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6.1 Diskusjon av funn i oppgaven

6.1.6 Effekter for økt sykkelandel

A análise institucional surgiu entre as décadas de 1940 e 1950 a partir de uma série de disciplinas que tomaram as instituições como seu objeto de estudo, e de movimentos que ocorreram na França nesse período. No Brasil, ela passou a ser mais conhecida a partir da década de 1970 (L’Abbate, 2003).

Estes movimentos foram um produto sócio-histórico ligado à crise generalizada de algumas instituições (escolas, hospitais, família, igreja e sindicatos) e antes de se constituir em uma modalidade de estudo, a análise institucional já fazia parte da realidade social de uma sociedade em crise (Gomes, 1979).

Suas raízes teóricas estão na intersecção entre Psicologia Social, Sociologia, Pedagogia, Psicanálise, Marxismo e suas bases concretas na Pedagogia Institucional, na Psicoterapia Institucional e na Psicossociologia (Gomes, 1979; Guirado, 1983; Saidón, 2008).

Segundo Barros e Passos (2000), no movimento institucionalista francês se destacou a corrente da socioanálise de Lourau-Lapassade desenvolvida nas décadas de 1960 e 1970. A Análise Institucional Socioanalítica interrogava os vários sentidos cristalizados nas instituições através da idéia de pesquisa-intervenção, cuja metodologia se baseava na desconstrução de territórios constituídos e na construção de outras instituições, num processo de constante produção dos modos de legitimar as práticas sociais.

Para Lourau (1993), a análise institucional teve diversos inícios, o que dificulta reconhecer um campo de coerência. O mais fácil de identificar é a noção de

instituído, uma vez que foi estudada por muitos anos. O instituído é caracterizado

pela ordem estabelecida e pelos valores e modos de representação da organização considerados normais. Corresponde ao que já é conhecido e a jogos de forças que tentam produzir imobilidade.

No entanto, tais forças estão em constante contradição com forças instituintes, as quais representam a contestação e a capacidade de inovação. O instituinte corresponde ao “novo”, ao “estranho”, ao “desconhecido” (Lourau, 1993, p. 9; Altoé, 2004).

De acordo com Lourau (1993), tanto ele, quanto Lapassade e Guatarri contribuíram para uma visão maniqueísta do instituído e do instituinte no final da década de 1960, em que “o instituído era imóvel como a morte e sempre mau; o instituinte era vivo como um jovem, menino ou menina, e sempre muito bom” (p.12).

Mas o conceito de instituição sofreu alterações ao longo dos anos. Primeiramente, era um conceito tradicional e correspondia a um estabelecimento ou organização de cunho jurídico que servia para regular a vida política e administrar a sociedade, sendo os próprios alvos do processo de mudança. Instituição e organização eram tratadas como sinônimos (Kamkhagi e Saidón, 1991; Altoé, 2004).

Em um segundo momento e sob influência de Castoriadis, o qual empregou a noção de instituído e instituinte em 1965, Lapassade construiu seu conceito de instituição, o qual correspondia ao conjunto de normas instituídas que regiam a organização e que estava dado e cristalizado em desempenhos e atuações. Em outras palavras, instituições não eram mais os próprios estabelecimentos, mas dispositivos instalados no interior dos mesmos, e o trabalho institucional era a atuação através do uso de tais dispositivos. Estes correspondiam, principalmente, ao aparelho burocrático, mobilizador da separação entre decisão-execução e pensar-fazer, e que além de provocar a alienação dos papéis e das decisões tomadas de “cima” para ‘baixo”, representava a resistência à mudança. O instituinte seria o campo de lutas e conflitos dentro da instituição (Lapassade, 1977; Kamkhagi e Saidón, 1991; Bello, 2001; Altoé, 2004).

Neste ponto ocorre, portanto, a separação entre organização e instituição, em que a primeira passa a ser o estabelecimento de caráter jurídico (a UBS, por exemplo) e a segunda corresponde às relações estabelecidas e estruturadas, as quais não se caracterizam apenas por regras escritas, mas também por outras mais sutis como rotina e horário, e pode incluir a organização enquanto nível de análise.

Contudo, ao enfatizar o instituído, o conceito de instituição de Lapassade permaneceu na dicotomia instituído/mau – instituinte/bom. Para o autor, seriam as

forças instituintes que agiriam sobre a estrutura institucional para transformá-la. O principal dispositivo dessas forças seria a formação de grupos de autogestão organizados através de assembléias gerais12, os quais em seu ponto máximo se

autogovernariam sem influência do Estado regulador. A contribuição dos movimentos instituintes foi a de questionar não as organizações, mas os dispositivos que as criavam e as moldavam (Guirado, 1983; Lourau, 2003).

Em um terceiro momento, uma nova mudança no conceito de instituição alterou o modo de se pensar os dispositivos e a autogestão, acrescentando concepções como as de implicação, transversalidade, analisadores e multireferencialidade. Estes contribuíram com uma nova maneira de analisar a relação instituído-instituinte e servem de referência para este estudo.

É realizado um novo deslocamento do alvo de intervenções que parte dos dispositivos instituídos nas organizações para as redes de relações de poder que ditam valores e verdades, como se as instituições fossem naturais, ou seja, algo já dado, fixo e imutável. Esse deslocamento foi crucial, pois revelou o aspecto não- natural das instituições como seu caráter histórico-político (Kamkhagi e Saidón, 1991; Altoé, 2004; Paulon, 2005).

A análise institucional continuava a questionar o instituído, mas não mais considerava a instituição como um estabelecimento ou como um dispositivo burocrático dado que necessitava de uma força externa para mudá-lo. Agora, a instituição permanecia como um modelo teórico e não observável, mas era uma dinâmica contraditória se constituindo no tempo sócio-histórico. Este é primordial, pois toma a instituição como movimento, dinamismo e nunca como imobilidade. Nela, forças em conflito interagem e negociam e, muitas vezes, é na contradição entre elas que lhe é dado vida. Há um acolhimento do pensamento crítico, em que o ato de pensar a realidade é uma forma de questionar a própria vida. Existe, ao mesmo tempo, uma vontade de que a vida mude e uma força instituída para que tudo permaneça como está (Lourau, 1993; Saidón, 2008).

12 Da mesma forma que a autogestão é um artifício e não uma autogestão real de um grupo específico,

a Assembléia Geral Socioanalítica é um dispositivo em triângulo, em que fazem parte todos os envolvidos no processo de intervenção: participantes, equipe organizadora e equipe interventora (socioanalistas), e não é necessariamente igual a dos sindicatos e partidos políticos (Lourau, 1993).

Dessa forma, um novo caminho se abre à relação instituído-instituinte, quando a instituição é vista em permanente atualização. Este terceiro momento é caracterizado pelo que Lourau (1993) chamou de institucionalização, o qual corresponde justamente ao devir, à história e ao produto contraditório da relação entre instituído-instituinte, os quais em constante luta de forças, também se mantêm em movimento.

Nesse contexto, o conteúdo institucional é formado pela articulação entre as normas sociais já existentes e a ação histórica de indivíduos, grupos e coletividades, incluindo a forma como estes concordam ou não em participar de tais normas, ou seja, a forma como estão implicados institucionalmente (Altoé, 2004).

A noção de implicação é essencial para a análise institucional. No geral, as pessoas funcionam sob a heterogestão, ou seja, preferem delegar seus problemas e questões (sua “autogestão”) para que outros os gerenciem (para a heterogestão) e vivenciam este funcionamento como natural, porque é difícil e, por vezes, doloroso analisarem suas próprias implicações no mundo em que vivem (Lourau, 1993).

Segundo Lourau (2004), o conceito de implicação se deve muito a pesquisas de tendência psicanalítica em hospital psiquiátrico, onde o terapeuta, em certo momento, se viu obrigado a se situar nas diversas determinações institucionais que pudessem ter relação com a ruptura de vínculo de doentes mentais com a instituição. Posteriormente, o conceito foi ampliado para designar todas as determinações

transversais, muitas vezes, exteriores ao campo de intervenção, mas não ao campo

da análise institucional.

A transversalidade corresponde ao entrecruzamento de pertencimentos e referências (políticas, sociais, econômicas, ideológicas, dentre outros), que ocorre não somente porque são muitos os entrecruzamentos, mas também porque a colaboração que caracteriza a existência de um grupo cria consensos e regras, os quais parecem excessivamente bem adaptados. A análise institucional irá intervir exatamente sobre esses consensos e regras, tendo o próprio grupo como um dispositivo de decomposição de sua configuração, a fim de produzir novas possibilidades e acontecimentos (Kamkhagi e Saidón, 1991; Lourau, 2004).

[...] A descoberta da transversalidade é descoberta de conflitos, de lutas sociais: ela própria e uma fonte de conflitos, porque lugar das resistências do não dito.

O poder vive e se nutre de escondido, de não dito; portanto, na maior parte das vezes, é muito difícil revelar, ou deixar que outros revelem essa familiaridade, essa vinculação com o poder. É aqui que aparece a implicação (Lourau, 2004, p. 133).

Para Lourau (1995, p. 270), a transversalidade é definida “como o fundamento da ação instituinte dos grupamentos”, uma vez que as ações coletivas exigem uma relação dialética entre a autonomia possível e os limites impostos à mesma dentro do grupo.

Outro conceito importante e relacionado ao de transversalidade é o de

analisador. Este é todo dispositivo que serve para revelar, provocar e expor as

contradições institucionais, a instituição “invisível”, “a face oculta da política instituída”. Através de uma análise de decomposição, é possível revelar o caráter parcial e fragmentário do que era considerado um todo homogêneo, uma verdade instituída. É o analisador que dirige a análise e não o contrário. Ao investigador importa o que lhe é dado por sua posição nas relações sociais e não o objeto que ele escolhe para estudar. Já o intelectual, sendo um analista, pode tomar consciência dos efeitos que os analisadores têm sobre sua intervenção (Lourau, 1993, p. 35; Altoé, 2004, p. 146; Paulon, 2005).

Lourau (1995) coloca que a passagem ao ato institucional também passa pela palavra e que existem indivíduos, que por sua situação na organização, são provocadores institucionais. Pode-se considerar que os participantes dessa pesquisa pela posição que lhes foi oferecida e por eles aceita, puderam assumir esse papel de revelar os conflitos e as contradições institucionais e, ao mesmo tempo, também revelar a implicação dos mesmos no processo institucional dinâmico. O próprio pesquisador, com suas intenções sobre o objeto a ser estudado, contribuiu para que essa posição fosse assumida.

Atualmente, a análise institucional passa a ter a função de liberar esses analisadores, permitindo a transformação da palavra terapêutica em palavra política. O dispositivo de intervenção consiste em analisar coletivamente uma situação coletiva e a análise deve ser a mais pública possível, apesar de resistências à

revelação de certos “segredos” institucionais. O que se propõe é a

multireferencialidade, a qual não se refere a disciplinas justapostas, mas ao uso de

diferentes métodos e conceitos com o objetivo de construir um novo campo de coerência (Lourau, 1993; Altoé, 2004).

Para a área da saúde coletiva, a análise institucional pode ser útil em múltiplas dimensões (pesquisa, intervenção e formação de profissionais) por ser uma abordagem que pensa as instituições e suas transformações a partir das práticas e discursos dos sujeitos. A socioanálise13, enquanto recurso interventivo, pode ser usada tanto com grupos de profissionais – promovendo reflexão sobre seu papel profissional e sua atuação –, quanto com a clientela dos serviços de saúde (L’Abbate, 2003).

Segundo Lourau (1993), a análise institucional na América Latina penetrou, principalmente, o campo “psi”, o que não ocorreu na Europa, onde quase não há diálogo entre ambos. Um dos motivos que o autor aponta para essa diferença está na tentativa de alguns psicólogos buscarem formas de se repolitizar após a vivência de regimes totalitários, em que a psicologização da política era uma forma de negá-la. A análise institucional estaria sendo um dos meios que contribui na politização daquilo que está por demais psicologizado.