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Effect of chemistry and deposition on GEM and RGM concentrations

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Cerro de Potosí

que são províncias. Enviam-nos os corregidores, e levam-nos os alcaldes de índios. Comparecem nas suas mitas, conforme os seus repartimientos, e assim trabalham, vindo alguns de mais de cento e cinquenta léguas de caminho110. O cerro de Potosí situa-se a um quarto de légua da vila.

É a modo de um pão de açúcar ou sino, tem duas léguas de subida, e no mais alto dele estão as bocas das minas. Os índios descem por aqui, por escadas muito largas feitas de vigas fortes, cujos degraus são de couro de vaca, tão firmes e seguros que não quebram por mais trabalho que susten- tem. Por aqui vão descendo, e têm seus repartimientos como praças, com grandes arcos e abóbadas feitas de pedra e grossas vigas. Vão fazendo estes reparos, uns sob outros, e assim sustenta-se todo o peso daquele alto cerro. Aqui estão os melhores engenhos, máquinas e artifícios que alguma vez se fizeram no mundo. Há vedores e mestres para acudir às reparações e obras deste cerro. E têm todos os senhores de mina mor- domos, que também lhes calha fazer reparar as partes que hão mister, e governam e mandam em seus índios, fazendo-os trabalhar; têm salários de mais de quinhentos pesos ao ano, bem como outros proveitos. Todo o cerro está furado por diversas partes, como um crivo. Descem os índios, pelo seu interior, mais de duas léguas por debaixo de terra, levando, cada um, uma vela de sebo acesa numa das mãos, com que se ilumina, e, com a outra, vai-se agarrando às escadas, às costas leva um surrão de couro, onde guarda os metais. Cada índio segue a beta do seu amo, a beta é como uma penha de onde se extraem os metais de prata, sem que se encontre ninguém lavrando a beta alheia. E talvez sucede seguir a beta e ficar o índio atascado e ser mister ajuda para sair, porque estas betas são, nalgumas partes, muito grossas e, noutras, finas, e, conforme são, assim se faz o caminho por onde entram os índios. Andam trabalhando desde a manhã até à tarde, e, quando é hora de sair, deitam o seu quipe ou surrão com o seu metal às costas. Extraem um quintal de metais, e o menos que tiram de um quintal de metais de prata limpa são quatro onças, e talvez sucede tirar-se mais de quatro marcos, cada um dos quais tem oito onças. Cada um destes índios reconhece o seu amo, sendo mais de quatrocentos os senhores que têm betas nesta mina; e há senhores destes que têm a trabalhar por sua conta trabalham quatrocentos índios, todos os dias. Do cerro vão descendo os metais para os engenhos que estão na via

tarapea, por caminho de uma légua, mais de sessenta são os moinhos,

de diferentes donos que moram na vila. Depois de apurados os metais e extraída a prata limpa, leva-se às casas reais, onde está a fundição das barras, que ali se fazem e se ensaiam, dando a cada uma a lei e o número que tenha, porque muita prata se desvaloriza. E aqui se pagam os quintos a El-Rei. Fazem-se seis a sete mil barras todos os anos, valendo algumas

DESCRIÇÃO GERAL DO REINO DO PERU, EM PARTICULAR DE LIMA 165

A cidade La Paz

Córdova

Santiago

mil pesos; faz-se grande soma de reais e desfaz-se muita prata para louça. Há mais de oitenta anos que se descobriu esta mina, e tem-se extraído dela, e extrai-se cada dia, uma soma infinita de prata, sem nunca se dar em água, por mais que a tenham escavado e cada dia a escavem. Isto é o mais essencial de Potosí e do seu cerro e minas.

Quando estamos em Lima, que se encontra a trezentas léguas de Potosí, e quando o céu está limpo e estrelado, vê-se no céu uma mancha branca como uma nuvem, que todas as noites, como não haja nublados, se vê. Está esta nuvem ou mancha sobre o cerro de Potosí, conforme dizem os naturais do Peru, que em tudo o quis Deus assinalar.

Descrição de Buenos Aires e Tucumán, até chegar a Potosí

Buenos Aires é o Rio da Prata, que tem de boca quinze léguas. Tem alguns bancos de areia, pelo que se entra no rio sondando. A cidade não tem nenhuma força. Terá até quatrocentos vizinhos espanhóis. Está posta e edificada na margem do mesmo rio, e as naus que a ela se dirigem ficam sem se aproximar da margem a um tiro de mosquete, e podem ancorar, que o rio corre mui manso e aprazível. Quase bate a água nas casas do governador. Estas casas têm um pequeno torreão fronteiro ao rio, onde se encontram quatro pequenos canhões de bateria, não havendo nenhuma outra parte que tenha defesa. Para entrar na cidade, por qualquer parte do rio pode sair gente em terra, em barcos ou lanchas, porque o rio corre mui manso por todas as partes e não tem bosque nem monte, toda a terra é plana.

Tem a cidade três conventos de frades e teatinos, e cada um terá até doze religiosos. Alguns dos vizinhos da cidade são muito ricos de dinheiros. Colhe-se nesta terra muito trigo e frutas, e há grande abun- dância de carnes, porque são tantos os bois e vacas, que não têm dono. Há poucos índios, e os poucos que há são muito inimigos dos espanhóis.

Desta cidade de Buenos Aires vai-se por terra a Potosí. E até Córdova são duzentas léguas de caminho despovoado e muito plano, por ser assim plano, percorrem-no os viajantes em carros tirados por bois. Encon- tram água a cada seis léguas, ali fazendo suas dormidas, mas não é água bastante para muita gente, posto que se pode abrir poços e tirar água deles. Em todas estas duzentas léguas não há mais de duas estancias de gado. E por todo o caminho sem dono há infinito gado bravo e muitís- simas éguas e cavalos sem dono. É terra cálida e de grandes pastos.

Córdova, cidade do Tucumán, tem de vizinhada quinhentas casas de espanhóis. Não tem defesa nenhuma, nem naquela terra se sabe o que é peça de artilharia. Desta cidade vai-se a Santiago del Estero, que são sessenta léguas. É cidade de quatrocentos vizinhos. Toda a terra é plana e sem montes. Esta cidade é banhada por um rio aprazível que por ela

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