6.1 Intervju med elevene
6.1.4 Egenvurderingen
Neste capítulo explicitamos as opções metodológicas e sua justificação. Começamos por
clarificar a natureza do estudo e a problemática de investigação. De seguida, referimos os objectivos que nortearam esta investigação e descrevemos as técnicas e procedimentos de recolha e análise de dados, terminando com a identificação de algumas limitações deste estudo.
2.1. Natureza do Estudo e Problemática da Investigação
A investigação inicia-se pela “definição de um problema.” (Almeida e Freire, 2000: 37). O problema constitui o alfa de um processo que será tanto mais válido quanto mais concreta for a sua identificação. Por isso, é necessário “identificá-lo, descrevê-lo e relacioná-lo” (Almeida e Freire, 2000: 39), por intermédio da experiência pessoal, dos interesses e objectivos do investigador e do quadro teórico assumido, incluindo o resultado de recomendações de diversos investigadores e de estudos de investigação.
O problema que nos despertou para o presente estudo prende-se com a identidade profissional e a crise de identidade dos professores em contextos de aceleradas mudanças sociais.
O desenvolvimento deste estudo partiu das seguintes linhas de leitura decorrentes da revisão de literatura:
As exigências sociais relativamente à profissão docente tornaram-se cada vez maiores e mais complexas e, neste contexto, acaba por ser experienciada uma situação de desconforto.
O desenvolvimento identitário do professor realiza-se na procura de reconhecimento das suas
acções, na multidimensionalidade das suas concepções e na interioridade do eu profissional e do eu pessoal.
79 A fim de analisar a problemática da identidade dos professores em contexto de globalização, optámos pelo paradigma qualitativo de investigação devido à natureza do nosso estudo, sendo de índole mais descritivo que explicativo, enquadrando-se numa abordagem exploratória, no sentido de encontrar pistas de reflexão e alargar os horizontes de leitura sobre uma determinada realidade. A investigação qualitativa centra-se na forma como as pessoas interpretam e dão sentido às suas experiências e ao mundo em que vivem.
De acordo com Bogdan e Biklen (1994: 47/50), a investigação qualitativa apresenta cinco características fundamentais:
i) A investigação qualitativa decorre no ambiente natural em que o investigador se torna um instrumento fundamental recolhendo dados e informações, frequentando os locais de estudo e valorizando os contextos em que decorrem as acções;
ii) A investigação qualitativa é descritiva já que os dados apresentados surgem sob a forma de palavras ou imagens e não de números;
iii) A investigação qualitativa interessa-se pelo processo, mais do que pelo produto, o que é particularmente visível na investigação educacional. De acordo com este tipo de investigação, é nos procedimentos e interacções contínuas que se encontra o sentido das intenções;
iv) A investigação qualitativa analisa os dados de forma indutiva, ou seja, estes não são recolhidos com o objectivo de confirmar hipóteses previamente pensadas, as correlações são construídas a partir de dados particulares;
v) A investigação qualitativa valoriza o significado que os sujeitos de investigação atribuem às suas vivências dando destaque à dinâmica interna das situações; apreender a sua perspectiva é também encontrar o sentido da sua vida; o “significado” [pensamento autêntico dos participantes] fundamental para a abordagem qualitativa.
80 Colocámo-nos numa perspectiva próxima da investigação interpretativa que sublinha a importância do significado atribuído pelos diferentes actores às acções em que se envolvem. De acordo com Erikson (1989), são classificadas de interpretativas as investigações que tomam em consideração esta dimensão na definição do seu objecto de estudo e nas opções metodológicas feitas. Para o autor, o paradigma interpretativo assenta em postulados diferentes dos do paradigma positivista, traduzindo-se em problemáticas distintas. Erikson (1989: 16) convida os investigadores a estudar a “produção de significados” pelos actores, partindo à procura de “esquemas específicos da identidade social de um dado grupo”.
Para Merrian (1988), a investigação qualitativa assume que existem diferentes realidades, que o mundo não é algo objectivo, mas existe em função de uma interacção e percepção pessoais. Nesta linha de pensamento, torna-se importante auscultar e tentar compreender a forma como os professores assumem a sua profissão, o modo como encaram as circunstâncias institucionais e sociais e como vivem os novos papéis que lhes são atribuídos, “contribuindo para significações valorantes da sua profissão e da sua acção ou, pelo contrário, deixando-se abater pelo desânimo e frustração e entrando em crise de “identidade”. (Estrela, 1987: 15).
Como vimos, a construção da identidade profissional é sempre condicionada pela especificidade inerente aos diversos contextos em que actuamos, pois ninguém consegue viver fora de um determinado ambiente sociocultural. Assim, procuramos incidir o nosso estudo na forma como se (re) constroem e se (re) definem os processos identitários e os referenciais de sentido de um determinado grupo de professores de uma escola secundária do norte do país, sem esquecer a própria especificidade funcional dessa mesma escola.
Numa época em que é atribuída tanta primazia aos números, optámos pela investigação qualitativa com o intuito de compreender a realidade em estudo, através de um processo
81 indutivo exploratório, na perspectiva da teoria interpretativa, segundo a nomenclatura de Van der Maren (1987).
As relações sociais e profissionais, o conjunto de factores motivacionais, as percepções e visões pessoais, os papéis profissionais e os percursos identitários constituem toda uma panóplia de elementos e factores que não podem ser medidos, mas, tratando-se de fenómenos que encerram em si alguma subjectividade, devem ser compreendidos e interpretados a partir do ponto de vista dos participantes.
Esta vontade de compreender a “dimensão pessoal e social” foi um dos pressupostos que esteve na base deste trabalho.