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[METODOLOGIA UTILIZADA NA PESQUISA]

4.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA METODOLOGIA

Este capítulo apresenta as etapas da metodologia utilizada na pesquisa.

Trata-se de um tipo de pesquisa aplicada. Segundo Marconi e Lakatos, (1996, p.19), a pesquisa aplicada “caracteriza-se por seu interesse prático, isto é, que os resultados sejam aplicados ou utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade”. Esta pesquisa tem objetivos exploratórios. Pesquisas exploratórias:

são investigações de pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos. Empregam-se geralmente procedimentos sistemáticos. [...] Uma variedade de procedimentos de coleta de dados podem ser utilizados, como entrevistas, observação participante etc (MARCONI e LAKATOS, 1996, p.77).

Utilizou-se uma abordagem qualitativa. A pesquisa qualitativa

[...] busca explorar a compreensão das pessoas a respeito de sua vida diária, ou seja, busca dar sentido ou interpretar fenômenos em termos das significações que as pessoas trazem para eles. A pesquisa qualitativa tem o objetivo de examinar problemas específicos de maneira mais aberta, de forma a gerar informações que não seriam obtidas de outra forma. Os métodos usados incluem entrevistas, observação direta, análise de discurso, de textos ou documentos (VIEIRA, 2008, p.99).

Em relação ao delineamento da pesquisa, esta se configura como um estudo de caso. O estudo de caso diz respeito a:

um estudo em profundidade, visando obter o máximo de informações que permitam o amplo conhecimento. É muito encontrado em pesquisas do tipo exploratória [sic]. Seu planejamento é flexível, o que permite ao pesquisador obter novas descobertas (ALVES, 2007, p. 55).

O tempo total de realização desta pesquisa foi de 24 meses (agosto de 2008 a agosto de 2010), conforme ilustrado, cronologicamente, nos gráficos 05, 06 e 21. O gráfico 05 ilustra a primeira etapa da pesquisa, que foi iniciada em agosto de 2008, quando já estava em processo de finalização a primeira dissertação de mestrado, realizada por um mestrando do GREPE, no Núcleo de Rendeiras da Vila (BARROS, 2009).

01 - Primeira Etapa da Pesquisa: apreciação global

A segunda etapa da pesquisa (gráfico 06) iniciou em janeiro de 2009, com o desenvolvimento da pesquisa de campo referente à oficina de Renda de Bilro iniciada neste período. A fase mais intensa e sistemática da pesquisa de campo se deu quando esta pesquisadora passou a acompanhar a referida oficina, da qual

Gráfico 06 - Esquema cronológico referente á primeira etapa da pesquisa (Apreciação Global).

também participou como aluna. Esta condição da pesquisa, conduzida a partir de uma observação participante, permitiu à pesquisadora conhecer detalhadamente a realidade de trabalho/aprendizagem das rendeiras de bilro da Vila de Ponta Negra através de um processo vivência durante as oficinas na referida comunidade. Este modo de pesquisa é denominado de pesquisa participante (THIOLLENT, p.83).

02 - Segunda Etapa da Pesquisa: pesquisa de campo

Segundo Marconi e Lakatos (1996, p.82), a observação participante:

consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais dele.

Gráfico 07- Esquema cronológico referente à segunda etapa da pesquisa. Fonte: Elaborado pela autora.

Marconi & Lakatos (1996, p.82) referem-se a algumas dificuldades enfrentadas pelo pesquisador, que pratica a observação participante, no tocante a assegurar a objetividade científica das observações. Estas dificuldades dizem respeito ao fato do pesquisador exercer influência no grupo e ser influenciado por antipatias ou simpatias pessoais e ao choque do quadro de referência entre observador e observado.

De fato, constatou-se certo grau de dificuldade no que se refere à “objetividade”, pois, em vários momentos, enquanto participávamos como alunas- pesquisadoras da oficina de renda de bilro, necessitávamos de uma certa flexibilidade para prestar atenção e registrar os comentários e informações apresentados pelas rendeiras da comunidade. A esta exigência metodológica se somava a exigência das instrutoras e, de alguma maneira, das demais alunas, com relação ao cumprimento do desempenho enquanto aprendiz da oficina renda. Era necessário muito cuidado para não haver nenhum “rompimento” das relações ali construídas.

Operacionalmente, do ponto de vista metodológico, houve situações cujas verbalizações das rendeiras e instrutora da oficina não eram escutadas na sua totalidade nem era possível anotar, dada a ambivalência da função simultânea assumida, de pesquisadora e aluna da oficina de renda.

As informações coletadas, através das observações, das conversações e das escutas ampliadas, durante as oficinas de renda de bilro, eram registradas nos cadernos de campo.

Ao final de cada aula da oficina as pesquisadoras recapitulavam os episódios ou acontecimentos e complementavam ou ajustavam as anotações realizadas até então. Este processo dava cabo aos relatórios à quente, elaborados imediatamente, e, em seguida, no dia seguinte, aos relatórios à frio, como métodos de roteirização dinâmica (Vidal, 2008, p.150) das observações e interações registradas durante as atividades das rendeiras nas oficinas.

Para a análise das atividades das rendeiras, realizaram-se 10 interações, aplicando-se a técnica da conversa-ação (VIDAL, 2008, p.153) e 03 interações, aplicando-se a técnica da Análise Coletiva do Trabalho – ACT (FERREIRA, 1998, pp. 82-91; VIDAL, 2008, p.146).

As sessões de autoconfrontação coletivas realizadas na oficina de desenho foram bastante valiosas para a obtenção de opiniões e validações da pesquisa. A

técnica do brainstorming (tempestade de idéias) também foi aplicada com o objetivo de estimular o surgimento de idéias para novos produtos confeccionados com a renda de bilro. Nestas ocasiões surgiram várias idéias que foram incorporadas pelas alunas, proporcionando, além de outras opções de produtos, mais autonomia e confiança das rendeiras no processo criativo. Após a realização das ações- conversacionais e as ACTs, eram realizadas as transcrições das falas: processo trabalhoso e demorado, porém crucial.

Os métodos interacionais, utilizados para estimular as verbalizações e conversações das rendeiras e das alunas, a cerca das oficinas realizadas, proporcionaram discussões e reflexões relativas a vários assuntos: método de ensino, dificuldades, sugestões de melhorias etc. A sugestão de implantação de uma Oficina Híbrida também resultou deste processo interacional.

Para a condução das ações conversacionais foram previamente elaborados roteiros dinâmicos (Apêndice A, B, C e D).

A escuta ampliada, parte do capítulo do método interacional, é uma técnica que foi também utilizada para coletar informações acerca das oficinas e da atividade desenvolvida pelas rendeiras e alunas do Núcleo de Produção Artesanal Rendeiras da Vila. A escuta ampliada:

[...] se orienta para as informações difundidas de forma ampla (broadcast), ou da captura de falas e comentários em geral não necessariamente dirigidos ao analista. Chamamos a atenção para o fato de que os comentários, os avisos genéricos, alguns fragmentos de conversas são oriundos da realidade do trabalho e por isso não podem ser ignorados (VIDAL, 2008, p.149-150).

Segundo Vidal (2008, pp.115-170), os métodos interacionais e os observacionais auxiliam o pesquisador na coleta de dados que servirão para a formulação de um bom diagnóstico da situação de trabalho.

Para ordenar e sistematizar os resultados obtidos com os métodos interacionais, foram elaboradas matrizes de inclusão de comentários (VIDAL, 2008,

pp.170 -171), a partir das quais se estabeleceram análises que foram utilizadas para

Estas matrizes foram organizadas segundo cada assunto abordado e englobava o nome da pessoa pesquisada; a fala; e o comentário do pesquisador, complementando ou esclarecendo alguma expressão ou assunto verbalizado pela pessoa com quem foi realizada a interação. À medida que iam sendo inseridas mais pessoas e suas devidas falas às matrizes, incorriam os comentários do pesquisador e a síntese de cada bloco de assuntos. Em seguida, eram realizados tratamentos cada vez mais específicos dos dados que iam sendo separados segundo classificações específicas, de acordo com os interesses das análises.

Os equipamentos (Figura 25) utilizados para registro das ações- conversacionais foram: gravador MP4 e máquina fotográfica digital (de propriedade da pesquisadora). Para a realização das ACTs, foram utilizadas filmadora digital (pertencente ao GREPE) e máquina fotográfica digital (pertencente ao GREPE). Também foram utilizados cadernos de campo para o registro das observações e das interações (ações conversacionais e ACTs).

Figura 25 - Instrumentos e equipamentos utilizados pela autora da pesquisa.

4.2. MÉTODO SISTEMÁTICO DE ANÁLISE: ADAPTAÇÃO DO MÉTODO DA