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Efecto de las modificaciones del LPS sobre el sistema Cpx

ÍNDICE DE TABLAS

PROTEINA PAPEL EN LA VIRULENCIA REFERENCIA

2. Papel del sistema de estrés de membrana Cpx en la regulación de los factores de virulencia de Y. enterocolitica O:8

2.1. Efecto de las modificaciones del LPS sobre el sistema Cpx

Muito embora esteja no Sistema do idealismo transcendental de 1800, mais especificamente na sua sexta parte, o tratamento objetivo que Schelling confere à intuição intelectual na arte, se constituindo esses escritos no foco maior deste segundo capítulo, devemos nos remeter às importantes exposições de Schelling a respeito de uma objetividade dessa intuição nas preleções sobre a filosofia da arte entre 1802-1805. Essa objetividade se relaciona com dois aspectos essenciais, os quais estão intimamente intercruzados: (1) a objetividade como “corporeidade” e (2) o caráter de concretude da intuição das Ideias. Devemos nos deter nestes aspectos contidos naquelas preleções, que

302 VIEIRA, L. A. A filosofia prática do jovem Schelling. In: As filosofias de Schelling. Puente, F. R., Vieira, L. A. Belo horizonte: UFMG, 2005, p. 52-53.

oferecem importante clarificação do conceito de objetividade, antes de passarmos a um exame mais profundo dos aspectos contidos no Sistema.

3. 2. 1 A objetividade como “corporeidade” das Ideias

Se a filosofia da arte é o universo exposto na potência da arte, a arte fornece objetividade às suas Ideias, do mesmo modo como, no aspecto arquetípico, as Ideias são paradigmas de espécies da natureza que, enquanto tais, se objetivam em seres particulares. Ou, como Schelling afirma na terceira seção das preleções:

Compreendemos, portanto, plenamente o modo como a arte dá objetividade a suas Ideias seguindo a maneira pela qual as Ideias das coisas reais singulares se tornam objetivas no fenômeno, ou: a presente tarefa, de compreendermos a passagem da Ideia estética à obra de arte concreta, é a mesma tarefa universal da filosofia em geral no que concerne à manifestação das Ideias por meio de coisas particulares.304

Dentro do contexto dessa objetivação, Schelling assume, portanto, que “o Absoluto se torna objetivo no fenômeno” e as próprias potências da arte se tornam símbolo das Ideias305. Dito de outro modo, a identidade absoluta se exprime por meio de um corpo, a obra de arte material. Esse corpo, portanto, é a expressão simbólica das Ideias, do mesmo modo como, para Kant, o belo é o símbolo das Ideias morais306. Assim Schelling

se expressa em relação às potências da arte na terceira seção das preleções:

No absoluto, forma e matéria são um, na totalidade de suas formas ele não tem outra matéria do produzir senão a si mesmo. Mas ele não pode se manifestar senão quando cada uma dessas unidades, como unidade particular, se torna símbolo dele. Na absolutez, essas unidades não são diferentes umas das outras; aqui há meramente matéria, pura infinitude e Ideia. Elas só podem se tornar objetivas, como Ideias prototípicas, se cada qual, como unidade particular, toma novamente a si mesma como corpo, como antítipo. 307

E Schelling continua: 304 SCHELLING, 2010b, p. 136-137. 305 Ibid., p. 137. 306 KdU B 258.

307 SCHELLING, op. cit., p. 137. Márcio Suzuki destaca, em nota, o termo alemão correspondente às Ideias prototípicas (Urideen) (Ibid., nota 26).

A essência de toda particularidade é no Absoluto, mas essa essência se manifesta por meio do particular. Isso pressuposto, segue-se necessariamente que o Absoluto, como princípio da arte, só se torna objetivo na esfera do fenômeno ou diferença porque ou a unidade real ou a unidade ideal se torna símbolo para ele, portanto, em geral porque ele se revela em manifestações separadas, e lá se simboliza mediante a manifestação de um mundo real- relativo, e aqui, mediante a manifestação de um mundo ideal-relativo. 308 Deste modo, o corpo da arte, enquanto invólucro, é a única forma de exprimir o absoluto, porque de outro modo não haveria imagem através da qual as Ideias pudessem se objetivar. Schiller, por exemplo, nos apresenta uma concepção de belo enquanto liberdade no fenômeno309. Nesse sentido, as potências artísticas em Schelling, tais como

as artes plásticas, do lado real, ou as artes da palavra, do lado ideal, somente se expressam por meio dos invólucros da arte enquanto ganham, com isso, um corpo material e fenomênico através do qual cada unidade artística se esforça para se manifestar. Aquelas potências da arte se tornam visíveis quando são sensivelmente imprimidas no tempo. Assim,

[...] o lado real, como lado particular, se torna aqui símbolo da Ideia absoluta, que só é conhecida como tal através desse invólucro [assim como a unidade ideal] se empenha necessária e imediatamente por um invólucro, um corpo, por meio do qual se torne objetiva, sem prejuízo de sua idealidade.310

Por meio da escultura, por exemplo, os deuses da mitologia grega são manifestados simbolicamente. Estas espécies de manifestações artísticas necessitam, enquanto Ideias, da analogia com o corpo humano, um invólucro capaz de transmitir aquelas Ideias de virtude, força e esplendor. Rey Puente destaca esse caráter antropomórfico em sua obra intitulada As concepções antropológicas de Schelling. No capítulo em que aborda a concepção cosmológica de homem, Puente chama a atenção para o duplo caráter do homem como microcosmos. Não sendo nem ideal, nem real, mas um todo, o homem é o que ele define como o locus onde aqueles dois lados da realidade adquirem consciência de sua unidade311. Puente lembra o fato de Schelling considerar, à

luz das suas concepções mitológicas, não o homem empírico, mas a Ideia de homem, a qual contém aqueles dois lados, o ideal e o real, cujo conhecimento da unidade se configura em uma intuição intelectual. Como explica Puente:

308 Ibid.

309 SCHILLER, 2004, p. 68.

310 SCHELLING, op. cit., p. 139, grifo nosso. 311

Schelling não se interessa pelo indivíduo concreto; ele quer ‘ver mais’. Ele anseia por se libertar das ‘ruínas deste mundo’, com o intuito de poder apreender o ‘Absoluto’, o ‘único real’. Para isso, em sua opinião, há apenas uma possibilidade: a essência da alma deve tornar-se uma com o Absoluto. E o conhecimento imediato desta Schelling denomina ‘intuição intelectual’.312 É em vista disso que Schelling confere um privilégio à escultura e às artes plásticas, pois nesta espécie de manifestação estética ressalta a perfeita identidade entre corpo e Ideia. De acordo com Puente, Schelling considera a representação da forma humana o ponto mais alto das artes plásticas313. Nesse modo de representação se expressa

o próprio significado simbólico da forma humana314. E é justamente enquanto símbolo do

absoluto que o homem pode ser considerado um microcosmos, pois, ao lembrar da ideia de homem como espécie que apresenta caracteres da matéria primeira no Timeu de Platão, Puente destaca a concepção microcósmica da forma humana enquanto uma imagem em pormenor da terra e do universo315.

Assim, como nos indica o privilégio concedido por Schelling às representações simbólicas das formas humanas nas artes plásticas mencionado por Puente, toda e qualquer unidade artística precisa de uma materialidade para dar objetividade às Ideias estéticas, realizando, assim, a passagem destas Ideias para a concretude da obra de arte. Essa objetivação corresponde ao que Jair Barboza denomina de “corporeidade”:

As Ideias, como atos eternos, primeiros e arquetípicos do absoluto, aparecem numa coisa efetiva particular como o seu conteúdo e a realidade desempenha o papel de ‘objetivação’, ‘corporeidade’ das Ideias-espécie. De modo que o sistema dos corpos do mundo ‘é apenas o mundo das Ideias, visível e reconhecível na finitude’.316

Ao abordar a recepção da filosofia de Schelling em Schopenhauer, para quem a objetivação é articulada como sendo a passagem da vontade ou coisa em si para os invólucros do mundo, caso em que esta existência factual passa a ser uma representação daquela vontade, Barboza relaciona esta objetivação com a corporeidade do absoluto, através da qual ele se objetiva ou encarna no mundo, se espraiando nas coisas particulares. Neste sentido, Schelling concebe as Ideias enquanto espécies da natureza que se

312 Ibid., p. 29. 313 Ibid., p. 24.

314 SCHELLING, 2010b, p. 242, 243, 244. 315 PUENTE, op. cit., p. 24.

exteriorizam no mundo por meio daquela visibilização que percorre graus de objetivação, ou seja, numa perspectiva neoplatônica.

3. 2. 2 O caráter de concretude da intuição das Ideias

No que tange às intuições artísticas, a consequência dessa objetivação das Ideias na arte e desta passagem das Ideias estéticas para a efetividade ou materialidade das formas artísticas é que tais intuições das Ideias são possíveis pelo fato de que a arte, diferente da filosofia enquanto atividade abstrata, intui tais ideias in concreto. Ou, como Schelling explica na introdução das preleções:

[...] como poderão surgir belas coisas particulares do belo universal e absoluto? A filosofia responde essa questão mediante a doutrina das Ideias ou protótipos [...] também a arte intui o belo originário somente nas Ideias como formas particulares, cada uma das quais, porém, é divina e absoluta por si, e em vez de intuir, como a filosofia, as Ideias como são em si, a arte as intui realmente. Portanto, as Ideias, se são intuídas realmente, são o estofo e como que a matéria universal e absoluta da arte, da qual primeiramente surgem todas as obras de arte particulares como produtos perfeitos e acabados.317

Estas Ideias, que Schelling concebe como sendo fornecidas por meio das representações simbólicas das divindades da mitologia grega, portanto, ao se separarem da reflexividade do artista, são transpostas da consciência para o plano objetivo da concretude material, podendo ser intuídas de modo efetivo, físico e real. Assim é que Schelling justifica o fato de que “os deuses da mitologia nada mais são que as Ideias da filosofia, mas intuídas objetivamente ou realmente”318.