Eksempel 4. Vi vil undersøke om organisasjonsaktiviteten blant mannlege pendlarar med medlemskap i ein eller annan organisasjon, varierer med
5. Effektivitetseigenskapar til Fisher-Irwins test
Obrigado Ane pela , pelo carinho de sempre. - Obrigado você, Laurindo
2. Entrevista realizada com a Professora Lia - Laurindo
Lia, bom dia! Quero agradecer você por participar desta entrevista. - Lia
Obrigada. - Laurindo
Você trabalha em projeto que aborda a sexualidade em Colégio da rede privada de São Paulo e trabalha nesta escola. Você pode falar a respeito do projeto em que está envolvida, da experiência na formação dos alunos?
- Lia
Eu entrei nesse projeto em 2002, ano em que também entrei na escola. Quando entrei o projeto já estava bem organizado, estruturado. Eu não participei da coisa implantação.
- Laurindo
Há quantos anos existe esse projeto? - Lia
Desde 1992. Então, está a bastante tempo. Quando eu entrei o projeto tinha quase 10 anos. O projeto consta de uma aula semanal na grade curricular de alunos de 5ª série até a 1ª série do Ensino Médio. Todos os alunos têm essa aula. Eles realmente tem que fazer. Não é obrigatório para a 2ª e 3ª séries do Ensino Médio por conta dessa coisa de vestibular. Enfim, não temos espaço para fazer. O projeto é dividido em 2 partes: uma parte fala sobre orientação sexual e a outra parte sobre prevenção as drogas. Os professores que ministram essas aulas são de várias matérias. Eles foram convidados a participar por algumas características pessoais, de relacionamento com os alunos. Enfim, alguns professores foram convidados a participar, e nós fazemos uma formação intensa antes de começar a dar essas aulas. Essas formações de professores ocorrem aos sábados. Depois que você é convidado a dar essas aulas há reuniões todas as noites, às terças-feiras. É um momento em que se discute cada aula, com seu tema específico, ou vem algum convidado. Temos uma pessoa coordenadora, que é uma professora de Ciências e Biologia.
Esse curso depende de uma pessoa extremamente bacana, muito capacitada. Há também uma professora de português que ajuda, a qual fez o curso em sexualidade. E no mais é isso, são professores muitos interessados, professores que gostam de trabalhar com essa área, que não é muito fácil.
Alguns professores não se envolvem. Têm resistência em trabalhar. Eu acho que o professor precisa estar muito bem resolvido consigo, as questões internas, de sexualidade. Eu acho que uma coisa que facilita um pouco o trabalho na outra escola é o respaldo que a gente tem da escola, como um todo. Então você se sente extremamente capaz em fazer a coisa porque foi muito capacitada para isso. Eu acho quando falta um pouco de respaldo, como às vezes acontece aqui, que é uma idéia que foi plantada agora, uma coisa que está sendo colocada agora para a gente [...] acho que tem até muitos professores que gostariam, mas não se sentem muito protegidos para fazer isso. Eu acho que tem que ter toda uma proteção da escola no sentido de que todos os pais todos estejam cientes e assinem um documento que o aluno vai ter essa matéria, essa disciplina. Então, quando o pai faz a matricula já está ciente que aquilo vai ter, de que o aluno vai passar por aquela matéria. Então, a gente não tem questionamento nenhum, não temos reclamação de pais, não temos nada, se tiver a gente está muito bem respaldada pela escola.
- Laurindo
O Colégio tem essa preocupação e há comprometimento dos pais. - Lia
Tem o comprometimento dos pais. Os pais sabem que vão ter essa matéria, os pais sabem que vão ter aula de cidadania, os pais sabem que vão ter educação física.
Estão cientes de que o filho não tem nenhum problema de saúde. Na hora que faz matrícula já assina um documento que permite que o filho participe dessas aulas. Então, não tem muito que questionar. Entendeu? Está ciente que a nossa linha de trabalho é uma linha voltada para a saúde física, mental, funcional, que a gente vai passar os conhecimentos científicos mais recentes. Entendeu? Então, é isso. Às vezes vem algum pai questionar alguma coisa, mas é mínimo do montante de alunos.
- Laurindo
Então, na sua opinião, na sua compreensão, é importante ter uma afinidade com isso? Ter tranqüilidade nas questões da sexualidade, porque envolve a própria pessoa?
- Lia Isso. - Laurindo
E essa formação, também? - Lia
Eu acho que é fundamental. Eu acho que sim, que é fundamental a formação. Porque há muitos valores envolvidos. Então, eu acho quando você não tem uma formação é muito complicado. É um tema que a cada dia surge uma coisa nova e se você não tiver muito bem respaldado com conhecimento, fica complicado. Os alunos perguntam.
- Laurindo
O Estado tem uma dinâmica diferente que é a questão das políticas públicas, não é?! Eu tenho visto algumas publicações, depois a retirada dessas publicações, que já estavam nas mãos dos alunos ou na escola.
Você acha que a autorização dos pais seria suficiente para que os filhos participem dessas aulas?
- Lia
Eu não acredito em nenhuma ação que seja muito pontual, entendeu?! Eu acho que a coisa precisa ser a longo prazo. Então, eu acho que a coisa deveria dar algum resultado. Na minha visão, tem que ser algo assim. Realmente, implementar pela grade curricular, que as discussões vão sendo mais aprofundadas, de acordo com a idade. Mas, eu acho que como tem Matemática, Português, História, acho que deveria ter algo do tipo sexualidade, alguma coisa assim, que a gente pudesse discutir com os alunos. Assuntos voltados para a 5ª série, 6ª, 7ª e 8ª séries. Realmente, não acredito em algo pontual, em aula, um curso esporádico. Eu acho que até pode resolver algumas questões.
- Laurindo
A literatura, a arte, o conhecimento, ajudariam nesse sentido. Vamos imaginar acesso aos materiais que favoreçam, uma videoteca, quem sabe com uma produção. Isso já é interessante.
- Lia
Lá na outra escola a gente tem um material muito rico, desde livro, textos, vídeos, até dinâmica. A gente trabalha muito com dinâmicas. Fazemos pesquisas de dinâmicas, inventamos, fazemos cursos, para poder dar uma aula bacana, uma aula que chama a atenção deles.
- Laurindo
Os alunos gostam? - Lia
Gostam. Gostam sim. É um público bem privilegiado com relação à informação. Quando eles chegam na 8ª série eles têm a tendência de achar que já sabem tudo, porque já teve na 5ª, 6ª, 7ª e na 8ª, e a gente tem que mostrar que não é tudo o que eles sabem. A gente tem certa dificuldade quando está chegando no final da 8ª série e 1ª série do Ensino Médio, quando eles dão um salto de qualidade. Mas, na 8ª série a gente tem um pouco de dificuldades e então as dinâmicas ajudam, os materiais ajudam muito a gente.
- Laurindo
E assim, por conta dessa experiência de trabalhar com a educação sexual, e você empregou o termo orientação sexual, teve na escola publica algum um movimento nesse sentido?
- Lia
Nessa escola não conhece nenhum projeto. Conheço algumas iniciativas que já foram feitas, inclusive eu até participei de uma onde nós dávamos algumas palestras para os alunos. Eu e mais duas professoras de Ciências. Foi bacana, entendeu. Foi uma coisa bacana, eu acho que é um tema que os professores de Ciências, Biologia, devam falar mais com os alunos em sala. Mas eu não vejo nenhuma. Nenhum movimento assim. Mas acho que é um tema muito presente. Sempre. - Laurindo
Eu conversava com professores e eles falavam que praticamente nessa escola não tem aparecido a questão da homofobia ou uma aversão a uma orientação sexual que não seja hétero. Como você percebe isso? Existe? Não está presente? Fiquei sabendo que você tem um contato com os alunos por estar fora da sala de aula, permite também uma aproximação, não é?
- Lia
Então, acho que a questão da homofobia todo adolescente tem um pouco. Porque está formando a sua sexualidade e tem um pouco de medo ser assim ou ser igual. Então é um pouco isso, é uma fobia, característica principalmente nos homens e nos meninos. Aqui na escola a gente tem alguns alunos que têm trejeitos femininos, muito visíveis. Não sei se eles são homossexuais ou é uma outra história. Mas, que tem trejeitos femininos, afeminados [...] há um professor que é homossexual, assumido. Eu já vi algumas manifestações de repúdio, um pouco em alguns alunos. Mas foram reprimidos, entendeu. Eu não estou em sala de aula para ver se isso continua a acontecer ou não.
- Laurindo
E as meninas, por exemplo, conversam com você sobre essa orientação sexual, independente da homossexualidade?
- Lia
Aqui na escola? - Laurindo
Você é uma pessoa de acesso. - Lia
Não, Aqui na escola, não. Na verdade esse ano eu estou bem distante. Então, você me perguntou se as alunas me procuram. Esse ano, especificamente, eu estou bem afastada dos alunos. Estou numa função mais administrativa. Então, fico lá no computador eu estou meio afastada assim né [...] de verdade eu não [...] não tive muito contato com eles esse ano.
- Laurindo
É oportuno pensarmos no acesso dos alunos à literatura. Fale do acervo da Escola. - Lia
Nós temos alguns livros. Inclusive eu também ficava lá na biblioteca, eu tomava conta da biblioteca. Alguns livros só falavam sobre isso e eles vão procurar. Têm livros muito manuseados, de tanto que eles pegaram para ler. É uma coisa importante. A nossa biblioteca precisa voltar a funcionar logo, porque foi mudada de lugar, e está meio um depósito de coisas. Mas, sempre que a biblioteca está funcionando os alunos usam muito. Tem um sistema de carteirinhas. Enfim, eles usam bastante esses livros: de temática sexual, de primeiro beijo, de namoro adolescente. Coisas assim. Isso chama muito a atenção deles.
- Laurindo
Deixe eu lhe perguntar uma coisa, como é que você percebe existe, você falou está um pouco intranqüilo com a sua orientação sexual com relação aos professores para lidar com a temática é... o que mais você acha falta para o professor hoje poder atuar encarar numa boa, tem vergonha de tratar das questões da sexualidade, existe uma incompreensão, uma ignorância sobre essa temática, o que você percebe? - Lia
Eu percebo tantas coisas. Acho que têm professores que são muito preconceituosos, que ter outra orientação, que não a hétero é errado, é pecaminoso. Acho que têm professores assim. Não tenho certeza que têm e acho que têm professores que não se sentem capazes, que há professores que não querem ter mais trabalho do que já tem. Há de tudo. Tem um pouco de tudo. Há aqueles que fariam se for obrigatório. Sabe assim, temos de tudo na nossa escola. Penso que passa muito pela falta de conhecimento, pelo sentimento de incapacidade, talvez, e pelo lado de não ter mais trabalho. Não de não ter mais trabalho. Estou sendo bem sincera com você.