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A terceira fase do experimento foi conduzida em duas propriedades particulares. As colheitas de dados de comportamento e taxa de sudação foram realizadas na propriedade particular número 1, situada na cidade de Indaiatuba/SP a 23°01’39” Sul, 47°12’47” Oeste e a 597 metros de altitude (Figura 19) e o registro dos dados fisiológicos foi realizado na propriedade número 2, situada na cidade de Jarinu/SP a 23°08’47” Sul, 46°48’20” Oeste e a 755 metros de altitude (Figura 20). Estas fases foram conduzidas nos meses de fevereiro, março, abril e novembro de 2011, meses de incidência de radiação solar elevada.

4.6.3.2. Animais

Para a terceira fase do experimento foram utilizadas ovelhas da raça Dorper de duas propriedades distintas, Dorper Campo Verde e do Haras Vale dos Pinheiros (Figura 21).

Figura 19 - Local do experimento na propriedade 1.

4.6.3.3. Teste de Capacidade Termolítica

Para a realização do Teste de Capacidade Termolítica os animais permaneciam sob a sombra em um galpão de manejo (Figura 22) e eram expostos ao sol em um pátio ao lado do galpão (Figura 23).

Figura 21 – Ovelhas da raça Dorper.

4.6.3.4. Taxa de Sudação

Na terceira fase do experimento também foi mensurada Taxa de Sudação, utilizando 22 ovelhas da raça Dorper da propriedade Haras Vale dos Pinheiros. 4.6.3.5. Comportamento

Para a realização das observações de comportamento das ovelhas da raça Dorper, na propriedade 1 foram escolhidos 11 animais aleatoriamente.

Os 11 animais foram dispostos em um galpão com acesso livre a um piquete de pastagem Coast-cross (Figura 24).

Figura 23 - Ovelhas da raça Dorper ao sol.

4.7. Análises Estatísticas

Para o teste de capacidade termolítica foi realizada análise de variância para as medidas fisiológicas (temperatura retal, temperatura superficial, frequência respiratória) com efeitos fixos sendo os tempos colheita (1, 2, 3 e 4), a data de realização das colheitas como efeito aleatório e o animal como medida repetida, e teste de comparação múltipla de médias entre os diferentes tempos de colheita pelo Teste de Tukey-Kramer. A temperatura do ar e temperatura de globo negro foram testadas como covariável, entretanto como não tiveram interferência no modelo foram excluídas. O modelo foi adequado pela distribuição de resíduos.

Para comparações das medidas fisiológicas entre as raças foi realizada análise de variância para as medidas fisiológicas (temperatura retal, temperatura superficial, frequência respiratória) e teste de comparação múltipla de médias entre os diferentes tempos de colheita pelo Teste de Tukey-Kramer. Quando apenas 2 raças estavam sendo comparadas (Santa Inês e Dorper nos tempos 3 para TS e FR) foi utilizado o Teste-t com correção de satterthwaite para os graus de liberdade, com efeito para cada raça. Desta mesma forma foi realizada a comparação entre a taxa de sudação para as raças Santa Inês e Dorper.

Para avaliação das variáveis comportamentais, as porcentagens das frequências de ocorrência das diferentes variáveis categóricas relacionadas ao etograma de trabalho (posição, postura e atividade) sofreram transformação de escala dos dados para “arco-seno raiz de porcentagem das observadas para cada variável comportamental”, procedendo-se à análise de variância e o procedimento para comparações múltiplas com os transformados. Para apresentação dos resultados os dados foram retornados à escala original, conforme recomendações de Banzatto e Kronka (2006), e são apresentados como médias seguidas de erro padrão entre parênteses.

Em caso de resultados significativos (P<0,05) para as fontes de variações avaliadas nas análises de variância anteriormente citadas, foi adotado como procedimento para comparações múltiplas o Teste de Tukey-Kramer ou Teste-t com correção de satterthwaite para os graus de liberdade.

O modelo utilizado para as análises de variância das variáveis comportamentais é apresentado abaixo:

Yij= + Di + Hj + DHij +eij

Yij = é o valor observado para uma determinada variável comportamental no animal j

no dia i;

= constante inerente a todas as observações (média); Di = é o efeito do i-ésimo dia de avaliação, sendo i = 1, 2, 3;

Hj = é o efeito do j-ésimo animal, sendo j=1, 2, 3,...,x (Santa Ines) e y (Dorper);

DHjk = e o efeito da interação do dia i com o animal j;

eijkl = e o erro experimental associado ao valor observado para uma variável

comportamental no animal j no dia i, suposto NID (0, e2).

Foram estimados coeficientes de correlação simples (Pearson) entre o Indice de Capacidade Termolítica e o comportamento de pastejo ao sol e quando significativos foram submetidos à análise de regressão.

O nível de significância utilizado no experimento foi de 5 % e todos os resultados experimentais foram apresentados com médias e erro padrão médio. As análises estatísticas dos resultados foram realizadas utilizando o PROC GLM, PROC CORR E PROC REG e TTEST Procedure (SAS, 2000).

5 – RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1. Capacidade Termolítica 5.1.1. Variáveis meteorológicas

As médias das variáveis meteorológicas, temperatura do ar, temperatura de globo negro ao sol, temperatura de globo negro à sombra, umidade relativa e velocidade do vento, registradas nos momentos das coletas dos dados do teste de capacidade termolítica encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1 - Variáveis meteorológicas médias durante os dias de coleta de dados do teste da capacidade termolítica, para as raças estudadas.

Raça Santa Inês Merino Branco Dorper

Horário 11h00 13h00 14h00 15h00 11h00 13h00 14h00 15h00 11h00 13h00 14h00 15h00 TGNsb 31,00 32,50 31,83 32,00 32,50 35,67 36,67 43,33 26,30 29,70 29,80 29,00 TGNs 40,00 43,67 45,67 42,60 41,67 46,33 46,00 46,00 38,30 44,30 43,30 45,00 UR 47,33 41,33 34,33 37,00 38,15 34,40 30,55 31,20 54,30 47,00 46,70 52,00 Tar 28,63 30,17 32,13 31,43 - - - - 26,00 29,00 29,00 26,90 Vento 0,13 0,13 0,33 0,50 - - - - - - - - ITGUsb 79,17 80,01 78,00 78,65 79,44 82,42 82,72 90,32 74,00 77,40 77,60 77,30 ITGUs 90,68 93,63 93,90 91,12 90,33 94,69 93,10 93,31 90,20 96,10 94,70 82,80

* Não houve diferença significativa entre os dias para cada raça estudada nos mesmos horários de colheita.

TGNsb: temperatura de globo negro à sombra; TGNs: temperatura de globo negro ao sol; UR: umidade relativa do ar; Tar: temperatura do ar; ITGUsb: temperatura de globo e umidade à sombra; ITGUs: temperatura de globo e umidade ao sol.

Através do registro dos dados das variáveis meteorológicas foi possível observar que havia condições climáticas favoráveis, com temperaturas altas, baixa umidade, baixa velocidade do vento e ausência de nebulosidade, para a realização de todas as fases do experimento. Os dias foram considerados iguais para as variáveis meteorológicas nos horários de colheita (P<0,05).

Os maiores registros de temperatura de globo negro ao sol (TGNs) ocorrem nos horários entre 13h00 e 15h00, coincidindo também com as temperaturas mais elevadas do globo negro à sombra (TGNsb). Contrariamente, nesses horários os valores de umidade relativa do ar (UR) foram as mais baixas.

Para os valores de índice de globo e umidade ao sol (ITGUs) os maiores registros foram encontrados nos mesmos horários dos maiores valores de TGNs, alcançando valores acima de 93 no horário de exposição ao sol (13h00 às 14h00) para todos os dias de colheita.

No índice de globo e umidade à sombra (ITGUsb) os valores encontravam-se altos desde o início da coleta dos dados, às 11h00, alcançando valores máximos entre 77,6 e 94,7.

Segundo Rosemberg et.al. (1983) o ITGU com valores acima de 84, para bovinos, é considerado fator de “emergência”, quando providências urgentes devem ser tomadas para evitar perdas desastrosas no rebanho, como uso de sombreamento ou resfriamento do ambiente. Baêta e Souza (1997) publicaram diversos valores críticos para o ITGU baseados em estudos com bovinos, onde valores entre 74 a 78 é um intervalo exigem cuidados aos animais, de 79 a 84 é considerado perigoso à fisiologia do animal e índices superiores a 85 estão na faixa considerada de emergência de estresse térmico, quando providências devem ser tomadas para evitar prejuízos aos animais

César et al. (2004), em condições de clima semi-árido, com ITGU variando de 75,5 e 82,4, definiram situações de alerta e perigo térmico para ovinos da raça Dorper e Santa Inês e mestiços, adotando a classificação americana desse índice de conforto térmico. Santos (2004), citado por Andrade (2006), afirma que valores de ITGU até 79 indicam ambiente de conforto térmico para ovinos das raças Santa Inês, Morada Nova e mestiços destas com a raça Dorper às condições climáticas do trópico semi-árido nordestino. Porém, Andrade (2006) não considerou um ambiente com ITGU de 85,1 para cordeiros Santa Inês, cujas respostas fisiológicas extrapolaram os padrões da espécie.

5.1.2. Variáveis fisiológicas

As médias das variáveis fisiológicas, temperatura retal (TR), temperatura superficial (TS) e frequência respiratória (FR), registradas nos momentos das colheitas dos dados do teste de capacidade termolítica encontram-se discriminadas nos itens abaixo:

A - Temperatura Retal

Tabela 2 - Valores médios seguidos de erro padrão médio das temperaturas retais (°C) durante o teste de capacidade termolítica em ovelhas das raças Santa Inês, Merino Branco e Dorper.

Santa Inês Merino Branco Dorper

Grupo Média erro Média erro Média erro

TR 1 38,63 cB 0,018 39,08 cA 0,043 38,53 dB 0,046

TR 2 39,19 aB 0,019 39,38 aA 0,035 39,03 aC 0,047

TR 3 39,03 bB 0,026 39,29 abA 0,044 38,83 bC 0,042

TR 4 38,96 bB 0,028 39,19 bcA 0,041 38,68 cC 0,040

Médias seguidas por letra minúscula, nas colunas, diferentes diferem entre si pelo Teste de Tukey-Kramer (P< 0,05). Médias seguidas por letras maiúsculas, nas linhas, diferem entre pelo Teste de Tukey-Kramer (P< 0,05).

As médias das temperaturas retais encontradas para as ovelhas Santa Inês com duas horas sob a sombra (TR1) foi de 38,63°C, semelhante à temperatura encontrada por Veríssimo (2008), de 38,54°C. Entretanto logo após a exposição ao sol por uma hora (TR2), a média foi de 0,46 superior aos 38,73°C, encontrados por Veríssimo (2008). Como as ovelhas da raça Santa Inês utilizadas neste experimento eram todas de coloração de pelame escuro, essa característica pode ter contribuído para uma maior aquisição de calor ao sol. Segundo Silva (2000), uma capa de pelame com pigmentação escura apresenta maior absorção de radiação solar de ondas curtas e, portanto, armazena maior quantidade de energia térmica do que uma capa de coloração clara, que apresenta maior refletividade.

As temperaturas retais dos animais da raça Santa Inês e Dorper após quinze e trinta minutos de descanso à sombra ainda eram mais elevadas do que a primeira temperatura à sombra (P<0,05), indicando que trinta minutos não são suficientes para os animais retornarem aos valores de temperatura coletadas antes da exposição ao estresse calórico. Já para as ovelhas da raça Merino Branco, trinta minutos foram suficientes para a diminuição da TR (P฀ 0,05). Em um estudo semelhante, foram necessários quarenta e cinco minutos para que as ovelhas

retomassem os valores de temperatura retal antes do início do teste, tanto para raças deslanadas, quanto para raças lanadas com velo e tosquiadas (VERÍSSIMO, 2008).

Gupta e Acharya (1987) avaliando a tolerância ao calor de ovinos expostos ao sol de 8h00 as 15h00, em região semi-árida, encontraram valores de temperatura retal variando de 39,53°C a 39,84°C antes da exposição ao sol, e valores variando de 40,58°C a 41,08°C após a exposição, valores acima dos encontrados neste experimento.

Através da Tabela 2 verificou-se que houve diferença nas temperaturas retais das três raças de ovinos de corte estudadas. Para a temperatura retal de repouso, com duas horas de descanso sob a sombra (TR1) as ovelhas da raça Merino Branco apresentaram maior TR (P<0,05), seguida da raça Dorper e Santa Inês, sendo que as duas últimas não apresentaram diferenças estatísticas entre si. Com uma hora sob o sol (TR2) a raça Merino Branco continuou com a TR mais elevada, porém nesse momento houve diferença entre a TR da raça Santa Inês e Dorper com a temperatura mais baixa para as temperaturas com quinze (TR3) e trinta (TR4) minutos de descanso sob a sombra (P<0,05).

As temperaturas retais dos ovinos da raça Merino Branco foram inicialmente mais elevadas que as temperaturas retais dos animais Santa Inês e Dorper, isto pode ser devido aos níveis metabólicos mais elevados das raças européias. Segundo Silva (2000), bovinos de origem européia tendem a apresentar níveis de metabolismo mais elevados que as raças zebuínas e utilizam-se da variação da termogênese como meio de termorregulação.

A elevação da temperatura retal reflete o acúmulo de calor no organismo animal, o qual é resultante do excesso de calor recebido do ambiente, somado à produção interna de calor durante o dia, e da incapacidade dos mecanismos termorreguladores em dissipar todo o excesso de calor recebido (BAÊTA, 1985).

Desta forma, a elevação da temperatura ambiente no decorrer do dia exerce efeito sobre a temperatura retal dos ovinos Santa Inês, sendo mais elevada no turno da tarde (CEZAR et al., 2004; NEIVA, et al., 2004).

Apesar das raças estudadas terem suas temperaturas retais iniciais diferentes as temperaturas se encontram dentro da faixa de 38,5°C a 39,9°C considerada normal para ovinos, segundo Cunninghan (2004). As variações de temperatura retal

podem ser devido às variações da raça, estação do ano, período do dia, exercício e ingestão e digestão de alimentos (CUNNINGHAN, 2004).

B - Temperatura Superficial

Tabela 3 - Valores médios seguidos de erro padrão médio das temperaturas superficiais (°C) durante o teste de capacidade termolítica em ovelhas da raça Santa Inês, Merino Branco e Dorper.

Santa Inês Merino Branco Dorper

Grupo Média erro Média erro Média erro

TS 1 35,50 bB 0,039 39,08 cA 0,137 30,25 cC 0,350

TS 2 36,60 aC 0,043 45,44 aA 0,274 39,60 aB 0,139

TS 3 35,77 b* 0,040 - - 32,05 b* 0,331

TS 4 35,69 bB 0,045 40,79 bA 0,094 32,72 bC 0,379

Médias seguidas por letra minúscula diferente, nas colunas, diferem entre si pelo Teste de Tukey-Kramer (P< 0,05). Médias seguidas por letra maiúscula, nas linhas, diferem entre si pelo Teste de Tukey-Kramer (P< 0,05).

* TS3 significativo a 5% através do teste T (P< 0,05).

As menores médias de temperatura superficial (TS) foram observadas antes da exposição ao sol e as maiores logo após a exposição de uma hora ao sol, com aumento de 3,1%, 16,3% e 30,9% para a raça Santa Inês, Merino Branco e Dorper respectivamente (Tabela 3). Após quinze minutos de descanso à sombra, após o estresse calórico, a TS das ovelhas da raça retornaram à valores semelhantes ao início do teste (P฀ 0,05). Já para as ovelhas das raças Merino Branco e Dorper mesmo após trinta minutos de descanso à sombra, a TS não tinha sido retomada (P<0,05).

Com relação à comparação da temperatura superficial entre as raças (Tabela 3), a raça Merino Branco manteve suas temperaturas mais elevadas em todas as medidas em relação à raça Santa Inês e Dorper (P<0,05). Sendo que a raça Dorper obteve os menores valores de TS durante o teste.

De acordo com Legates (1991) a temperatura corporal é o resultado entre a energia térmica produzida e a energia térmica dissipada. Os efeitos da radiação solar excessiva associada à umidade do ar provocam alterações nos mecanismos fisiológicos, com resposta imediata na temperatura corporal do animal, que é uma medida direta da alteração na homeostase (MCDOWELL, 1967).

Segundo Chemineau (1993) os animais utilizam mecanismos

que aumenta o fluxo sanguíneo para a superfície corporal, e consequentemente aumentado a temperatura superficial (pele) do animal, mais observado em animais mantidos em regime de pastejo.

A temperatura da pele deve refletir melhor a sensação de desconforto térmico do animal causado pela radiação solar excessiva (FANGER, 1970). Os animais de pelagem escura sofrem maior influência da radiação solar, absorvendo maior quantidade de calor e por consequência aumentando a temperatura da pele (ACHARYA et al., 1995).

Segundo Azevedo (1989) o calor que a pele absorve nas horas mais quentes do dia, serve para aquecer nas horas de temperaturas amenas, contudo em animais de clima tropical as pesquisas confirmam que é melhor uma pele com pelos curtos, bem assentados, de cor branca ou clara sobre uma epiderme bem pigmentada, como forma de dissipar melhor o calor.

Conforme Dukes e Swenson (1996) os fatores radiação solar, época do ano, horário do dia, atividades de pastejo, consumo, idade e sexo influenciam a temperatura corporal dos animais homeotérmicos.

Contudo, para minimizar os efeitos destes fatores sobre o desenvolvimento e bem-estar térmico, os animais desenvolvem um dispositivo de regulação da temperatura, o que os capacitam para manter a homeotermia independentemente da variação limitada da temperatura do ar que os rodeia (SWENSON e REECE, 1996). C - Frequência Respiratória

Tabela 4 - Valores médios seguidos de erro padrão médio das frequências respiratórias (movimentos/minuto) durante o teste de capacidade termolítica em ovelhas da raça Santa Inês,

Merino Branco e Dorper.

Médias seguidas por letra minúscula diferente, nas colunas, diferem entre si pelo Teste de Tukey-Kramer (P< 0,05). Médias seguidas por letras maiúsculas, nas linhas, diferem entre pelo Teste de Tukey-Kramer (P< 0,05).

* FR3 significativo a 5% através do teste T (P< 0,05).

Santa Inês Merino Branco Dorper

Grupo Média erro Média erro Média erro

FR 1 38 cC 0,591 88 cA 2,251 42 dB 1,519

FR 2 98 aC 1,739 156 aA 2,791 114 aB 4,267

FR 3 65 b* 1,531 - - 83 b* 3,799

As ovelhas da raça Santa Inês tiveram um aumento de 157,9% na frequência respiratória (FR), logo após uma hora de exposição ao sol (P<0,05). Para as ovelhas da raça Merino Branco, a FR inicial de 88 movimentos/minuto, foi superior encontrada para as ovelhas da raça Santa Inês, com aumento de 177,3% após a exposição ao sol. Ao final do teste, ao contrário do ocorrido com os animais da raça Santa Inês, os animais da raça Merino Branco não conseguiram retornar à frequência respiratória inicial, permanecendo na faixa de 129 movimentos/minuto, ainda 46,6% mais elevada (Tabela 4).

Nas ovelhas da raça Dorper, o aumento encontrado para a FR após exposição ao sol foi de 171,4%, semelhante ao aumento da raça Merino Branco. Quando comparadas as raças dentro dos tempos de colheita durante o teste as ovelhas da raça Merino Branco apresentaram a taxa mais elevada de FR seguido dos animais da raça Dorper e com menor FR as ovelhas da raça Santa Inês (P<0,05).

Veríssimo (2008) encontrou para ovelhas Santa Inês valores de frequência respiratória de 31 e 65 movimentos/minuto, para antes e após a exposição ao sol, respectivamente, e os animais conseguiram voltar aos valores iniciais com 45 minutos de repouso à sombra. Para ovelhas lanadas Suffolk e Ile de France os valores foram de 86 e 76 movimentos/minuto antes da exposição ao sol e 174 e 163 movimentos/minuto após a exposição ao sol, respectivamente, valores estes semelhantes ao encontrado para as ovelhas da raça Merino Branco, que da mesma forma não retornaram aos valores iniciais das frequências respiratórias com tanta facilidade como os animais deslanados.

Singh eAcharya (1977), analisando o modo de dissipação de calor em diferentes tipos de ovinos, registraram frequência respiratória variando de 106 a 165 movimentos/minuto, semelhantes as frequências encontradas neste experimento.

Hopkins et al. (1978), avaliando as respostas fisiológicas de ovinos tropicais expostos diretamente ao sol, registraram como menores valores de frequência respiratória 110 movimentos/minuto, enquanto os animais menos adaptados apresentaram valores de FR de 190 movimentos/minuto.

Souza et al. (1990), avaliando o comportamento fisiológico de ovinos deslanados no semi-árido, expostos ao sol e em ambiente de sombra, encontraram valores para frequência respiratória, em animais da raça Santa Inês, na sombra de

27 movimentos/minuto, enquanto para o sol os valores foram de 90 movimentos/minuto, valores abaixo dos encontrados neste experimento.

Segundo Quesada et al. (2001) em condições ideais de temperatura ambiente para ovinos (12°C), 20% das perdas de calor são feitas através da respiração e, quando expostos à temperaturas acima de 35°C a perda total de calor via respiração chega a 60% do calor total perdido.

Segundo Silva e Starling (2003) a frequência respiratória muito elevada e por tempo prolongado pode causar redução na pressão sanguínea de CO2, além de

sensível acréscimo no calor armazenado nos tecidos, devido ao trabalho acelerado dos músculos respiratórios. Campos et al. (1973) avaliando o efeito de três níveis de temperatura ambiente sobre o comportamento de ovinos, verificaram efeito significativo na frequência respiratória dos ovinos com a elevação da temperatura ambiente de 15 para 35°C. De acordo com Lee (1959), um animal pouco adaptado às condições de clima semi-árido apresentam aumento na freqüência respiratória em resposta a carga de calor recebida.

D - Índice de Capacidade Termolítica (ICT)

Para o cálculo do ICT foram utilizados os valores de temperatura retal inicial, com duas horas de descanso sob a sombra (TR1) e a temperatura retal com trinta minutos de descanso sob a sombra (TR4).

Tabela 5 - Índice de Capacidade Termolítica para ovinos da raça Santa Inês, Merino Branco e Dorper.

Santa Inês Merino Branco Dorper

TR1 38,63 39,08 38,53

TR4 38,96 39,19 38,68

ICT 9,67 b 9,89 a 9,88 a

EPM 0,035 0,031 0,028

Médias seguidas por letra minúscula diferentes diferem entre si pelo Teste de Tukey- Kramer (P< 0,05). EPM – Erro Padrão Médio

Os dados de ICT encontrados na Tabela 08 mostram que as três raças estudadas de ovinos de cortes possuem de alto grau de tolerância ao calor, com máximo de 9,89 e mínimo de 9,67 (P<0,05), uma vez que o valor máximo de tolerância ao calor é 10.

Os valores de capacidade termolítica encontrados para os animais da raça Santa Inês estão de acordo com os encontrados por Veríssimo (2008), de 9,66 calculado com a temperatura retal final com trinta minutos de descanso sob a sombra. Veríssimo (2008) também encontrou valores de ICT altos para animais lanados como o Ile de France, Suffolk e Texel.