A Tabela 7 apresenta a concepção dos participantes sobre a violência intrafamiliar.
Tabela 7: As modalidades de VI segundo os ACS.
Categorias ARES Total
1 2 3 4 5
Violência Física 5 2 4 3 1 15
Negligência - - 2 - - 2
Violência Psicológica 5 2 4 3 1 15
Violência Sexual - - 1 1 - 2
Pode-se observar que de forma geral, os participantes citaram as diferentes modalidades de Violência Intrafamiliar, porém, de modo incompleto. Apenas a Região 3, incluiu a Negligência como uma das modalidades da Violência Intrafamiliar. Todos os participantes incluíram tanto a Violência Física quanto a Violência Psicológica como forma de Violência Intrafamiliar e duas Regiões (3 e 4) indicaram a Violência Sexual como violência presente nos lares.
“Desde uma agressão verbal ou uma família que nunca ouve o filho eu acho que é uma agressão e às vezes atinge muito mais. Tem muitas coisas... a agressão mesmo de bater, de omitir às vezes também a família que só o pai e a mãe se refere a ser os donos da casa e ter toda a liberdade de tomar a palavra pra todos e isso também é uma agressão porque todo mundo tem o direito desde pequenininho de ter sua autoestima, sua opinião. Eu considero além de agressão de bater. É um contexto muito grande o pai não aceitar a adolescente gestante, porque as vezes ela já tá sofrendo por estar abandonada pelo parceiro e dai da família também é uma agressão.” (R4F46).
Na Tabela 8 são apresentados os fatores de risco para a ocorrência da violência intrafamiliar para os ACS.
Tabela 8: Fatores de risco para violência intrafamiliar segundo os ACS
Categorias ARES Total
1 2 3 4 5
Falta de estrutura familiar - - 1 - - 1
Baixo nível de escolaridade - - 1 - - 1
Álcool e drogas 3 2 2 - 1 8
Pobreza 1 1 1 - - 3
Falta de apoio familiar - - 1 - - 1
Ausência de rede de apoio - - 1 2 - 3
Falta de diálogo 1 - 1 - - 2
Falta de respeito entre as pessoas 1 1 - - - 2
Desemprego - 1 1 - 1 3
Educação familiar - - 2 1 - 3
Depressão/Depressão Materna - - - - 1 1
Relacionamentos Amorosos - 1 - - - 1
Não soube responder 2 - - 1 - 3
Para os entrevistados, o álcool e as drogas são os principais responsáveis pela ocorrência da violência intrafamiliar. Três participantes não responderam a questão,
alegando não conseguirem identificar fatores que possam contribuir para a violência intrafamiliar.
“Eu considero desemprego, uso de bebida alcoólica, uso de drogas, (silêncio) e a própria condição social da família.” (R2F24).
“Eu não saberia responder. Nunca pensei sobre isso.” (R1F31).
“Vixe... eu não sei. Eu acho tem as entidades que protegem, conselho tutelar que protegem as crianças, as casas que protegem as mulheres que sofrem as vezes violência é... hoje a Lei Maria da Penha.” (R3F31).
Já os fatores de proteção atribuídos pelos participantes com a finalidade de evitar a violência dentro dos lares estão listados na Tabela 9 a seguir.
Tabela 9: Fatores de proteção para violência intrafamiliar
Categorias ARES Total
1 2 3 4 5
Diálogo entre os familiares 3 2 1 - - 6
Rede de apoio - 1 - 1 1 3
Conhecer seus direitos 1 - 1 - - 2
Acesso à educação - - 2 1 - 3
Independência financeira da mulher 1 - - - - 1
Não soube responder 2 - 1 1 - 4
Nos fatores de proteção, diálogo entre os familiares foi considerado como um importante item para evitar a violência intrafamiliar, seguido dos participantes que não souberam responder a questão. Cabe destacar que alguns ACS conseguem perceber seu trabalho como extensão da rede de apoio para as famílias.
“O Programa Saúde da Família é essencial, o Agente Comunitário dentro das famílias é um fator primordial, porque muitas vezes ele vai servir de contato para esse conflito que tá acontecendo. Por isso é importante a capacitação, você estar preparado
pra lidar com esse tipo de coisa, principalmente com a mulher. São coisas que envolvem vida, né? Vida... uma criança, uma mulher, um idoso, é fundamental. Eu acho que seria isso.” (R2F54).
Questionados sobre os recursos que o bairro oferece para os moradores, os participantes afirmaram que as atividades existentes acabam por ser oferecidas em sua maioria pela própria Unidade de Saúde tais como grupos de caminhadas, Terapia Comunitária, grupos para gestantes. Outras atividades de lazer como clubes de sindicato e cursos oferecidos por entidades religiosas, mas que acabam não atendendo a uma parcela significativa da população. Para os ACS, o Centro Comunitário, praças e atividades esportivas seriam recursos que deveriam estar mais presentes nos bairros.
“Acho que deveria ter um centro comunitário, devido a população idosa que a gente tem. Porque a gente por exemplo quer elabora um atividade e não tem espaço, aqui na unidade não tem espaço, não tem mais lugar pra enfiar gente. Por exemplo, tem um grupo com atividade física a gente tem que usar o espaço da escolinha, e depende do horário da escolinha, mas nas férias não dá porque não tem espaço, e aqui só se for na recepção ( risos). Ate porque se é uma população idosa eles não saem muito, não andam em grandes distancias, então acho que precisaria de alguma coisa mais perto.” (R2F24).
“Área de lazer que tá faltando. Tem muito bar... bar aqui, bar lá. Mas não tem área de lazer.” (R1F31).
Outro ponto destacado ainda pelos participantes refere-se ao fato de que muitas vezes os próprios moradores não frequentam ou utilizam os recursos oferecidos pelo bairro, preferindo ir para outras localidades mais distantes.
• Desempenho dos participantes no Questionário de Avaliação de Conhecimento sobre Fatores de Risco e Proteção
A Figura 1 retrata os dados apresentados pelos participantes no Questionário de Avaliação de Conhecimento sobre fatores de Risco e Proteção. É válido ressaltar que as
pontuações foram exibidas em ordem crescente, com o intuito de preservar os entrevistados.
Figura 1: Porcentual de fatores de risco e proteção identificados pelos participantes
Pode-se observar que os participantes acertaram em média 80,63% (DVP=8,40) das questões relativas aos fatores de risco e fatores de proteção para o desenvolvimento infantil relacionados à violência intrafamiliar. Dois participantes obtiveram 93,75% de acertos (14 e 15, respectivamente). Da mesma forma, apenas dois participantes obtiveram uma pontuação inferior a 70%, com desempenho de 62,50% e 68,75% de acertos. Cabe ressaltar que durante a aplicação do instrumento, a pesquisadora buscava tranquilizar aos respondentes para que de fato colocassem o que acreditavam ser correto, sem se preocupar com seu desempenho individual, já que os instrumentos seriam analisados como grupo.
• Desempenho dos participantes no Questionário sobre Crenças a respeito da Violência Doméstica.
A Figura 2, apresentada a seguir, está relacionada aos dados coletados relativos ao desempenho dos participantes no Questionário sobre Crenças a respeito da Violência Intrafamiliar. O mesmo critério de exibição dos resultados em ordem crescente foi adotado na figura para preservar entrevistados.
Figura 2: Porcentual de acertos dos participantes no questionário sobre Crenças a respeito da Violência Intrafamiliar
Os participantes com maiores números de acertos foram 13, 14 e 15, com 90% de acertos.
A Tabela 10, a seguir, apresenta as questões em ordem decrescente assinaladas de forma incorreta pelos participantes.
Tabela 10: Porcentagem de respostas erradas por questão
Questão Frequência Porcentagem
29. A mulher que apronta e deixa o homem bravo encoraja a
violência doméstica. 10 66,67%
6. O consumo de álcool é a principal causa do homem bater na
mulher. 8 53,33%
10. A criança que cresce em um lar violento torna-se violenta
quando crescer. 7 46,67%
19. A mulher que apanha do marido pode largar dele, basta querer. 7 46,67%
24. Sempre que um menor vem depor na delegacia mente, porque é
inimputável. 7 46,67%
22. Quando um casal tem um relacionamento violento, a única
solução é a separação. 6 40%
7. Em briga de marido e mulher não se deve meter a colher. 5 33,33%
12. O homem que bate em mulher é um louco, um desequilibrado:
um doente mental. 5 33,33%
18. Mulher que apanha é suspeita, pois quando um não quer dois não
brigam. 5 33,33%
2. O homem também apanha da mulher, tanto quanto bate nela. 4 26,67%
11. Ninguém apanha de graça. 4 26,67%
30. Ela prestou queixa contra o marido violento na delegacia. É
horrível isso de lavar a roupa suja em público. 4 26,67%
14. Briga de marido e mulher é como briga de vizinho: não adianta
intervir. 3 20%
3. Ela é um verdadeiro saco de pancadas do marido, só não larga
dele porque não quer. 2 13,33%
8. As crianças que vêem a mãe ser agredida pelo pai muitas vezes
sentem-se culpadas pela violência. 2 13,33%
13. Com ele tem que ser assim: olho por olho, dente por dente; por
isso é que a mulher apanha. 2 13,33%
15. A mulher provoca. Não é a toa que o homem é violento. 2 13,33%
16. Numa mulher não se bate nem com uma flor. 2 13,33%
4. É a crise, o desemprego e a constante falta de dinheiro, a principal
razão que faz com que o homem seja violento em casa. 1 6,67%
23. A mulher em geral presta queixa na primeira ou segunda vez que
apanha do marido. 1 6,67%
9. Briga de marido e mulher não tem solução. 1 6,67%
5. Mulher precisa apanhar para se manter na linha. 0 0
17. Mulher gosta de apanhar. 0 0
20. A maioria das mulheres que procura a delegacia porque apanha
do marido não é honesta. 0 0
21. A violência doméstica atinge somente as camadas mais pobres
da população. 0 0
25. Não é nada fácil para a mulher sair de um relacionamento
abusivo. 0 0
26. Quando o marido bate na mulher, pode saber que ela tem culpa
no cartório. 0 0
27. O abuso psicológico pode ser tão ameaçador quanto o abuso
físico. 0 0
28. A mulher merece apanhar porque azucrina a vida dos homens. 0 0
Das questões assinaladas incorretamente, as que receberam a maior pontuação foram as de número 6, com oito participantes (53,33%) e a de número 29, com 10 participantes (66,67%). Tais questões referem-se às crenças “O consumo de álcool é a principal causa do homem bater na mulher” e “A mulher que apronta e deixa o homem bravo encoraja a violência doméstica”.
• Desempenho dos participantes no Questionário sobre violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes
Os resultados obtidos por meio do questionário foram divididos em três partes: 1) conhecimento para identificação de ocorrência da violência intrafamiliar; 2) procedimentos adotados no local de trabalho em caso da suspeita ou confirmação de violência intrafamiliar e 3) formação para a notificação e o papel das instituições no atendimento nas denúncias de violência. Cabe ainda ressaltar que o instrumento apresenta perguntas relacionadas aos procedimentos realizados pelos participantes na
confirmação ou suspeita da ocorrência da violência intrafamiliar em seu cotidiano de trabalho, e quais seriam seus procedimentos em caso de confirmação ou suspeita.