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E RVERV OG LANGSIKTIGHET

6. D ISKUSJON

6.6. I DENTIFISERTE UTFORDRINGER

6.6.2. E RVERV OG LANGSIKTIGHET

A resposta missional demandará a visibilização ou exteriorização da imagem que se tem da Trindade. A imagem encarnada da Trindade é Jesus Cristo. Como afirma Floristán, “a fé se expressa de acordo com as imagens que se dão de Jesus Cristo, centro da vida cristã, da ação pastoral e da reflexão teológica”309. Assim, a pastoral está diretamente ligada à visão ou à imagem que se tem de Jesus Cristo. É preciso compreender qual é a imagem de Jesus Cristo na pastoral evangélica de Costas e a sua relação com a sociedade.

Costas, em palestra proferida na abertura da Primeira Conferência dos Teólogos de Missão Evangélicos do Mundo dos Dois Terços310, realizada em Bangkok, Tailândia, identificou que um dos problemas para uma pastoral evangélica para o homem latino-americano era a imagem de Jesus Cristo que esse recebia ou alimentava.

Durante essa consulta circulou uma declaração elaborada por “um grupo de asiáticos, africanos, latino-americanos, antilhanos e negros norte-americanos”311. Nessa declaração, o grupo recomendava à Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial que afirmasse seu contínuo compromisso com o Pacto de Lausanne, especificamente a seção 5, em que se lê:

308 FLORISTAN, Teologia practica: teoria y práxis de la accion pastoral, p. 10. 309

Ibid, p. 34.

310

COSTAS, Orlando. Proclamando a Cristo no mundo dos Dois Terços. In: STEURERNAGEL, Valdir Raul (Org.). A serviço do reino: um compêndio sobre a missão integral da igreja. Belo Horizonte: Missão Editora, 1992, p. 169.

311

Ibid, p. 169. p d fMachine

Afirmamos que Deus é tanto Criador como Juiz de todos os homens, portanto, devemos participar dessa solicitude divina pela justiça e reconciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação do homem de toda forma de opressão. Sendo o ser humano feito à imagem de Deus, toda pessoa, independente de raça, religião, cor, cultura, camada social, sexo ou idade, possui uma dignidade intrínseca, razão pela qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Quanto a isto, também, externamos o nosso arrependimento por nossa negligência por termos, às vezes, considerado a evangelização, e a ação social, e nem a emancipação política, salvação, contudo, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são, ambos, parcelas do nosso dever cristão. Ambos são expressões necessárias das nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, do nosso amor para com o próximo e da nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também em uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, opressão e discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que prevaleçam. Quando alguém recebe a Cristo, nasce de novo no seu reino e, conseqüentemente, deve buscar não somente manifestar como também divulgar a sua justiça em meio a um mundo ímpio. A salvação que afirmamos deve produzir em nós uma transformação total, em termos de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta. 312

Em sua denúncia, a declaração chamou a atenção para os perigos do descumprimento da seção 5 do Pacto de Lausanne:

Já que o mundo não é feito só de grupos de pessoas, mas também de instituições e estruturas, o Movimento de Lausanne, se quiser provocar um impacto evangelístico profundo e duradouro nos seis continentes do mundo, precisa fazer um esforço especial para ajudar os cristãos, as igrejas locais, as denominações e as agências missionárias a identificar não apenas grupos de pessoas, mas também as instituições políticas, econômicas e sociais que determinam suas vidas e ainda as estruturas que as controlam e que atrapalham a evangelização do mundo, a LCWE (como a expressão visível do Movimento de Lausanne) terá que dar diretrizes aos cristãos que, em muitas partes do mundo, lutam com os problemas de discriminação racial, tribal e sexual, de imperialismo político, exploração econômica e tortura física e psicológica por parte de regimes totalitários de qualquer ideologia e com as lutas por libertação que surgem como conseqüência dessa violenta agressão.313

A resposta dos representantes da Comissão de Lausanne para Evangelização Mundial não foi satisfatória. Entretanto, a declaração ajudou a explicitar uma tríplice convicção sobre questões teológicas pastorais. Primeiro, o problema cristológico314. Segundo, a questão dos povos oprimidos do mundo dos

312

DUSILEK, Darci. Para que o mundo e o Brasil ouçam a sua voz: documentos de Lausanne. Belo Horizonte: Comissão Brasileira de Evangelização, p. 9-10.

313 COSTAS, Proclamando a Cristo no mundo dos Dois Terços, pp. 170-171. 314

Ibid, p. 174. p d fMachine

Dois Terços315 e, por último, “a troca de idéias nos convenceu da necessidade de refletirmos sobre esta e outras questões semelhantes como evangélicos vindos do Mundo dos Dois Terços, independentemente de quaisquer vínculos, quer organizacionais, quer financeiros ou ideológicos”316.

Costas sintetiza a preocupação dos teólogos do Mundo dos Dois Terços ao declarar que

Nós nos encontramos como cristãos evangélicos, tentando compreender o que significa proclamar o nome de Cristo em um mundo religiosamente pluralista e cercado de situações de pobreza, impotência e opressão. Ao nos encontrarmos aqui, une-nos não somente uma preocupação teológica, mas também uma preocupação missiológica. Nosso objetivo é ajudar o movimento evangelical em geral e nossas respectivas igrejas em particular a darem acerca de Jesus Cristo um testemunho que seja biblicamente mais fiel, espiritualmente mais autêntico e socio-culturalmente mais relevante no Mundo dos Dois Terços. Para alcançar este objetivo, primeiro precisamos compreender o problema que implica proclamar a Cristo no Mundo dos Dois Terços.317

A partir da sua perspectiva latino-americana, Costas entendeu que as imagens de Jesus Cristo forjadas na ação missionária protestante produziram um “Jesus” privatizado. Era necessário buscar caminhos para uma pastoral evangélica para o homem latino-americano que veiculasse e vivenciasse uma imagem contextual de Jesus Cristo. Costas explica que as imagens de Jesus Cristo têm

[...] recebido faces que, além de serem destituídas da realidade política, econômica, racial, social e cultural do povo, o foram também do próprio testemunho dos Evangelhos do Novo Testamento. De fato, na proclamação da igreja Jesus geralmente aparece com todas as faces imagináveis, menos uma que reflita características locais318.