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2 Innledning

6.4 E rfaringer og synspunkter

4.1.1. Como a linguagem verbal nos anúncios brasileiros de carros foi se associando a outras semioses na constituição do gênero anúncio publicitário?

Para respondermos a esta questão, partimos para a análise da categoria contexto, focando o componente ambiência, a partir do qual constatamos que, com a concorrência estabelecida entre as duas maiores empresas de automóveis, Ford e Chevrolet, localizadas no Brasil, no início do século XX, houve uma maior busca por investimentos na área da publicidade das marcas Ford e Chevrolet, fato esse que acarretou numa maior mobilização de recursos multimodais nos anúncios publicados a partir da década de 1930. Nesse sentido, a disputa por espaço no mercado consumidor apresentou-se como um fator primordial na elaboração dos anúncios divulgados pelas duas fábricas. Além disso, fatores históricos como a corrida espacial e o surgimento de novas mídias (rádio, televisão e internet) fizeram com que os anúncios impressos tomassem uma nova dimensão, apresentando, em suas composições, elementos que caracterizam essas mídias.

4.1.2. Como a multimodalidade foi incorporada aos anúncios publicitários de carros e que funções discursivas assumem os recursos multimodais em relação ao público consumidor?

A incorporação da multimodalidade aos anúncios de carros se deu, conforme vimos na questão anterior, devido à disputa entre as fábricas de carro Ford e Chevrolet. Mesmo com a conquista de mercados, as empresas continuaram a investir na produção de anúncios, relacionando, a cada década, o produto a ser vendido a um público específico.

Sendo assim, ao analisarmos a subcategoria interlocutores, presente na categoria contexto, verificamos que o público consumidor, que caracterizava a sociedade de consumo de cada década, contribuiu sobremaneira para que as fábricas de carros redimensionassem suas produções, fator este que pode ser justificado pelas fábricas produzirem automóveis buscando conquistar um público

com comportamentos sociais distintos a cada período, passando, assim, a produzir anúncios específicos a cada público.

4.1.3. Que fatores explicam a inserção da linguagem multimodal como uma tradição discursiva dos anúncios publicitários de carros?

Para analisarmos a inserção da linguagem multimodal como uma tradição discursiva, na categoria texto, elencamos as características formais presentes no gênero anúncio, dentre elas, analisamos o uso dos recursos multimodais na constituição desse gênero. Assim, partimos para o exame da subcategoria forma que, segundo Zavam (2009) em conjunto com as subcategorias conteúdo e norma, compõe a categoria texto.

Com base no componente forma, o qual é marcado pela união do texto verbal com o texto não verbal, verificamos que os anúncios veiculados durante as décadas de 1920 e 1930 eram formulados, predominantemente, em preto e branco, embora já na década de 1930 outras semioses tenham se incorporado aos anúncios de carros brasileiros devido ao processo de disputa de mercado traçado entre as empresas Ford e Chevrolet. Nos anos de 1940 e 1950, os anúncios passaram a ser mais coloridos e a apresentar outras imagens além dos carros anunciados, sendo o diferencial entre essas duas décadas o fato de os anúncios de 40 serem dotados de textos bem maiores em relação aos apresentados em 50. Já nas décadas de 1960 à 1980, além da variação de cores ser constante bem como o uso de imagens, aumenta a influência da linguagem narrativa da televisão. Por fim, na década de 1990 e na primeira década do século XXI, há uma diminuição do texto linguístico, dando, no processo de construção do sentido da mensagem veiculada no anúncio, um maior espaço à presença de imagens, bem como à influência da composição das cores.

Salientamos aqui que as observações sobre o uso dos recursos grafo- espaciais não podem ser encerrados apenas no componente forma, pois não se configuram apenas como meros contornos no gênero anúncio. Em outros termos, ao analisarmos os anúncios de carros veiculados no período de tempo entre a década de 1920 e a primeira década do século XXI, percebemos que os recursos

multimodais são dotados de valores significativos e se repetem ao longo da história dos anúncios, contribuindo para construção da mensagem pretendida pelo enunciador, configurando-se assim como uma Tradição Discursiva, uma vez que se trata de um signo constante dentro do gênero. Além disso, a utilização dos recursos multimodais, presentes nos anúncios, e a produção do discurso são determinadas pelos momentos socio-históricos, o que nos faz entender que, no modelo teórico- metodológico proposta por Zavam (2009), a multimodalidade não se insere apenas como um elemento grafo-espacial, pois auxilia sobremaneira na construção do discurso, fazendo com que ela não esteja presente apenas no componente forma da categoria texto, mas também em todos os componentes das categorias texto e contexto.

Assim, o uso dos recursos multimodais irá variar, ao longo das décadas, em função dos fatores sócio-históricos (ambiência), do público-alvo (interlocutores), do gênero, tópicos discursivos (conteúdo) apresentados nos anúncios e da presença ou ausência dos movimentos retóricos (norma).

4.1.4. De que forma o fenômeno da transmutação pode alterar os recursos multimodais utilizados ao longo da história do gênero anúncio?

Com a constante utilização dos recursos multimodais no gênero anúncio, bem como com a inserção de novas modalidades advindas da influência de outras mídias como a televisão, a internet e o rádio, o anúncio sofreu um processo de transformação não resultando, todavia, em um novo gênero. A esse processo dá-se o nome de transmutação inovadora, no qual o gênero sofre alterações, como verificamos nos anúncios brasileiros de carros que, ao longo das décadas de 1920 à primeira década do século XXI, foram reelaborados devido à mobilização de variados recursos multimodais em suas composições, fator este responsável para entendermos a multimodalidade como uma genuína tradição discursiva.