• No results found

2. STUDIENS TEORETISKE REFERANSERAMME

2.2 E T BIO - PSYKO - SOSIALT HELSEPERSPEKTIV

Considera-se que no século XV, com o desenvolvimento da imprensa,iniciou-

se a reprodução em série de figuras que acompanhavam o uso regular de caracteres móveis para a impressão de textos, simultaneamente na China e na Alemanha (HEITLINGER, 2007).

Com a popularização do uso dos caracteres móveis para a composição de textos, a técnica mais usada para a reprodução de ilustrações nos materiais impressos até o século XVIII era a xilogravura2, método artesanal que permitia um limitado

número de cópias devido ao desgaste natural da madeira (figuras 2 e 3).

Figura 2: mapa celeste do hemisfério norte, de Dürer, 1515

2Xilogravura é uma das técnicas mais antigas conhecidas para se produzir cópias, e sua produção é

relativamente simples e barata: o artista escava de uma superfície plana geralmente de madeira, chamada matriz, as partes que ele não quer que tenham cor na gravura. Depois de entintar esta superfície, coloca uma folha de papel sobre a mesma e aplica pressão sobre essa folha. A imagem obtida é um negativo da matriz.

Figura 3: xilogravura em bíblia alemã, 1534

Em 1796, o ator de teatro e dramaturgo alemão Aloys Senefelder desenvolveu uma técnica já existente de gravura em pedra, ou litografia3, que permitiu um número

muito maior de reproduções dos textos de suas dramaturgias e também de ilustrações em geral (AZEVEDO, 2009).

Figura 4: caricatura de Agostini, de 1888.

3A litografia baseia-se na repelência entre a gordura e da água. Sobre a superfície de uma pedra calcária

desenha-se com lápis e outros instrumentos litográficos gordurosos. A pedra passa então por processos químicos que conservam intocadas as áreas sem desenho. As áreas com imagens também são tratadas de forma que repilam a água mas que aceitem a tinta gordurosa que é aplicada com um rolo. Depois desses processos, a pedra está pronta para a impressão e pode produzir milhares de cópias, que são os negativos da imagem da matriz. A litografia é um tipo de gravura no qual se pode desenhar como se fosse

Figura 5: Papagaios, de Ernesto Lohse, 1906

Este método, já conhecido, não era usado para fins de reproduções de imagens em materiais impressos e, sim, destinavam-se à produção artística, prática que permanece em curso até os dias de hoje.

As imagens produzidas por esse recurso eram mais detalhadas e atraentes que as produzidas comumente por xilogravuras e também podiam ser reproduzidas muitas mais vezes, devido à natureza mais resistente do material das matrizes de pedra calcária. Por conta dessas características, as litografias dominaram a ilustração de jornais, livros, revistas e cartazes até o final do século XIX e mesmo durante o século XX ainda não haviam sido abandonadas (figuras 4 e 5).

A litografia propiciou a produção de desenhos documentais, como por exemplo, as cenas relatadas nos noticiários. Estas ilustrações eram apresentadas como narrativas visuais de um fato, cumprindo a função dos atuais infográficos (AZEVEDO, 2009).

A fotografia, cujo desenvolvimento se deu através de tecnologias e inventores diferentes a partir do início do século XIX, não teve impacto imediato nos materiais impressos. Por conta de suas restrições tecnológicas e alto custo não representou, de

sobre uma folha de papel e apresenta possibilidades expressivas semelhantes às dos desenhos, aquarelas e pinturas a óleo.

início, ameaça às outras técnicas de reprodução de imagens, mesmo apresentando maior verossimilhança às realidades representadas que as litografias.

Figura 6: heliografia de Joseph Niépce cerca de 1820, considerada a primeira impressão fotográfica

De acordo com o manual de Impressão offset do SENAI-SP (2002),a produção

de fotos era um processo complexo e demorado, o que a impossibilitava ao cidadão comum. Como também era cara, durante muitos anos foi privilégio de poucos. A fotografia popularizou-se no final do século XIX com a oferta das câmeras fotográficas

portáteis, inventadas pelo norte-americano George Eastman. Funcionavam com rolos

de filme e permitiam a reprodução, ainda que para isso necessitassem de aparato técnico e de laboratórios (KODAK, 2013).

Mesmo com a invenção da daguerreotipia4, que reduziu o custo e tempo de

revelação das fotografias de horas para minutos, a litografia não foi abandonada nos processos de impressão porque os daguerreótipos não produziam cópias. Isto inviabilizava seu uso para ilustrações em materiais impressos de grande tiragem.

Se a fotografia obtida por esse método fosse de interesse para a reprodução em larga escala, as imagens precisavam ser copiadas em matrizes xilográficas ou litográficas para serem reproduzidas. Durante o século XIX várias outras técnicas fotográficas foram sendo desenvolvidas, mas ainda eram impraticáveis para a

4 O daguerreótipo foi um dos primeiros processos fotográficos acessíveis ao público. A daguerreotipia consiste em uma imagem fixada numa fina superfície de prata que recobre um outro metal mais barato, geralmente o cobre. São imagens únicas, fixadas diretamente sobre a placa final, sem o uso de uma imagem em negativo. Foi criado em 1839 por Louis Daguerre, que continuou os estudos de Joseph Niépce. Este, por volta de 1820, estava desenvolvendo técnicas de litografia quando conseguiu fixar uma imagem em uma placa de metal coberta com betume da Judeia, substância derivada do petróleo que endurecia ao ser exposta à luz do sol. Essa técnica foi chamada heliografia, mas tinha como desvantagem precisar de várias horas de exposição à luz para lograr resultados, enquanto que a daguerreotipia demandava de vinte a trinta minutos de exposição (http://wwwbr.kodak.com/BR/).

produção de cópias em grande escala, devido aos altos custos e às dificuldades técnicas.

Figura 7: Daguerreótipo “Boulevard du Temple” de Louis Daguerre – cerca de 1840

Em 1880 foi implantada na imprensa a fotogravura5 em clichê a meio tom,

processo que podia se valer diretamente de negativos de fotografias (figuras 8 e 9).

Figura 8: Índio Cayapó, de Gillot Paris, século XIX

5 Fotogravura é o processo fotomecânico, inventado por Fox Talbot por volta de 1850 pelo qual se produzem relevos sobre pranchas metálicas (clichês), a fim de reproduzir desenhos e figuras por meio da impressão gráfica. Foi por meio dela que se tornou possível produzir livros, revistas e jornais com ilustrações numerosas e nítidas. A imagem ou documento que vai ser impresso é fotografado em um filme, posteriormente copiado numa placa de metal. Esta placa é a matriz para as reproduções (FROTA, 2006).

Figura 9: Cigana, de James C. Annan, 1914

O processo de fotogravura foi suplantando lentamente a litografia na função de reprodução de imagens, perdurando até meados do século XX, quando o desenvolvimento da técnica de offset6 possibilitou novas soluções visuais, inclusive

com reproduções coloridas. Com essa nova técnica podia-se produzir mais de quarenta mil cópias por hora.

Após 1980, o processo de impressão offset começou a utilizar o CTP (Computer to Plate), isto é, as matrizes usadas para a replicação de imagens e textos no papel a ser impresso são gravadas por meio de laser controlado por computador o arquivo é lido e transferido a laser para a chapa, sem a necessidade de fotolito intermediário. O CTP permite uma maior qualidade fidedigna ao arquivo original (SENAI, 2002).

6A tecnologia de impressão offset foi inventada em 1904 pelo americano Ira Washington Rubel, litógrafo

de Nova Jersey, Estados Unidos, mas também foi patenteada pelo alemão Caspar Hermann, que vivia em Baltimore, cidade do estado norte-americano de Maryland. Offset é um processo de impressão planográfico, cuja matriz não tem relevos. Imprime folha a folha, cuja princípio de impressão está na repulsão da água e tinta gordurosa. A tinta passa por um cilindro intermediário, antes de atingir a superfície da área de impressão do suporte, que geralmente é papel. O uso da impressão offset compensa financeiramente para a produção de material impresso em alta tiragem, acima de cinquenta mil exemplares sendo seu custo inicial muito elevado para baixa tiragem. Na impressão offset, o papel recebe a imagem de impressão de uma borracha intermediária situada entre o cilindro da matriz, que é uma chapa de metal e o cilindro impressor (SENAI, São Paulo, 2002).

Figura 10: capa do jornal Folha de São Paulo de 30 de junho de 1969, impressa em offset

A partir desta década também, a editoração eletrônica e a informatização da imprensa tornaram infinitas as reproduções digitais que não dependiam mais de matrizes materiais para produzir suas cópias. Segundo Julio Plaza, artista contemporâneo brasileiro reconhecido por seu trabalho na área das artes gráficas,

Estas tecnologias inauguram um conceito original de reprodutibilidade...ao contrário das matrizes de reprodução industrial que sofrem desgaste mecânico, as matrizes digitais, pelo caráter universal da numeração permitem a reprodutibilidade ad infinintum sem perda de qualidade [...] um dos traços mais característicos do desenvolvimento das NTC (novas tecnologias de comunicação) é o aumento sem precedentes da potência ilimitada de mensagens (PLAZA, 1993, grifos do autor).

A possibilidade de reprodução infinita de imagens verificou-se também no cinema, na televisão e no final do século XX, com a ampliação e popularização da internet.

O consumo imagético na contemporaneidade é, ao mesmo tempo, democrático e ditatorial. Tem-se um amplo e ilimitado acesso a fontes visuais, cujo consumo é, na

maior parte das vezes, sem custo financeiro para o consumidor ou com um custo diluído nos valores das mídias e nos produtos comercializados. O repertório de textos imagéticos é praticamente inesgotável devido à supressão de algumas formas de censuras oficiais ou sociais e à constante alimentação das fontes imagéticas por praticamente qualquer pessoa que tenha acesso a um computador.

No entanto, nem sempre se tem autonomia para consumi-las ou não, especialmente aquelas produzidas pela indústria cultural, às quais os espectadores são expostos de forma automática, involuntária e instantânea. A profusão de informações visuais e a rapidez como as pessoas as recebem muitas vezes não permitem que os sentidos dessas informações sejam compreendidos e analisados criticamente, embora as imagens veiculadas pelas mais diversas mídias continuem ininterruptamente comunicando uma série de significados, dentre os quais apenas os mais imediatos e superficiais são assimilados.

Além disso, a superexposição constante a imagens pode acarretar também uma transformação nos processos dos pensamentos humanos. Segundo Mariotti

A iconização da sociedade, isto é, o fornecimento de um mínimo de palavras escritas e um máximo de imagens padronizadas, conduz a uma diminuição do contato com a razão – o logos. Disso resulta a restrição ao acesso das pessoas ao imaginário, o que as leva a ver o mundo de modo concreto e literal (MARIOTTI, 2000, p. 296).