7. Inntekter ombord
7.3 Eksempler på ombordsalg; aktiviteter og produkter
A ópera é considerada um gênero artístico complexo pelo fato de em uma única manifestação estarem presentes elementos cênicos, musicais, poéticos, visuais e também gestuais. O palco transfor- ma-se em um elo para as diversas formas artísticas. Essas mui- tas facetas da ópera trazem consigo uma dificuldade: entendê-la e apreciá-la como um gênero artístico genuíno. Isso ocorre porque na tentativa de classificá-la em uma única categoria artística acaba-se desconsiderando a presença de certos elementos que são funda- mentais para a compreensão da ópera.
1 Em The Complete Singer-Actor (1981, p.5): “Opera, […] is the most collabora- tive art form ever conceived, involving the cooperation of more artists of different kinds than any art has a right to expect or a reason to tolerate”.
De uma forma evidente, percebe-se que, em geral, a ópera tra- balha com duas modalidades artísticas que se mostram fundamen- tais para sua existência – a musical e a teatral – e é a partir dessa constatação, a princípio óbvia, que surge uma eterna polêmica: a ópera deveria ser considerada uma obra musical ou teatral? Ou melhor, qual seria a prioridade em um espetáculo de ópera: a mú- sica ou a cena? Na realidade, como afirma Kerman (1990, p.36), uma resposta que optasse por um desses dois extremos derivaria de abordagens exclusivamente musicais ou exclusivamente literárias da ópera, e nenhuma delas seria suficiente para uma completa com- preensão desse gênero artístico. Muitas vezes, como aponta Peixoto (1986, p.15), essas abordagens vêm além de tudo enxertadas de uma “forte dose de preconceito” gerado pela incompreensão.
Por um lado, há aqueles que observam a ópera somente sob seu aspecto musical, tradicionalistas que defendem “a inexpugnável e abstrata pureza musical da ópera”, cultuando o preciosismo da execução musical em detrimento da exposição cênica, desprezando e ignorando tanto a origem histórica da ópera quanto o aspecto essencial da música, o fato de ela ter sido escrita para ser encenada (ibidem, p.15).
Contudo, observa-se que, mesmo quando a música de uma ópera é executada de maneira exímia, se a ópera é encarada como uma arte unicamente musical, as críticas sobre a simplicidade da música em certas obras não tardam em aparecer na intenção de classificá-las como indignas dessa categoria. Alguns desses críticos ainda costumam ver na ópera somente um pretexto para o exibi- cionismo vocal, a pomposidade e o luxo de uma altiva nobreza que não existe mais. Rosen (2000, p.794), por exemplo, no capítulo intitulado “Ópera romântica, lixo e grande arte” de seu livro A
geração romântica, tece uma crítica ao gênero operístico ao afirmar
que, tanto para os amantes da música quanto do drama, a ópera, “como o cinema, parece não ser às vezes arte de fato, mas somente uma variedade pretensiosa de entretenimento ordinário”. Ele cita uma passagem de Gossett (apud ibidem, p.794) na qual este último fornece uma descrição da ópera: “Enredos melodramáticos, melo-
dias banais sobre acompanhamentos ‘um-pa-pa’, sopranos fazendo trinados em terças com as flautas, tenores berrando dós agudos...”. Apesar de esse trecho ter sido escrito por Gossett na intenção de caricaturar uma faceta da ópera, Rosen deixa claro que tratando- -se da ópera italiana do século XIX, por exemplo, esta seria a mais pura verdade. Para Rosen (idem, p.798), ainda que “a aspiração ao sublime” tenha sido responsável “pelas cenas de grande força e por raras obras-primas” no âmbito da ópera, essa aspiração também teria sido a “responsável por quase todos os absurdos e pela oca, pretensiosa pompa da grande ópera”.
Por outro lado, existem também aqueles que excluem a ópera do universo teatral simplesmente por não aceitarem a presença de- cisiva da música. Para Peixoto (1986, p.23), estes são aqueles que, presos a uma concepção ultrapassada de espetáculo teatral, “ainda imaginam o teatro como apenas a transposição fiel e não criativa de um fato literário”. Sem conseguir aceitar a música como ele- mento determinante no drama, tentam entender a ópera por “uma mecânica transposição cênica do libreto”. Como isso de fato não é possível, essas pessoas, ao não se mostrarem capazes de compreen- der o espetáculo de ópera, acabam tornando-se preconceituosas perante ele.
Kerman (1990, p.29) também afirma que existem aqueles que questionam “a eficiência dramática de qualquer meio artístico não verbal”. Exemplo disso é este trecho de Eric Bentley em The
Playwright as Thinker, citado por Kerman (1990, p.29):
[...] qualquer atividade dramatúrgica que tenha subordinado as palavras a qualquer outro meio trivializou o drama sem dar pleno domínio ao meio que se tornou dominante... Acima de tudo, a música realiza suas funções dramáticas de forma bastante inade- quada. Apesar de Wagner e de Richard Strauss terem levado a música dramática a extremos extraordinários, eles não apenas são incapazes, conforme queria o último, de dar uma descrição musical exata de uma colher de sopa, como tampouco são capazes de fazer o que quer que seja com até mesmo o mais trivial universo de pen-
samento conceitual. São incapazes de construir os complexos para- lelos e contrastes de significado que o drama requer.
Dessa forma, ao desconsiderar a capacidade de representação da música, quando a ópera é vista unicamente sob o foco de seus ele- mentos teatrais, também são incontáveis os argumentos referentes à simplicidade dos libretos, à limitação cênica que é inerente às exi- gências físicas do canto lírico e à falta de ações durante a maior parte do tempo de espetáculo, dentre tantos outros aspectos que motivam as pessoas a julgar a ópera uma espécie de drama desprezível.
Mediante tantas críticas, preconceitos e incompreensão, Wesley Balk (1981, p.5) aponta para uma questão:
Por que a forma operística persiste? Por que deve uma arte que parece desesperadamente chata, excêntrica e elitista para a maioria da população continuar vivendo e crescendo de ano em ano? Muitos músicos a desprezam como um vulgar e bastardo entretenimento abaixo da dignidade da música pura; um número igual de teatró- logos evitam-na como um pretensioso tipo de pompa ultrapassada e sem vida. O que existe na fonte desta improvável colaboração, deste impossível empreendimento em cooperação, que lhe permite existir e, ainda mais espantosamente, prosperar?2
A ópera é um espetáculo artístico híbrido e exatamente por isso é impossível classificá-la em uma única categoria artística, pois ao sublinhar uma modalidade artística obscurece-se outra que teria igual importância. A questão é que a ópera não é um espetáculo exclusivamente musical feito para que se entenda a música excluída
2 “Why does the operatic form persist? Why should an art that seems hopelessly
boring, eccentric, and elitist to the majority of the population continue to live and grow from year to year? Many musicians despise it as a vulgar, bastard entertain- ment beneath the dignity of pure music; an equal number of theatricians avoid it as a pretentious and lifeless kind of outdated pageantry. What is there at the source of this unlikely collaboration, this impossible venture in cooperation, which allows it to exist and, even more astonishingly, to thrive?”
de seu contexto teatral,3 nem o libreto é um texto dramático que
pode ser separado da presença musical sem tornar-se empobrecido. No entanto, isso não a exclui de pertencer a essas duas categorias de espetáculo. Toda ópera é uma obra performática e representativa que deve ser considerada como “uma forma de arte com sua própria integridade e suas próprias convenções particulares, limitadoras e libertadoras” (Kerman, 1990, p.22).
Para que seja possível equilibrar a importância destes dois focos fundamentais para a ópera – teatro e música –, sem que um ex- clua a presença e relevância do outro, o gênero operístico pode ser considerado, como sugere Peixoto (1986, p.24), “gênero teatral que se realiza a partir da música” ou como “gênero musical que se realiza através do processo de encenação”. A ópera é “teatro não
com música, mas, sim, em música”, e é a partir dessas afirmações de
Peixoto que podemos melhor entender a ópera dentro dessas duas categorias artísticas.