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3 Tekster av Dorothe Engelbretsdatter

3.5 Efterfølgende Liig-Sang

Um dia um jornalista do “Correspondência de Portugal” visitou as instalações do Estabelecimento Humanitário acompanhado pelo Barão de Nova Sintra, e registou as suas impressões, nos seguintes termos: “a comida é abundante. As camas humildes, mas limpas e frescas” (Mendes, 1988:321)17. Características estas que melhoraram a nível de qualidade e se mantém actualmente na sua essência. Já no Regulamento de 1885 o artigo a nível da alimentação referia: “As refeições serão de sã qualidade, bem preparadas, substanciosas e variadas; mas economicamente para não criarem hábitos que os asilados não possam continuar fora do Estabelecimento” (idem:321).

Há sensivelmente 120 anos o “menu” no Colégio do Barão de Nova Sintra, no decurso do ano, obedecia às seguintes orientações: “Pequeno-almoço (7 horas) – Sopa e pão, ora de um, ora de outro dos cereais usados; Almoço (12 horas) – Sopa, pão, cozido de vaca e porco, arroz; nos dias de abstinência (refira-se, eram mais que muitos), prescrevia-se: sopa, bacalhau, peixe barato, batatas, farinha de pau ou feijões ensopados, ou ainda arroz de peixe; Merenda (17 horas) – Fruta sazonada ou seca e pão, como ao pequeno-almoço; Jantar (20 horas, no Inverno e 21 horas, no Verão) – Sopa, pão como o de pequeno-almoço, bacalhau, peixe, ou outra substância económica compatível com a qualidade do dia. Nos dias de festa e comemorações, ao almoço, era servido mais um prato, um doce como sobremesa e 14 centilitros de vinho maduro para cada um” (idem:322).

Ao longo dos tempos as coisas foram-se alterando, tendo sempre em consideração as necessidades específicas dos alunos, indo ao encontro do bem-estar

17“A reportagem foi transcrita, na íntegra, pelo matutino portuense “O Comercio do Porto” na

sua edição de 1 de Dezembro de 1866. Foi neste último onde recolhemos o presente apontamento (Mendes, 1988:321).

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dos mesmos. É de realçar que o regime alimentar que as crianças tinham há mais de um século atrás, embora fosse suficiente a nível calórico, não o seria como é óbvio a nível dos constituintes fundamentais para o organismo em crescimento, o que dava lugar à monotonia e a desequilíbrios alimentares. A título de curiosidade, podemos referir um dado incidente no colégio, que diz respeito à inclusão do vinho no regime alimentar das crianças. Nos dias de hoje, seria um erro crasso, incluir-se vinho na alimentação das crianças, e qualquer simples cidadão não o desconheceria. De notar que preocupações a nível do vinho, que foram levantadas em 1890 pelo mesário- director, que pretendia que cada criança tivesse direito a 0,25l de vinho pelo menos duas vezes por semana, “…não constituíam atitudes peregrinas em consonância com o sentir de pessoas incultas, mas exprimiam o pensar de médicos e pessoas consideradas sabedoras na matéria” (idem: 324).

Até à década de sessenta do século passado, a elaboração da ementa estava a cargo do cozinheiro/a, do dispenseiro/a, ou da regente, tendo sempre em linha de conta as rigorosas capitações diárias definidas pelas comissões (eleitas para o efeito e em que se definiam rigorosas capitações diárias) (idem:325). Segundo comentários de antigos alunos em confronto com uma dieta alimentar racionalmente elaborada, depreende-se que seria monótona e pobre em certos elementos vitamínicos e proteicos, ou seja, havia algumas carências em matéria de carne, peixe, ovos, fruta, etc. Não podemos, no entanto descurar do contexto social e cultural envolvente do Colégio, na medida em que os alunos que tinham contacto com colegas da maioria de outros estabelecimentos congéneres, sentiam-se uns privilegiados relativamente a estes últimos, considerando miseráveis as condições destes.

Ao longo dos tempos a situação foi-se alterando para melhor, indo ao encontro das necessidades alimentares dos jovens. Actualmente, as ementas são elaboradas por uma empresa (ITAU), responsável também pelo fornecimento dos produtos alimentares, ficando a confecção a cargo da instituição. As ementas incluem uma alimentação muito variada e rica, possibilitando aos alunos desfrutar de uma diversificada gama de alimentos.

No que concerne à “limpeza individual”, logo que um aluno transpunha o átrio da entrada pela primeira vez, ficava com a impressão que ia “penetrar num mundo à parte, muito diferente e asséptico” (idem:333). Tivera antes que passar por duas inspecções médicas. Depois, “conduziam-no ao “quarto da limpeza” onde lhe rapavam completamente o seu lindo cabelo, o lavavam com toda a minúcia e aplicação, após o que lhe enfiavam a roupa branca com o carimbo a óleo do Colégio, apartando-se, com saudade, dos trapinhos que trazia. Por último, encafuavam-no numa farda que só

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abandonaria ao fim de 7 a 8 anos mais tarde e que representava a perda de individualidade pessoal para adquirir a colectiva” (idem, ibidem).

Entre 1885 e 1896, os alunos sujeitavam-se a uma revista matinal semelhante à feita aos recrutas. Das 6h30m às 7h da manhã, o director e a regente, cada um no seu sector, procediam a uma inspecção minuciosa à limpeza do corpo e ao vestuário dos alunos, para o efeito alinhados em rigorosa formatura. Em relação à muda das camas e da roupa interior branca, esta era feita aos Domingos, mas havia os que sofriam com este facto, principalmente os alunos que sofriam de enurese. Que para além de serem apelidados de “mijões”, tinham que dar quotidianamente o espectáculo da cama molhada, sujeitando-se “à irrisão e mofa desapiedada dos colegas” e desafiar a incompreensão de certos adultos. Adultos estes, “que ora os segregavam, ora os submetiam a banho com água fria em pleno Inverno, ora os “aqueciam” com memoráveis sovas” (idem: 334).18.

Interessante será referir a periodicidade dos banhos, que no Verão era uma vez por semana, e no Inverno de 15 em 15 dias. Depois com o tempo foi instituído uma vez por semana, e em 1988, este ritual de limpeza era deixado ao livre arbítrio de cada aluno, de forma a escolherem o dia, a hora e a frequência. Nos dias de hoje, tudo é bem diferente, desde o acolhimento no primeiro dia, em que o aluno é acolhido por todos com respeito, não lhe é rapado o cabelo, não é despojado das suas roupas, e é integrado no grupo, num dia, e só entra definitivamente como interno no dia seguinte, para não se sentir, melindrado e ser integrado de modo gradual, depois de já conhecer a instituição.

No que diz respeito à sua higiene pessoal, todos os dias tomam banho antes de se deitarem, e todos os dias mudam de roupa. Os alunos que têm enurese, são tratados com todo o cuidado e restrição, para que ninguém se aperceba do seu problema. De imediato são levados para tomar um duche, e auxiliados a trocar os lençóis. São também oferecidos cuidados médicos a nível de Pedopsiquiatria e Psicologia que permitam à criança ultrapassar o problema de forma mais condigna.

No respeitante à saúde, sob a administração da Santa Casa, desde o início até há dois anos atrás, o Colégio do Barão de Nova Sintra sempre teve médico privativo. De momento, não há um médico específico que vá à Instituição semanalmente, mas

18 “Em Outubro de 1877, ocorreu a este respeito um caso gravíssimo, a fazer fé na narrativa do

mesário-director, Luís António Dias Guimarães. O Vice-director espancava barbaramente uma determinada criança sempre que ela soltava as urinas durante o sono. Aterrorizada com tais punições decidiu, na infantilidade dos seus tenros anos, evitar, para “sempre” soltar as urinas. Assim permaneceu na sua decisão inabalável durante três dias, até que o rapazito foi enviado, a toda a pressa, para o Hospital de Santo António, onde entrou “horrivelmente desconforme” e aí permaneceu internado. A Mesa, ao inteirar-se do sucedido, ficou indignada e ordenou a suspensão imediata do funcionário. Advertiu-o, que se prevaricasse uma segunda vez, seria imediatamente demitido. (Livro de actas, D. Bº 8, nº 24, fl. 153)” (Mendes, 1988:334)

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existe um médico do Hospital da Prelada, que se dirige ao colégio sempre que necessário. Todos os regulamentos referem as obrigações deste funcionário externo, que sucinta e fundamentalmente se resumem a: “visitar semanalmente o Estabelecimento para controlar as condições de sanidade e higiene dos utentes e apontar as providências que devem ser tomadas; observar e tratar qualquer aluno ou funcionário sempre que para isso seja chamado e efectuar as visitas que a doença exigir; examinar os pretendentes a admitir e os educandos que regressam de férias” (idem:340, 341). Em ralação ao último ponto, o mesmo já não acontece, pois os alunos quando entram trazem um atestado médico, e também não são examinados quando vêm de férias, pois os riscos não são os mesmos de outrora. Porém, quando alguns regressam de fim-de-semana, por vezes, existe ocasionalmente a necessidade levar os alunos ao médico, pois chegam muitas vezes, doentes, com gripes, ou com dores de barriga, devido à má alimentação, entre outros problemas.

1.4. A Educação, a Organização, as Festividades e as Actividades