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380 Effects on root foraging

Toda educação deve assegurar que os indivíduos possam ao primeiro momento, falar o que já se falou pensar o que já se pensou, refazer o que já se fez, escrever o que já foi escrito. Porém, ao mesmo tempo, há de avançar, permitindo que esses mesmos indivíduos possam também trazer suas realizações ao mundo, falar, pensar, escrever por si próprios, sendo capazes de iniciarem e desenvolverem novas realizações, enfim, poder usar seu próprio lápis para escrever coisas suas, deixando sua marca no mundo. A história humana traz essa marca do novo, que rompe o invólucro do velho e se impõe pela força da sua existência necessária ao mundo.

Fizemos um esforço hercúleo tentando acrescentar algo novo nesse nosso trabalho. Confessamos que até o momento, a sensação é de ter somente repetido o que já existia. Mesmo assim, tentamos nos confortar com a ideia de que, mesmo não tendo algo novo, pelo menos reafirmamos a defesa dos clássicos ao socialismo, principalmente no momento em que muitos lutadores se renderam ao modo de vida burguesa, portanto à defesa do capitalismo decadente.

Gostaríamos de reproduzir as palavras de dois operários e de uma professora. Um dos operários é dirigente do Sindicato da Construção Civil e nos contou que numa sexta-feira, pela manhã, recebeu um comunicado vindo de um canteiro de obras, onde um operário pedia a presença do sindicato, pois esse canteiro já se encontrava paralisado por conta de descumprimentos de acordos por parte da patronal. Ao chegar ao canteiro, encontrou todos os homens de braços cruzados, perguntou-lhes se estavam dispostos a mais uma negociação com os responsáveis pela obra. A reposta unânime dos operários foi que não, pois tinham sido enrolados por toda a semana e, portanto, só voltariam depois do cumprimento dos acordos. A posição do sindicato foi a saída do canteiro e só voltar na segunda-feira para negociar com os responsáveis com a presença do sindicato.

Num piscar de olhos, os operários sumiram, deixando a obra vazia. Vendo a obra vazia, o dirigente pôde então aclarar o que há muito já havia em suas teorias, que somente pelas mãos dos operários todos aqueles prédios poderiam sair da planta, ou seja, ser construídos, edificados, ganhar existência objetiva e com um pouco mais de esforço concluir também o porquê de os operários serem os sujeitos da revolução.

Confirmando que o critério da verdade é a prática, podemos ainda abstrair mais duas conclusões com essa fuga dos operários do local de trabalho: [1] é que continua valendo o que Marx escreveu nos “Manuscritos Econômico-Filosóficos” sobre o fato de o trabalho ser

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a condição que mortifica o homem, sendo somente fora dele que o homem se sente vivo, fora do trabalho compulsório, obrigado, pois, sob o capitalismo, não há vida plena e nem liberdade para quem trabalha; [2] há evidência de que os operários tinham planejado esse momento para demonstrar que eles são homens sérios e não gostam de brincadeiras e nem de enrolação quando a situação exige postura exata e correta.

A fala do outro operário aconteceu na greve de 2012, quando estávamos em frente a um canteiro de obras organizando um piquete. Quando esse operário pediu a palavra, ele disse: “nóis trabaia a semana toda, quando chega o fim da semana, nóis fica preso em casa como bandido porque nóis num tem dieiro pra sair com o nossos fiir na praça tumar um sorvete ou ir na praia, isso não pode continuar, por isso nóis faz greve, por isso nóis luta, porque desse jeito não pode ficar”.

A fala desse operário revela de forma contundente a existência das circunstâncias similares quando Engels escreveu a “Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”, em 1845. Tanto lá, na Inglaterra, no século XIX, como cá, século XXI, há um sentimento coletivo pela mudança das circunstâncias, para que elas se adaptem aos homens e não o contrário, pois os operários do século XXI continuam lutando tal e qual os operários do século XIX, porque não perderam os sentimentos humanos e porque, como homens não podem aceitar de forma resignada tais condições de exploração e desrespeito, juntam-se para modificá-las e ajustá-las a eles, aos homens.

Agora as palavras da professora, mas, antes gostaríamos de contextualizá-las. Já mencionamos que, em 2011, os professores se levantaram para lutar em quase todo o país pela defesa da manutenção de direitos já conquistados e pela aplicação da lei do piso. No Ceará, os professores não foram exceção, tanto os do Estado como os do Município se levantaram em greve. No município, foram dois meses de greve com quarenta e dois dias de aulas a recuperar, com o fechamento de avenidas, terminais, ocupação da Câmara Municipal, enfretamento físico com a guarda municipal, que utilizou bomba de gás, spray de pimenta, bala de borracha e cassetete, tudo contra os professores. Além disso, tivemos que enfrentar a imprensa, que, a todo o momento, tentava desqualificar nossa luta; a justiça, que decretou a greve abusiva e ilegal; finalmente, para completar os ataques, muitos professores tiveram descontos em folha de pagamento e pairavam ameaças de não receberem as férias e o mês seguinte, já que a greve acontecia nos meses de maio, junho e julho, sendo que este último é mês de férias. Ainda se pode acrescentar a isso mais dois detalhes: o cansaço da categoria por estar na quinta greve em sete anos de gestão do PT e mais a ameaça de trabalhar aos sábados e

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a metade do mês de férias, o que realmente se efetivou, quando a direção majoritária não deu o devido combate a esse ataque.

Pois bem. Em um dos nossos últimos atos dessa greve, uma passeata da Praça da Imprensa até a Secretaria Municipal de Educação (SME), com a greve já na ilegalidade. Compareceram mais de dois mil professores. Com essa disposição da categoria de resistência, a professora falou: “Eu saio de casa já cansada por tudo que já passamos nesta e nas greves passadas, mas quando chegou aqui e encontro essa quantidade de pessoas que pensam como eu, que querem o que eu quero, todos com os mesmos objetivos, isso me dá força, pois prova que estamos corretos, que nossa luta é justa, por isso eu sempre volto às greves”.

Esse reconhecimento da luta coletiva, da ação direta dos trabalhadores e do sindicato como um agregador dos indivíduos que lutam pelos mesmos objetivos impõe, pela força coletiva, medidas em favor dos trabalhadores “[...] mediante a transformação da racionalidade social em poder político [...]” (MARX apud ABENDROTH, 1977, p. 38).

Tudo isso tem como significado o papel dos sindicatos como ponta de lança nessa luta contra a exploração desse sistema de servidão assalariada e da própria superação do modo de vida burguês, do sistema capitalista, pois, ao convocar os trabalhadores, organizá-los, educá-los e mobilizá-los dão, assim, direção a um movimento espontâneo e, dessa forma, definem os objetivos na luta direta pelos seus interesses. Ao mesmo tempo, colocam como possibilidade diante da necessidade da luta uma maior força organizativa, que, por sua vez, requer a construção de programas, de métodos de luta, de conhecimento da realidade objetiva, da apropriação científica do mundo, aliando esse conhecimento através da ação política, transformando a vontade política, a vontade consciente em poder político, pela força das massas em movimento. Esta pode ser a tarefa dos sindicatos que, em conjunto com os partidos da classe operária, encontram-se nas trincheiras dos que levantam a bandeira pela realização do socialismo.

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