalístico, mais utilizado na construção da notícia deve responder às seguintes perguntas: quem, o quê, como, quando, onde e por quê. O desdobramento das clássicas perguntas a que a notícia pretende responder constituirá de pleno direito uma narrativa, não mais regida pelo imaginário, como na literatura de ficção, mas pela realidade factual do dia-a-dia.

Na variável PALOP, totalizando os anos de 2003, 2004 e 2005 nos três jornais, o termo PALOP aparece em 77 peças, africanos e cabo-verdianos em 30, angolanos em 8, guineenses em 18; moçambicanos e santomenses não aparecem em nenhuma das peças analisadas.

Os temas mais frequentes na totalidade dos jornais, durante os anos de 2003, 2004, 2005 são: integração com 28 peças e discriminação com 24 peças. O resultado geral aparece com algumas modificações quando submetido à uma reflexão mais detalhada. Nota-se que integração e discriminação são os temas mais focados, com praticamente os mesmos números de peças, o que aponta para uma tendência sobre a existência de uma correlação entre os temas integração e discriminação. Os noticiários sobre discriminação desencadeiam, de certa forma, noticiários sobre o processo de integração dos imigrantes em Portugal.

Em cada um dos jornais de referência, Público e O Expresso, e do jornal popular Correio da Manhã durante os três anos, o Público apresenta os mesmos resultados apresentados no conjunto dos jornais, ou seja, os temas mais focados também são integração com 19 peças e discriminação com 14 peças. O Expresso, jornal semanário considerado também de referência, há modificações nas temáticas mais abordadas: condições sociais com 4 peças e legislação e integração empatados com o número de duas peças. No jornal popular Correio da Manhã o resultado também difere: discriminação com 9 peças e crime e integração empatados com 7 peças.

Este resultado não é surpreendente, na medida em que cada um dos jornais segue exatamente as suas características de audiência, periodicidade e estatuto editorial.

Assim, O Expresso pela própria característica da periodicidade semanal tem uma maior disponibilidade de tempo para diante de um fato elaborar uma

reportagem e ao invés de apenas noticiar um fato como acontece normalmente com os jornais diários que vivem muito mais dos “furos” jornalísticos, de 2003 a 2005, no conjunto das 16 peças apresentou 10 reportagens e 4 notícias e o tema condições sociais aparece como o mais abordado, em função deste tema no jornal oferecer maiores argumentos para a construção de grandes reportagens.

O Público, com periodicidade diária, tem um enfoque mais centrado, no que tange à imigração dos negros africanos dos PALOP e seus descendentes, nos temas integração e discriminação e os gêneros jornalísticos mais utilizado para tais temáticas são a notícia com 40 peças e a reportagem com 24 peças. O gênero notícia é sempre o mais utilizado nos jornais diários, por ser mais indicado quando se quer informar rapidamente os acontecimentos em tempo quase que imediato na busca do “furo” jornalístico.

O jornal Correio da Manhã, diário, dirigido mais aos leitores das classes populares tem um enfoque mais marcado nos temas discriminação, crime e por último integração e o gênero jornalístico mais utilizado para tais assuntos é a notícia com 33 peças num total de 55 peças recolhidas desse veículo de comunicação.

Uma alteração significativa no jornal Correio da Manhã ocorre quanto ao tema Crime que aparece em 2003 com 4 peças e nos anos de 2004 e 2005 não consta mais como um dos temas mais focados. Concomitantemente ao desaparecimento do tema crime, há o surgimento do tema discriminação em 2004, com um crescimento no número de peças para o ano 2005 (18 peças). Nota-se também um aumento visível em 2005 para o tema integração com 20 peças.

As nacionalidades e/ou etnias mais visadas na totalidade dos 32 temas focados durante os anos de 2003, 2004 e 2005 foram: cidadão PALOP com 77 peças; africanos empatados com cabo-verdianos com 30 peças e guineense com 18 peças.

A não referência aos moçambicanos e santomenses em nenhuma das 163 peças levanta algumas conjecturas. Num primeiro momento a de que a matéria- prima que envolve as mídias são os acontecimentos, as informações das fontes e os eventos propriamente ditos que viabilizam a construção de um agendamento em função de temáticas que pontuam o fato jornalístico e seus atores sociais como relevantes em decorrência da visibilidade e do impacto junto à audiência. Num segundo momento, a de que por conta da própria trajetória histórica recente da imigração em Portugal pós-1974, com predominância da africana dos PALOP, os fluxos de maior volume têm origem em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Angola, e não em Moçambique e São Tomé e Príncipe.

De acordo com os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras - SEF sobre a população estrangeira dos PALOP residente em Portugal em 200420, São

Tomé e Príncipe e Moçambique foram os países dos PALOP que menos solicitaram autorização de residência e de permanência no período (São Tomé e Príncipe com um total de 10.483 e Moçambique com um total de 5.471), enquanto no mesmo ano Angola apresenta um total de 35.264 solicitações, Guiné-Bissau

20 Estes são os últimos dados oficiais obtidos, porém não se deve esquecer que estes dados de autorizações de

25.148 solicitações e Cabo Verde com 64.164. Diante desses dados e conhecedora dos cânones que regem o processo de agendamento para a cobertura de um fato jornalístico, pode-se aventar que o motivo para que santomenses e moçambicanos não constem em nenhuma das 163 peças recolhidas nos jornais Público, Correio da Manhã e O Expresso em 2003, 2004 e 2005 tenha sido a questão da quantidade de imigrantes. Tais grupos populacionais são minoritários numericamente em Portugal quando comparados com os demais grupos dos PALOP, o que para as mídias podem ser considerados como grupos populacionais com pouca expressão midiática. Uma última consideração, é que por conta do mesmo aspecto minoritário quantitativamente dos imigrantes santomenses e moçambicanos em Portugal, as mídias tendam a denominá-los simplesmente de africanos, na medida em que o levantamento dos dados quantitativos apontam para relativamente um número alto de referências para a denominação africanos (30 peças) para um total de 163. Entre os temas mais abordados e as nacionalidades e/ou etnias mais referidas, em 19 peças com a temática integração aparece a denominação PALOP e quando o tema é discriminação, das 14 peças a denominação africanos aparece em 12.

1.1.4. Análise referente ao discurso

As argumentações mais frequentes no conjunto dos jornais pesquisados, durante os anos de 2003, 2004 e 2005, apontaram para a argumentação social em