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A teoria do Trade off está fundamentada na relação que existe entre os benefícios fiscais oriundos do endividamento e ao mesmo tempo com os custos relacionados que podem anular tais benefícios. Enquanto de um lado o benefício pode surgir da dedutibilidade dos juros na base para determinação do cálculo do imposto de renda, de outro lado a elevação do endividamento pode provocar aumento no custo da dívida total, pois os riscos associados a este endividamento serão maiores, sugerindo um custo de falência. Segundo Ross at al (2007, p. 351):

“Infelizmente, não existe fórmula alguma, a esta altura, que determine exatamente o nível ótimo de endividamento para uma empresa especifica. Isso se deve principalmente ao fato de que os custos de dificuldades financeiras não podem ser medidos de maneira precisa. Entretanto, nossa discussão leva naturalmente à idéia de que as decisões a respeito da estrutura de capital de uma empresa podem ser vistas como envolvendo um equilíbrio entre os benefícios fiscais do uso de capital de terceiros e os custos de dificuldades financeiras.”

É provável que o custo de falência leve empresas e credores a exigir taxas de juros mais elevadas para concessão de empréstimos e também, pode-se dizer que haverá mais restrições a determinadas linhas de crédito. Os fornecedores ficarão apreensivos, pois uma empresa com alto endividamento pode ter dificuldades de saldar seus compromissos, podendo tomar decisões como: dificultar negociações de longo prazo, restringir volume de vendas e até procurar novos clientes com menor endividamento para ofertar seus produtos, entre outras.

Para Myers (1984), após analisar os efeitos positivos e negativos da dívida é possível afirmar que as empresas, segundo o Static Trade off Theory, devem substituir capital de terceiros por capital próprio e vice-versa, até o ponto em que o seu valor seja maximizado, chegando desta forma, a uma estrutura meta de capital.

Da teoria de Trade off, pode-se dizer que de um lado há os benefícios fiscais que estimulam os administradores a buscarem altos índices de endividamento e do outro há os custos de falência que são os inibidores, fazendo que seja necessária a determinação de um equilíbrio entre um e outro a fim de que o valor da empresa seja maximizado. No mesmo sentido, Gitman (1997, p. 430) diz que a essência deste sucesso (a combinação perfeita de dívida/capital próprio) está associada ao que alguns administradores financeiros chamam de estrutura ótima de capital. Esta estrutura ótima de capital resulta do equilíbrio dos custos e benefícios dos empréstimos, para minimizar o custo médio ponderado de capital.

Figura 7: Quantidade Ótima de Capital de Terceiros e o Valor da Empresa.

Fonte: adaptado de Ross at al (2007, p. 352).

O valor da firma em dívidas é representado pela reta (Vu). A curva (V) em forma de representa o valor efetivo da firma com a presença de endividamento. E a reta (VL) representa o aumento crescente do endividamento como fonte de financiamento em detrimento das emissões de ações.

Quando o endividamento ultrapassar o ponto considerado ótimo B*, no qual os custos relacionados à falência se igualam aos benefícios fiscais, o valor da empresa tende a diminuir, pois esse é o efeito do alto endividamento.

Myers (1984) argumenta que estes custos podem erodir o valor da firma, mesmo que a concordata formal seja evitada.

Pode-se então perceber que os custos de falência servem como contrapeso para a vantagem fiscal do endividamento, no que tange à escolha da estrutura de capital. Segundo Ross at al (2007, p. 352) “O beneficio fiscal eleva o valor da empresa alavancada. Os custos de dificuldades financeiras reduzem o valor da empresa alavancada. Os dois fatores opostos produzem um nível ótimo de utilização de capital de terceiros igual a B*.”

As empresas têm muitos benefícios ao usar capitais de terceiros, pois são menos Valor da empresa

Nível ótimo de

capital de terceiros B*

Vu = valor da empresa sem dívidas

V = valor efetivo da empresa

VL = Vu + TcB = valor da empresa, segundo MM, com endividamento e imposto de renda de pessoa jurídica Valor presente dos custos de dificuldades financeiras Valor presente do beneficio

fiscal com a utilização de capital de terceiros

Valor máximo da empresa

onerosos que o capital próprio, proporcionam benefícios fiscais e o aumento do valor das empresas. Entretanto, se o nível de endividamento estiver acima pode gerar aumento do custo da dívida e gerar dificuldades de amortizar os juros da dívida e principal, o que se pode denominar de dificuldades financeiras.

A dificuldade máxima em que uma organização pode incorrer é chamada de falência, situação em que a propriedade dos ativos da empresa pode ser legalmente transferida dos acionistas aos credores.

Ross at al (2007) afirmam que a possibilidade de falência causa um efeito negativo sobre o valor da empresa. Curiosamente não é o risco de falência em si que provoca a redução do valor da empresa, mas os custos diretos e indiretos ligados à falência. Este processo envolve acionistas, credores, fornecedores, funcionários e uma série de despesas legais e administrativas.

Para Modigliane e Miller (1963), o preço das ações das empresas será maximizado quando ela passar a utilizar cem por cento de capital de terceiros, ou seja, sem uso de capital próprio na sua estrutura. No entanto, na realidade das firmas, o que se pode notar é que elas preferem limitar o uso de capital de terceiros devido ao crescimento proporcional do risco de falência.

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