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Chapter 4. Methodology

4.5 Self-reflection: not either insider or outsider, but insider-outsider researcher

Big Brother Brasil: realidade ou show?

Foto: Globo (Fevereiro/2009)

Fotografia 06: Decoração de uma das festas temática ocorridas no programa.

Veiculado cada vez mais pelas emissoras, o Big Brother Brasil ratifica um estilo de programa cuja importância e influência vem substituindo esferas singulares de forças cotidianas, assumindo um papel de comunicação interpessoal. Atualmente, o recurso da interatividade, cujo conceito está associado às novas mídias de comunicação e tem como objetivo quebrar a dicotomia entre emissor e receptor, vem produzindo programas com formatos em que tudo se passa em tempo real, feitos ao vivo e com a utilização de recursos tecnológicos e improvisações.

Os chamados reality shows vêem marcados pela cena cultural em diversos países, nos últimos anos. Diversas versões contam com a participação de pessoas selecionadas dentre milhares de candidatos a exporem suas vidas privadas, numa competição com regras específicas, que variam de acordo com cada reality.

O Big Brother Brasil se insere nesta realidade, conforme já foi destacado e representa uma mistura de formatos conhecidos e aprovados pelas audiências televisivas. Fazendo parte do gênero dos realities shows, o BBB visibiliza, através da vida cotidiana de pessoas anônimas, uma super exposição da intimidade humana, cujas imagens banalizam situações e acontecimentos do dia a dia.

Este programa/jogo, em linhas gerais, traz para o espaço público, questões cotidianas como: o amor, ciúme, amizade, solidariedade e inveja num ambiente de competição. Esta gama de situações corriqueiras é o que permite, segundo Castro (2006), a identificação ou a rejeição do público. Ele também passa para a população brasileira uma representação e o ensinamento de um cotidiano, no qual predominam a ociosidade, promiscuidade e a competição.

Uma das questões que causou inquietação, desde o início de nossa análise do tema, foi a de até que ponto os participantes do programa estão protagonizando a si próprios? Onde começa a realidade e quando termina a representação? Na verdade, pelo fato do programa ser caracterizado por um misto de realidade e ficção, ele opera em diferentes planos de realidade, tendo como referência o mundo exterior, a casa.

Restam ainda muitos questionamentos sobre a realidade apresentada nos programas deste gênero, na medida em que a relação do BBB com a realidade objetiva tem por base um conjunto de cortes e edições, adaptadas a captação das imagens exibidas pela televisão. A realidade, em que vivem os participantes dentro da casa, demonstra sinais de ser cuidadosamente elaborada, tendo como pano de fundo, para o telespectador, uma história sem script, na qual não se sabe o final.

As representações dos jogadores com demonstração de alegria, jovialidade e sensualidade, conduzem o público/telespectador a dar respostas emotivas. Outro elemento que destacamos, é o tratamento estético da imagem, pois, os perfis dos participantes, em sua maioria, revelam jovens cujos físicos e rostos correspondem aos anseios mercadológicos de uma sociedade de consumo. A economia dos corpos, conforme destacamos no capítulo dois, mobiliza no BBB a formação de casais e a renovação através do corpo pelo emagrecimento ou pela realização das

provas de habilidade, nos quais o bom condicionamento físico torna-se um suporte indispensável para o êxito do participante durante o jogo.

O programa, numa análise geral, revela um modelo baseado no principio da competição e da exclusão; pudemos perceber que as relações sociais dentro da casa são pautadas por uma instrumentalização, em que os jogadores só respeitam a lei do mais forte e do mais esperto. O participante Max Porto, vencedor do BBB-9, personifica um fiel representante da cultura midiática comandada pela lógica da visibilidade, cujos valores se subordinam à busca do sucesso individual a qualquer custo. Sua imagem é a celebração de um rosto público reconhecido e criado artificialmente, no sentido de procurar criar uma impressão.

Sendo um produto da indústria cultural, o BBB reforça a exigência capitalista de lançar sempre novas marcas e mercadorias, visto que as necessidades devem ser perpetuamente trocadas em resposta ao movimento do mercado. Desta maneira, a cultura da mercadoria está definitivamente associada à cultura da celebridade, responsável pela personificação do processo de consumo de mercadorias.

Os participantes no BBB funcionam como celetóides; e, de acordo com Rojek (2008), eles representam acessórios de culturas organizadas em torno da comunicação de massa e da autenticidade encenada no programa; a visibilidade dos BBBs dura até a sua saída do jogo ou, no máximo, até o começo de uma nova versão do reality show.

A cultura de celebridade é, em parte, a expressão de um eixo cultural organizado em torno de um desejo abstrato, representado pelo sucesso e fama. A super exposição dos participantes na casa bigbrotherana nos revela a transformação das pessoas em mercadorias, fato que mobiliza toda uma massa abstrata consumidora de símbolos, produtos e marcas do programa.

O Big Brother Brasil demonstra estar atualizado no ponto de vista da organização de mercado, pois, as leis do mercado exigem fundamentalmente um constante desenvolvimento de inovações nas marcas e produtos e, o programa a cada edição vem criando diversas formas de atrativo para manter a audiência e atrair a atenção do público/telespectador. Apesar de sempre se utilizar da antiga fórmula em que, o programa se passa dentro de uma casa, cercado por participantes anônimos, em busca de fama e dinheiro.

Outra questão, que destacamos no Big Brother Brasil-9, são as relações de poder. No jogo, os participantes se submetem, voluntariamente, a diversas situações

e provas, algumas de desgaste físico e mental, pelo sonho do sucesso e da fama. O poder cunhado pela teoria de Michel Foucault, que analisamos dentro do programa, é produtora de imaginários, desejos e corpos, em sua faceta de um capitalismo material e imaterial. Ele passa a incidir na microfísica dos corpos, por meio de um controle – estimulo que produz efeitos positivos. Destacamos todo um poder disciplinar existente do jogo que atua no direcionamento das ações dos participantes, e que vão desde o controle do tempo de descanso até a forma que deve ocorrer às disputas das provas entre os jogadores.

Portanto, tido inicialmente como programa de vida curta, o Big Brother Brasil vem a cada ano aumentando seus recursos de faturamento e de visibilidade espetacular. Segundo uma entrevista do apresentador Pedro Bial ao site da IG: “o

BBB irá, no mínimo, até a 12 edição, apesar de já existir anunciante fazendo fila

para anunciar no BBB-15”. O sucesso de este reality show permanecer tanto tempo

nas grades de programação da Rede Globo, deve-se, em parte, à capacidade do programa de se reinventar, criando histórias sob a prerrogativa de novidade, envolvendo pessoas, cenários e situações complexas vivenciadas num cotidiano espetacularizado.