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Effect of salt composition and reactor temperature

4.2 Temperature history of wood particles in molten salt pyrolysis

4.2.3 Effect of salt composition and reactor temperature

E

m setembro de 2013, no clima de manifestações por toda a cidade, organi- zamos uma roda de convivência com duração de dois meses com o intuito de debater com a juventude de favela as manifestações, demandas da favela e os novos formatos de luta política pelas redes sociais. A comunicação como direito coloca o indivíduo como protagonista e criador da sua própria subje- tividade. Esse era o principal eixo da roda: debater, criar e produzir em torno do direito à cidade, pensando como princípio básico o direito à comunicação através de oicina de fotograia, redação, cobertura colaborativa e artes. Além das oicinas acontecia também debate com a presença de convidados sobre os seguintes temas: segurança pública, direito à moradia, diversidade sexual, diversidade religiosa, entre outros.

Os encontros tiveram a duração de dois meses com rodas de compartilha- mentos, criação e produção em torno do “Direito à Cidade” e da apropriação das novas mídias na luta por REPRESENTAÇÃO e CIDADANIA. As rodas de convivência foram articuladas pelos integrantes do OcupaALEMÃO, cada um na sua área de interesse, com a participação também de coletivos parceiros, acadêmicos parceiros e mestres populares da localidade. Participaram jovens (de 15 a 18 anos) do Complexo do Alemão e de bairros do entorno e ao inal dos trabalhos tudo que foi produzido foi exposto e divulgado na página do coletivo no facebook.

produzimos coletivamente com os jovens participantes o manifesto: ‘A Gente Não Quer Só Polícia’. Cada jovem era responsável por escrever uma frase ou uma palavra que representasse o que ele pensava sobre a polícia e quais mu- danças ele queria. Ao inal, o manifesto foi postado na página do Ocupa Ale- mão e viralizado na internet:

A gente não quer só polícia

Quem me oprime é o bandido fardado Quem me oprime é o bandido do Estado

A contenção da camada pobre não pode ser apresentada como uma coisa boa A gente não quer só polícia mesmo porque eu não conio nela

Ela mexe comigo, me chama de gostosa Descobre meu nome, quer me comer todo dia

A gente não quer só polícia e todo mundo sabe bem do que precisa. Queremos ser respeitados como cidadãos da zona sul #Leblon A gente quer transparência e verdade

Respeito e segurança de verdade

A gente quer conhecer, saber descontruir estereótipos, na hora e no lugar Vida decente.

Justiça para todos Nós queremos proteção Não descriminação e agressão

No rio de janeiro Cabral quer ser o grande irmão do livro de George Orwell A gente quer amor

PAZ

Um mundo menos desigual Saneamento básico Liberdade de expressão CULTURA

Polícia para quem precisa de polícia

Eu quero o respeito de andar tranquilamente no lugar onde eu nasci

campo prático. Se o que eu quero entrar em conlito com o que o outro quer, e é aí que a mudança se iniciará.

A gente não quer só polícia, pelo menos não essa polícia. Será possível a polícia sem armas de fogo? Sem fuzil? Uma polícia verdadeiramente comunitária?

Uma polícia paciica que garante a paz? Como será isso? O primeiro passo é imaginar

Eu quero que o braço do estado nas favelas seja investimento público nos serviços que cada comunidade identiicar como prioridade. Queremos o di- reito de ir e vir a qualquer hora e lugar. Queremos o direito a comunicação e o direito de expressão sem repressão. Por uma mídia que fale, mas não me cale. Por uma educação que ajude a construir e não a formar. Uma polícia com me- nos política e mais humanista

A gente quer mais liberdade

Farofaço

E

m dezembro de 2013, o jornal O Globo publicava em sua manchete o surgi- mento de novos arrastões na praia de Copacabana no Rio de Janeiro. Uma internauta postou no facebook um depoimento polêmico, airmando que a culpa dos arrastões era do ônibus 484 que vinha do Complexo do Alemão em direção a praia “toda hora”. Por causa da criminalização do pobre e da fa- vela resolvemos fazer uma ocupação simbólica na praia de Copacabana com o nome “Farofaço”. O Slogan do evento era: “Pelo DIREITO de SER como se É! Pelo DIREITO de andar onde e quando se quer. Pelo Direito à Cidade! Não só para ir trabalhar, mas pelo direito a circular para o lazer, diversão e troca de conhecimento.#PelosDIREITOS #FAROFAÇO!”.

Depoimento que circulou na internet antes e pós o ato farofaço:

Quando o termo “farofa”, para designar um comportamento praiano sur- giu, ele tinha como princípio estereotipar o morador do subúrbio/favelas em suas práticas de diversão na praia, em que a presença de alimentos trazidos

de casa era a bandeira desta imagem mal vista: o clássico e barato frango com farofa. A cidade maravilhosa é uma construção midiática em que o com- portamento “favelado” ou “farofeiro” não condiz com este discurso. Assumir o termo “farofaço” não se trata de reforçar um estereótipo negativo, mas sim de uma disputa pela nomenclatura utilizada pela elite para falar negativa- mente de um comportamento deinido por eles. Ainal, quem deiniu qual é o comportamento modelo para se estar na praia? Comprar sanduiche natural a 7 ou 8 reais na praia ou levar uma bolsa térmica com vários com um gasto de aproximadamente 10 reais (com guaraná natural incluso)? E por falar em comportamento aceitável para se estar na praia podemos dizer que “inacei- tável” é o julgamento preconceituoso e racista desferido contra o pobre na praia! Inaceitável, é o comportamento que diz que todo suburbano/favelado é um suspeito de prática de arrastão. VAMOS à praia DIA 08 DE DOMINGO pra ensinar a elite, não apenas como se comportar na praia, mas como enxergar o suburbano/ favelado sem a venda do preconceito.

Nesta época, um suburbano escreveu um texto que icou conhecido como “o manifesto farofeiro”, no qual ele se assumia farofeiro como um ato político! Era farofeiro porque dava valor ao seu dinheiro! Era farofeiro, porque con- iava na comida feita em sua casa.