5. Emissions to air from ships
5.1. Sources of emission to air
“Arquitetura e ambiente” é, certamente, uma das categorias mais abrangentes aqui analisadas. Ela poderia englobar praticamente todas as outras, pois é um dos pontos centrais da pesquisa (ver item 6.1). Como já exposto anteriormente, o espaço construído pode ser considerado um dos elementos de identidade de uma empresa. Neste contexto, é interessante perceber que os seus aspectos visuais são de grande importância para que esta relação aconteça. Segundo Jules (1984), “os edifícios representam uma forma de comunicação [...]. Os arquitetos usam essas ferramentas para comunicar os interesses particulares ou a filosofia da sociedade, de um cliente, ou dos usuários do edifício” (p.237). O autor cita o que chama de “declarações arquitetônicas”, que seriam mensagens que os projetistas podem comunicar através dos edifícios, principalmente visualmente69. Dessa maneira, pode ser retomada a discussão que Foges (s/d) relata sobre a efemeridade das ações de integração da identidade visual no ambiente construído. Como já visto, elas não necessariamente precisam ser superficiais, mas o próprio edifício carrega uma imagem que pode também se relacionar às questões da identidade, se for essa a decisão daqueles que o planejam. Em tempo, Jules (1984) afirma que “um dos pontos mais importantes que o arquiteto tem que enfrentar é a imagem que o edifício comunicará” (p.239), e que o comportamento dos usuários será influenciado por ela.
Esse tópico é abordado por Vargas (2001) sob diferentes aspectos, entre eles, o da comunicação do comércio por meio do espaço urbano. A autora afirma que esse fenômeno ocorre pela “publicidade nos próprios estabelecimentos varejistas (fachadas)”, pela própria “arquitetura como vitrine”, e pela “mídia externa” (p. 319). No caso da arquitetura “como vitrine”, é interessante destacar a visão da autora no que diz respeito à relação do edifício com o usuário da cidade. Vargas comenta o caso dos indivíduos que ficam parados no trânsito, expostos à visão dos imóveis, os quais podem agir como a própria “propaganda” dos comércios que abrigam (p.321). O arquiteto Ralph Mocerino (responsável por projetos das lojas da Volkswagen nos Estados Unidos), citado por Dean (2003), afirma que, na comunicação da “experiência da marca” na loja, a arquitetura tem um papel de suporte para a mensagem que desejam passar (p.47). Guimarães, Lessa e Cavalcanti (2010, p.04) citando Chaves (1990)70 também observaram, em seu estudo que analisou fachadas de lojas de sucos no Rio de Janeiro, que a arquitetura tem papel fundamental na percepção dos estabelecimentos comerciais, indo assim além dos elementos gráficos.
Portanto, os aspectos visuais do projeto arquitetônico agem, em muitos casos, como a base da identidade aplicada no espaço de comércio ou serviço. Jules (1984) aponta várias “técnicas de ordem
69 Jules (1984) ressalta a importância da iluminação, das texturas, assim como as sensações provocadas pela temperatura e umidade e o som. Atualmente, vários autores que versam sobre varejo, como Barretto (2008) falam sobre a importância da ativação dos muitos sentidos humanos na comunicação de uma identidade empresarial.
70 Segundo as referências de Guimarães, Lessa e Cavalcanti: “CHAVES, Norberto. La imagem corporativa –
visual” para a adequada composição da forma arquitetônica, e uma delas refere-se à aplicação dos “sinais e símbolos”. Segundo o autor, a escolha de símbolos a serem aplicados no projeto, que podem ser dos mais sutis e abstratos aos mais literais, deve ser feito com cautela; nas palavras do autor: “um erro, e podemos ficar com a impressão de que o edifício está deslocado e até que é absurdo” (p.249). Para as microempresas, um projeto arquitetônico sólido e condizente com a imagem do estabelecimento é uma solução que demanda um investimento inicial considerável; entretanto, certamente trará compensações. Boyer e Patrin-Léclere (2005), ao discorrer sobre o tema da identidade visual, destacam que há as mídias permanentes e as mídias efêmeras; segundo as autoras, as mídias permanentes têm uma série de vantagens, como suas grandes visibilidades, alcances, economia e durabilidade – e citam as lojas entre as mídias dessa natureza; elas citam o exemplo da SNCF – Societé Nationale de Chemins de Fer Français, a companhia de trens francesa, que gastou de 3 a 4 milhões de euros em aplicações de identidade visual em “trens, estações, edifícios administrativos, boutiques, suportes impressos, etc.”71 (p.59) e cerca de 7 milhões de euros em publicidade, a qual teve duração de exposição bem mais curta. Apesar de a SNCF não ser uma microempresa, este exemplo mostra o potencial de investimento em identidade visual, como ressaltado pelas autoras. Os espaços arquitetônicos, se projetados com suas formas e simbologias de maneiras bem medidas, como já comentado com base em Jules (1984), podem ser suportes da identidade visual da empresa em longo prazo. Essa medida mais duradoura pode ter a aparência constantemente renovada utilizando-se os recursos mais efêmeros. Foges (s/d, p.30) aborda essa questão ao explicar que nem todas as empresas são responsáveis pelos projetos originais dos seus edifícios, inclusive alugando-os em certos casos, assim como as mudanças em edifícios nem sempre podem acompanhar a rapidez das mudanças dos aspectos gráficos. Estes elementos podem servir como complemento para a arquitetura em si. A escala do edifício também não deve ser considerada um empecilho para os microempresários. Stones (2009)72 que dedicou uma obra exclusivamente para as lojas pequenas, comenta na introdução do seu texto sobre as muitas vantagens que os espaços de comércio de pequenas dimensões podem ter sobre os de grandes dimensões. O autor usa a palavra “ingenuidade”, em contextos positivos para falar sobre a singeleza destes estabelecimentos, além de resgatar a “boutique”, que têm uma conotação mais voltada ao luxo. Stones também comenta sobre os grandes potenciais de apelo visual que as lojas menores têm.
71 No original: “trains, gares, bâtiments administratifs, boutiques, supports imprimés, etc.” (p. 59, tradução livre).
72 Um dos autores/obras da análise da amostra bibliográfica, também já citado no item 2.5 da Revisão da Literatura.