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Vemos que a dignidade da pessoa, conferida ao ser humano, remete ao apelo criador de Deus. Enquanto indivíduo ou sujeito responsável, ou ainda enquanto personalidade educada, o ser humano poderá apresentar matizes diversos que não se comparam ou não substituem ao que constitui como pessoa...245.

Outra condição que Jesus insiste a respeito da formação da consciência moral está intimamente ligada ao critério da dignidade da pessoa humana – homem é pessoa, portanto, participante da pessoa de Deus. A dignidade da pessoa funda-se necessariamente em Deus e, consequentemente, pode ser verificada nos valores humanos que interagem na vida do cristão. Dessa forma, a dignidade da pessoa é critério de verdade na consciência ensinado por Jesus. A dignidade cresce e se constrói na pessoa e se exprime no plano pessoal em uma vida de alteridade e aceitação com o próprio Cristo.

A dignidade humana requer que o homem aja por convicção interna pessoal e não sob a pressão de impulso interior cego de mera coação externa

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Assim, a consciência deve exercer efetivamente a função de educar a pessoa ao autogoverno de si, sem tornar-se laxista e nem sequer escrupulosa. Verdade e equilíbrio se inserem no íntimo da pessoa e com esta visão é possível que a consciência cresça e se autogoverne fundada e animada na verdade de Cristo pelo amor. Portanto, a consciência

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Ibid. p. 84

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AGOSTINI, Frei Nilo. Introdução a Teologia Moral. O grande sim de Deus à vida. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2005. p. 49.

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COMPÊNDIO DO VATICANO II. Constituições, decretos e declarações. Petrópolis: Vozes, 2000. Gaudium et Spes, n. 17.

moral tem função “humanizadora, isto é, reconhecer o papel da consciência moral é reconhecer o sujeito humano” 247.

Ocorre, pois, que educar a consciência para os valores da pessoa humana na verdadeira busca de dignidade do homem é o critério genuíno da vida pública de Cristo. Pois, a partir de sua atuação, originam-se convergências e âmbitos de atuação comuns entre homens de boa vontade, esta consciência moral “une os cristãos com outros homens, para buscar a verdade e resolver com acerto os numerosos problemas morais que se apresentam ao indivíduo e à sociedade” 248. Por essa razão, quando o escriba e o fariseu conduzem Jesus a uma mulher pega em adultério argumentando que ela tem violado a Lei de Moisés e que essa lei diz claramente que tal atitude exige apedrejamento 249, Jesus, de forma alguma se propõe a julgar aquela mulher, mas põe as pessoas em uma situação de confronto diante daquele comportamento:

Os escribas e fariseus trazem, então, uma mulher surpreendida em adultério e, colocando-a no meio, dizem-lhe: Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante delito de adultério. Na Lei de Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. Tu, pois, que dizes?... Como persistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse: quem dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar a pedra!... (Jo 8, 3-7) 250.

Dessa maneira, Jesus, diante da mulher acusada de adultério toma uma atitude reflexiva de mudança de mentalidade, isto é, o valor da atitude é critério de valor de formação de uma reta consciência, impede o impulso de cair na intolerância e “favorece o diálogo e a confrontação: Quanto maior é o predomínio da reta consciência, tanto maior a segurança têm as pessoas de afastar-se do capricho cego do legalismo” 251. Dessa forma, na sequência, Jesus diz à mulher: “quem lhe condenou? Ninguém, Mestre. Então, Jesus disse: Nem eu te condeno, vai, e de agora em diante não peques mais”. (Cf. Jo 8, 8-11) 252. Portanto, esse apelo de Jesus à mulher adúltera sugere uma nova forma de agir que mexe com as estruturas enraizadas de um

                                                                                                                247

VIDAL, Marciano. Para conhecer a Ética Cristã. São Paulo: Paulinas, 1993. p. 85.

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COMPÊNDIO DO VATICANO II. Constituições, decretos e declarações. Petrópolis: Vozes, 2000. Gaudium et Spes, n. 16.

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Mas, dentro do novo Testamento, a lei em geral se refere à lei mosaica, que contém regras e regulamentações que governam cada aspecto da vida, desde regulamentações culturais e de pureza legal até o decálogo. A observância dessa lei era o meio pelo o qual o povo judeu mantinha o seu estatuto de aliança. Escolhido graciosamente por Deus, mantinha-se Israel no relacionamento adequado com Deus observando as prescrições da lei. Cf. MATERA, Frank J. Ética do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1999. p. 08-11.

250

BIBLIA. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

251

Cf. VIDAL, Marciano. Para conhecer a Ética Cristã. São Paulo: Paulinas, 1993. p. 86.

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tempo que reporta a um legalismo judaico precedente à Lei e que, de forma alguma, constrói uma consciência alicerçada na prática do amor cristão.

A consciência moral tem um limite: a caridade. Diante desta cedem até os direitos da consciência moral. São Paulo desejava ter em suas comunidades consciências esclarecidas, porém, desejava mais ainda corações que amam. “O conhecimento incha; é a caridade que edifica”. (1 Cor 8,1; cf. 8, 12-13; 10, 23-29) 253.

Pois, para Jesus, a mulher, a partir do encontro, está plenamente capacitada a amar e a rever o seu futuro. De agora em diante, percebemos claramente aparecer a nova consciência fundamental do agir cristão, porque agora essas pessoas estão capacitadas a amar mais, a perdoar mais, ou seja, a capacidade para amar constrói uma nova consciência. Como se vê, as atitudes do Senhor diante das pessoas não deixam transparecer a lei do julgamento, mas reportam à pessoa em primeiro lugar, ela está acima da lei. São procedimentos evidentes da vida de Jesus que motivam e exprimem uma reta consciência. A prostituta pecava, ela era uma pecadora, a lei dizia isso. Agora, porém, uma nova consciência manifesta-se nas pessoas e as capacita a amar (lugar de Deus) e a crerem em Jesus. Portanto, a consciência moral deve, antes de tudo, superar a lei pela lei e considerar a realidade existencial da pessoa como um todo. Essa mudança de mentalidade é simplesmente uma consequência de um novo modo de agir que, de forma universal, faz parte da vida do cristão, que o torna bom, justo e o educa formalmente a tornar-se sede da consciência moral.

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