(para educadores, educadoras, enducandos e educandas)
Ivo aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber ler, ele não é uma pessoa ignorante. Antes de aprender as letras, Ivo sabia erguer uma casa, tijolo a tijolo. O médico, o advogado ou o dentista, com todo o seu estudo, não era capaz de construir como Ivo. Paulo Freire ensinou a Ivo que não existe ninguém mais culto do que o outro, existem culturas paralelas, distintas, que se complementam na vida social.
Ivo viu a uva e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Ivo que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto do autor e do leitor. É dessa relação dialógica entre texto e contexto que Ivo extrai o pretexto para agir. No início e no fim do aprendizado é a práxis de Ivo que importa. Práxis- teoria-práxis, num processo indutivo que torna o educando sujeito histórico.
Ivo viu a uva e não viu a ave que, de cima, enxerga a parreira e não vê a uva. O que Ivo vê é diferente do que vê a ave. Assim, Paulo Freire ensinou a Ivo um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça pensa onde os pés pisam. O mundo desigual pode ser lido pela ótica do opressor ou pela ótica do oprimido. Resulta uma leitura tão diferente uma da outra como entre a visão Ptolomeu, ao observar o sistema solar com os pés na Terra, e a de Copérnico, ao imaginar-se com os pés no Sol.
Agora Ivo vê a uva, a parreira e todas as relações sociais que fazem do fruto festa no cálice
de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no Amor na manhã de 2 de maio de 1997. Deixou-nos uma obra inestimável e um testemunho admirável de competência e coerência.
Paulo deveria estar em Cuba, onde receberia o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade de Havana. Ao sentir dolorido seu coração que tanto amou, pediu que eu fosse representá-lo. De passagem marcada para Israel, não me foi possível atendê-lo. Contudo, antes de embarcar fui rezar com Nita, sua mulher, e os filhos, em torno de seu semblante tranqüilo: Paulo via Deus.
2. 2.2. 2.
2. Depois desse texto, fica difícil dizer alguma coisa. Mas vamos, a partir dele, refletir um pouco sobre a organização deste Caderno e da nossa prática educativa e formativa.
...Ivo não viu apenas com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se uva é natureza ou cultura.
A primeira questão que podemos nos fazer é: por que um Caderno de atividades? E a resposta pode ser simplesmente esta: para nos ajudar a olhar e a perguntar para além do que já vemos ou perguntamos. O Caderno é uma reunião de textos e atividades, um conjunto de conteúdos que revela uma forma de compreender a forma de ensinar e aprender. Este Caderno faz parte da forma como o MST compreende a educação: como a participação e o diálogo crítico,diretamente vinculada com a luta pela qual o movimento desenvolve. Uma educação que “se faz lugar do movimento destas pedagogias, desenvolvendo atividades pedagógicas que levem em conta o
conjunto das dimensões da formação humana. É uma escola que humaniza quem dela faz parte. E só fará isto se tiver o ser humano como centro, como sujeito de direitos, como ser em construção, respeitando as suas temporalidades. A nossa tarefa é formar seres humanos que têm consciência de seus direitos humanos, de sua dignidade. Não podemos tratar os educandos como mercadorias a serem vendidas no mercado de trabalho. Isto é desumanizar, a eles e a nós todos.” (Caderno de Educação nº 13, MST: 2005)
Os princípios filosóficos e pedagógicos1
traduzem essa concepção.
Filosóficos: “Educação para a Transformação Social, Educação para o trabalho e a cooperação, ducação voltada para as várias dimensões da pessoa humana, Educação com/para valores humanistas e socialistas, Educação como um processo permanente de formação e transformação humana.”
Pedagógicos: “Relação entre a prática e a teoria, Combinação metodológica entre processos de ensino e de capacitação, A realidade como base de produção do conhecimento, Educação para o trabalho e pelo trabalho, Vínculo orgânico entre processo educativos e processos políticos, Gestão democrática, Auto-organização dos estudantes”.
Então, é preciso compreender que o Caderno é apenas um elemento desse processo todo.
Ivo viu a uva e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Ivo que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto do autor e do leitor.
Como você deve ter percebido, o Caderno está organizado a partir de textos que são estudados e geram novos textos, produzidos pelos educandos, e não há uma divisão de disciplinas (Geografia, História, Ciências, etc). Isso porque não é possível compreender a realidade de forma fragmentada, mas na discussão dos textos certamente aparecerão questões relativas a todas as áreas do conhecimento que podem (e devem) ser ampliadas e pesquisadas pelo grupo. E registradas em novos textos produzidos coletivamente.
Ivo aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber ler, ele não é uma pessoa ignorante.
Paulo Freire também disse que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e contexto.” E, nesse sentido, podemos dizer que a maioria dos educandos jovens, adultos e idosos poderão interagir de forma muito mais rica com os textos que irá ler dadas as suas ricas experiências de vida. E de leitura, também, pois o conhecimento da tradição oral, composta de
causos, trovas, parlendas, histórias de cordel,
músicas tocadas nas rádios ou por violeiros, narrativas veiculadas através da televisão, histórias da Bíblia que acompanham os cultos, lendas, canções de ninar, adivinhações, provérbios, fábulas, etc. Isso sem contar os textos do Movimento, que são lidos e discutidos e que vão, certamente formando o leitor crítico.
Assim, Paulo Freire ensinou a Ivo um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça pensa onde os pés pisam.
Os textos propostos no Caderno são fruto de reflexões propostas pelo próprio Movimento. Mas eles são apenas os disparadores para que o grupo estabeleça os elos que irão se conectar para o estudo de cada grupo. Por isso, o caderno não
substitui o trabalho com os temas geradores, ou seja, a pesquisa na vida, a escolha coletiva, a organização e planejamento, o levantamento das questões geradoras, o plano de trabalho e a avaliação do processo. Ou seja: o caderno só tem razão de ser se sempre dialogar com a realidade. E se cada educador garanta a metodologia participativa – de diálogo, intercâmbio, respeito ás diferenças. Assim, o Caderno é mais um elemento na construção de uma educação cujos valores são a justiça, a igualdade e a solidariedade.
Aprender a ler e a escrever, lendo e escrevendo...
O texto – oral ou escrito – é um importante mediador dos conhecimentos. Ou seja: quem sabe ler pode se apropriar dos conhecimentos que quiser ou precisar. Assim, posso não ser advogado, mas posso ler as mesmas leis que ele lê; posso não ser filósofo, mas poderei ler Aristóteles, Foucault ou Marx. Posso não ser matemático, mas nada me impede de ler um livro de matemática e procurar entender determinado conteúdo. Por isso, saber ler é ganhar autonomia e liberdade. Mas, como aprendemos a ler? Da mesma forma que aprendemos tudo mais.
Paulo Freire, nosso mestre de sempre, diz que estamos sempre aprendendo e ensinando, e explica isso de um jeito muito simples:
Procure na sua experiência de vida exemplos que comprovem essas afirmações para trocar com os companheiros.
Ninguém aprende sozinho. Aprendemos fazendo
e pensando no que fazemos. Ninguém nasce sabendo.
Sempre podemos aprender mais.
E com a leitura e a escrita não é diferente. Mesmo quem diz que não sabe ler e escrever sabe muitas coisas sobre a escrita, e esses saberes são importantes para aprender como traduzir os sinais no papel em significados. Quer uma prova disso? Vamos fazer um teste. Leia o texto a seguir:
Talvez você tenha respondido que não consegue ler nada! Mas, é quase certo que, com um pouco de atenção, você consiga responder as questões abaixo:
- Em que data o texto foi publicado? - Qual o suporte do texto (onde ele foi publicado)?
- De que lugar você acha que vem esse texto?
- Que números aparecem no texto? - Em qual ano ele foi publicado? - Você consegue “ler” alguma palavra? Se você foi capaz de responder a pelo menos uma das questões anteriores, foi capaz de fazer uma leitura, mesmo que incompleta do texto. E mesmo sem saber ler russo, sua experiência de leitor lhe permitiu perceber:
- que os textos em colunas, com títulos em destaque, são próprios de jornais ou revistas; - os jornais costumam destacar a data em todas as páginas, especialmente em cantos superiores;
- o alfabeto em que o texto está escrito é outro, portanto, deve ser de algum país cujo tronco lingüístico é diferente do nosso.
É por isso que podemos afirmar que ler é muito mais do que conhecer as letras do alfabeto e combiná-las. Isso explica também porque muitas pessoas conhecem as letras do alfabeto, sabem combiná-las, mas são incapazes de compreender o que “leem”. São os chamados analfabetos funcionais. Há também aquelas pessoas que, segundo o grande poeta gaúcho Mário Quintana são os piores analfabetos: sabem ler, mas não lêem...
Talvez uma das maiores dificuldades para quem ensina a ler e a escrever seja mostrar para educandos e educandas que eles são capazes de ler mesmo que ainda não tenham o domínio completo da leitura. Aliás, para aprender, será necessário tentar, se arriscar e errar. Por isso será
preciso convencê-los de que escrever é bem diferente de copiar, pois quando copiamos, não fazemos descobertas, não refletimos, apenas repetimos o que está pronto. Já a leitura exige do leitor atenção a questões tais como:
- há sempre alguém que escreve o texto, em um tempo, um lugar;
- que tipo de texto estamos lendo, pois há textos que informam, outros que procuram convencer, outros que buscam emocionar, fazer rir, etc...
- cada tipo de texto possui convenções próprias (o jornal usa colunas, os poemas são dispostos de uma maneira especial na página, por exemplo).
E é aí que o educador, como um leitor mais experiente, deve estar presente, ajudando os companheiros a ler todos os gêneros de textos que circulam na sociedade, variando:
- os tipos de textos: informativos, literários, argumentativos;
- os portadores: placas, livros, periódicos, faixas, camisetas, embalagens, panfletos, etc;
- a temática;
- a forma de registro: textos mais formais e mais informais, escritos na norma padrão e em outras variedades.
Ler é conv Ler é conv Ler é conv Ler é conv
Ler é conversar com o textoersar com o textoersar com o textoersar com o textoersar com o texto
Paulo Freire, em seu texto “A importância do ato de ler”, diz que para ler ele põe, simbolicamente, uma cadeira e convida o autor, não importa qual, a travar com ele um diálogo. E você não deve deixar os educandos sozinhos nessa conversa com o autor do texto, mas ajudar na mediação texto/leitor. Nesse sentido, a leitura coletiva é muito importante. Essa prática de leituraleituraleituraleituraleitura compar
comparcompar
comparcompartilhadatilhadatilhadatilhadatilhada permite que cada um, independente do seu domínio da leitura, possa “ler” o mesmo texto. O importante é que todos procurem atribuir significados a ele e discutam suas informações e ideias.
Ler deve fazer parte do nosso cotidiano. Por isso, temos que criar espaços significativos e
rotineiros de leitura, até que ela passe a ser uma necessidade em nossa vida.
Além das leituras dos textos deste Caderno, a turma precisa ter como rotina outros momentos especiais de leitura, tais como:
Hora do Conto, na qual o educador lê um
livro ou outro material impresso;
Hora do “Causo”, quando um companheiro
conta uma história real ou não;
Aula de Leitura, quando cada um pode
escolher livremente um livro, revista ou qualquer material impresso disponível para ler.
Hora da Notícia, quando são lidas –
individual ou coletivamente - notícias de jornais ou outros periódicos.
E, nesses momentos, a sua experiência de leitor é muito importante, dando dicas do que ler, compartilhando aquilo que você já leu.
É bom lembrar também que os textos produzidos pelos educandos e educandas também são material essencial de leitura, pois, como afirma Paulo Freire, é importante que os “textos de leitura dos alfabetizandos venham preponderante deles próprios e a eles voltem para sua análise.”
Para ler e compreender você deve ajudar os educandos e educandas a perceberem também:
- a relação entre texto e o seu contexto de produção (tais como autor, época, suporte);
- a que gênero textual o texto pertence, como, por exemplo, se é um texto informativo, literário, instrucional, publicitário;
- quais as visões de mundo e intenções presentes no texto;
- quais as diferentes linguagens (ilustrações, gestos, expressões faciais, sons) que compõem os textos;
- as idéias básicas do texto;
- as relações entre o texto lido com outros textos;
-os significados presentes no texto; -se estiver lendo textos literários narrativos, reconhecer os fatos, personagens, a localização temporal e espacial, quem narra a história, a linguagem utilizada;
- se estiver lendo textos literários poéticos, perceber a organização espacial do texto, as rimas, o ritmo, a linguagem utilizada;
- se estiver lendo textos informativos, identificar as informações principais e secundárias; - se estiver lendo textos de opinião, ser capaz de identificar a idéia defendida e os argumentos usados para isso;
- se estiver lendo textos de propaganda, perceber quais os recursos usados para tornar o leitor um consumidor;
- se estiver lendo textos instrucionais, reconhecer a organização do texto, que procura separar informações, usar recursos gráficos, utilizar uma linguagem direta;
- o vocabulário e a pontuação como elementos que dão significado ao texto.
O educador é o escriba da turma nas produções de textos individuais e coletivos até que todos tenham autonomia para fazer suas escritas.
E está aí está você, educador/educadora, para ajudar nessas e muitas outras descobertas.
E a escrita, como fica? E a escrita, como fica? E a escrita, como fica? E a escrita, como fica? E a escrita, como fica?
Ao longo do Caderno haverá várias atividades de produção de textos coletivos e individuais. Nelas, você estará ajudando educandos e educandas a perceberem que:
- o texto escrito deve conter uma idéia central e é importante delimitar bem qual é essa idéia;
- é preciso garantir o bom desenvolvimento da idéia central, ser coerente, dar informações relevantes, organizar bem o que se vai dizer;
- é preciso juntar uma parte a outra do texto com palavras que evitem a repetição, criem relações entre o que foi dito e o que vai se dizer;
- antes de escrever é necessário planejar, considerando: para quê e para quem escrever; em que gênero; quais idéias apresentar;
- o título pode ter as função de chamar a atenção do leitor ou antecipar a idéia central do texto;
- há a necessidade da pontuação e os tipos de pontos mais usados são: ponto final, ponto de interrogação, ponto de exclamação, vírgula na enumeração das palavras e das frases;
- a forma de falar e escrever, salientado as especificidades de cada tipo de linguagem.
É bom lembrar mais uma vez que Paulo Freire fala da importância de registrar os textos orais, as discussões que são feitas durante os encontros, as percepções, o que cada um pensa sobre o tema em discussão. Isso porque sem registro tudo se perde. Depois, esses textos voltam para serem lidos e discutidos novamente.
É comum ouvirmos que a história que estudamos é a história das classes dominantes. A escola, geralmente ensina que os bandeirantes foram heróis desbravadores, mas ninguém conta a história dos indígenas e negros que eles perseguiram; conta-se a história dos valentes portugueses navegadores, mas não sobre o extermínio das culturas nativas; fala-se sobre o potencial agrícola brasileiro, mas poucos ensinam a história dos pequenos agricultores e dos sem- terra; ensinam que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, mas apenas recentemente Zumbi dos Palmares deixou de ser um bandido e passou a ser citado como um dos exemplos de luta pela libertação dos escravos. Ou seja, quem escreveu a história tradicional foram os ‘vencedores’, e a escreveram a partir de sua visão de mundo, evidentemente. E, se quisermos ler a história dos ‘vencidos’, é necessário que eles saibam escrevê- la, pois apenas o próprio sujeito pode contar a sua história mantendo nela a sua visão de mundo. Uma sociedade em que as pessoas apenas leiam mas não escrevem dificilmente será democrática, pois não permitirá que de forma igualitária
diferentes visões de mundo transitem e sejam compartilhadas por todos. Os versos de Berthold Brecht, “Perguntas de um operário que lê”, poetizam essa exclusão dos que não sabem ler da história:
Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilônia, tantas vezes destruída, Quem outras tantas a reconstruiu?
Em que casas da Lima Dourada moravam seus obreiros? No dia em que ficou pronta
a Muralha da China
para onde foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias Sozinho?
César venceu os gauleses. Nem sequer
tinha um cozinheiro ao seu serviço? Quando a sua armada se afundou
Filipe de Espanha Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória. Quem cozinhava os festins? Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas? Tantas histórias Quantas perguntas.
Porém, precisamos entender a escrita como um processo que começa antes mesmo da produção do texto. Isso porque para escrever é preciso ler, planejar, escrever, reler, reescrever. E nesse processo todo a presença do educador é essencial, especialmente na reestruturação dos textos. Diferente da simples correção, esse trabalho visa à melhoria da estrutura do texto produzido. É essencial que o próprio educando corrija seus ‘erros’ e resolva alguns problemas formais de seu texto, quando apontados pelo educador. Por exemplo, os ‘erros’ ortográficos podem ser sublinhados pelo educador e o educando, então, deverá reescrever as palavras que escreveu fora da ortografia, buscando auxílio no dicionário ou na lista (em ordem alfabética) acrescentada pelo educador ao final do texto. É importante que o educador selecione as palavras que mais comprometem a compreensão assim como as palavras que são chave no texto, pois essa atividade não visa necessariamente a correção de todas as palavras, mas que o educando pense sobre a necessidade em escrever ortograficamente para que o texto possa ser compreendido por qualquer leitor.
Mas o momento mais importante da reestruturação é o trabalho com estrutura do texto, quando se busca completar informações e separar ideias com o auxílio da pontuação, elementos coesivos e organização dos parágrafos. E essa atividade fica rica quando feita coletivamente, ou seja, quando todos ajudam a: completar as ideias (o quê? onde? quando?); eliminar redundâncias (de palavras, expressões ou ideias que se repetem); adequar a pontuação (que ponto coloco aqui? por quê?).
E outra coisa muito importante: socializar os textos produzidos, pois assim escrever deixa de ser apenas uma tarefa burocrática.
E para terminar como começamos, um belíssimo poema de Carlos Rodrigues Brandão...
A AA A Apontarpontarpontarpontarpontar
Pois aqui começam as palavras! Quem escreve
aponta o lápis com o canivete. Cada gesto ensaiado
entre os dedos da mão direita
desvela um pouco mais da face da lança com que o homem se veste de Quixote e desafia os moinhos e os silêncios. Um pouco mais e a ponta presa aparece e ele refaz esse milagre treze vezes e cantarola uma canção de ninar. Enquanto acorda a véspera do poema. ele fecha nas mãos a arma da ousadia e recolhe da mesa
lascas de sândalo e poeira. Assopra dos dedos