A intervenção pedagógica no 1.º CEB constitui um desafio principalmente por trabalhar com os alunos do 1.º ano de escolaridade. Estes advinham, maioritariamente, de grupo diferentes de EPE, encontrando-se todos em fase de adaptação ao ambiente escolar.
Foi uma experiência positiva que me levou a questionar sobre vários aspetos como a importância da relação professor – aluno, a gestão do tempo e os comportamentos dos alunos. Assim, neste ponto pretendo refletir sobre os aspetos mencionados em cima com o intuito de percecionar a sua influência na aprendizagem dos alunos.
Refletir sobre a relação professor – aluno surgiu devido ao facto de durante o estágio ter oportunidade de visualizar uma diversidade de interações entre professores e alunos, quer no decorrer dos intervalos, quer nos momentos de aulas.
Considero que desde o início o professor deve estabelecer uma relação de confiança e interajuda com os alunos. A relação que o professor estabelecer será um marco no decorrer das suas intervenções e pode influenciar o rendimento escolar dos alunos (Lopes & Silva, 2010).
A comunicação que o professor estabelece com os alunos pode ser verbal e não-verbal e deve considerar os alunos com o qual está a ser estabelecida. Desta forma, o professor está atento aos códigos utilizados na sala de aula, uma vez que nem todos os alunos podem ser capazes de compreender esses códigos (Estrela, 1998), tendo o professor a função de adotar estratégias para que consiga comunicar de modo eficaz com todos os alunos.
A comunicação depende da relação que o professor tem com os seus alunos, como também depende “(….) do tipo de relação que cada docente estabelece com o saber graças ao seu domínio da matéria, graças ao significado que dá a este saber e também ao estilo de relações que mantém com os alunos” (Postic, 1984, p.134).
É importante salientar que, segundo Postic (1984), é decisivo na interação com os alunos, a maneira como o professor tem de situar-se e situar os alunos em relação ao saber.
Esta relação pode ocorrer num sistema diático, em que a ação do professor afeta o aluno e vice-versa, como também num sistema amplo em que os indivíduos estão em relação, uns com outros (Postic, 1984).
Assim, verifica-se uma interdependência de papéis, tendo o professor o papel de dissidir se quer ser guia ou informador. No caso de ser guia, o professor espera para que o aluno assuma a ação, caso queira ser informador, o aluno tem o papel de receber e restituir a informação.
Para que ocorra uma relação adequada e de qualidade é importante que sejam criadas regras e/ou normas de convivências. Com a utilização desta estratégia, segundo Estrela (1998) é possível criar um ambiente de grupo harmonioso, em que “(…) submetem a vontade particular à vontade geral e criam sentimentos de solidariedade e de pertença.” (p.55).
97 A relação entre os elementos da turma, pode ser conseguida através da delineação de papéis de modo que cada um se sinta implicado, podendo levar ao sucesso escolar. Como refere Estrela (1998) citando Kahn e Katz (1976), o professor deve ter capacidade para “(…)exercer um papel diferenciado, o grau de delegação de poderes, o grau de orientação para o empregado e a coesão do grupo são as quatro variáveis que nas organizações estão em relação com a produtividade e a moral do grupo.” (p.56).
No que concerne à minha relação pedagógica com os alunos, optei por respeitar os seus conhecimentos, praticando uma escuta ativa, criando empatia e respeito pelos outros. Tive como principal função ser “(…) orientador da aprendizagem e de facilitador das relações interpessoais.” (Lopes & Silva, 2010, p. 65).
Assim, tentei que o clima criado fosse o de harmonia, confiança mútua e de encorajamento, permitindo uma troca de saberes e experiencias importantes para o desenvolvimento das aprendizagens dos alunos.
Para a comunicação é importante que o professor possua clareza no seu diálogo, segundo Lopes & Silva (2010) citando Hattie (2009) “(…) a clareza do professor é o oitavo factor mais importante para a aprendizagem dos alunos.” (p.37).
A comunicação permite, também, uma troca de feedback, entre o professor-aluno e aluno-professor. Assim, este deve ser visto como algo que os professores podem fornecer aos alunos e estes aos professores, permitindo uma melhoria no desempenho de ambas as partes (Lopes & Silva, 2010).
O feedback deve ser utilizado de forma moderada, centrar-se no trabalho, relacionar- se com os objetivos da aprendizagem, não fazer juízos e ser positivo e específico. Saliento que “o feedback não é “a resposta” para o ensino e para a aprendizagem eficazes, mas é mais “uma resposta poderosa”. (Lopes & Silva, 2010, p.61).
O tema da gestão de comportamentos, foi uma dificuldade sentida no decorrer no estágio pedagógico, principalmente no inicio de mesmo. Deste modo, refletir e percecionar estratégias a adotar para conseguir um melhoramento do comportamento dos alunos permitiu que ao longo do estágio fossem adotadas posturas e estratégias diferentes.
Segundo Carita e Fernandes (1997), para prevenir os problemas de comportamentos dos alunos é importante conhece-los ao nível das suas necessidades, interesses, sentimentos e características pessoais. As autoras referem que existem várias formas de prevenir comportamentos indesejados, podem ser através de lições bem planeadas e organizadas, o professor ser pontual, por a turma ativa, mantar a atenção dos alunos, estar alerta e analisar o
que acontece, assegurar as atividade práticas, delegar responsabilidades aos aluno, lidar com mais do que uma tarefa ao mesmo tempo e usar a voz com eficiência.
Um dos fatores principais, segundo Lopes (2002) é criar regras de convivência da sala de aula que sejam “ (…) explícitos e implícitos, que governem as relações entre os indivíduos.” ( p.151).
Outro fator mencionado pelo autor, é o estabelecimento de rotinas que permitam ao professor investir em matérias produtivas, sem que perca tempo. Na criação das rotinas podem ser delegadas funções aos alunos, permitindo uma colaboração de todos.
Assim,
(…) o que caracteriza a conduta dos professores designados de «eficazes» não reside tanto no modo como resolvem os problemas de indisciplina, como controlam esses comportamentos, mas antes no modo como previnem o surgimento dos mesmos, ao mesmo tempo que desenvolvem a autonomia e autocontrolo interno dos alunos.(Carita & Fernandes, 1997, p.76/77)
Na turma do 1.º C verifiquei alguns problemas de comportamentos que podem ser a consequência da transição entre a EPE e o 1.º CEB, sem uma preparação dos alunos para essa nova etapa no ensino. Esta transição requer que os alunos se adaptem a novos ambientes e a novas regras, que no momento do estágio pedagógico, encontravam-se em fase de aquisição.
Exponho que em termos gerais ao longo do estágio o domínio sobre os alunos foi aumentando, verificando-se uma subida no respeito que os mesmos demonstravam para com os colegas e os professores. As estratégias adotadas foram sendo modificadas ao longo do percurso, consoante os comportamentos demonstrados.
Um dos problemas de comportamento que foi mais difícil de conseguir controlar, diz respeito à orientação do aluno com hiperatividade. A hiperatividade é uma perturbação de origem neurológica que origina no aluno uma dificuldade em controlar a sua conduta e influência a realização de comportamentos desestabilizadores (Lorente & Ávila, 2004).
O aluno com o qual trabalhei durante o estágio pedagógica revelava ter dificuldades em manter a atenção durante alguns períodos de tempo, agia repentinamente sem pensar e é imprevisível nos comportamentos. No decorrer das atividades revelou ter uma capacidade intelectual igual ou superior aos dos seus colegas, no entanto as dificuldades de atenção não lhe permitiam concluir todas as atividades. Informo que o aluno não estava referenciado para acompanhamento individualizado ou aluno com NEE.
99 Saliento que nas avaliação sumativas que foram realizadas os alunos não obteve classificação negativa, revelando um desempenho positivo considerando as condicionantes advinda da hiperatividade.
Com o intuito de ajudar o aluno, o professor deve facultar espaços para que este reflita sobre o que fez e o que deve fazer, realizando autoinstruções. Estas autoinstruções limitam-se a traçar objetivos, estruturar a aproximação ao problema, focalizar a atenção, escolher a resposta e reforçar as respostas corretas ou retificar as erradas (Lorente & Ávila , 2004).
Relato que, frequentemente, dialoguei com o aluno com o intuito de este realizar autorreflexões sobre os seus comportamentos e os retificasse. Verifiquei algumas dessas conversas foram produtivas e ajudaram o aluno, no entanto quando os estímulos eram variados este sentia dificuldade em concentrar-se no próprio diálogo.
No estágio não adotei as estratégias indicadas por Lorente & Ávila (2004), mas a pesquisa e reflexão sobre elas permitiu conhecer melhor o aluno e que caminhos são possíveis seguir no sentido de uma futura prática mais consciente.
A gestão do tempo para além de ser um tema que, mesmo anteriormente ao estágio tinha algum receio, também foi uma das dificuldades enfrentadas no decorrer do mesmo. Gerir é uma competência que o professor adquire ao longo do seu percurso profissional e que varia consoante os alunos com quem trabalha. O que considerei como importante na prática pedagógica, foi o facto de proporcionar tempo necessário para que cada aluno realizasse as tarefas, tendo presente o ritmo do aluno, ou seja, as suas capacidades e dificuldades.
As atividades desenvolvidas em termos gerais, permitiu-me ajudar a adquirir competências na relação com os alunos e gestão de comportamentos. Saliento que estagiar numa turma de primeiro ano foi uma experiência muito enriquecedora e desafiante, principalmente pelos alunos estarem a chegar à escola do 1.º CEB e encontravam-se em fase de adaptação.
Concluo que ser professor é uma tarefa complexa, uma vez quem envolve competências científicas, sociais e organizacionais. O professor tem o papel de planificar e executar a mesmas com os alunos, tendo que posteriormente avaliar esse processo. A melhoria deste processo depende de uma formação contínua escolhida pelo professor. Assim, sendo o professor tem nas mãos o futuro da sociedade e como tal tem o dever de “(…) ajudar os alunos a tornarem-se indivíduos não dependentes mas pelo contrario competentes, críticos e confiantes nos aspectos essenciais em que a vida se relaciona com a matemática.” (Abrantes, Serrazina & Oliveira, 1999, p.18).
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