• No results found

The Education Reform Process and Involvement of Development Partners

2 Understanding Myanmar: Historical Development, Education System and Education

2.2 Education in Myanmar

2.2.2 The Education Reform Process and Involvement of Development Partners

Introdução

O “Estudo de Caso” e a pesquisa que lhe está associada, pretende criar um entendimento sobre determinado problema / situação. Tipicamente, através desta metodologia, existe o objectivo de detalhar determinado contexto, condições em que ocorre e proceder à sua análise e estabelecer relações entre factos ou evidências. Alguns autores, nomeadamente Robert Yin, referem como sendo um método de triangulação, devido ao uso de múltiplas fontes de dados, permitindo ao pesquisador, cobrir um grande número de perspectivas e identificar linhas de convergência ou de divergência (Brown, 2008, p. 4).

Os pesquisadores têm utilizado este método de forma generalizada em várias disciplinas. Por exemplo, na área das ciências sociais, onde tem sido feita muita pesquisa baseada em métodos qualitativos, por forma a examinar, constatar situações da “vida‐real”, que criam a base para aplicação de ideias e extensão destes métodos.

O autor Robert K. Yin define o Estudo de Caso (Case Study), como um método de pesquisa de inquirição empírica, que investiga fenómenos contemporâneos dentro de contexto da vida real; quando as fronteiras entre fenómeno e contexto, não tem evidência clara; e quando existe o uso de fontes múltiplas de evidência. Os principais críticos desta metodologia, afirmam que o estudo de caso, oferece pouca robustez e confiabilidade para uma generalização dos resultados. Outros, afirmam que expor um caso a um intenso uso de estudos com esta metodologia, pode enviesar as conclusões sobre o mesmo. Alguns, acreditam que esta metodologia é apenas uma ferramenta com fins exploratórios.

Mas na verdade, os investigadores continuam a usar este método, com sucesso, em pesquisas que são devidamente estruturadas e construídas, baseadas em situações da vida real, acontecimentos específicos ou problemas. De facto, muitos relatórios têm sido produzidos com esta metodologia e são fonte, muito rica, de conhecimento e avanço na pesquisa das mais variadas matérias.

De acordo com Yin, um bom desenho de “Caso de Estudo” envolve, pelo menos: definir corretamente o caso, justificar a escolha de “um caso de estudo” ou “múltiplos casos de estudo” e deliberadamente, adoptar ou minimizar perspectivas teóricas (Yin, 2004, p. 6).

Os estudos de caso podem ser divididos, de acordo com a lógica de análise dos dados, isto é, estudos de Theory Testing (dedutiva) e Theory Building (indutiva). O estudo de caso dedutivo, inevitavelmente segue um paradigma positivista, que é o mesmo que dizer, que os “positivistas”, acreditam à priori de uma existência de relações fixas, que, podem ser identificadas e testadas, usando uma lógica dedutiva e hipotética de análise, ou seja, teorias que podem ser validadas ou não. Por outro lado, o estudo de caso indutivo, pretende generalizar conclusões a partir de situações particulares. Estes estudos de caso que seguem a lógica indutiva, também podem ser considerados como exploratórios. Este tipo de estudo de caso, não segue somente o mesmo formato do positivismo, como

adicionalmente tem perspetivas interpretativas e críticas. Os proponentes dos estudos de caso indutivos positivistas, recorrem em geral a Research Questions (Alaranta, 2006, pp. 2, 3).

Um pesquisador, que conduza um estudo de caso interpretativo, poderá escolher as mais variadas e tradicionais metodologias, em especial aquelas que habitualmente se usam na abordagem de estudo de caso e as típicas de estudos qualitativos como é a teoria fundamentada (grounded theory) (Alaranta, 2006, p. 3), da qual falaremos mais à frente.

Estudos de caso indutivos (Theory‐Building ‐ Inductive)

A primeira assumpção que se poderá fazer em relação a esta tipologia de estudo de caso, é de que poderá ser menos precisa, objetiva e rigorosa quando comparada com um teste de hipótese de grande escala.

No entanto, Theory‐Building, é um processo que acontece por via da angariação de dados relacionados com o caso, teorias emergentes e extensa literatura sobre os tópicos relacionados com o tema. Apesar de ser visto muitas vezes como um modelo “subjetivo”, na verdade, quando bem construído, pode ser surpreendentemente “objetivo”, porque a relação próxima com os dados mantêm a “honestidade” dos pesquisadores e dos resultados.

A principal razão para a popularidade e relevância deste modelo (Theory‐ Building), para estudos de caso, é porque é um dos melhores, senão o melhor, na forma como pode construir ponte entre uma evidência qualitativa rica e a pesquisa dedutiva de grande escala. De facto, a lógica indutiva e dedutiva são espelhos uma da outra, em que a pesquisa indutiva produz novas teorias a partir de dados e a teoria dedutiva, é complementar, na forma como usa os dados para comprovar a teoria. (Eisenhardt & Graebner, 2007, p. 25).

No entanto é importante, convencer os leitores de que este modelo é na realidade válido e relevante. Um dos principais argumentos, é de que é um modelo, que faz recurso de “Research Questions”. As quais, são essenciais para responder a questões para as quais a pesquisa mais atual não dispõe de informação pertinente, ou é incompleta ou simplesmente tenderá a ser falsa (Eisenhardt & Graebner, 2007, p. 26).

Na verdade, as Research Questions, são um desafio, na medida em que a sua natureza também tem impacto na pertinência do uso da Theory‐Building. Tipicamente as Research Questions, de natureza “Theory‐Driven” devem ser fortemente delimitadas pelo contexto de uma teoria existente e o seu uso permitirá obter conhecimento mais profundo sobre processos sociais complexos, ou outros, que os dados quantitativos não conseguem facilmente revelar. Pelo contrário se a natureza das Research Questions fôr de “Phenomenon‐driven”, então aqui, as mesmas, devem ser mais abrangentes, para darem mais flexibilidade ao investigador. A justificação está na importância do fenómeno e na falta de teoria viável e evidência empírica (Eisenhardt & Graebner, 2007, p. 26).

Teoria fundamentada (Grounded theory)

Esta é uma teoria que foi proposta em 1967 por Glaser e Strauss, na obra “The Discovery of Grounded Theory: Strategies for Qualitative Research”. Segundo os mesmo autores, a grande ambição desta teoria é: “to generate or discover theory”. A mesma pode ser definida como: “the discovery of theory data systematically obtained from social research”.

A Grounded Theory, enquanto metodologia qualitativa, assemelha‐se a muitas outras, no entanto com algumas diferenças, nomeadamente, esta centra‐se na construção (Theory‐Building) e não na verificação da teoria (Fernandes, 2001, p. 54).

Esta é uma teoria que assenta em vários métodos de angariação de dados. Entre eles estão as entrevistas de profundidade (In Depth Interviews), muito frequentemente usadas com perguntas abertas. Entre outros tipos de dados, também se inclui os métodos de observação e os chamados Focus Groups.

Também é importante referir que neste método e, por forma a conduzir as referidas entrevistas de profundidade, é necessário que os investigadores desenvolvam uma sensibilidade teórica, através da imersão em dados, por forma a compreenderem de forma pertinente as respostas dos entrevistados e perceberem do seu contexto.

Nesse sentido, a recolha de dados e a revisão de literatura, proveniente de várias fontes e se possível com contra ‐ posição de teorias e teses, são cruciais para tornar o investigador mais sensível e entendido no tema em investigação. (Calman, 2011). Estudos Qualitativos – (In depth interviews) As entrevistas, nomeadamente as de aprofundamento (In depth), são uma técnica de pesquisa qualitativa que envolve a condução de entrevistas individuais a um pequeno número de indivíduos, por forma explorar as suas perspectivas sobre determinado tema, programa, fenómeno ou situação.

Estas entrevistas são especialmente apropriadas para angariação de dados detalhados sobre pensamentos e comportamentos de determinados indivíduos. Tipicamente estas entrevistas pretendem dar contexto a determinado conjunto de dados, por forma oferecer uma visão mais transparente sobre o tema que está ser estudado. (Boyce & Neale, 2006, p. 3).

Estas entrevistas, que são conduzidas presencialmente, devem visar stakeholders importantes para o tema e com os quais, estão diretamente relacionados. Desta forma é possível recolher depoimentos que evidenciam perspectivas diferenciadas que em algumas das questões poderão demonstrar parcial ou total concordância ou pelo contrário, absoluta divergência.

Estas entrevistas são especialmente assertivas, quando os factos e temas a que se referem, são recentes. Os casos de estudo sob o conceito de Theory Building, dependem intensivamente dos dados qualitativos, em especial deste tipo de entrevistas de profundidade (Eisenhardt & Graebner, 2007, p. 28).

Conclusão

Conforme fundamentado nos pontos anteriores, este projeto insere‐se numa tipologia de Estudo de Caso Indutivo (Theory‐Building – Inductive). Foi feita uma extensa recolha de dados, factos atuais e feita uma revisão de literatura sobre as teorias mais recentes sobre Globalização, Estratégias de Internacionalização, Comportamento do consumidor, Caracterização do Mercado Internacional de Vinhos, Tendências, entre outros. Esta angariação de informação permitiu identificar algumas questões (Research Questions), para as quais, as teorias atuais não respondem sobre qual a melhor estratégia a adoptar para a internacionalização dos vinhos portugueses. Este é um estudo que pretende generalizar conclusões, ou seja produzir uma nova teoria, com base na informação recolhida. Portanto tem uma perspectiva interpretativa e crítica. Por forma a recolher a informação qualitativa, rica, para responder às Research Questions levantadas, optou‐se por recorrer a entrevistas de aprofundamento (In Depth Interviews) a indivíduos identificados como pertinentes para construir uma teoria sobre eventual estratégia a seguir para a internacionalização dos Vinhos Portugueses.

Estes indivíduos, são stakeholders importantes na indústria e foram escolhidos por forma a darem uma perspectiva que cobrisse toda a cadeia de valor (Figura 51), numa óptica de Supply Based.

Foram realizadas 10 entrevistas, sendo 8 delas presenciais. Duas delas, foram feitas via correspondência de email, devido a fatores de distância e disponibilidade de agenda.

Todas as entrevistas presenciais, foram alvo de anotações da parte do investigador com base nas palavras dos entrevistados. Os textos foram redigidos posteriormente seguindo a interpretação do investigador e validadas pelos entrevistados, via email. Apenas uma entrevista não foi validada por falta de agenda do entrevistado (CMO – ViniPortugal).

Cada uma destas entrevistas, teve uma duração média de 1 hora. Todas as entrevistas encontra‐se integralmente reproduzidas na secção de anexos deste estudo de caso.

Não acabe aqui, fazer um descritivo sobre a experiência e realizações destes entrevistados, sendo que , por se tratarem de elementos ativos na Indústria, é de fácil acesso a publicações e artigos que detalham o seu percurso e importância na Indústria, no que concerne em especial ao tema de exportação.

Por último, a análise que foi feita às respostas das “Research Questions”, teve um desafio ao nível dos conteúdos recolhidos. Deparou‐se “em geral” com duas secções diferenciadas em cada resposta dos entrevistados. Basicamente, os entrevistados, em geral, responderam com uma caraterização do status quo e, de seguida, com sugestão de ideias para melhoramento e evolução do mesmo.

Estas respostas, por fim, permitiram fazer o cruzamento com os dados recolhidos durante a revisão da literatura e, idealmente, fundamentar algumas

conclusões, fruto da interpretação do investigador e à triangulação de toda a informação quantitativa e qualitativa recolhida.

Figura 51 ‐ Stakeholders ‐ Cadeia de Valor (entrevistados)