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6. KONKLUSJON

6.3 E VALUERING AV UTREDNINGENS DATAMATERIALE

São vários os temas que inter-relacionam questões científicas e religiosas e que, por se apresentarem como fonte de controvérsias na sociedade, poderiam ser utilizados para se analisar a competência comunicativa de professores de ciências na abordagem desses temas. Como exemplo, poderíamos citar a teoria de Evolução de Darwin, pesquisa científicas com utilização de células tronco embrionárias, etc.10.

O tema “Origens do Universo” foi escolhido como tema desta pesquisa por se tratar de um tópico que, além de inter-relacionar questões científicas e temas religiosos, consta no currículo da maioria das escolas secundaristas do país. Tal característica confere ao tema um alto potencial de servir como suporte para veiculação de ideologias específicas (religiosas ou naturalistas) por parte dos interlocutores na esfera educacional: professores e alunos.

O tema “origens do Universo” também foi escolhido como recorte neste trabalho porque, por ser um tema tratado na disciplina Física, corresponde à formação do autor, além de ser um tema associado à própria motivação da pesquisa, conforme citado no primeiro capítulo deste trabalho.

10 Vale destacar que, possivelmente, a disposição comunicativa apresentada por um mesmo indivíduo pode apresentar-se diferente, para cada um destes temas.

Por esses motivos, tal tema foi escolhido como apropriado para direcionar uma entrevista com os futuros professores, de modo a proporcionar um exame baseado nas idéias habermasianas sobre a relação naturalismo/religião.

4.1.1 Modelo padrão: o Big Bang e o início do Universo

A teoria do Big Bang é o modelo cosmológico mais aceito entre os cientistas para a origem do universo. Segundo essa teoria, o universo teve origem à cerca de 15 bilhões de anos, surgindo a partir de um núcleo extremamente pequeno e quente, que teria se expandido rapidamente e vem esfriando desde então (HALLIDAY, 2007, p. 370).

A grande apreciação que tal modelo desfruta dentre a comunidade científica, por vezes, não deixa transparecer as dúvidas que ainda pairam sobre sua ocorrência e sobre sua validade. Assim, costumam ficar ocultas suas raízes históricas, bem como os pressupostos nele

embutidos11. Tal configuração pode atingir o nível educacional, quando é veiculada aos

estudantes a idéia de que tal modelo é inquestionável, inibindo a possibilidade de se discuti- lo, ou quando professores e livros didáticos registram que a expansão do universo é um fato plenamente estabelecido.

Desta forma, o tema “Origens do Universo”, quando abordado em sala de aula, pode servir de meio de veiculação de ideologias particulares por parte do professor. Uma abordagem tendenciosa também pode ocorrer em virtude das convicções religiosas do professor no que tange a este tema. Citaremos aqui sucintamente algumas perspectivas religiosas culturalmente difundidas em nossa sociedade.

4.1.2 Perspectivas religiosas sobre o tema

Muitos são os relatos religiosos que descrevem como teria sido criado o universo. Dentre eles, podemos citar a epopéia de Gilgamesh, de origem mesopotâmica; os capítulos iniciais de Gênesis (primeiro livro do Pentateuco, que é considerado sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos); o Código de Manu, originário da cultura Hindu, etc.

Uma análise de como cada um destes escritos descreve a criação do universo seria deveras interessante, porém, não realizaremos tal tarefa. Isto porque a abrangência do diálogo secular/religioso proposto no referencial teórico é demasiadamente abrangente, não ficando restrita ao diálogo com culturas religiosas específicas. Essa abrangência permite que fique a critério do professor querer conhecer, de antemão, características específicas das ideias religiosas que os alunos possivelmente trarão para a sala de aula.

No entanto, como a imensa maioria da população brasileira declara-se cristã (90,3%, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000)), transcrevemos, a título de ilustração, um trecho da narrativa inicial contida no livro de Gênesis, que se encontra no Anexo A.

4.1.3 A atual proposta de abordagem do tema

Diante dessa variedade de questões e perspectivas culturais que envolvem o tema das origens do Universo, o Ministério da Educação, por meio do documento PCN+ (que fornece diretrizes complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais) visou contemplar recentemente, nas aulas de ciências, os aspectos religiosos e culturais envolvidos neste tema. No caso específico do ensino de Física, por exemplo, dentro do tema Universo, Terra e Vida, propõe como metas, que os alunos sejam capazes de (nossa ênfase):

• Conhecer as teorias e modelos propostos para a origem, evolução e

constituição do Universo, além das formas atuais para sua investigação e os limites de seus resultados no sentido de ampliar sua visão de mundo.

• Reconhecer ordens de grandeza de medidas astronômicas para situar a vida (e vida humana), temporal e espacialmente no Universo e discutir as hipóteses de vida fora da Terra.

• Conhecer aspectos dos modelos explicativos da origem e constituição do

Universo, segundo diferentes culturas, buscando semelhanças e diferenças em suas formulações.

• Compreender aspectos da evolução dos modelos da ciência para explicar a constituição do Universo (matéria, radiação e interações) através dos tempos, identificando especificidades do modelo atual.

• Identificar diferentes formas pelas quais os modelos explicativos do

Universo influenciaram a cultura e a vida humana ao longo da história da humanidade e vice-versa. (BRASIL, 2002b)

No entanto, podemos perguntar: é possível identificar, nos futuros professores de Física, evidências de uma abertura para esse diálogo? Em outros termos, eles têm mostrado Competência Comunicativa quando o assunto envolva religiosidade? Estamos capacitando nossos futuros professores a compartilhar os modelos científicos dialogando com os distintos pontos de vista (inclusive religiosos) dos seus alunos? Estas são as questões centrais levantadas pelo presente trabalho.