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Part IV – Empirical Data

7.3 Market outlet Consumer

7.3.6 Effects of Going Dynamic

origem de maneira estereotipada, nem para o negativo, nem para o positivo, suas atitudes “voltam-se para a valorização das qualidades referentes à negritude mais expansivas, mais abertas e menos defensivas” (FERREI RA, 2000, p.83)

Explica que:

Neste estágio, o indivíduo, enquanto mantém relações com seus pares negros, deseja estabelecer relacionamentos significativos com não-negros de seu conhecimento, respeitando suas autodefinições. Está pronto, também, para realizar coalizões com membros de outros grupos organizados em torno de projetos ou valores distintos, o que, no estágio de militância, tende a não ocorrer (FERREIRA, 2000, p. 83)

Aqui, a pessoa negra está consciente do racismo presente na sociedade, e já tem meios de defesa para enfrentá-lo, ela não mais se culpabiliza pelas situações adversas que ocorrem por conta de seu pertencimento racial, nem

tampouco se dirige às pessoas de origem européia com raiva. Segundo o autor, no estágio da articulação:

O afro-descendente passa a sentir-se aceito, com propósito de vida, a estar profundamente enraizado na cultura negra, sem deixar de perceber as condições às quais está submetido em um mundo que o vê com preconceito. As matrizes africanas passam a ser efetivamente afirmadas (FERREIRA, 2000, p. 84).

I nteressou muito para esse estudo a conceituação feita por Ferreira na construção identitária da pessoa negra, pois se viu que nas conversas com os participantes, esses estágios aparecem, não de maneira linear e organizada como se mostra presente nesse estudo, mas sim de maneira mesclada e não uniforme. Como nosso objetivo é compreender como se deu ou dá o processo de construção identitária do professor negro em relação também ao seu pertencimento racial, tomar contato com autores que, de modo diversificado, também tratam dessa temática, faz com que tenhamos maior abertura para ter essa compreensão.

É dentro dessa sociedade que proclama a igualdade racial que o professor negro se forma, é nela que são construídas as referências significativas de sua existência. Tais significações constituem sua consciência e têm influência direta na formação de sua identidade de negro e professor. A dicotomia: aquilo que é apregoado e aquilo que é sentido — igualdade e preconceito, respectivamente — estará presente nele, pessoa e profissional.

Baseada nesta compreensão sobre formação da identidade busco perceber, a partir do discurso de professoras e professores negros, como tal identidade se construiu neles tanto no que se refere à sua formação pessoal na qual a profissional encontra-se inserida. Trabalhei então os conceitos de — identidade pessoal, que

abarca dois outros conceitos: o da identidade racial, uma vez que os participantes desse estudo são negros e o da social, pois também estão situados num determinado tempo, num determinado contexto histórico, sofrendo, diacronicamente e sincronicamente, as influências histórico-sociais e também econômicas dele, além de também trabalharmos com a identidade profissional.

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Entre todos os agentes educacionais, é inegável que o professor assume importância ímpar na instituição escolar, pois ele vem a ser o mediador entre os conhecimentos acumulados pela humanidade e os alunos, assim a ação educativa passa, antes de chegar ao aluno, pelo crivo do professor; por isso, dizemos que é ele o centro de tal ação. Desse modo, ao mediar não apenas conhecimentos específicos de sua disciplina, como também valores sociais, ele, nessa intercessão, passa aquilo que teve de marcante em sua experienciação humana. Por isso, considero que o professor, cria-se ou (re) cria-se enquanto profissional a partir de um conjunto de experiências advindas de sua individualidade, de suas relações sociais, das relações profissionais com seus pares mais próximos e com sua categoria de trabalho e, quando colocado em seu ambiente de trabalho — todas essas experiências juntam- se na formação de uma identidade profissional.

Sabe-se que a formação do professor é construída num continum. Essa não se acaba no momento em que o indivíduo finaliza sua graduação. Muito pelo contrário, é quando assume a prática que o professor vai construindo e se

apossando de saberes próprios daquela esfera de atuação, por isso, ele continua em formação e, de acordo com Nóvoa (1992, p. 10), “estar em formação implica um investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e projetos próprios, com vista à construção de uma identidade que é também uma identidade profissional”. Assim, a formação pessoal e a profissional estão imbricadas e, é a partir de sua história individual, histórica e social, de suas crenças e valores que o professor vai se construindo e se (re) construindo como profissional.

O professor tem uma identidade que lhe é colocada mesmo antes dele se tornar um profissional. Assim ao escolher a profissão da docência, a pessoa já tem em si, pelo menos esboçada, a identidade profissional da carreira que abraçou. Uma porque tal pessoa já passou pela experienciação de ser aluno e, portanto, tem em si uma visão do que é ser professor, outra porque ela também tem internalizado aquilo que o outro atribui à profissão. Entendo, então, que ao se formar professor, o indivíduo já tem uma identidade profissional, que sem dúvida, irá se (re) construindo a partir do momento em que ele estiver experenciando a prática docente.

Em Ofício de mestre, Miguel Arroyo (2002, p.13) mostra o imaginário social acerca do professor. A visão que vários setores sociais têm sobre o ser- professor não é unívoca, pelo contrário, ela é diversa, variada, múltipla.

Por conta disso, o autor diz:

Fomos descobrindo que é difícil identificar nosso ofício de mestre com uma imagem única, que somos múltiplos, plurais. Que o que sabemos fazer e temos de fazer no cotidiano convívio com a infância, adolescência e juventude não cabem em imagens simplificadas, nem em um único conceito (...) (ARROYO, 2002, p.13)

Em seu livro, Arroyo coloca-nos que as imagens que as pessoas têm do professor variam em decorrência do nível de ensino em que ele atua. Assim cada grupo docente “tem experiências peculiares do reconhecimento social”: