kommunar i ein sirkulær økonomi
17 Ein digitaliseringspolitikk for det grøne skiftet
Para muitos historiadores, apenas os campos eram explorados com um sentido econômico, e a floresta com araucária, embora abundante, foi considerada até 1940 uma “praga”, pois atrapalhava a atividade pastoril (COSTA, 1984). Entretanto, no final do século XIX, a floresta pode ter tido uma importância muito maior. Mas segundo cronistas, o pinhão, semente da araucária, servia principalmente para alimentação dos porcos, denotando a irrelevância desta atividade.
Gradativamente aumentou a introdução de novos animais domésticos trazidos da eurásia: porcos, galinhas, ovelhas, cabras, que junto com bovino, eqüinos, asininos e muares, em conjunto, possibilitaram o fornecimento de carne sem aumento da mão-de-obra nem de ampliação das pastagens, pois aproveitavam recursos desperdiçados pelo gado bovino. Entre todos, os porcos deram a contribuição mais substancial ao regime agrícola colonial (DEAN, 1996) e na região de Lages até no Estado Novo, em meados de 1930. Gradativamente, suínos eram introduzidos ou escapando dos cercados, espalharam-se pelas matas de toda a região, como ocorrera com o gado, 300 anos antes, varas multiplicavam-se rapidamente pelos matos da região, ocupando e desalojando o nicho ecológico de animais nativos. Alguns animais já eram raros perto das vilas e sedes das fazendas, e outros, menores e menos agressivos, eram afastados ainda mais. Desta forma, porcos e galinhas ocupavam parte das fontes de recursos animais ao lado da caça e da pesca.
A criação de suínos é uma interessante fonte de revisão histórica. Segundo ARRUDA (1960), “o porco, criado à lei da natureza, quase só servia para os gastos domésticos”. A produção aumentou a partir do momento que se iniciou a exportação para algumas pequenas fábricas de banha do Estado, e do Rio grande do Sul. Depois enviou-se para o Paraná e litoral de Santa Catarina. Nos anos 1960, a atividade voltava a ter um desenvolvimento rápido, com
a importação de bom número de reprodutores de várias raças e de procedências até que a campanha de erradicação da peste suína clássica levasse com ela a criação doméstica e a diversidade genética dos plantéis. Historicamente negligenciada, e quando muito, tratada pejorativamente, como uma atividade insignificante para a economia da época, existem poucos registros da dimensão desta atividade, que teria profundos reflexos no ambiente e na vida de uma população, que junto da floresta, e de suas práticas de cultivo e criações animais, foram totalmente apagadas no tempo.
Os peões excedentes precisavam buscar novos sertões, ou migravam para terras sem interesse dos fazendeiros ou que pertenciam ao governo, provavelmente florestadas. Esses posseiros realizavam pequenos roçados, criavam animais que não exigiam campos, extraiam erva-mate e principiavam oferecer serviços na indústria madeireira (MONTEIRO, 1974 apud LOCKS, 1998). Muitas famílias tiveram seu sustento inicial totalmente dependente do pinhão, frutas nativas e do porco criado solto sob as matas. As pessoas e os animais se alimentavam de pinhão, semente da araucária, de butiá, uma palmeira que ocorre em reboleiras. O butiá produz frutos abundantes de janeiro até março, mas alguma coisa pode ser colhida desde dezembro até abril.
De abril a junho a produção de pinhão é abundante, mas existem outras espécies que produzem frutas ao longo do ano. O pinhão-macaco, uma variedade de araucária que dificilmente se distingue das outras, possui uma característica que mantém as pinhas ligadas aos ramos da árvore durante um tempo maior sem perda das características organolépticas, , constituindo uma reserva alimentar muito interessante. Diversos animais se alimentavam do pinhão, outros frutos e vegetação rasteira. Antas, capivaras, veados, cutias, pacas, tatús e porcos do mato (cateto e queixada) eram abundantes e foram fonte substancial de alimentos por longo tempo. Vivendo nas fazendas e nas pequenas vilas, a caça não era tão freqüente, mas com a necessidade de fazer uso contínuo da floresta, estes animais seriam perseguidos intensivamente no fim do século XIX.
O isolamento das pequenas roças e a formação de currais para porcos exigia medidas muito mais elaboradas que a criação de bovinos. Além de taipas de pedras, muito comuns em áreas de campos repletas de pedra-ferro espalhadas na superfície, muitas regiões formadas sobre solos arenosos não possuem este material disponível. O isolamento das áreas constituía uma outra demanda por produtos florestais, utilizados para fazer cercas de madeira rachada, produzida de troncos partidos com cunhas de ferro e até de madeira dura, de varas finas de árvores de madeira dura, como cambuins e guamirins, troncos inteiros, de pinheiros
derrubados com este propósito, constituiam uma barreira sólida para impedir o acesso dos animais. Pequenas frestas eram preenchidas com galhos e com xaxim (Dicksia selowiana). Esta samambaia gigante já foi muito mais abundante nas florestas da região, sendo utilizada em alguns locais para a construção de cercas-vivas. Quando cortada, seu tronco com folhas pode ser transplantada para uma linha, formando uma densa paliçada que enraíza e forma uma cerca permanente sob a sombra da floresta62. Antes da indústria de vasos alimentar a sua extração comercial em larga escala a partir dos anos 1960, o xaxim também era cortado para dar aos animais o miolo branco.
Porcos soltos tornaram-se bravios o suficiente para se defenderem de predadores, e por conseguirem sobreviver o que encontravam no chão das florestas, tornavam-se com os anos bastante arredios e difíceis de pegar. A caça do “porco alçado” são populares e sempre repletas de aventuras que denotam a valentia dos moradores da época. “Encerras” eram feitas em áreas com alta densidade de Butiás. Um exemplo comum na localidade de Pinheiros Ralos, em São José do Cerrito, tinha os porcos e gado bovino criado em uma área isolada de 1 alqueire (24.200 m²).
Diversos foram os relatos sobre tropas de suínos levados da região para serem comercializados vivos no Oeste ou à Leste, em direção ao Litoral, que revelam, tanto tecnologia quanto a dimensão da atividade:
“Os porcos eram cegados, só uma leitoa mansa ia de olho aberto na frente, até se jogava um milho no rumo pros animais irem comendo, mas o melhor era irem cegos, uns mais caprichosos até costuravam os olhos, aí dava pra criar quando entregava no destino”. “Tinha leva de até 200 porco, tudo levado serra-à-baixo”.
Conforme relatos, em julho e agosto, os animais tinham se alimentado tanto que “muitos não conseguiam andar”. As fontes de alimento eram tão fartas que os animais engordavam muito, tornando fácil a sua captura. Era freqüente, durante o inverno, encontrar sob copa de pinheirais, que produziam mais de 300 pinhas de 1 kg de pinhão cada árvore, que diante da aproximação de pessoas fugiam apenas os porcos mais novos, ficando os animais adultos deitados no chão de tão gordos que ficavam. A carne era defumada, possivelmente sem sal, um produto escasso e caro na época, à moda indígena do moqueado. Ou cozida na própria banha, permanecia guardada sem estragar por grandes períodos dentro de jarros de
62 Infelizmente, com o corte dos pinheirais nos anos 1940, estas cercas foram muito danificadas, e depois com a
exploração do xaxim para a produção de vasos de jardinagem, estas cercas foram quase todas destruídas. Algumas remanescendes desta época podem ser vistas ainda na região de Casa de Pedra, e Farova, no Município de Painel.
barro, caixas de madeira e depois em latas. Por diversas formas de uso da floresta, algumas realizadas em localidades que não possuim campos antes da indústria madeireira, denotam a existência de uma florestania, de povos da floresta63.