4. METODE
4.3 E VALUERING AV FORSKNINGSDESIGN OG TILNÆRMING
e, nos finais de semana, as sessões das 14h, 16h e 18h eram pontos de encontro de casais que se esqueciam do filme e frequentavam as salas de cinema simplesmente para namorar. Naquele tempo muito se falava em Beatles, e era comum as “cocotinhas” do Externato Meira cabularem aula para pegar a sessão das 10h do Cine Paulista e assistir ao filme “A Hard Days Night”.
Próxima à Alameda Franca, a Hi-Fi Discos também era parada obrigatória para quem queria ficar ligado nos vinis que estavam bombando. O proprietário, Hélcio Serrano, que- ria apresentar músicas do mundo todo para a Augusta e, como havia sido comissário de bordo, trazia de suas viagens vários discos recém-lançados. A fim de saber dos últimos lançamentos musicais, a loja era frequentada por figurinhas como Elis Regina, Rita Lee e Sérgio Dias, além de ser palco de shows improvisados de Raul Seixa, cliente fiel.
Enquanto caminho pelo lado Jardins, onde a Hi-Fi imperava, não avisto quase nenhu- ma loja de CDs ou vinis ou qualquer outra mídia. O mais próximo que encontro são os DVDs piratas das banquinhas de camelôs. Agora, se você quiser vestir música e cultura pop, a história é outra. São várias as lojas especializadas em “camisetas com personalidade”, como a El Cabriton, Poderosa Isis e Reverbcity. Com estampas retrôs, de bandas, hits da internet, trechos de músicas, referências a filmes cults e as engraçadinhas do tipo “Soy loco por ti coxinha”, quem compra essas camisetas busca mais que um pedaço de tecido. O lema “você é aquilo que veste” supera a paixão pelo simples ato de escutar música e explica o sucesso das camisetas com estampas descoladas e afins. De R$ 39 a R$ 89 é a média de preço que se gasta para travestir-se como um outdoor ambulante e mostrar o que você é – ou o que você finge ser – através de uma roupa.
Ambiente ideal para cantar amores e aspirações juvenis, a Augusta era a rua da música e do cinema que inspiravam os jovens. Não foi à toa, então, que se tornou palco para a Jovem Guarda. O movimento que mesclava música, comportamento e moda, nasceu em meados da década de 1960. O nome surgiu a partir do programa homônimo que estreou em 1965 na TV Record, e a Augusta tornou-se a paixão dos seus integrantes. Logo ficou nacionalmente famosa. Erasmo Carlos subia e descia as ladeiras da rua em seu fusca cor de abacate enquanto, nas calçadas, jovens desfilavam a moda ditada pelo “Rei”, “Tremendão” e “Ternurinha”: calça saint-tropez boca de sino, camisa de tecido brilhante com mangas compridas bufantes, golas grandes como a de Elvis, botinhas e correntes grossas no pes- coço.
Durante o dia, a efervescência acontecia nas calçadas, no “bater pernas” ladeira abaixo para ver vitrines. Os oito quarteirões, do lado Jardins, eram de comércio fino, sofisticado, caro, e restrito para uma clientela de altíssimo nível. Lá se instalavam lojas antenadas com as últimas tendências e que traziam para o Brasil o que havia de mais moderno nas metró-
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última moda.
Já durante a noite, era impossível ver carros descendo a Augusta a 120 por hora, como diz a canção de Hervé Cordovil, já que a rua era tomada por filas intermináveis de auto- móveis que não saiam do lugar. A calçada abria espaço para o footing da paquera e as vitri- nes eram deixadas de lado. As mocinhas iam “montadas” nas ultimas tendências para curtir a vida social efervescente na esquina com a Oscar Freire, repleta de estudantes “bacanas” e “prafrentex”. A Cuba libre era o drink do momento, e os jovens “transviados” conseguiam burlar a fiscalização dos adultos ao levarem seu próprio rum de bolso e misturá-lo, discre- tamente, à Coca-Cola.
O ápice do glamour augustiano aconteceu na década de 1970, quando um dia a rua dormiu no asfalto e amanheceu acarpetada. Era época de Natal, o trecho ente as ruas Esta- dos Unidos e Alameda Santos foi totalmente coberto por quadrados coloridos de carpete. A Augusta se transformou em uma imensa sala de estar colorida a céu aberto, agradabilís- sima, na qual as buzinas, freios, amortecedores, vozes e qualquer outro ruído urbano eram abafados pelo “carpete civilizador”. Logo as chuvas de verão fizeram com que os pedaços do gigante carpete se descolassem e se soltassem. A chuva desnudou a Augusta, mas não tirou o charme da única rua em todo o mundo que chegou a ser acarpetada.
A esquina com a Oscar Freire, com certeza, é onde se concentra seu ponto mais luxu- oso. Limusines e champagne fazem parte do cotidiano da clientela endinheirada que fre- quenta a região. São 900 metros de muito glamour, com mais de 300 lojas de artigos chics, restaurantes badalados, e calçadas e banquinhos estilo europeus que cortam a Augusta. Em 2006, uma ampla reforma foi realizada na rua, considerada uma das mais luxuosas do mundo, ao custo de 8,5 milhões de reais – cerca de metade do valor foi de origem de verbas municipais –, para o enterramento de fios e padronização do mobiliário urbano. Ou seja, enquanto milhares de pessoas carecem de moradia, luz elétrica e saneamento básico, a prefeitura bancou cerca de R$4.250.000,00 pra enterrar fios e colocar banquinhos de madeira em uma única rua glamourosa. O luxo atravessa o lixo, e não é sem propósito que os paralelepípedos europeus durem apenas até a esquina da sua prima pobre.
Os gringos fazem a festa no quadrilátero Oscar Freire, Alameda Lorena, Haddock Lobo e Augusta. Nesse espaço é possível encontrar argentinos fazendo escala num vôo para Frankfurt, escoceses perdidos tentando encontrar seu hotel, britânicos fazendo a festa na loja das Havainas e alemães querendo experimentar feijoada e coxinha. “Chega aqui chinês, holandês, norueguês, tudo ‘ês’!”, conta Beto, o garçom de uma lanchonete entre a Oscar Freire e a Alameda Lorena. A lanchonete/bar, ponto de happy hour, atrai os estran- geiros devido à placa: “We have menu in English”, exibida logo na entrada. Mas o garçom desmente a farsa do menu que não existe mais, já que os preços do cardápio mudaram e o novo dono ainda não produziu um novo. Beto conta que todo o dia, em casa, “treina” o
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