2. STAND DER FORSCHUNG
2.1 Einleitung: historischer Rückblick auf die Literatur zu deutschen PK1
“A electricidade era estática, eu a tornei dinâmica, fluente. Ela revolucionará o mundo”
(Alessandro Volta)
Antes de adentrarmos na parte teórica da temática da tese doutoral é indispensável fazer considerações a respeito da Filosofia30, relacionadas ao método por ela criado, o racional, que há
séculos responde pelo modelo dominante na cultura ocidental, utilizado por filósofos, teólogos e pesquisadores naturais, até o aparecimento da Ciência31 Moderna.
Quer-se com isto reforçar que a Filosofia foi e continua a ser um saber transformador e revolucionário, en se e per se, que mudou radicalmente a história da cultura do Ocidente, e o modo de compreensão humana da realidade. Põe também em relevo um facto comprovado, pouco conhecido e discutido, de que “Filosofia e Ciência têm origem comum”, e de que a primeira tem precedência sobre a segunda; e que durante séculos “a Filosofia foi o Saber universal”, que integrava todo o conhecimento ou saber significativo do Ocidente, realidade extensiva também para o Oriente próximo e algumas regiões da África, notadamente durante o florescimento da cultura árabe-islâmica. A Filosofia fundamenta-se na Razão, pelo grego e latim Lógos (λόγος)32 e Ratio (termos
assemelhados). Seu saber é especulativo (introspecção investigativa, em que não se aplica a evidência sólida), geral, amplo, organizado, sistematizado, metódico, lógico e totalitário, pois não se contenta com partes ou recortes do real, como a ciência, mas com a Realidade total (in totum). Diferente da explicação sensível, fantástica sagrada e sobrenatural, do senso comum, do mito e das religiões, o saber filosófico é “natural”, isto é, voltado às “coisas mesmas”, à própria natureza e não fora dela. Pelo carácter questionador (que indaga, esquadrinha, examina, inquiri, pesquisa) e céptico (mente que duvida, questiona, interroga, inquere, e não aceita explicações superficiais), a Filosofia penetra reflexivamente em todos os campos e domínios da actividade humana, da mais simples as mais complexa. Todavia, o que realmente distingue e destaca o método racional filosófico dos demais, não é exactamente o questionamento, mas capacidade de “discordar”, faculdade humana de romper padrões, tradições, ideias, valores, pensamentos, regras ou paradigmas. Ademais, não existe pergunta, problematização ou investigação, que não tenha sido precedida da dúvida, ou seja, de uma
discórdia previamente instalada, pois só assim é possível estabelecer mudanças, o devir (Heráclito),
30 Philosophia, nome atribuído ao filósofo e matemático grego Pitágoras (571/570-496 a.C.), literalmente significa “amor à sabedoria”. Do ponto de vista do conhecimento (gnosiológico) e do método: “busca amorosa pelo saber”, o que não significa a “sua posse” – “capacidade de possuir integralmente o saber”, ou de sua “conquista definitiva”, virtude unicamente encontrada nos deuses, conforme rezava a tradição grega, de Homero, Hesíodo, e adiante, menos os sofistas, que se auto-intitulavam sábios (sophós, sapitus).
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Pelo latim e grego scientia e epistéme – “caminho pela experiência”. Literalmente, saber, conhecimento por excelência; conjunto de conhecimentos ou de saber adquirido. “Soma dos conhecimentos humanos”, contrário da
doxa, opinião, saber do senso comum. O conceito originou-se no conceito de Theoría (“teoria das ideias”) de Platão, e Epistéme, saber significativo ou “válido”, de seu discípulo Aristóteles.
32 O vocábulo Lógos (λόγος), de criação do filósofo grego pré-socrático Heráclito (535-675 a.C.), que etimologicamente significa “palavra”, é o princípio universal de inteligibilidade – que compreende bem e claramente as coisas.
- 34 - e romper com o status quo. Mesmo porque, a palavra, principalmente quando carregada criticamente, não é extática, mais dinâmica, pura actividade. Porém, “Filosofia não é um saber qualquer, superficial, irracional, assistemático, solto e descompromissado, como o saber do senso comum33” (SOUZA, 1995, p. 29). O saber filosófico recusa as explicações simplistas e sensíveis34 do senso comum, fantásticas e sagradas do mito, e da religião. Por outro lado, a Filosofia não é um saber pragmático (voltado à acção), excepção à ética, que cuida de partes (recortes) do real, pois o seu método de investigação é rigorosamente intelectual, isto é, racional (pensamento), ao contrário da ciência moderna que privilegia também a experimentação, o saber empírico.
Ao contrário, filosofia é um saber especial: especulativo [do latim, especulu,
especular, voltar-se a si mesmo, ato de introspecção, reflexibilidade], um saber ativo. […] O conhecimento filosófico é profundo, sistematizado [ordenado, hierarquizado, oposto daquele que é solto, desordenado, assistemático]. É um
saber geral, universal, que tem de servir a todos como um instrumento da
verdade. Rigoroso, isto é, forte, operativo, sustentando suas teses sem vacilar ou duvidar. Radical – que vai às “raízes” do problema, até seus fundamentos [últimos], “colocando-se em questão [dúvidas, interrogações] as conclusões do senso comum, da sabedoria popular e as generalizações apressadas que a ciência pode ensejar”35. [...] [Filosofia] é um repensar racional permanente sobre
a realidade naquilo que realmente é importante e fundamental, intentando responder as grandes inquirições humanas (idem, 1995, 29-31 pp.).
Actualmente, as diferenças entre filosofia e ciência são de tal ordem de grandeza e complexidade que parecem saberes distintos, senão realidades antípodas. Porém, uma perquirição mais atenda da História da Filosofia e da Ciência mostrará justamente o contrário, pois, ao invés de diferenças e oposições muitas serão as semelhanças encontradas entre ambas. Uma origem comum é a principal semelhança, pois ambas surgiram na Grécia, na nomeada Filosofia Pré-socrática. Epistemologicamente, a Filosofia nasce como ciência, na forma de uma Filosofia Natural, nome que os primeiros filósofos helénicos (jónicos) davam às “especulações naturais”, ou ao “estudo racional da natureza”, estrutura que perdurou até meados do século XIX. Nestes termos, a Ciência natural grega pré-socrática – “especulação racional sobre a natureza” – surge com o primeiro filósofo, Tales de Mileto, e termina na atomística de Leucipo e Demócrito, tendo, portanto, origem na Grécia.
Sob a denominação genérica de Filosofia da Natureza, os antigos gregos criaram uma Ciência com o objetivo de estudar a Natureza. Essa busca por uma compreensão do Mundo físico abrangia um vasto campo, que englobava a Matemática, as Ciências naturais e as Ciências físicas (inclusive a Astronomia e Meteorologia); ou seja, ao tempo dos filósofos pré-socráticos, os campos científicos se confundiam e se inter-relacionavam, ao ponto que os filósofos tanto
33 Isto é, um saber voltado às causas, razões ou fundamentos, em busca do quê e do por que das coisas. 34
Originárias dos órgãos dos sentidos. 35
- 35 - se dedicavam a especulações filosóficas e metafísicas36] sobre a origem e a
constituição do Universo, quanto aos números [Aritmética], áreas (Geometria) e elementos [Física e Química]. [...] O espírito científico, essencial para o surgimento das diversas Ciências, originou-se na Grécia, sem querer, contudo, significar que todas as Ciências se formariam durante a evolução da civilização helênica. A História das Ciências comprova o entendimento atual de que as Ciências menos complexas, não-experimentais e de interesse imediato da Sociedade seriam as que primeiro se constituiriam e se desenvolveriam (ROSA, 2010, 100-101 pp.). A Filosofia nasce e se desenvolve no primeiro período da Filosofia como ciência, metodologicamente como uma “racionalização natural”, como uma ciência “física”, isto é, um estudo (especulativo) da natureza (Physis), à busca causal dos princípios geradores e estruturadores do cosmo e da natureza evidenciados através dos fenómenos naturais. Naquele momento, muito diferente de hoje, ciência e filosofia ou vice-versa eram sinónimos. Nesta perspectiva é possível compreender donde e por que a ciência herdou algumas características da Ciência Mãe, de onde todos os saberes, directa ou indirectamente, precedem. John Burnet (1863-1928), um dos maiores helenistas e pesquisadores da história da filosofia, em seu famoso livro Early Greek Philosophy, chamava Tales de o “primeiro homem de ciência”.
Tales [624-548 a.C.]. Misto de filósofo, matemático [autor de cálculos matemáticos
notáveis, como a da medida da circunferência da Terra, etc.], meteorologista e astrônomo, que se tornou famoso por alguns feitos memoráveis, como a previsão de um eclipse solar. Ele inaugurou a “ciência” [conhecimento voltado ao entendimento e ao domínio racional/experimental da natureza] no ocidente e a fase Pré-socrática – ou “física” [...] da Filosofia Grega, cujo objecto de estudo ou enfoque, propósito de estudo e trabalho, era a “natureza física”, externa ao homem, mundo exterior, fenomênico [“ser da natureza”, “natural”: o ens mobile, de
Aristóteles, natura naturans, de Espinosa] (SOUZA, 1995, p. 26, 27).
Os filósofos pré-socráticos ratificam a “origem comum da ciência e filosofia”, pois tiveram como objecto de tematização a natureza ou dos fenómenos físicos, objectivos, o que levou Aristóteles, grande estudioso de o pensamento pré-socrático (doxógrafo37), a denominá-los de “fisicistas”
(physichói), “físicos”, “estudiosos da natureza” (Physis), da "realidade38 externa". Contudo, a
“ciência pré-socrática”, ao contrário da física e química moderna, centrada nos fenômenos
particulares, procurava a “compreensão total das coisas”. A ciência (física) pré-socrática tinha, pois, caráter universal. Em outras palavras, o conhecimento pertencia a todos39, resultado da evidência racional, logo, natural, inteiramente distinto das explicações do senso e do mito,
36 Questões ideais, subjectivas, como o pensamento. Para Aristóteles a metafísica é “o estudo do ser enquanto
ser”. Nota nossa e não do autor do texto. 37
Escritor antigo que descreveu, registou, analisou, problematizou, as obras dos primeiros filósofos gregos. 38
Etimologicamente o vocábulo vem do latim res, coisa, objecto tangível. Nota nossa. 39
No mito, cada povo, cultura, etnia, elabora uma compreensão individualizada para os mesmos fenómenos. No mundo antigo havia deuses, mitos e cultos diferentes para explicar a mesma coisa, para o surgimento do dia, da noite, da dor ou da morte. O saber filosófico trouxe a uniformidade de ideias, pensamentos e explicações, regra válida para o africano, europeu, norte-sul-americano, asiático, oceânico, etc.
- 36 - místicas, fantásticas ou religiosas. A cosmologia40, um dos produtos gnosiológicos dos filósofos pré-socráticos, almejava não somente encontrar uma causalidade para o surgimento dos astros ou do universo, mas, sobretudo, descobrir a “origem de todas as coisas” (1995, p. 27). Os primeiros filósofos pré-socráticos, opostamente aos sofistas, cujo método era particular, empírico e não geral, eram também generalistas, porque o olhar compreendia todo o conhecimento da “natureza em sua totalidade”, ou seja, o foco da razão não se dirigia a partes ou “recortes”, como a ciência, mas a toda a realidade. Estes naturalistas da história da ciência indagavam pelas “causas”, o “ser
primevo, o elemento primordial, o princípio [principiu, do latim, causa primária] originador de todas
as coisas, materiais ou não” (idem, p. 28), o “Arché41
, de todas as coisas” (ibidem, p. 28), a
essentia, a substantia prima, o infinito, ao qual tudo se origina, surge ou retorna (1995). O princípio
gerador, primordial, não foi consenso entre os filósofos jónicos, pois cada um estabeleceu um elemento ou princípio como arché, o que prova o carácter crítico, dinâmico, dialéctico e revolucionário daquele novo saber. Tales, o primeiro filósofo, pensou ser a água o princípio originador de todas as coisas. Anaximandro e Anaxímenes, discípulos do primeiro, julgaram ser o
ápeiron e o ar; Pitágoras os números, Empédocles os quatro elementos (terra, água, ar e fogo),
Heráclito e Parménides o fogo e o ser. Esta é a razão de se afirmar que os pré-socráticos são também “naturalistas”.
Esses primeiros filósofos pré-socráticos são “naturalistas” no sentido de que não vêem o divino [o princípio] como algo diferente do mundo, mas como a essência do mundo. Entretanto, não têm nada a ver com concepções do tipo materialista- ateizante.
Em Anaximandro, portanto, Deus torna-se o princípio, ao passo que os deuses tornam-se os mundos, os universos que, como veremos, são numerosos — os quais, porém, nascem e perecem ciclicamente (REALE; ANTISERI, 1990, p. 30). Os gregos legaram ao mundo ocidental uma “ciência separada dos deuses”, ou seja, fora das explicações sagradas e religiosas, embora não devamos tomar isto no sentido absoluto, pois houve filósofos que também foram místicos, a exemplo de Pitágoras. O carácter verdadeiramente “científico” da filosofia e que a distingue da doxa (opinião) conhecimento dito inferior, menor, senso comum e mito, é o uso de instrumentos racionais dirigidos à totalidade do saber, a generalidade, contrário da
particularidade da ciência, a busca dos fundamentos, das causas, princípios e fins. A Filosofia pré-
socrática compreende também o ser (Parménides), “conjunto de objectos da natureza” (definição clássica), “aquilo que é passível de apreensão pelo conhecimento”, ou o “ente em sua totalidade”, na acepção ontológica de Martin Heidegger.
Epistemologicamente, entende-se generalidade filosófica como “compreensão total do objecto” em análise. A Ciência, opostamente à Ciência Mãe, trabalha com objectos isolados e distintos entre si (astronomia, física, química, geologia, electricidade, biologia, etc.), transita no âmbito do particular
40 Filosoficamente, cosmologia é uma forma de explicação racional das origens e fins do universo, diferente da compreensão fantástica, sagrada e dogmática da mitologia.
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Vocábulo de origem grega (grafado também como arké) e latim principium, começo, fundamento, ponto inicial,
- 37 - (especialização). Se para a ciência a observação/experimentação (empirismo) é um constituinte necessário, a evidência racional – o Lógos (Heráclito), o eidos fenomenológico de Husserl ou o cogito cartesiano (Descartes), por exemplo, são marcas inseparáveis da abordagem filosófica. Durante séculos Filosofia e Ciência foram companheiras inseparáveis e caminharam juntas até o surgimento da Ciência Moderna, pois, mesmo com as contradições, como o advindo do ceptismo grego dos sofistas, tinham propósitos, metas, objectivos e fins semelhantes; ou seja, o de explicar o real (o universo e suas partes) de forma integrada, e não de maneira separada como fazem as ciências de nossos dias, porém:
¿Qué papel desempeño la ciencia en esta evolución intelectual? Al principio, Filosofia y Ciencia estuvieron mescladas. Los filósofos ensayan sus soluciones, utilizando de manera más o menos consciente el papel de sua tiempo, pero lo desboradan en sua ansiedade de explicarlo todo. Por sus excesivas pretensiones y sus embarazosas contradicciones, el pensamiento desemboca ya en la abdicación de la razón ante la fe, ya en una prudente sumisión de la razón a la experiencia. En nuestra opinión, no hay por qué diminuir la importância de los escépticos griegos – que si niegan la ciencia es, sobre todo, por formarse una idea demasiado elevada de ella (BERR, s/d., XI e XII).
Contradições à parte, como se observou no cepticismo e relativismo grego dos sofistas, a
racionalidade42 foi e continua sendo o principal instrumento da filosofia para conhecer e descobrir a
verdade (alétheia). A razão é o método privilegiado da abordagem filosófica do real: subjectivo,
objectivo, teórico ou prático, aplicado inclusive na ciência, pois a problematização, a análise do problema, a sistematização, e a teorização são instrumentos próprios da filosóficos e do não do método científico experimental. A crítica (do grego kritiké/kritilós43, examinar, dividir, ajuizar, julgar) foi
outra grande e importante estratégia da filosofia, criada pelos gregos, para validar ou não os conhecimentos humanos. “Conhecer filosoficamente” é o mesmo que “conhecer as coisas pela luz natural da razão”, pois, a razão, à filosofia, é o instrumento de certezas por excelência. Evidentemente, este conceito passou por transformações e também por crises. A palavra razão é aplicada em muitos sentidos: certeza, lucidez, motivo, causa, inteligência, e todos esses sentidos são conceitos presentes na Filosofia (REALE; ANTISERI, 1990).
A ciência, na pressa de conhecer, de produzir tecnologias, desvendar enigmas, solucionar problemas, muitas vezes imediatos, como a demanda energética eléctrica do planeta, descobrir a cura para o vírus ebola, da AIDS, da vacina para a malária, doença de chagas, dengue e o zica vírus, distancia o
42
Para os gregos, “racionalidade” significava que havia uma “lei” intelectual, lógica, universal “pensante”, um
principium, uma Intelligentia (o Logos/logos, de Heráclito) imanente no Universo, regente de todas as coisas,
naturais ou ideais. Compreender esta “racionalidade” significava compreender todas as coisas.
43 A palavra “crítica” resume objectivo do método grego. Ela inaugurou o reino do questionamento, e criou a investigação, método que começou com uma revolução palavra (logos) revolucionária, “por que” (as razões que nos levam adoptar esta ou aquela conduta, seguir este ou aquele caminho, fazer esta ou aquela tarefa)? “Como surgiu o universo e a vida, o que é”, são as perguntas cruciais que a ciência tem que desvendar, segundo o físico brasileiro da USP, José Goldemberg. Como se vê, a problematização, a maior criação do método filosófico, que tornou possível a ciência, está na base de todo saber não dogmático humano, no caso a ciência.
- 38 - cientista dessa discussão. Os interesses económicos e políticos impostos pelo modelo capitalista de produção à ciência criaram mitos ou ideologias muito convenientes, a exemplo da neutralidade
científica e da superioridade do saber científico. Um cientista especializado em técnicas de destruição
em massas, bombas ou vírus letais, armas químicas, ao questionar eticamente a ciência e o seu trabalho, cria um afastamento epistemológico entre o “ser e o fazer”, “sujeito e o objecto”. Conclui-se, assim, que o posicionamento ético ou moral, a crítica filosófica, “não é da instância do cientista, mas do filósofo”; da filosofia, mas não da ciência. Em outras palavras, a análise e a discussão crítica é uma atribuição filosófica, desde os primeiros tempos, e continua até hoje uns dos resquícios que mostram que ciência e filosofia um dia foram a mesma coisa. Até o advento da ciência moderna, a
atitude questionadora, oriunda da filosofia, era um atributo único do filósofo; mesmo porque a lógica,
a ética, a estética, a metafísica e demais ciências válidas eram objectos pertinentes à Filosofia, consequentemente, do modo de ser e fazer do filósofo especulativo (que tratavam das ideias, humanas, isto é, subjectivas) e físico (estudioso das coisas da natureza). Concluindo, enquanto que a ciência aborda várias realidades e diferentes objectos, a Filosofia procura a unidade ou a
generalidade.
É justamente esse caráter que confere "cientificidade" à filosofia. Pode-se dizer que esse caráter também é comum às outras ciências, que, enquanto tais, nunca são uma mera constatação empírica, mas também são pesquisa de causas e razões. A diferença, porém, está no fato de que, enquanto as ciências particulares são pesquisa racional de realidades e setores particulares, a filosofia, como dissemos, é pesquisa racional de toda a realidade [do princípio ou dos princípios de toda a realidade] (REALE; ANTISERI, 1990, p. 20, vol. I).
1.1. Origem, dificuldades, desenvolvimento e afirmação da Electricidade na História da Ciência
– da fase animista à Física Eléctrica
A electricidade não se restringe apenas a sua magnânima história, pois que ela encerra em si um dos mais antigos e primordiais fenómenos naturais, força, energia encontrada e todos os cantos do Universo. Com efeito, a Electricidade é tão antiga quanto o Universo, novo é apenas o tempo em que o homem a descobriu, pouco mais de 2000 desde sua descoberta aos avanços dos dias presentes. Apesar de fazer parte da intimidade da matéria, enquanto energia para fins de trabalho humano, não se configura com uma energia primária, pois tem de ser produzida artificialmente pelo homem, por intermédio de geradores, que necessitam também, por sua vez, de outras formas de energias primárias para movê-los: hidráulica, térmica, solar, eólica, ondas do mar e nuclear.
Antes de adentrarmos na história desta insuperável ciência, é preciso levantar a rica etimologia do vocábulo “história” (do grego e latim, historía), directamente ligado ao trabalho do grego Heródoto.
História, literalmente, significa “conhecimento através da investigação”, investigação, testemunha, narração.
- 39 - La palabra historia tiene un origen claro y atestiguado; deriva del griego. historein que significa inquirir, preguntar. El primero en utilizarla, derivando ya su sentido hacia el actual, fue Heródoto de Halicarnasso (considerado por ello como Padre de la Historia) quien en el siglo V antes de Cristo realizó un viaje por el Mediterráneo y Grecia "preguntando" a los lugareños acerca de sus tradiciones y de sus relatos sobre las Guerras Médicas [...] es decir que hizo una investigación. Justamente ese fue el nombre que le dio a su obra escrita: “Historias”, término que valía tanto como decir “Investigaciones”. [...] La historia es un término cuyo significado puede referirse a: una narrativa de eventos, un relato; un registro cronológico de hechos, como de la vida y desarrollo de un pueblo, de una institución o de una persona, incluyendo con frecuencia una explicación o comentario; así como todos los acontecimientos que forman el objeto de la historia, todo registro de hechos del passado [“Historiae Herodotos – Investigaciones de Heródoto”] (RDGZ, s/d., p. 1).
Etimologicamente, a palavra Electricidade vem do latim electricus, cujo significado literal é equivalente a “produzido pelo âmbar por efeito de fricção”. O termo surge pela primeira vez na Grécia antiga com o “filósofo naturalista” Tales (624-558 a.C.), o descobridor da electricidade no Ocidente. Tales foi um (idem, s/d., p. 1). cidadão rico e de nobre ascendência nobiliárquica da cidade-Estado Mileto, Jónia, uma rica colónia grega situada na Ásia Menor, que ao esfregar um pedaço de “âmbar amarelo” (tradução literal do vocábulo élektron) descobriu que ele adquiria a estranha propriedade de atrair corpos leves, como palha, folhas, penas, cabelos, pelos, etc. Em outras palavras, longe explicar a natureza do fenómeno eléctrico, Tales descobriu que ao esfregar o âmbar em lã, seda ou pele de animais, ele perdia sua neutralidade e adquiria uma “carga (força) eléctrica”, ou seja, a actividade de