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Economic sectors

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Part 3. Economic sectors

Para compreender a importância de um termo e os elementos que influenciam sua construção, faz-se necessário retomar às principais vertentes teóricas da Terminologia. As teorias instrumentalizam o processo de desenvolvimento terminológico, sendo que estas visões implicam em diferentes fazeres e resultados. Destacam-se ao longo da história as abordagens da Teoria Geral da Terminologia (TGT), a Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), e a Socioterminologia.

2.2.1.1 Teoria Geral da Terminologia

A TGT teve suas origens no trabalho desenvolvido por Eugen Wüster (1898-1977). O principal objetivo do pesquisador era atingir o ideal da precisão conceitual nas línguas de especialidade para assim, transformá-las em instrumentos eficazes na comunicação especializada nas áreas científica e tecnológica. Para tanto, o pesquisador propôs a normalização e a difusão das terminologias como forma de contribuir para uma comunicação eficiente e rápida. A busca era por uma língua universal que permitisse superar os obstáculos e ambiguidades que a linguagem comum causava.

Considerando estes objetivos, em relação ao pensamento teórico, a terminologia foi definida por Wüster como sistema de conceitos e denominações próprios a um domínio especializado, assumindo uma visão positivista da ciência, onde os conhecimentos são estáveis, pragmáticos e universais (REMENCHE, 2010). Nesta acepção, o conhecimento científico é tratado de forma neutra e destituído de traço social, cultural ou ideológico, e seu uso é limitado à comunicação entre especialistas e profissionais (REMENCHE, 2010). Para Wüster (1998, p. 21):

Albânia). Decisões de caráter político podem, portanto, impedir ou, ao contrário, ajudar uma língua minoritária a manter-se. (JOVANOVIC, 2003)

A Terminologia considera que o âmbito dos conceitos e das denominações (= aos termos) são independentes. Por essa razão, os terminólogos falam de conceitos, enquanto os linguistas falam de conteúdos das palavras, referindo-se à linguagem geral.

Assim, depreende-se que a TGT se coloca em uma posição separada da língua geral por assumir que um termo está fundamentado na dimensão conceitual de um conteúdo especializado (REMENCHE, 2010), enquanto as palavras estão fundamentadas em conteúdos. Dessa forma, os termos são considerados unidades de conhecimento, no sentido de que, para uma dada noção particular do conhecimento, há uma única denominação. Porém, por essa característica, os termos gerados assumem um evidente caráter estático, visto que os aspectos socioculturais e linguísticos, que conferem dinamicidade ao conhecimento, são ignorados. Além disso, não considera a relação entre língua natural e terminologia; não há preocupação com a morfologia, sintaxe e aspectos comunicativos na composição dos termos (KRIGER; FINATTO, 2004).

2.2.1.2 Socioterminologia

A socioterminologia é um ramo da linguística que se desenvolveu no Quebec e na França, e se estabeleceu no início dos anos 80, sendo que seus fundamentos surgiram da junção dos princípios da sociolinguística e da terminologia. Considera a situação comunicativa e os aspectos sociais da linguagem, analisa as práticas sociodiscursivas, bem como o seu papel na circulação dos termos, além de reconhecer o aspecto variacionista da língua de especialidade (CARVALHO; FERREIRA, 2012; LARA, 2005). Além disso, também se dedica à preservação da identidade linguística e cultural das terminologias por meio da planificação linguística, estimulando o desenvolvimento de terminologias para preencher lacunas no vocabulário da língua (TEIXEIRA, 2008).

De acordo com Guespin (1991), esta teoria visualiza o saber de forma circular, e descreve o conhecimento a partir da interação entre ciência, técnica e produção. Para tanto, o estudo dos termos não pode ser feito isolando os termos de seus contextos e das situações sociais em que ocorrem, mas somente ancorado na comunicação especializada a

seu lugar social (TEIXEIRA, 2008). Portanto, deve considerar as diversas situações de comunicação que são produzidas, ou seja, os contextos socioculturais de uso real da linguagem especializada, o que evidencia o aspecto variacionista da língua (CARVALHO; FERREIRA, 2012).

Para Faulstich (2006), a diversidade cultural aparece refletida na cultura cotidiana. As variações podem decorrer da diversidade social, linguística e geográfica da comunidade que faz uso do termo, sendo que esta interação gera o emprego de diferentes formas linguísticas para expressar um mesmo conceito. Para exemplificar, a autora cita o caso do termo “embrióide androgenético haploide”, termo utilizado no discurso científico. No discurso técnico, o termo equivale a cultura in vitro, enquanto que em um discurso de vulgarização, o termo difundido é planta de proveta.

Em decorrência do exposto, Faulstich (2006) afirma que pesquisas posteriores em terminologia e variação mudaram o foco da normalização terminológica para a função da harmonização das diversas manifestações de forma de um conceito em um espaço sociocultural e linguístico.

2.2.1.3 Teoria Comunicativa da Terminologia

Assim como a Socioterminologia, a Teoria Comunicativa da Terminologia foi desenvolvida visando contrapor o paradigma da TGT. Esta teoria propõe o estudo da terminologia sob uma perspectiva social, cognitiva e linguística, considerando a influência de fatores externos que compõem o contexto ou situação, tais como os aspectos socioculturais e linguísticos de uma comunidade (REY, 1979; CABRÉ, 1993; REIMERINK; QUESADA; MONTERO-MARTÍNEZ, 2010).

A TCT parte do pressuposto que toda intervenção linguística, está sujeita às instabilidades, mutações e transformações (geográficas, social, situacional e individual) em que as terminologias são empregadas (AUBERT, 2001b). Ao adotar essa perspectiva, acolhe o dinamismo das ciências e das línguas, reconhecendo que as unidades terminológicas estão em constante evolução e que estas fazem parte do sistema linguístico os termos gerados são unidades constituintes de uma língua natural.

Para Cabré (1993), as terminologias podem sofrer todas as implicações sistêmicas, contextuais e situacionais, como qualquer outra palavra da que integra o léxico de uma língua natural. Ou seja, não existe uma linguagem periférica, com termos pertencentes a um

arcabouço lógico-conceitual isolado da língua geral. Por esta integração com a língua natural, na TCT, o entendimento é de que os signos circulam e manifestam sua função em situação de uso efetivo, de forma que, em determinada situações se realizam como palavras e, em outras, como termos (CABRÉ, 1993; AUBERT, 2001b).

Desta forma, a TCT observa os fins para os quais uma terminologia se propõe para então adequá-la às necessidades comunicativas dos profissionais e usuários em geral, visto que não somente os profissionais especializados farão uso dos termos. Por meio do entendimento da existência de diferentes níveis de uso e distintas realidades, prega que os termos podem variar em níveis de especialização, ou conforme a situação comunicativa, sendo descritos de acordo com estes contextos (CABRÉ, 1993, p. 126; OLIVEIRA, 2009, p. 19).

Para tanto, Rey (2007), afirma ser importante prestar atenção ao modo de ser das culturas das línguas, pois elas indicam também a aceitação ou adoção de alguns termos em contraposição a outros. Assim, as diferentes dimensões que impactam sobre o trabalho terminológico evidenciam a importância da interdisciplinaridade e colaboração em uma prática, envolvendo especialistas da área, linguistas, acadêmicos e usuários finais, entre os perfis relevantes no processo.

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