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4. Materials and methods

4.6 Photochemical studies of aqueous fluorene

4.6.4 Effect of salinity (NaCl) on degradation

A pesquisadora Geyza Lacerda (1997) bem enfatiza que o encontro com o processo de criação de uma obra propicia pensá-la historicamente, pois, dessa maneira, são trazidos à tona os embates presentes nos momentos da escrita. Nós iríamos um pouco adiante, não só os elementos históricos são importantes, mas também as intertextualidades que se podem encontrar em cada texto, por meio de um diálogo constante. Tal relação textual leva a repensá-lo, produzindo outro texto. Caso contrário, pensar uma obra a partir dos parâmetros do momento que estamos vivenciando é destituí-la de sua historicidade.

Com esta pesquisa, realizou-se um mergulho na produção de Oswald de Andrade, sua vida, seus estudos, seus interesses teóricos, seus contatos com novas teorias, além dos diálogos com os escritos sobre o autor. O trabalho continuou sua trajetória analisando a peça O rei da vela, observando seu interesse na produção teatral, bem como sua busca por uma arte inovadora. Oswald conseguiu construir um teatro da ruptura, o que impossibilitou uma encenação da peça durante 30 anos.

Procuramos destacar a trajetória de Oswald no expressivo movimento de renovação artística brasileira e salientar seu importante papel. O Modernismo brasileiro representou a transformação das formas. Foi uma renovação artística, que agitou o Brasil, modificando o curso de várias formas, pois seus representantes, os vanguardistas, são, num certo sentido, revoltados contra sua própria época. Eles desprezaram o estado corrompido da cultura contemporânea, os valores complacentes de uma sociedade mercantilista, materialista, e o papel de mediocridade tranqüilizadora da arte.

Por meio do caminho percorrido por Oswald com a antropofagia, ele propunha deglutir as contribuições culturais e ideológicas européias, por assumir alegremente a escolha e a transformação do velho em novo, do alheio em próprio. Reconheceu que a originalidade não é mais do que um arranjo novo, produziu um teatro que levasse ao nacional, sem ufanismos, mas com humor.

Enfim, enfatizamos o vanguardismo de Oswald de Andrade, numa época em que o teatro brasileiro preocupava-se em trilhar as sendas do realismo sem perceber que, sob a graça dionisíaca do texto de Oswald, ocultava-se uma visão no mínimo esclarecedora da realidade nacional.

Podemos perceber que Oswald não fica alheio a acontecimento sócio-político- cultural contemporâneo algum. Viveu numa movimentação cultural ativa e criadora, tanto em relação aos temas quanto à linguagem. Não desprezou as novidades tecnológicas nem o cotidiano, dedicando especial atenção a tudo que indicasse a presença da civilização industrial: a máquina, a metrópole mecanizada, o cinema, a vida excitante de uma sociedade que liquidava os seus resquícios de ruralidade e adotava rapidamente os novos ritmos da vida contemporânea.

Por fim, fizemos um exercício de intertextualidade entre a obra, a peça de Oswald, e Ubu Rei de Alfred Jarry. Tais autores muito têm de comum. Tanto na vida pessoal, como foi pontuado no trabalho, como na produção dramática, com processos semelhantes em termos estruturais, e uma atitude radical em relação à linguagem teatral. Ubu Rei e o Rei da Vela encaixam-se, perfeitamente, na definição de “teatro válido” de Ryngaert:

Pode-se ver um teatro criado livremente e que contém textos destinados ou não ao palco, afinal, o artista deve, antes de mais nada, compreender a realidade e as necessidades do homem de seu tempo. Mas o teatro só é válido, tal como poesia e a pintura, quando não cede aos hábitos ou aos gostos da massa. Ele é útil quando abala, luta e diz como o pai Ubu: merdra! (Ryngaert, 1998, p. 39).

Assim, Ubu Rei foi um tratado da Gulodice, e o Rei da vela foi o da devoração, pois devorou a cultura européia, construindo uma revolução antropofágica de forma e conteúdo, abrindo o caminho para seus sucessores, num país tradicionalmente governado por oportunistas, emergentes e corruptos.

O Rei exalta a modernização de São Paulo e atualiza a dramaturgia nacional para colocar o país a par das novas linguagens e tendências, ao mesmo tempo em que o cenário remete a um Brasil voltado para o futuro com elementos de um passado que não é seu.

A encenação tardia é um reflexo de que as inovações teatrais de Oswald eram excessivas para a visão conservadora da época, mas não há como negar que Oswald construiu uma realidade fiel da sociedade em que viveu, pois O Rei da Vela, ainda hoje, é atual.

Como salientou Rina Signer (2000), hoje, voltamos à vela e ao tempo conturbado. Para os pobres, volta a significar iluminação concreta, para os mais ricos iluminação espiritual. A fabricação da vela é um componente religioso de um país feudal. A manchete da revista Consumidor S.A. foi: “Sem ter como pagar, população se arrisca”. “A volta da vela na escuridão da pobreza” estava na manchete do jornal O Globo, em 24/11/1999, e o

subtítulo: “ O aumento das tarifas de energia elétrica leva a população pobre a recorrer a soluções que agravam riscos de incêndio”. Tais matérias tratam de um assunto comum nos dias atuais: com o alto preço da energia elétrica, os moradores de cortiços e favelas recorrem cada vez mais às velas, já que o preço da conta de luz teve um grande aumento com a retirada do subsídio do Governo Federal. A peça, há cerca de sessenta e seis anos, já tratava desse assunto:

Abelardo: Não. Foi você que quebrou. Ladrão de primeira viagem! Faz bem! Pouparemos a luz elétrica. A conta do mês passado foi alta demais! Acenda todas as velas! Economia em regressão. As grandes empresas estão voltando à tração animal! Estamos ficando um país modesto. De carroça e vela! Também já hipotecamos tudo ao estrangeiro, até a passagem! Era o país mais lindo do mundo. Não tem agora uma nuvem desonerada... Mas não irá ao suicídio... Isso é para mim (Andrade, 1976, p. 105).

O Rei da vela é a explicação de uma certeza: o país precisava sair do estado de estagnação no qual se encontrava desde o início do processo da colonização. Era preciso acordar. A espinafração de nosso próprio ser, a militância política, a irreverência, o deboche, foram as armas de Oswald nessa batalha. O dramaturgo não exibiu receitas, mas sua peça conduz à reflexão dessas questões.