4. FINDINGS
4.2. E NGLISH LEARNING INSIDE AND OUTSIDE OF THE CLASSROOM
A aquisição de gêneros alimentícios para as refeições na escola é feito de forma direta pela gestão da escola com os recursos púbicos. Contudo no período eleitoral de 2010 esta prática foi desconsiderada pela rede estadual de educação, pois o órgão de gestão da merenda encaminhou alimentos industrializados, o que destoou dos gêneros alimentícios regularmente preparados e consumidos no CEFTI Raldir Cavalcante.
Esta situação provocou os alunos a se manifestarem, resistindo ao consumo dos novos gêneros alimentícios logo na primeira semana de inserção destes no cardápio da alimentação escolar. Atitude sucedida nas três principais refeições cotidianas da escola.
NOTA DE CAMPO 19:
Por volta do mês de outubro de 2010, na semana anterior ao segundo turno da eleição para governador do estado do Piauí – dia 31 de outubro de 2010 – me deparei com um fato um tanto surpreendente: o atual governador, candidato na época, encaminhou alimentos industrializados (almôndegas, sardinha, achocolatado adocicado, dentre outros) prestes a perder o prazo de validade, implicando na obrigatoriedade de consumo imediato, em 1 mês e meio,
aproximadamente. A chegada de alimentos industrializados – com prazo de validade bastante curto – a serem inseridos no cardápio da merenda escolar sucedeu em outras mais escolas, estando sob a punição de que aquela que não incluísse aqueles alimentos nos próximos dias, ou os rejeitasse, não receberiam a verba destinada aos alimentos nos próximos 3 meses.
Surpreso? Sensação de revolta? Não acho que nem mesmo a conjunção dessas palavras poderia me aproximar do que senti naquele dia. O mesmo sentimento difícil de descrever que senti, também era comungado com demais funcionários da escola. Entretanto, eram também visíveis as suas tentativas de
“encobrir” qualquer chateação evitando que aquilo se redirecionasse para as
crianças da escola. Prontamente, a direção da escola se reuniu com as cozinheiras escolares, e assim acordaram em fazer preparos mais próximos possíveis de alguns outros já habituais na alimentação dos alunos na rotina escolar.
FIGURA 29 - Na primeira imagem Dona Celeste, abrindo as latas de sardinha para o preparo do almoço, já manifestando que sua estratégia será preparar uma farofa de sardinha, acreditando ser mais apreciável pelos alunos. Enquanto que na segunda imagem, expostos no balcão vários pacotes de farinha pré-cozida, mais um dos alimentos chegados às vésperas da eleição.
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Durante a primeira semana os alunos manifestaram uma certa resistência aos novos gêneros alimentícios. Entretanto, com algumas estratégias pensadas pela direção e cozinheiras escolares, considerando o gosto dos alunos manifesto até o referido momento do ano letivo (mês de novembro), implicaram na mudança das formas de preparo e de servir daqueles alimentos (farofas e tortas, por exemplo), ocasionando em uma maior aceitação.
Com isso, a rotina alimentar da escola seguiu em seus horários e respectivos personagens... E foi justamente com os protagonistas do cotidiano escolar, os alunos, que algumas manifestações foram se evidenciando. Muitos manifestaram
rejeição daqueles “novos” alimentos, outros poucos aceitaram sem questionar
muito. Tais rejeições não perduravam já que também essas crianças passavam o dia na escola, e inevitavelmente, se dispunham a experimentar e conseqüentemente a ensaiar breves apreciações.
E assim, com alimentos inesperados e forçadamente inseridos no cotidiano
alimentar do Raldir, foram findados os dias de experimentação e “aceitação”. E eu,
meio que conjugando reações, só tomei o tal achocolatado adocicado... (blué!!)
FIGURA 30 - Ilustrações com instantes diversos da merenda matutina em que os alunos experimentaram o cuscuz com achocolatado – alimentos também trazidos às vésperas da eleição de governador. Nas imagens, é verificado que os alimentos foram servidos em recipientes diferentes, muito embora, a grande maioria dos alunos optou por degustá-los misturando o cuscuz com o achocolatado, julgando ser mais gostoso.
grggegge FONTE DO AUTOR
Tal situação revelou quão introjetada está a prática alimentar ali desenvolvida entre os escolares do CEFTI Raldir Cavalcante, bem como também ilustra a capacidade de
“reelaboração” do preparo dos gêneros alimentícios por parte das cozinheiras escolares e do
diretor, que por serem industrializados, eram alimentos que traziam em sua indicação da embalagem diferenciadas formas de preparo. Mas, mesmo assim, por meio das adaptações realizadas no preparo, foram considerados o gosto dos escolares, mantendo-se o valor nutricional.
Ainda em relação aos alimentos industrializados é válido mencionar que a direção da escola recebeu determinações específicas para consumir tais alimentos antes de findar os prazos de validade determinado pelos produtos. Destarte, a escola mesmo sofrendo a referida imposição, não interrompeu a prática da educação do gosto direcionada para uma alimentação saudável, buscando estratégias para não desperdiçar os alimentos e nem apresentá-los na forma original – indicada pelas embalagens dos produtos – respeitando os gostos já construídos/ educados junto aos alunos.
Assim, para que haja eficácia do trabalho de Educação na área da alimentação, os aspectos nutricionais por si só não contemplam as propostas educativas. É preciso trabalhar com o conhecimento/ informação, contrapondo o papel da mídia, do próprio poder público e de outros veículos de informação, os quais manipulam idéias e ditam comportamentos. Conscientizar promovendo o alcance dos fatos, o reconhecimento das influências e repercussões que um ato pode desencadear. Faz-se necessário, neste contexto social pós- moderno, uma nova pedagogia para a educação nutricional, que vise esta conscientização (PADOVINI, 2007).
E, com isso, atuar de modo flexível quanto às manobras educativas que lhe possam ser impostas, a fim de que se realizem propostas compatíveis com essas adversidades, e que trilhem em comunhão com seus objetivos educacionais.