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4. RESPONDING TO ITEMS IN THE TERMS OF REFERENCE 9

4.2. Effectiveness

Hugo Chávez sem uniforme (2004), biografia escrita pelo casal de jornalistas venezuelano Cristina Marcano e Alberto Barrera Tyszka, pode ser considerada uma obra de referência, tanto para partidários, quanto para opositores ao regime de Hugo Chávez (O GLOBO, 2006). O prólogo da publicação é assinado por Teodoro Petkoff, cientista político muito conhecido por sua postura oposicionista ao governo da Venezuela. O relato delimita dois momentos históricos que tiveram conexão direta com o futuro de Chávez: o golpe militar mal-sucedido contra Carlos Andrés Pérez, em fevereiro de 1992; e a tentativa de golpe de Estado contra o próprio presidente Hugo Chávez, em abril de 2002 (HIGHLAND PARK, 2005).

Ao questionamento sobre a real orientação política de seu biografado, Cristina Marcano sugere uma sintética definição: tratar-se-ia de um populista com discurso de esquerda e administração de direita (O GLOBO, maio de 2006). Ela considera que o presidente Hugo Chávez age e se porta conforme a ocasião pública exige. Em um encontro com homens de negócios, vestir-se-á como um deles. Em um comício direcionado às camadas mais pobres, ele utilizará uma típica camisa vermelha, aberta no pescoço. Mesmo como crítica de Chávez, ela elogia o relevo dado às questões referentes aos mais pobres (BEAUMONT, 2006).

Em síntese, a obra da dupla Marcano-Tyszka propõe um enfoque psicológico de Hugo Chávez, trazendo à tona detalhes do seu relacionamento tenso com a mãe e de sua cobiça em ser o centro das atenções (STARR, 2007). Traça, ainda, um panorama dos relacionamentos afetivos do personagem, que parece também modificar o seu comportamento privado com a conquista do poder. De suas declarações e posturas públicas, os autores levantam possíveis contradições e deixam ao leitor o veredicto sobre a personalidade do biografado.

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Os autores de Hugo Chávez sem uniforme foram acusados de plágio e processados pelo escritor venezuelano Alberto Garrido, autor de diversas obras sobre Hugo Chávez. A reclamação é de que muitos trechos de obras escritas por Garrido teriam sido utilizados no relato da dupla Marcano-Tyszka, sem as devidas autorização e referência às fontes. Por meio da obra Chávez con uniforme: Antibiografia7 (2007), o próprio Garrido estabelece um contraponto ao trabalho de pesquisa do casal Marcano-Tyszka. Garrido é respeitado como profundo conhecedor do cenário político da Venezuela e da trajetória de Hugo Chávez ao poder. Ele critica o levantamento biográfico de Hugo Chávez sem uniforme, propõe correções de passagens históricas e interpretações de fatos da vida do mandatário venezuelano, além de questionar a representatividade do livro como documento biográfico.

Chávez con uniforme é um livro que pretende fazer justiça com

a história contemporânea da Venezuela e com vários de seus protagonistas principais. Com esse fim tomamos como ponto de referência a obra Chávez sem uniforme, apresentado ao mundo como a biografia de Hugo Chávez. [A obra] pontua unicamente alguns detalhes – e o desenvolvimento de questões – que têm a ver com essa história, necessárias para aqueles que assumam – sem apuros ou pressões de mercado – a responsabilidade de escrever sobre esse processo (...) (GARRIDO, 2007, p.5)8.

O jornalista norte-americano Bart Jones utiliza-se da experiência de oito anos em território venezuelano, como correspondente da agência de notícias Associated Press, para escrever Hugo Chávez: Da origem simples ao ideário da Revolução Permanente. A biografia, de 516 páginas, com primeira edição em língua inglesa no ano de 2007, descreve as condições que levaram um populista como Hugo Chávez à conquista do poder na Venezuela. Em certa medida, o leitor pode se deparar com um biógrafo simpático à figura do biografado (STARR, 2007).

Em entrevista concedida ao jornal norte-americano The Washington Post, no dia 4 de setembro de 2007, Jones enaltece a condição de heroísmo de seu biografado, ao lembrar a transição de uma realidade humilde para o mais alto posto de uma república. O autor considera que a figura de Chávez é interpretada negativamente por audiências externas ao real contexto político venezuelano. Considera como

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Obra não lançada no Brasil.

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relevantes os níveis de aprovação nacional à gestão presidencial, principalmente dos eleitores provenientes das camadas sociais menos favorecidas economicamente. Para Jones, o presidente da Venezuela possui um genuíno interesse pelo atendimento às demandas dos pobres e socialmente excluídos, especialmente por ter vivido nas mesmas condições, em sua juventude.

Um dos primeiros lançamentos que trata da vida política e das ideias do líder Hugo Chávez, ainda que não se caracterizasse como uma obra biográfica, data do ano de 2002, sob o título Hugo Chávez tal cual9. Julgamos importante referir o livro, por tratar-se de uma seleção de material sobre o político, realizada por jornalistas do diário venezuelano Tal Cual, e organizada pelo fundador e diretor desse jornal, o jornalista Teodoro Petkoff. O autor, conforme citado anteriormente, é um oposicionista declarado ao governo Chávez, deixando claro o seu descontentamento com o que chama no livro de gestão incompetente, corrupta, sectária e autoritária (p.27).

Questões polêmicas do governo e contradições entre discurso eleitoral e práticas de gestão são expressas nas seleções que compõem a obra:

Em última análise, a leitura deste livro é um complemento amplo e detalhado sobre a vida política venezuelana dos últimos anos, o que permite dar conteúdo real e expressão a todas aquelas alusões que geralmente podem ser lidas sobre a atuação do presidente Chávez e de seu governo (ROSÓN, 2003)10.

O jornalista britânico Richard Gott é o autor da biografia À sombra do libertador: Hugo Chávez e a transformação da Venezuela, com primeira edição em língua espanhola em 2004. O relato é dividido em quatro partes: inicia com o resgate da formação intelectual e militar do biografado, como primeiro passo rumo à conquista do poder; a segunda parte relembra personagens históricos - Simón Bolívar, Simón Rodríguez e Ezequiel Zamora - que teriam ascendência sobre o pensamento de Chávez; a terceira parte aborda o lado conspirador da personagem, aprofundando as articulações políticas e militares que o levaram à conquista do primeiro mandato presidencial; o quarto momento corresponde aos procedimentos tomados por Chávez, já no poder, e a postura de oposicionistas ao regime.

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Obra não lançada no Brasil.

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O autor constrói a imagem de um líder que representa as origens simples da maioria venezuelana. Chávez é tomado como homem do povo, de fala simples, que atinge as massas por pertencer às massas. Revolucionário e carismático são os adjetivos que balizarão o tom de admiração que o biógrafo empresta ao biografado, ao longo das 288 páginas da obra.

Há três anos, depois de uma década de crise política e do colapso dos velhos partidos políticos corruptos, o sistema democrático levou à Presidência um homem do povo. Com ancestrais negros e indígenas, e a enfática retórica de um provinciano, Hugo Chávez começou a organizar uma revolução. Um tenente-coronel carismático e popular identificou as semelhanças que havia entre os soldados e o povo que era a sua origem (GOTT, 2004, p.8-9).

Gott revela, no epílogo do relato, que empreendeu esforços pessoais para percorrer as regiões socialmente desfavorecidas da Venezuela, em especial de Caracas, para medir a força popular de Chávez. A sua motivação para a escrita parece atrelada à predileção pelo contato analítico com a atmosfera social da nação e à admiração pelo líder da Venezuela. O biógrafo revela ter entrevistado Hugo Chávez por diversas vezes e ostenta a prerrogativa de ser recebido pelo mesmo no palácio presidencial, como se fosse um velho conhecido, com um abraço fraterno (GOTT, 2004, p.13).

Consideramos digno de nota o lançamento de um relato biográfico de Chávez elaborado por um escritor chinês, em 2011. Xu Shiceng define o seu biografado como o grande líder da esquerda latino-americana do século XXI (EFE NEWS SERVICE, 2011). Biografía de Hugo Chávez: Da Revolução Bolivariana ao socialismo do século XXI11 teve cerimônia de lançamento oficial na embaixada da

Venezuela, em Pequim, com a presença de autoridades dos dois países. A obra, publicada pela Editora Popular da China, destina-se a estudiosos asiáticos interessados na política latino-americana. Shiceng revelou ter se aprofundado no pensamento de Simón Bolívar para melhor compreender as ideias do próprio Hugo Chávez.

O mandatário venezuelano se depara, atualmente, com um grande desafio à sua imagem como herói político. O diagnóstico de um câncer maligno na próstata, em

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estágio avançado, coincide com o período em que nos debruçamos sobre a sua trajetória biográfica. As primeiras informações acerca do drama pessoal de Chávez foram divulgadas no mês de maio de 2011, considerando que os sintomas da doença já seriam do conhecimento do líder há mais de um ano. Ao que tudo indica, a decisão foi a de postergar, ao máximo, o conhecimento público sobre a sua saúde fragilizada, fato que pode ter contribuído para a piora de seu estado. Sucessivas intervenções médicas, em unidades hospitalares cubanas, tomaram parte da rotina de Chávez, obrigando-o a ausentar-se da Venezuela por longos períodos. A sua característica intransigência é manifestada nas negativas em obter auxílio de centros médicos mais avançados, na Europa. Decide dispor dos serviços de saúde cubanos, em uma clara tentativa de preservar os detalhes de seu tratamento distante do público. Informações extraoficiais dão conta de que as medidas terapêuticas não teriam surtido o efeito desejado. No início do mês de novembro de 2011, “médicos vaticinam que, se insistir na terapêutica leve, Chávez não terá mais que um ano de vida” (VEJA, 23/11/2011).

Apesar dos pareceres médicos fatalistas, Chávez procura mostrar-se confiante na cura, sustentando uma imagem de que conseguirá seguir no comando do seu país, e de que nada mudará no cenário político nacional. Às vésperas das eleições presidenciais de 2012, a reserva com que trata a doença, e as suas constantes manifestações de fé despertam incertezas quanto à capacidade de levar adiante as suas metas de reeleição (BBC BRASIL, 11/04/2012). O mito parece seriamente abalado pelas incertezas da realidade. É nesse ponto que o herói retorna ao patamar da vida comum.