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Education during Emperor Haileselassie

3.3 Secular Education in Ethiopia

3.3.1 Education during Emperor Haileselassie

A gravação das entrevistas e a sua posterior transcrição deu lugar à transformação dos dados em texto, uma vez que, como referem Lessard-Hérbert, Goyette e Boutin (2005, p. 163) “os dados provenientes de entrevistas devem ser registados por escrito (ou

62 transcritos, no caso de ter havido gravação áudio). Os mesmos autores referem que após a transcrição há que reduzir os dados. Logo, e também de acordo com o que nos dizem Gómez, Flores e Jiménez (1996) foi necessário tratá-los, de modo a que se conseguisse reduzir, simplificar, selecionar e organizar esses dados, para passar à sua análise.

A análise de dados foi realizada através de análise de conteúdo uma vez que, de acordo com Quivy e Campenhoudt (1998, p. 227), esta "oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e complexidade", como é o caso dos dados recolhidos na presente investigação em se procurou aceder às perceções dos encarregados de educação sobre os percursos escolares dos jovens. Os mesmos autores especificam que um dos três tipos de análise de conteúdo é a análise temática, cujo objetivo é descortinar as representações sociais dos intervenientes, o que ia ao encontro do objetivo do nosso estudo.

Este método de análise permite ainda fazer inferências através da identificação sistemática e objetiva das características específicas de uma mensagem (Ghiglione & Matalon, 1992), isto é, fazer uma análise de avaliação (Quivy & Campenhoudt, 1998). A análise de avaliação, segundo Quivy e Campenhoudt (1998), possibilita apreender: a frequência dos juízos formulados pelo entrevistado; se são juízos positivos ou negativos; a sua intensidade. Neste caso, além de apreender as perceções sobre as diferentes dimensões do insucesso, apreendeu-se a frequência, o sentido e a intensidade das mesmas. Por exemplo, analisou-se no discurso dos participantes as referências à não projeção do futuro e à projeção do futuro, e a dificuldade em concretizar juízos sobre este tema.

No presente estudo, estes procedimentos consistiram em relacionar os segmentos de texto, colocando em evidência as diferenças, as semelhanças e as transformações, interpretando-as para explicar o que se observa. A sistematização assentou no facto de não haver à partida qualquer código definido (procedimento aberto), e na procura de “saber a razão por que é que se analisa, e explicitá-lo de modo a que se possa saber como analisar” (Bardin, 2009, p. 97). De acordo com a mesma autora a análise de conteúdo passa por fases de trabalho diferentes: (1) pré-análise; (2) exploração do material; e (3) tratamento dos resultados, inferências e interpretação dos mesmos. Os códigos foram criados através da pré-análise das ideias presentes numa entrevista, tendo em conta as dimensões do insucesso, e foram reformulados pela comparação entre as mensagens presentes numa mesma entrevista, e entre as mensagens de diferentes entrevistas.

Da sistematização inicial resultaram 49 códigos que, após fusões e eliminações, se transformaram em 45, organizados de acordo com oito temas orientadores,

63 posteriormente reorganizados nos seguintes seis temas: percurso de vida, contexto social, quotidiano dos jovens, perceções familiares da escola e da vida escolar dos jovens, função educativa da família e expectativas em relação ao futuro. Estes temas permitiram sistematizar e analisar o que mais se destacou nos discursos dos participantes do estudo, tal como nos dá a conhecer a Tabela 3.

TABELA 3 Grelha de análise

Temas Subtemas Exemplos

Percurso de vida dos jovens Percurso pessoal: Cuidados na 1ª infância; Condições socioeconómicas;

Articulação entre os familiares;

Relação com os irmãos;

Percurso escolar:

Frequência de educação pré- escolar;

Retenções;

Mudanças de escola;

Influências nas escolhas escolares;

Medidas educativas de combate ao insucesso escolar;

Conhecimento do percurso escolar;

Justificação para o insucesso escolar.

“Esteve comigo, por acaso tive os três sempre comigo.

“Ela está farta de me pedir (par voltar para a dança) mas é só o ordenado do Miguel para pagar casa, água e luz e eu já lhe disse que não dá.”

“Os avós da parte do pai moram em Vila Real de Santo António, ao fim de semana, (…) quase todos, vai à sexta-feira, (…) e vem de lá domingo.”

“(A relação dela com os irmãos) umas vezes é bom outras vezes é cão e gato, mas dão-se bem.”

“Depois esteve num Infantário onde é Pré-escola, saiu dali cinco estrelas para a Primária. E desde sempre tem passado só que aqui é que.”

“Mas foi no 1.º 6.º ano, ele chumbou três vezes no 6.º ano.”

“Ao princípio (a mudança de escola) foi bem é uma coisa nova.” “É porque a prima também tirou secretariado e gosta e ela também quer o mesmo que a prima.”

“Eu acho que tem desde a 1.ª classe (que ele tem professora de apoio).” “Mas eu acho que foi a partir do 6.º ano que ele também as coisas pioraram mais ainda.”

“Porque ela diz que não gosta de matemática.”

64 Contexto

social

Avaliação;

Autonomia dos jovens.

“Eu não gosto muito, (…) há muitos drogados, muita malandragem, assaltos aí.”

“Por acaso é a 1.ª vez que ele me pediu 10€ para ir a uma festa de anos de uma colega agora sábado. Mas estou a pensar se o vou deixar vir sozinho ou venho eu trazê-lo.” Quotidiano

dos jovens

Quotidiano pessoal:

Participação nas rotinas familiares;

Atividades fora da escola.

Quotidiano escolar: Rotinas de estudo;

Gestão do horário;

Assiduidade;

Rotina da tarde.

“Arruma o quarto dela. Por acaso ela ajuda-me muito.”

“Agora também deixei-o ir para a música.”

“Dançam porque gostam. Ela mete o Youtube na televisão e mete-se a fazer igual. Que isso agora, aquelas musicas do Funk, é o que está a dar agora.”

“É ela (que decide). Estuda para os testes. ‘ – Mãe, olha, amanhã tenho teste vou estudar um pouco’.”

“Põe o telemóvel e acorda sozinho de manhã, ele levanta-se.”

“Agora só temos um problemazinho de faltas que é da parte da manhã.” “Sai da escola vai para casa no autocarro.”

Perceção familiar da escola

Perceção familiar da instituição escolar:

Representações de escola;

Valorização dos estudos;

Avaliação do estabelecimento de ensino;

Relação escola família;

Questionamento do julgamento escolar dos comportamentos dos jovens;

“Foi bom, foi bom que até os colegas da Pré passaram com ela todos para a Primária, portanto não era estranho para ela ali.”

“É bom andar enquanto puderem. Acabar o estudo para arranjar um bom trabalho.”

“É uma escola sossegada.”

“Quando há algum problema o professor telefona. Outras vezes e quando eu vejo que há algum problema, eu telefono para saber se posso falar com o Diretor de Turma marcar hora para falar.”

“Por isso é que eu digo é perseguição do professor.”

65 Participação do pai na vida

escolar;

Perceção familiar da vida escolar dos jovens:

Representações da vida escolar do jovem;

Atitude face à escola;

Escolaridade obrigatória.

“Porque é todo a mãe, a mãe ralha, a mãe (…) O meu marido não, não vale a pena. Não se mete.”

“Era um encanto, era um menino calmo que gostava de brincar, tinha aquela alegria no rosto, (…) e dava- se muito bem com toda a gente até à 4.ª classe, depois.”

“Sinto que ela não tem interesse nenhum pela escola.”

“Por minha vontade ela até não estava (na escola) mas pronto.” Função

educativa da família

Educação dos jovens: Diálogo;

Supervisão do quotidiano;

Definição de regras e limites;

Sanções.

Educação escolar dos jovens: Estratégias familiares de combate ao insucesso escolar;

Incapacidade de alterar a situação de insucesso escolar.

“Mas nunca deixei de insistir com ele: (...) ‘– J8 toma atenção à escola, porta-te bem faz isto, faz aquilo’.” “Eu vou ao site da escola e ela tem lá como tem o cartão aparece das entradas, das saídas.”

“Ela quer é um telemóvel para andar na net. Mas (…) ainda não tem idade para isso.”

“Tirei-lhe o telemóvel. Uma vez tirei uma semana, noutra vez no outro mês, portou-se mal o Sr. Dr. telefonou duas semanas.”

“E eu dizia: ‘–Então não vais fazer? Não vais estudar? – Não! Não tenho nada para fazer’. (…). Continuava sempre a dizer o mesmo, mas era mentira, eu disse: ‘– Não, vai para a explicação!’”

“Tenho muita pena de me sentir impotente, mas eu não posso, não consigo fazer.” Expectativas familiares em relação o futuro do jovem Família; Trabalho; Medos.

“Arranjasse uma rapariga que seja boa (…) e fizesse a vida dele.” “Ter a profissão que ele gostava, conseguir concretizar os sonhos dele. Uma profissão estável.”

“Até agora não tenho razão de queixa no que respeita a drogas, mas daqui para a frente agente não sabe.”

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