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A caracterização do SRI/MG apresentada neste capítulo, com destaque para os aspectos gerais do seu Sistema Regional de Inovação, apresenta características e informações de grande relevância para a análise que se pretende realizar. A seguir, são destacados alguns dos principais pontos importantes para as análises subsequentes:

 Minas Gerais é o estado com o segundo maior número de empresas inovadoras do Brasil, respondendo por 14% do total de empresas inovadoras do País, atrás apenas de São Paulo.

 A indústria extrativista e alimentícia, setores de fundamental relevância econômica para Minas Gerais, estão entre as que possuem os menores percentuais de empresas inovadoras do estado.

 O SRI/MG é enviesado para as instituições públicas em detrimento de instituições privadas de P&D, em que as universidades e institutos públicos de pesquisa assumem um papel central, havendo predominância da pesquisa básica sobre a pesquisa aplicada.

8ICMS -

Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação.

9 FAPEMIG – Relatório de atividades 2012 – Disponível em: http://www.fapemig.br/wp-

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 Minas Gerais se destaca por ser o estado com o maior número de Universidades Federais do Brasil, 11, responsáveis por mais de 97% de toda a produção tecnológica do estado.

 As dificuldades burocráticas, por parte tanto das empresas quanto das universidades, são as principais barreiras ao processo de interação com empresas, na visão dos grupos de pesquisa das universidades.

 Observa-se considerável aumento no orçamento estadual investido em ciência e tecnologia, passando de R$162 milhões em 2000 para R$645 milhões em 2011.

 O crescimento do orçamento recebido do Tesouro pela FAPEMIG nos últimos dez anos foi próximo de 12 vezes, tendo saltado de R$23 milhões em 2003 para R$272 milhões em 2012.

 Mais de 70% de todo o investimento estadual em ciência e tecnologia do governo é direcionado para duas entidades: FAPEMIG e EMATER.

As características econômicas do estado de Minas Gerais, que ressaltam sua relevância industrial para a economia brasileira, aliadas aos aspectos gerais do SRI/MG, com destaque para a forte infraestrutura científica de suas Universidades Federais, assim como os recentes avanços institucionais alcançados, reforçam o argumento de que o estado parece ocupar posição de destaque no Sistema Nacional de Inovação brasileiro, conforme apontado por Chiarini et al. (2012).

No capítulo seguinte, apresenta-se a metodologia utilizada para analisar o Sistema Regional de Inovação de Minas Gerais.

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4 METODOLOGIA

Conforme apresentado nos capítulos anteriores, o conceito de Sistemas de Inovação está ligado à própria natureza sistêmica do processo de inovação, em que as firmas, normalmente, não inovam isoladamente, mas em colaboração e interdependência com outras organizações. Essas organizações podem ser outras firmas (fornecedores, consumidores, competidores, etc) ou organizações de suporte à inovação, como universidades, agências de apoio, escolas e órgãos do governo (Edquist, 2005).

Ainda de acordo com La Mothe & Paquet (1998) apud Anderson e Karlson (2002), estão na base da estruturação do conceito de Sistema de Inovação:

 ênfase de que as firmas precisam ser vistas como parte de um networking formado por organizações públicas e privadas, do qual as atividades e interações iniciam, importam, modificam e difundem novas tecnologias;

 ênfase nas ligações (formais e informais) entre instituições e organizações; e

 ênfase nos fluxos de recursos intelectuais existentes entre instituições e organizações. As características acima descritas, além de outras anteriormente apresentadas, enfatizam a diversidade de atores que atuam de forma conjunta na composição do Sistema de Inovação, que tem como principais componentes suas instituições (“regras do jogo”) e organizações (“jogadores ou atores”). A funcionalidade do sistema está fortemente relacionada ao fluxo de relacionamentos e interações que ocorrem tanto internamente, entre suas instituições e organizações, quanto em relação às interações externas.

Conforme apresentado por Cooke, podem-se identificar certas características que favorecem o desenvolvimento do SRI, como: economias de aglomeração, aprendizagem institucional, governança associativa, disponibilidade de capital e inovação interativa, assim como as condições e os critérios para o fortalecimento deste sistema, que englobam questões de infraestrutura, ligadas à competência financeira regional, e questões de superestrutura, ligadas a aspectos culturais da região.

Os pontos listados acima, desde a caracterização do Sistema de Inovação até as condições e os critérios para o Sistema Regional de Inovação, serão utilizados como referências fundamentais para a metodologia de análise a ser utilizada, sendo que a organização metodológica terá como base o modelo de governança e estrutura de funcionamento do SRI proposto por Cooke e apresentado em detalhes no na seção 2.2.3.

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A capacidade de inovação sistêmica de um SRI pode ser avaliada, conforme sugerem Cooke et al (2000), a partir de suas condições de infraestrutura e superestrutura. A análise destas duas dimensões indicam o potencial do Sistema Regional de Inovação.

A metodologia aqui proposta pretende analisar o Sistema Regional de Inovação do Estado de Minas Gerais (SRI/MG) a partir do seu Subsistema de aplicação e exploração do conhecimento (empresas) e do Subsistema de geração e difusão do conhecimento (demais organizações), conforme apresentado na Figura 2. Especial atenção é dada ao levantamento de informações que possibilitem, também, analisar as interações e os fluxos de informações estabelecidos entre as principais organizações que compõem estes subsistemas no SRI/MG. O Subsistema de aplicação e exploração do conhecimento tem como principal componente as firmas, mas também podem ser considerados seus consumidores, concorrentes, colaboradores e contratantes. Por sua vez, o Subsistema de geração e difusão do conhecimento é composto, principalmente, por organizações públicas, como universidades, institutos de pesquisa, agências de transferência tecnológica e outros órgãos de governança regional responsáveis pelas políticas e práticas de suporte à inovação (Cooke).

A análise do SRI/MG será então realizada de duas formas, por meio de bases de dados primários e secundários. Os dados primários foram levantados através de pesquisas de campo nas empresas e principais organizações que atuam em prol do fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação no estado, considerando os diferentes papéis desempenhados pelos agentes de inovação locais. De maneira complementar aos dados primários obtidos com as pesquisas, foram também levantadas informações secundárias da Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC), do Instituto Brasileiro de Estatísticas e Geografia (IBGE), assim como informações de outros trabalhos acadêmicos que avaliaram aspectos relevantes do SRI/MG, apresentados no capítulo anterior.

A metodologia utilizada pretende, assim, avaliar o SRI/MG a partir do olhar de suas organizações de suporte, atores que atuam visando oferecer condições favoráveis para que a inovação ocorra, e do olhar empresarial, que são os agentes que demandam os serviços oferecidos pelas demais organizações para a geração de inovações, transformando o conhecimento em benefícios econômicos e sociais.

Os dados secundários que serão utilizados para complementar a análise do Subsistema de aplicação e exploração do conhecimento (empresas) foram obtidos por meio da PINTEC (2000, 2003, 2005, 2008 e 2011).

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A seguir, descreve-se a metodologia de coleta dos dados primários.