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A grande precipitação que se fez sentir no dia 20 de Fevereiro fez com que a rede de drenagem da Ribeira de São João atingisse valor de caudais muito elevado. O que habitualmente eram pequenos cursos de água, neste dia tornaram-se em autênticas ribeiras. A saturação dos solos chegou a níveis insuportáveis, resultando em deslizamentos de terras e cedência de alguns muros de suporte. Esta situação resultou em danos numa área bastante vasta da bacia.

De maneira a identificar as infra-estruturas danificadas diversas equipas, sob alçada de entidades governamentais e não só, percorrera as zonas afectadas e registara os estragos.

O Instituto da Habitação da Madeira (IHM) fez a recolha dos danos verificados em habitações, a Câmara Municipal do Funchal fez o levantamento dos danos em infra- estruturas públicas e, à Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF), coube as infra-estruturas de comércio, restauração e serviços da cidade do Funchal.

Toda a informação recolhida pelos citados foi posteriormente cedida à Universidade da Madeira ainda no âmbito do Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da

Madeira. Para o presente trabalho, seleccionaram-se os danos que se situaram dentro

da bacia hidrográfica de São João e, através do ArcGIS, foram localizados no ortofotomapa da bacia.

No total, foram identificadas 104 habitações danificadas, na sua maioria situadas nas zonas altas de Santo António e São Roque.

Em termos de infra-estruturas de comércio, restauração e serviços foram inquiridos, ao todo, 124 estabelecimentos. Naturalmente, grande parte destes estabelecimentos situam-se na baixa da cidade do Funchal.

Quanto a infra-estruturas públicas, tais como redes de acessibilidade viária e pedonal, identificaram-se em todas as freguesias, diversos locais onde foram necessárias obras de reparação.

Numa avaliação geral aos danos, sobressaem os próximos do curso de água principal. Junto a este, os danos tiveram um impacte superior, dos quais se pode destacar os que a seguir se descrevem.

A cerca de 6.400 metros da foz, uma pequena estrada alcatroada de acesso para camiões de extracção de inertes, situada na margem da ribeira, foi destruída. Numa zona em que a ribeira não está canalizada, a margem sofreu erosão e a estrada foi arrasada.

Página | 81 A cerca de 4.500 metros da foz, a estrada alcatroada do Caminho da Ribeira Grande foi parcialmente destruída, a figura 61 assim o demonstra. Esse sector de estrada destruído, tornou-se parte do leito da ribeira em direcção a armazéns, oficinas e casas situadas na beira da estrada. Algumas desta propriedades ficaram danificadas e outras devastadas.

Figura 61: Estrada destruída no Caminho da Ribeira Grande, Santo António Fonte: Desconhecido

No afluente da Penteada, um pequeno muro junto a um armazém acabou por ceder. Também no armazém verificaram-se alguns pequenos danos como a figura 62 ilustra.

Figura 62: Danos no afluente da Penteada Fonte: SRES

A cerca de 880 metros, na margem direita da ribeira, está situada a auto lavagem de São João. Tal como mostra a figura 63, parte do edifício localiza-se dentro da secção de

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escoamento da ribeira (SJ_7), o que provocou a destruição de paredes e janelas do mesmo. A água danificou equipamentos que se encontravam no interior do edifício.

Figura 63: Danos na auto Lavagem de São João Fonte: SRES

A cerca de 50 metros a jusante um posto de abastecimento também ficou danificado, principalmente a parte edificada. A água que fluía na estrada transportava material sólido que depositou-se no estabelecimento, provocando alguns danos.

Na zona baixa da cidade, a cerca de 214 metros da foz, a parte subterrânea da ribeira ficou obstruída. O fluxo que corria com elevados níveis de velocidade e caudal, ao chegar à secção congestionada causou uma forte pressão que resultou no levantamento das lajes que cobriam o leito da ribeira na secção SJ_3. Estas lajes, que formavam uma rotunda ficaram danificadas e tiveram de ser posteriormente removidas (Figura 64).

Figura 64: Laje de cobertura da Ribeira danificada Fonte: SRES

Na mesma zona, na margem esquerda está situado o centro comercial Dolce Vita. O parque de estacionamento subterrâneo ficou completamente submerso. O fluxo que

Página | 83 invadiu o estacionamento, para além de o inundar, também deixou uma grande quantidade de sedimentos sólidos, essencialmente nos pisos inferiores. Muitas viaturas não foram retiradas a tempo e ficaram muito danificadas.

A situação foi idêntica no parque de estacionamento do Marina Shopping. Estas instalações para estacionamento ficaram inundadas durante vários dias e as autoridades foram obrigadas a grandes trabalhos para normalizar a situação.

Como revela a figura 65, muito material sólido chegou à rotunda Dr. Francisco Sá Carneiro, deixando algumas marcas de destruição. O jardim, o passeio e os varões que delimitavam a rotunda ficaram com alguns estragos.

As instalações dos clubes, barcos e outros equipamentos situados na marina também sofreram danos (figura 66).

Figura 65: Rotunda Dr. Francisco Sá Carneiro Fonte: SRES

Figura 66: Marina do Funchal Fonte: SRES

De referir que em alguns troços da ribeira, onde o leito foi significantemente erodido, os descarregadores funcionaram como pequenas barragens até serem destruídos. Alguns muros laterais da canalização da ribeira também foram danificados junto à base, mas nenhum cedeu por completo.

A figura 67 ilustra um mapa onde foram sinalizadas algumas das infra-estruturas danificadas. Na sua análise fica claro que a zona baixa da cidade foi a área que mais danos sofreu. Junto ao curso de água principal, em Santo António, também observa-se um pequeno aglomerado de pontos numa zona também bastante maltratada. Os restantes pontos encontram-se mais dispersos e sinalizam danos junto a afluentes ou danos provocados por deslizamentos de terra.

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