• No results found

3. TEORI OG EMPIRI

3.4 E NERGIEFFEKTIVISERING I DAGLIGVAREBRANSJEN

Ouro Preto é uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, que atualmente possui um famoso carnaval. A festa tinha como atrativos os desfiles de escola de samba e dos blocos, que aconteciam na Praça Tiradentes, um marco da cidade. No começo da década de 80 o carnaval ouro-pretano era pouco conhecido e procurado, até mesmo pelas cidades de seu entorno, porém a cidade sempre alegava ter um carnaval baseado na tradição da cidade e os as escolas de samba e os blocos eram atrações, chegando a completar cem anos na década de 80, “Z L ” ( Y OR 2012)

O carnaval realizado em local aberto vai crescendo juntamente com blocos e escolas de samba, que aos poucos vai ganhando as notícias do estado de Minas Geais e do país. A festa cresce a cada ano e foliões de todas as partes do país vão aparecendo para conhecer a festividade de Ouro Preto.

Em 1984 parece que o carnaval se torna consolidado no cenário mundial, atraindo mais turistas e também, patrocinadores. Acredita-se que a participação de patrocinadores privados tenha incentivado jornais a escrever sobre o carnaval da cidade e com isso chama-se mais turistas. E é, também, a partir desse ano que começa-se a investir no turismo de Ouro Preto.

A constatação do incentivo ao desenvolvimento do setor turístico no Brasil, em Minas Gerais e, especialmente, em Ouro Preto no período da pesquisa, tornou-se um fator de grande importância para se pensar a construção de um mercado da festa na cidade e de um imaginário sobre o seu carnaval. Segundo as fontes consultadas, uma das grandes possibilidades de desenvolvimento econômico para o Brasil nos anos 1980 era o turismo. Em uma das reportagens do jornal Estado de Minas, fica claro o grau de importância que vinha sendo atribuído a esse setor (MAYOR, 2012, p. 79).

A ideia de se investir no turismo traz o conceito de que quanto mais turistas melhor para o evento ou cidade. Nem sempre esse conceito deve ser entendido como a melhor opção. Porém, também devido ao difícil momento econômico vivido pelo Brasil, Ouro Preto começa a se divulgar como destino turístico, chamando o maior número de turistas possíveis para suas festividades. Além do carnaval a cidade possui pequenas festas religiosas que também chamam a atenção de visitantes (MAYOR, 2012).

O desenvolvimento do turismo, de forma geral no país, fez com que diversas cidades tentassem se encaixar no circuito turístico, em Minas Gerais, por exemplo, as pequenas cidades tinham patrimônio histórico a oferecer e isso faz com que os visitantes se seduzam pelas antigas construções, ruas de pedras, comida caipira e o ar interiorano dessas cidades, na mesma medida que o brasileiro passa a adquirir o hábito de viajar. Essa foi uma das maneiras de impulsionar a economia do país.

No entanto, o carnaval desempenhou importante função como forma de promover as cidades mineiras, à medida que estas também começavam a ser promovidas como destinos turísticos. No ano de 1980, já havia a preocupação em atender aos turistas que chegavam a O : “ T toda a orientação aos turistas, a fim de encaminhar os interessados às pousadas e hotéis, ou a uma das diversas repúblicas estudantis da cidade (MAYOR, 2012, p. 85).

Mayor e Rosa (2010) acreditam que a partir de 1984, aproximadamente, o carnaval teve outro impulso e possivelmente uma fonte de mudanças, a proliferação de repúblicas de estudantes, que se instalavam na cidade para cursar a federal lá instalada. Os estudantes começaram a organizar desfile de blocos durante o carnaval e também traziam um grande número de pessoas para a festividade. Esse fator faz com que o carnaval vire uma festividade de jovens, que facilmente sucumbem as imposições culturais e a estereótipos negativos.

Pode-se dizer que assim o carnaval vai se desenrolando até 1997, quando uma grave enchente atinge a cidade e faz com que a prefeitura repense na forma de financiar o carnaval. Mesmo com a participação de empresas privadas, como já citado, boa parte dos custos e esforços para que a festa a aconteça são provenientes da prefeitura. A enchente faz com que as verbas sejam comprometidas em ações emergências que visavam minimizar os danos das enchentes e assim o carnaval, mesmo com toda sua representividade, fica em segundo plano.

Mayor e Rosa (2010) defendem que o carnaval foi, de certa maneira, utilizado como forma de divulgar o turismo no país. Até a década de 80 não se tinha nenhum tipo de planejamento turístico no Brasil, quando se começaram os esforços para criar um circuito turístico e promover esse tipo de atividade no país, as festividades de carnaval, principalmente nas pequenas e pacatas cidades mineiras, se transformaram em produto turístico.

Sendo assim, o produto oferecido e em grande parte já vendido para o ano de 1997, visto que as fortes chuvas e inundações aconteceram em janeiro e o carnaval desse ano seria em fevereiro, não poderia deixar de acontecer. Assim busca-se a parceria de empresas privadas, mesmo que isso significasse mudanças na festa. A mídia noticia em massa os auxílios financeiros de empresas privadas e há grande cobrança para que o carnaval realmente aconteça (MAYOR, 2012).

Ainda de acordo com Mayor (2012) é nesse ano que nota-se a maior interferência dos patrocinadores na festa, uma marca de cerveja consegue colocar seu logo em um dos acessórios de um dos blocos mais tradicionais da cidade e aos poucos as empresa privadas começam a ganhar espaço nos eventos de Ouro Preto. Seguindo a mesma linha, as secretarias de turismo fazem de tudo para promover ainda mais o turismo na cidade e medidas são tomadas para conseguir alavancar essa atividade.

No ano de 1995, foram anunciadas outras medidas adotadas para promover o turismo em Ouro Preto, como: restauração de igrejas; projeto de criação de um centro de convenções; qualificação de mão-de-obra; anúncios em jornais e rádios; criação de postos de informação; elaboração de novos tipos de folhetos turísticos (cartazes, folders, etc.); e conscientização da população sobre a importância do turismo. Em meio a estas iniciativas, foi anunciada, novamente, a organização de “ ” “ iluminação, transporte, patrocínio de bandas e outras formas de apoio, inclusive a ” (MAYOR, 2012, p. 112).

A criação do centro de convenções, onde atualmente são realizadas as festas de carnaval, foi indício de uma grande reviravolta na festa da cidade. Antes a festa era tradicionalmente realizada em praça pública, agora realizada em evento fechado institui-se também a utilização de abadas como ingressos da festa. Os abadas são camisetas que valem como ingressos, dessa maneira todos vão vestidos de maneira uniforme para o carnaval. O centro de convenções é, também, um grande espaço midiático, onde empresa expõe marcas e produtos e a comercialização parece ser o mais importante.

Mayor (2012) destaca que alguns movimentos tentam resgatar ou manter tradições da cidade, porém a mercantilização da festa, principalmente com a venda de ingressos para participar da folia, o que antes era gratuita, faz com que todas as questões culturais sejam colocadas em segundo plano pelos moradores e desconhecidas pelos turistas.