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No que diz respeito ao local onde os jovens estudam, dividiu-se a amostra em dois grupos, rurais (n=69) e urbanos (n=197). Os dados obtidos encontram-se na Tabela 4.27. Os modelos estruturais referentes ao meio urbano/rural encontram-se no Anexo (11).

Tabela 4.27 – Resultados das diferenças existentes entre os modelos referentes aos locais onde os

jovens estudam.

Caminhos

Sample mean Standard error

Estatística t Hipótese suportada

Rural Urbano Rural Urbano

Auto-eficácia de ação 

Consumo de fruta 0,314177 0,183774 0,073760 0,069019 1,0498n.s. Não

Auto-eficácia de ação  Intenção 0,691067 0,602712 0,039498 0,049348 1,0223n.s. Não Auto-eficácia de ação  Auto-eficácia de manutenção 0,583515 0,449206 0,048231 0,057206 1,3353 n.s. Não Perceção de risco  Consumo de fruta 0,048010 -0,019116 0,040875 0,047655 0,8000 n.s. Não Perceção de risco  Intenção -0,009522 0,050467 0,046827 0,046529 0,7213 n.s. Não Expectativa de resultado  Intenção 0,033417 0,247247 0,047742 0,056106 2,1660** Sim Suporte social 

Auto-eficácia de ação 0,632737 0,057901 0,037304 0,086842 2,8700*** Sim

Intenção  Planeamento de ação 0,435641 0,385377 0,052999 0,052184 0,5383 n.s. Não Intenção  Consumo de fruta 0,387532 0,572456 0,062666 0,067179 1,5520 n.s. Não Auto-eficácia de manutençãoConsumo de fruta -0,098436 -0,105405 0,047583 0,044155 0,0876 n.s. Não Planeamento de ação  Consumo de fruta 0,193352 0,057901 0,051877 0,056905 1,3449 n.s. Não

Pretendia-se verificar se existiam diferenças significativas entre os alunos que viviam num meio mais rural e os que viviam num meio urbano. Na Tabela 4.27, pode verificar- se que dos onze caminhos analisados, apenas dois são estatisticamente significativos, com níveis de significância entre os 5 e 1%. No que concerne à hipótese H15 em estudo, a nível

empírico, a hipótese não é suportada, porque não possui fatores suficientes que determinem que o modelo explique melhor para os adolescentes que vivem em rurais comparativamente com os que vivem em meios urbanos, tal como defendem Shi et al. (2005), que afirmam que não existe associação entre o consumo de fruta e o meio social. Os adolescentes do meio rural apresentam uma elevada influência do suporte social para a auto-eficácia de ação. Este resultado parece dever-se ao facto destes adolescentes estudarem ou viverem num meio mais

pequeno, acentuando-se mais a influência que os outros possam ter na sua auto-eficácia no consumo de fruta e a possível disponibilidade para o consumo deste alimento, nos terrenos agrícolas. Em contrapartida os adolescentes do meio urbano apresentam um valor mais elevado das expectativas de resultado para a intenção do consumo de fruta, possivelmente por terem mais acesso às novas tecnologias e a maior diversidade de informação, no que concerne aos benefícios e consequências.

Relativamente aos resultados obtidos pela investigação desenvolvida, entende-se que seria relevante determinar novos constructos ou a introdução de efeitos moderadores que pudessem explicar melhor o comportamento do consumo de fruta por parte dos adolescentes. Os dados empíricos desta investigação não suportaram as hipóteses, H10, H11, H13, e H15

Resumidamente, a avaliação do modelo proposto vem responder aos objetivos pretendidos, podendo afirmar-se que os modelos HAPA que se debruçam sobre a análise de comportamentos em saúde, mais concretamente no âmbito do consumo de alimentos saudáveis, tornam-se interessantes em serem estudados pelo facto de se poderem desenvolver estratégias eficazes para o marketing social. O valor da variância explicada do constructo referente ao consumo de fruta, apesar de débil, é quase moderado (46,6%), mas encontrando-se com um valor similar ou até mesmo superior a outros estudos efetuados com o modelo HAPA. A maioria destes estudos são referentes a comportamentos de hábitos alimentares longitudinais, contrariamente ao presente estudo que é de natureza transversal, visto a recolha de dados ter ocorrido num único momento. De acordo com o estudo longitudinal de Schwarzer e Renner (2000), os valores da variância explicada para um comportamento de uma dieta baixa em gordura foi entre os 39% e os 54%, determinados pela intenção e auto-eficácia de manutenção. No mesmo estudo, os autores determinaram o valor de variância explicada para o comportamento do consumo de uma dieta com elevado aporte de fibra, tendo sido o valor entre os 33% e 43%, obtidos pelos mesmos constructos que no estudo anterior. Segundo o estudo longitudinal de Schwarzer et al. (2007), o valor da variância explicada para um comportamento alimentar foi de 73%, através do planeamento de ação e auto-eficácia de recuperação. No estudo longitudinal de Renner et al. (2008), os valores obtidos de variância explicada para um comportamento de uma dieta baixa em gordura foi de 40% para as mulheres e 33% para os homens, através do planeamento de coping e auto-eficácia de manutenção. De acordo com o estudo longitudinal de Schwarzer e Luszczynska (2008), a variância explicada de um comportamento para um consumo de alimentos com alto teor de gordura foi de 46%, através do planeamento de ação e da auto- eficácia de recuperação. Segundo o estudo longitudinal de Scholz et al. (2009), o valor da variância explicada para um comportamento de alimentação baixa em gordura foi de 34%, através das intenções, controlo de ação e do planeamento de ação. De acordo com os estudos longitudinais de Godinho et al. (2013b), os valores da variância explicada variaram entre os 75% e os 80%, através da intenção, controlo de ação, planeamento de coping. No estudo transversal de Renner e Schwarzer (2005), através deste modelo, o valor da variância explicada para o comportamento de uma alimentação saudável foi de 48%, sendo que este

constructo era determinado pela intenção e auto-eficácia de ação. O resultado obtido neste estudo revela que é necessária mais investigação para determinar quais os fatores que afetam o restante valor ainda por explicar no consumo de fruta por parte dos adolescentes.

As respostas obtidas relacionadas com o comportamento associado ao consumo de fruta por parte dos adolescentes indicam a existência de repercussões teóricas e práticas que se pretende abordar no capítulo seguinte.

Capítulo V – Conclusões e reflexões finais