5 Problemstillinger og ankepunkter som er fremkommet
5.6 Effektivitet
Na década de sua criação, anos 1950, o IBBD teve o apoio da UNESCO, que enviou dois peritos em Documentação para o Brasil. Herbert Coblans (1953), sul- africano com cidadania inglesa, era químico industrial e diretor do serviço de documentação e informação do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN) e Zeferino Ferreira Paulo (1954), português, médico e documentalista. Herbert Coblans foi o primeiro a ministrar um curso de documentação no país, com abordagem nos problemas da informação científica. A época, ele apresentou as técnicas mais avançadas de armazenagem e recuperação da informação. Seus esforços em propagar no país os métodos e técnicas de documentação influenciaram a inclusão da matéria Documentação no currículo mínino de 1962.
Deve-se a Zeferino Ferreira Paulo “[...] o ingresso do Brasil na Federação Internacional de Documentação (FID), a nossa participação na Comissão Internacional da CDU e as edições brasileiras desse sistema” (FONSECA, 1997 apud Castro 2000, p. 249).
A presença desses estrangeiros no Brasil possibilitou aos bibliotecários e cientistas criarem uma nova percepção teórica em relação aos problemas da documentação e a importância da organização e tratamento da informação como forma de progresso científico e tecnológico do país. Com isso, o Instituto influenciou o ensino e até mesmo a mudança da denominação de alguns dos congressos e escolas da área, antes chamados apenas de “Congresso de Biblioteconomia” e “Escola de Biblioteconomia” passaram a se chamar “Congresso de Biblioteconomia e Documentação” e “Escola de Biblioteconomia e Documentação” em razão da forte influência do IBICT (MUELLER, 1985).
Na década de 1970 o IBBD lançou o periódico “Ciência da Informação” e instituiu o curso de mestrado em Ciência da Informação. A clientela desse curso não se restringia apenas a bibliotecários, pois o curso era voltado a profissionais de diversas áreas, desde que apresentassem interesse pela informação. Tal característica também esteve presente no curso de pós-graduação (lato sensu) dos anos 1950, que “[...] muito contribuiu para a formação de professores dos cursos de graduação da década de 1960.” (MUELLER, 1985, p. 14).
Verifica-se que ao mesmo tempo em que o Brasil vivia, nos anos 1970, com os impasses e restrições impostos pelo governo militar, o país:
[...] gerou espaço para o desenvolvimento dos sistemas de informação científica e tecnológica e para a criação de novos cursos de pós-graduação em Biblioteconomia, dentro da ideologia de informação para o desenvolvimento nacional’, professada, então, pela elite governamental (VIEIRA, 1995).
Em 1979 o IBBD tornou-se o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e continuou subordinado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nos anos 1980 ocorreu a mudança da sede para Brasília. Nessas circunstâncias:
[...] o IBICT passou a sofrer períodos de instabilidade, ocasionados principalmente pela sua mudança do Rio de Janeiro para Brasília, pela difícil implantação do novo ministério e pela falta de clareza a respeito dos rumos do CNPq. Inicia-se assim um período de difícil transição no qual se destaca a rotatividade de seus dirigentes. Tal fato pode ter ocasionado uma possível descontinuidade administrativa, com reflexos negativos nos diversos níveis da cadeia hierárquica, trazendo em seu bojo alguns transtornos, haja vista o novo perfil que cada dirigente trazia ao assumir, resultando em interrupção total ou parcial de projetos, ou na geração de novas ações sem uma adequada análise dos produtos/serviços e dos impactos resultantes, principalmente junto aos usuários potenciais (CUNHA, 2005, p. 7).
Em relação à postura do IBBD, Martins (2004, p. 97) expõe que é possível verificar que o IBBB desde
[...] sua criação em 1955 até 1990, o Ibict teve suas atividades voltadas para a ciência em um projeto de desenvolvimento nacional e, em alguns momentos, para as necessidades tecnológicas de empresas privadas, que eram parte integrante desse projeto. As mudanças na ordem internacional e a popularização da Internet, que ocorreram nos anos seguintes, influenciam de forma substantiva.
No início da década de 1990, o IBICT sofreu um novo impacto com a crescente globalização da economia e o crescimento da internet. Surgiu um novo
paradigma tecnológico, onde se destacavam as novas redes de informação, muitas delas em tempo real, e também o surgimento dos periódicos digitais, bibliotecas digitais e a redução da intermediação da informação (CUNHA, 2005).
A partir do ano de 2000, o IBICT deixou de ser integrante da estrutura do CNPq, à qual pertencia desde sua criação em 1954, e passou a ser unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) por meio do Decreto nº 3.568/2000. Ele desempenha atividades voltadas à promoção de competência, desenvolvimento de recursos e infraestrutura de informação em ciência e tecnologia para a produção, socialização e integração do conhecimento científico-tecnológico do Brasil.12
Em 2000 foi lançado o Programa Sociedade da Informação (Socinfo), concebido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para preparar a nova geração de redes, viabilizando um novo estágio na evolução da internet e suas aplicações no país.
Miranda (2000, p. 14-15) enfatiza as transformações e a importância do Ibict ao longo dos anos na área biblioteconômica:
As transformações do IBBD – que partiu da proposta de montar o controle bibliográfico nacional em C&T e desenvolver a massa crítica e a infraestrutura para facilitar a pesquisa, o ensino e a administração superior no Brasil -, passando pela fase do IBICT – que partiu para a montagem e a coordenação de sistemas e serviços de informação especializada no nosso país é o reflexo da evolução da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no Brasil e no Mundo.
Em 2011, o IBICT por meio de sua atuação, contribuiu para a evolução da Biblioteconomia e da Ciência da informação ao oferecer mecanismo de fomento para a qualidade da disseminação da informação. O Instituto se destaca por oferecer projetos voltados ao movimento de acesso livre ao conhecimento; dos Sistemas de Arquivos Digitais (DSPACE e DiCi) e do Portal Brasileiro de Repositórios e Periódicos de Acesso Livre (OASIS.Br); do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER) e da revistas Ciência da Informação. Outros serviços do Instituto para a disseminação da informação e auxílio à pesquisa são: Catálogo Coletivo Nacional (CCN) e o serviço de Comutação Bibliográfica (COMUT).
12 Informações contidas no site do IBICT. Disponível em: < http://www.Ibict.br/secao.php?cat=O IBICT>.
O IBICT oferece também a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, que utiliza as mais modernas tecnologias do Open Archives13 e integra os sistemas de informação de teses e dissertações nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras. No Brasil, o IBICT atua como centro nacional do Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas (ISSN) para controlar as publicações periódicas.
Embora, o IBICT tenha sido criado 43 anos após a criação do curso da BN, suas atividades influenciaram o ensino ao longo dos anos. Primeiramente com o curso de pós-graduação, latu sensu, de 1955 que formou professores atuantes na década de 1960 nos cursos de graduação em Biblioteconomia e possibilitou que “[...] muitos dos assuntos ministrados pela primeira vez no curso de especialização passaram a integrar os programas dos cursos de graduação como, por exemplo, Normalização na Documentação, Bibliografia Especializada e Mecanização” (GOMES apud MUELLER, 1985, p. 14), e também com as atividades de difusão de métodos e técnicas de Documentação transmitidas por Coblans aos brasileiros que possibilitaram a inclusão da disciplina Documentação no CM de 1962.
Mais tarde, na década 1970, a criação do mestrado acadêmico ampliou as possibilidades de aprendizagem dos bibliotecários e a revista Ciência da Informação foi e continua sendo um dos periódicos mais importantes da área, contendo artigos e tratando de assuntos fundamentais para a sua formação. Seus produtos e serviços contribuem diretamente para a disseminação da informação, sendo importantes para a pesquisa, para o uso da informação e para as tarefas desenvolvidas por profissionais da informação para obter um controle bibliográfico otimizado.
Esses produtos e serviços auxiliam na compreensão do ensino e aprendizagem de instrumentos de armazenagem, disseminação e recuperação da informação, servindo como exemplos de produtos e serviços de informação de qualidade e contribuindo para desenvolvimento da ciência e tecnologia, na área da informação no Brasil.
13
Open Archives Initiative: sistema norte americano, desenvolvido para criar e promover padrões de interoperabilidade que facilitem o intercâmbio do conteúdo de informações em formatos digitais. (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).