Kulturløftet
4. Eigarskapet: Misjon er heile kyrkja si sak
Os estudos de Walton (1996), Walton et al. (2003) e Walton (2006) têm os seus focos nos “esquemas de argumentação” e na “argumentação crítica” para explicar como ocorrem erros, falácias e outras falhas importantes da argumentação. Os autores mostram como a utilização correta dos argumentos se baseia em estratégias sólidas para persuasão racional e respostas críticas.
Na área da argumentação crítica, Walton (2007a) aponta que o diálogo tem uma estrutura precisa que pode mostrar que a argumentação, e outras formas de raciocínio, podem ser vistas como um processo organizado, com princípios normativos e regras que podem ser apropriados para vários tipos de discussões. O autor considera que, se a teoria do diálogo é parte do método da argumentação crítica, então pode ser utilizada para avaliar como os argumentos fortes ou fracos se comportam. Através da discussão, utilizando a argumentação crítica e colocando questões críticas, é possível orientar o respondente para melhorar e aperfeiçoar a visão inicial de um problema em análise (Walton, 2007a). Assim, o diálogo entre os elementos envolvidos na discussão aumenta a compreensão da visão inicial do problema e identifica quais os argumentos mais plausíveis e convincentes a favor e contra essa visão. Segundo Walton (2006), os três objetivos da argumentação crítica são: identificar, analisar e avaliar os argumentos. Assim o “argumento” é utilizado para apoiar ou criticar uma alegação, através de uma afirmação ou da colocação de uma dúvida.
De acordo com Walton et al. (2003) os “esquemas de argumentação16” são modelos que representam tipos comuns de argumentação através de argumentos, ou seja, representam estruturas de argumentos utilizados no discurso quotidiano e em contextos especiais tais como argumentação jurídica ou argumentação científica. De acordo com os autores, representam a forma dedutiva e indutiva da argumentação lógica com que estamos familiarizados. No entanto, também podem representar modelos de argumentação que não são nem dedutivos nem indutivos. Estes últimos caem numa terceira categoria, às vezes chamada de abdução ou presumida. Este terceiro tipo de argumento é anulável, pois representa considerações que funcionam como ponto de equilíbrio dentro do diálogo. Os esquemas de argumentação representam padrões estereotipados de raciocínio, que contêm premissas que validam presumivelmente uma conclusão (Walton, 1996; Cartwright et al., 2009) e ajudam a categorizar
o modo como os argumentos são construídos. Neste caso, e de acordo com Walton (1996), são referidos como padrões de inferência presumível no sentido em que, se o que já está estabelecido é verdadeiro, então presumivelmente a conclusão pode ser feita e é verdadeira. Para Walton (2006) uma inferência, no sentido técnico do termo, é o processo de raciocínio contido no argumento.
Segundo Walton (1996), a argumentação ocorre em “contextos padrão” proporcionados por atividades conjuntas a que chama diálogos. Assim, Walton (2006), define um diálogo como uma atividade, com um objetivo e um sentido no qual dois intervenientes interagem sequencialmente à medida que o diálogo avança, através de “atos de fala”. De acordo com o autor, o objetivo é determinado pela finalidade do diálogo enquanto atividade socialmente reconhecida. Deste modo, para Walton (2006), os diálogos são estruturas convencionais que tornam possível a argumentação racional e que, para além dos argumentos, podem conter explicações e instruções sobre como fazer alguma coisa.
A abordagem da análise do argumento de Walton (2006) faz a avaliação deste girar em torno de três fatores. O primeiro fator é a estrutura do raciocínio em que o argumento é baseado. Para o autor a estrutura representa a ligação entre as premissas e a conclusão. No que se refere ao raciocínio, o autor considera existirem três tipos de generalizações: (1) a universal (dedutivo), (2) a indutiva e (3) a presumível (anulável). O segundo fator é a aceitação das premissas, onde esta aceitação é avaliada tendo em conta os compromissos estabelecidos ente os intervenientes da discussão (Walton, 2006). O terceiro fator é a relevância do argumento, ou seja, o diálogo é conduzido pelos argumentos e para que estes sejam relevantes devem ser uma sequência de raciocínios que levam a uma conclusão final (Walton, 2006). De acordo com o autor, o segundo e o terceiro fatores são explicitamente dialéticos, envolvendo diálogo entre os intervenientes.
Relativamente à generalização, esta é uma dedução baseada na junção de um conjunto de propriedades específicas que por inferência confere essas mesmas propriedades a algo (objeto ou indivíduo) tendo em conta que são similares. De acordo com Walton (2008), caracteriza-se da seguinte forma:
1. A generalização universal deduz algo sobre os indivíduos de um determinado tipo. Para exemplificar a generalização universal, refere a seguinte afirmação “Todos os pássaros voam”. No entanto esta afirmação pode ser contestada com a apresentação de uma única exceção (um pássaro que não voa) sendo designada de generalização universal restrita.
2. A generalização indutiva deduz que um certo número de indivíduos tem uma determinada propriedade. Assim indica a probabilidade de apresentarem determinadas propriedades.
3. A generalização presumível deduz que determinado grupo de indivíduos, por norma, têm determinadas propriedades, no entanto podem existir exceções. Em casos específicos essas propriedades podem ser anuláveis porque existem novas informações que anulam ou contestam a dedução inicial.
Walton (1996), através da sua classificação, descreve cada “esquema de argumentação” com um nome, uma conclusão, um conjunto de premissas e um conjunto de questões críticas. De acordo com o autor, com base nos esquemas de argumentação as questões críticas permitem que os intervenientes identifiquem os pontos fracos que potencialmente atacam o argumento. Para além de ser uma habilidade, a argumentação crítica é uma atitude que é útil para trabalhar um problema através de um caminho ou tomar uma decisão ponderada (Walton, 2006).
Os dois chavões base da teoria de Douglas Walton tiveram uma influência particular na modelação da argumentação na Inteligência Artificial (Bench-Capon et al., 2010). Um deles é a noção de tipos de diálogo e o outro é a noção de esquemas de argumentação, como presumíveis justificações, sujeitas à crítica, que utilizam um conjunto de perguntas inerentes ao tema em debate. Segundo Blair (2012), apesar da análise dos esquemas de argumentação e da argumentação crítica ser informal, é utilizada pelos investigadores da área da computação, pois é a melhor abordagem para desenvolver software para análise, avaliação e até mesmo construção de argumentos em linguagem natural.