2. TEORI
2.4 E T LEDELSESPERSPEKTIV
Após a construção dos dados, partimos para a etapa de interpretação, análise e discussão dos resultados alcançados. A análise dos dados e dos resultados obtidos, a partir do universo do estudo, respalda-se no referencial teórico obtido pelo levantamento bibliográfico tendo em vista quatro aspectos: os aspectos teóricos e políticos que influenciam de maneira direta ou indireta os processos de formação docente; a política nacional de formação de professores, o PIBID e a interpretação que os sujeitos que dele participam fazem sobre suas influências, contribuições e limitações para a formação e atuação docente.
Para esta análise, tomamos como base, também, as Portarias que normatizam e regulam o Programa: Portaria Normativa no. 260/2010 e Portaria Normativa no. 096/2013. A primeira fundamentou as características e atividades dos projetos e subprojetos do PIBID até 18 de julho de 2013, data em que foi revogada pela Portaria no. 96/2013, a qual entrou em vigor neste mesmo período. Todavia, considerando o fato de que todos os projetos e subprojetos em vigor até julho de 2013 tiveram seus prazos de execução prorrogados até dezembro de 201342, tomamos como base de análise para este estudo ambas as Portarias, respeitadas as suas diferenças e especificidades no que concerne a forma de regulação do Programa no âmbito da CAPES.
41 De acordo com informações do Edital N.º 170/2013–GS/SEED, o Processo Seletivo Simplificado (PSS) tem
por objetivo selecionar profissionais para atuar em estabelecimentos da rede pública estadual de ensino e rede conveniada, exclusivamente para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, suprindo as vagas existentes em todo o Território Estadual, mediante Contrato em Regime Especial. O processo consiste em Prova de Títulos referentes à Escolaridade, Aperfeiçoamento Profissional e Tempo de Serviço. Para contratação, o PSS admite candidatos que estejam cursando a partir do 2º período do Curso de Licenciatura específico na disciplina selecionada no momento da inscrição.
42 Todos os projetos e subprojetos do PIBID até então em vigor passaram por reestruturação a partir do edital no.
061/2013 que previa a seleção de novos projetos e subprojetos e a adequação daqueles já existentes, tendo em vista atender ao disposto na nova Portaria Normativa no. 096/2013.
CAPÍTULO 3 - A opção metodológica e seus procedimentos
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Tendo em vista o caráter metodológico da pesquisa, a análise dos dados ocorreu durante todo o desenvolvimento do estudo. Todavia, ao final, quando a coleta dos dados foi finalizada, partimos para a análise dos resultados alcançados nesse processo. Neste momento, foi preciso destacar os principais achados da pesquisa.
De posse das gravações de voz obtidas pelas entrevistas com os participantes, iniciou- se a transcrição integral das mesmas pela própria pesquisadora43. Para tanto, foi necessário escutar e reescutar pequenos trechos gravados para poder transcrever, fielmente, todas as verbalizações. De acordo com Manzini (2008), o pesquisador, no momento da transcrição, distancia-se de um fato vivido - que foi o processo de coleta - ao mesmo tempo em que revive esse fato em outro momento e com outro enfoque intencional. A transcrição, portanto, se configura como uma pré-análise dos dados, pois é nesse momento que o pesquisador deve saber quais são os seus objetivos e assinalar o que lhe convém para análise. De acordo com o autor,
apesar de o objetivo da transcrição ser transpor as informações orais em informações escritas, nesse processo, ocorre um segundo momento de escuta, no qual podem permear impressões e hipóteses que afloram intuitivamente durante o ato de escutar e transcrever. Essas impressões e hipóteses podem ser anotadas para depois serem investigadas pelo pesquisador. Esses apontamentos, na maioria das vezes, são muito válidos para a interpretação dos dados. Essas impressões podem ser impressões que se corroboram, ou poderão, no futuro, ser descartadas. Sempre quando está sendo realizada a transcrição, há uma tendência, intencional ou não, em interpretar a informação (MANZINI, 2008, p. 04).
Assim, durante o processo de transcrição, foram anotadas percepções, impressões, ideias, relações e ênfases que pudessem, ao final do mesmo, ser utilizadas no momento da discussão dos resultados, dando início, assim, à análise e interpretação dos dados obtidos. A partir desse momento, as pré-categorias de análise anteriormente elaboradas foram sendo modificadas e reelaboradas, tendo em vista o encaminhamento e o recorte que os dados apresentavam para sua interpretação.
43 Optamos por não grafar as palavras de acordo com a pronúncia uma vez que, de acordo com Manzini (2008), a
experiência tem mostrado que as falas escritas como, por exemplo, alcançá (alcançar), tá (estar), vô (vou) não têm sido bem recebidas pelos próprios participantes ao fazerem a leitura do material escrito. Segundo o autor, além de chocar o sujeito de pesquisa, para um leitor desavisado, a fala transcrita de acordo com a pronúncia pode ser elemento que produz estigma. É importante ressaltar, todavia, que não houve, em nenhum momento da transcrição, troca de verbalizações ou de ideias. A transcrição revela fielmente as informações fornecidas pelos entrevistados.
As transcrições foram realizadas de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2011) para citações e apresentadas nesse estudo de acordo com os seguintes critérios: 1) as citações com menos de três linhas foram apresentadas no próprio parágrafo e entre aspas duplas; 2) as citações com mais de três linhas foram apresentadas com um recuo de 2 cm e em letra com corpo menor; 3) as supressões, no início, no meio ou no fim do texto, foram apresentadas com a indicação de reticências dentro colchetes; 4) as eventuais expressões próprias também foram apresentadas entre colchetes no intuito de esclarecer o assunto tratado, já que este muitas vezes está implícito na narrativa do participante ou foi referido em um parágrafo anterior, o qual, no momento de seleção dos excertos que seriam apresentados neste documento, acabou sendo excluído. Ademais, todos os excertos retirados das entrevistas e incorporados no trabalho foram apresentados em itálico a fim de fosse possível colocá-los em destaque e diferenciá-los de uma citação bibliográfica.
Feita a transcrição das narrativas orais advindas das entrevistas, partimos para a leitura e releitura minuciosa das mesmas, do diário de pesquisa, das anotações realizadas durante o período de transcrição e dos documentos disponíveis para a análise dos dados, a fim de que fosse possível construir um conjunto definitivo de categorias de análise, tendo como base os objetivos da pesquisa e o referencial teórico que norteia o estudo. A partir da leitura do material, as transcrições foram sendo reorganizadas e categorizadas, tendo em vista construir um corpo de conhecimentos sobre cada aspecto analisado. De acordo com Lüdke e André (1986), a formulação de categorias depende da leitura e releitura incessante dos dados obtidos por parte do pesquisador. Para os autores, é importante nesta etapa que a análise não se restrinja ao que está explícito nos dados coletados, mas procure ir além, desvelando mensagens implícitas e dimensões contraditórias.
O Quadro 2 mostra a relação entre os objetivos da pesquisa, as questões das entrevistas e seus respectivos eixos e categorias de análise.
Quadro 2 - Relação entre os objetivos da pesquisa, as questões das entrevistas e as categorias de análise:
EIXO DE ANÁLISE 1